fonte: http://www.ultimato.com.br/?pg=show_artigos&artigo=2537&secMestre=2563&sec=2571&num_edicao=322
Crer não é sinônimo de não pensar. Crer implica em pensar, em relacionar fé com a realidade, questionando uma a partir da outra. O conteúdo são pensamentos às vezes rápidos, em elaboração; outros, já mais elaborados. Ambos buscando provocar discussão e reposicionamentos, partindo sempre da confissão de fé protestante. Os artigos classificados como "originais" podem ser reproduzidos desde que com a menção da fonte e autoria. Ano V
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Sem anos de indigenismo
fonte: http://www.ultimato.com.br/?pg=show_artigos&artigo=2537&secMestre=2563&sec=2571&num_edicao=322
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Deus está no Haiti?
Desde a perspectiva científica, o terremoto tem uma dupla explicação. Por um lado, uma zona sísmica, sempre ameaçada por terremotos e maremotos, que acontecem com frequência. Por outro, que se praticou um desflorestamento em massa no país, que contrasta com a superfície da República Dominicana, a outra parte da ilha.
Além disso, deu-se uma sobre-exploração do solo, um esgotamento dos recursos naturais, em parte por empresas que foram pão para hoje e fome para amanhã, e uma forte explosão demográfica sob governos corruptos e ditatoriais, como os Duvalier, cujo herdeiro gasta hoje sua fortuna na França.
A reportagem é de Juan A. Estrada, publicada no Diario de Sevilla, 23-01-2010. A tradução é de Vanessa Alves
Quando o terremoto chegou, quase tudo veio abaixo, incluindo o centro histórico e as instalações estatais. Mas o bairro rico e moderno de Pétion Ville, em Porto Príncipe, mal sofreu danos. É uma ilha segura, sólida e livre de desastre natural.
A conclusão é evidente: com outra política e governo, outra distribuição da riqueza e outro tipo de construções teria se amortecido muito a violência da natureza no país mais pobre da América.
Antes de se perguntar por Deus - Por que permite isso? - é preciso perguntar ao homem como consentimos que tantos seres humanos vivam na miséria, indefesos perante a natureza? A tragédia do Haiti é sequência do tsunami da Indonésia e virão muitos mais, porque três quartos da humanidade vivem na pobreza, sem meios para controlar a natureza. Temos os recursos técnicos e materiais para reduzir ao mínimo estes desastres, mas a distribuição internacional da riqueza os invalida.
E onde está Deus? Seguimos esperando milagres divinos que mudem o curso da natureza; apelamos à Providência para que intervenha nas catástrofes naturais; rezamos e pedimos prodígios e sinais. E Deus guarda silêncio e não atua como esperamos. Não aprendemos da história. Não parou a cruz no Gólgota; não interveio para evitar Auschwitz; não é o Deus relojoeiro de Newton, que ajusta o relógio natural de vez em quando; não modifica as leis da criação, descobertas pela ciência.
O homem e o universo são obras de um criador que respeita a liberdade humana e o dinamismo da natureza. Se buscamos ao Deus milagreiro, sempre à escuta dos desejos do homem, busquemos em outra religião, não na do Deus crucificado. É inconcebível que os cristãos sigam esperando intervenções prodigiosas, como em tempos de Jesus, sem assumir a maioridade do homem e a autonomia do universo, cujas leis conhecemos melhor e cada vez mais.
Por outro lado, encontraremos Deus, se o buscamos identificando-se com as vítimas e chamando aos homens de boa vontade à solidariedade e a justiça; se esperamos que Deus nos inquiete, nos provoque e nos incite a colaborar de mil maneiras para mitigar a dor no Haiti; se achamos que Deus não é neutro e que o contraste entre o grande mundo pobre e a minoria de países ricos clama ao céu.
É preciso ajudar Deus para que se faça presente no Haiti, porque necessita dos homens para que chegue aí o progresso e a justiça. Os mortos e refugiados da catástrofe têm fome de justiça, a das bem-aventuranças, e Deus necessita de testemunhas suas para fazer-se presente.
Ninguém pode falar em nome das vítimas sem experimentar seus sofrimentos nem padecer sua forma de vida, só fazer-nos presentes a eles. O protagonismo corresponde ao ser humano: Deus é autor da história, logo inspira, motiva e envia para a solidariedade e a justiça. O Deus cristão não é a divindade grega que sente ciúmes do homem e castiga Prometeu, mas o que se orgulha da capacidade para gerar vida com a ciência e o progresso, só exigindo que os recursos naturais se ponham a serviço de todos.
É preciso agir como "se Deus não existisse" e tudo dependesse de nós, universalizar a solidariedade e mudar as estruturas internacionais que condenam povos inteiros à miséria. A partir daí podemos esperar tudo de Deus e pedir-lhe que fortaleça, inspire e motive os que lutam por um mundo mais justo e solidário.
Dentro de poucos meses, o Haiti será uma mera lembrança, exceto para os que seguem ali, e teremos esquecido, como a Indonésia ou os famintos da África subsaariana. A grande tragédia do século XXI é a de uma humanidade que tem recursos para acabar com a fome e mitigar as catástrofes naturais, mas prefere empregá-los em armamento, para defender-se dos pobres; em policiais, para evitar que cheguem em nossas ilhas de riqueza e nos esbanjamentos consumistas de uma minoria de países.
Do mal do Haiti somos todos responsáveis, e a solidariedade não pode ficar no acontecimento pontual, mesmo que seja necessária, mas exige outra forma de vida.
fonte: http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=29316
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
QUEM PECOU? OU PORQUE SOFREM OS HAITIANOS?
Rev. Sandro Amadeu Cerveira
Em uma de suas muitas caminhadas Jesus e seus discípulos se depararam com um homem cego de nascença que mendigava nas ruas de Jerusalém. Diante da cena de sofrimento e dor logo pedem uma explicação. "Rabi, quem pecou, ele ou seus pais, para que nascesse cego?" (João 9:2)
A pergunta dos discípulos toca em uma de nossas piores angustias: Afinal por que sofremos? A coisa fica mais complicada se cremos que Deus é simultaneamente Todo poderoso e Bom.
Como explicar? De quem é a culpa? A questão, como colocada pelos discípulos, já sugere um tipo de resposta. O sofrimento é castigo. É uma questão de justiça. Não há como negar que essa é uma resposta razoável. Não raro nossas dores têm mesmo como causa o erro e o pecado. Na pergunta dos discípulos aparecem as duas variantes dessa resposta.
Alternativa A – O sofrimento é um castigo merecido pelo próprio indivíduo que sofre. O homem pecou e por isso nasceu cego. Não fica claro se os discípulos estariam repetindo algum tipo de explicação cármica, comum em sua época, ou se para eles Deus pune por antecedência pecados ainda não cometidos. Não importa. Seja como for, nesse raciocínio, mesmo o sofrimento de um recém nascido com hidrocefalia ou soterrado nada mais é do que o merecido castigo de seus próprios pecados. Não há inocentes. Todos recebem apenas o mal que merecem.
Alternativa B – O sofrimento é um castigo herdado de outros. Às vezes os "justos pagam pelos pecadores". No pensamento de muitas culturas antigas as famílias são solidárias as penas de seus líderes. Filhos e esposas eram escravizados para pagar as dívidas dos pais, filhos eram mortos no lugar dos pais e isso era o normal. O cego de nascença estaria sofrendo porque seus pais cometeram algum pecado quer mereceu a dor de ter um filho cego, e ele, que não pecou recebeu como castigo a sina de viver nas trevas desde seu nascimento.
Seja como for, nesse tipo de explicação a causa do sofrimento é sempre o pecado de alguém. Os amigos de Jó pensavam assim e por isso não conseguiam compreender a tragédia que se abateu sobre o amigo sem imaginar algum pecado oculto.
A resposta de Jesus, como de costume, extrapola os parâmetros da pergunta. Não foi culpa dele. Não foi maldição hereditária. "Respondeu Jesus: Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus." Como? A dor e o sofrimento podem ser dados pelo próprio Deus sem que seus filhos tenham feito nada de errado? Sem merecer punição ou castigo? Parece que é isso mesmo. Jó expressou bem essa idéia quando disse: "o SENHOR o deu e o SENHOR o tomou; bendito seja o nome do SENHOR!" ou ainda "temos recebido o bem de Deus e não receberíamos também o mal?" (Jó 1:24 e 2:10)
Dura é esta palavra, mas também libertadora. Se por um lado ela lança uma profunda interrogação sobre os motivos que o Todo Poderoso tem para nos fazer sofrer, por outro ela nos liberta da lógica infantil e ilusória de que a vida sobre a terra pode ser descrita como meninos bonzinhos ganhando presentes de Papai Noel e os malvados sendo punidos com varadas.
Voltando a questão inicial. Eu não sei por que sofrem os haitianos. Nosso pouco conhecimento de sua religiosidade torna tentador o discurso da "maldição africana". Se formos porém, esse caminho deveria nos levar a esperar fogo e enxofre sobre TODOS os povos e países. Nas palavras de Paulo o apóstolo.
"Temos nós qualquer vantagem? Não, de forma nenhuma; pois já temos demonstrado que todos, tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado; como está escrito: Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus;todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer.
A garganta deles é sepulcro aberto; com a língua, urdem engano, veneno de víbora está nos seus lábios, a boca, eles a têm cheia de maldição e de amargura; são os seus pés velozes para derramar sangue, nos seus caminhos, há destruição e miséria; desconheceram o caminho da paz.Não há temor de Deus diante de seus olhos." (Rm 3:9-18) De fato parece que não há inocentes.
fonte: http://www.segundaigreja.org.br/pastorais_view.asp?id=60
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Carta do diabo a Pat Robertson
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Haití y el dios de Pat
La semana pasada el aclamado (por algunos) presentador cristiano de The 700 Show nos sorprendió con unas declaraciones bastante inapropiadas. Cuando la mayoría de personas alrededor del mundo nos frotábamos los ojos ante el desastre ocurrido en uno de los países más pobres de occidente, Pat Robertson nos ofrecía su interpretación teológica de la catástrofe en una televisión supuestamente cristiana (Christian Broadcasting Network). Según el citado personaje, el terremoto que ha destruido las vidas de tantos habitantes de Haití fue un castigo divino como consecuencia del pacto que dicho país hizo con Satanás hace mucho tiempo en una ceremonia religiosa para librarse del poder imperialista francés. Es decir que como consecuencia de una ceremonia vudú realizada por unos esclavos a finales del siglo XVIII desafiando a sus amos cristianos, Dios había decidido matar algunos bebés desnutridos 200 años después. No es la primera vez que algún líder cristiano realiza declaraciones que claman al cielo en momentos de desastres naturales. La ira de Dios ha sido utilizada en numerosas ocasiones por líderes religiosos para explicar, por ejemplo, el huracán Katrina, las inundaciones de Gran Bretaña, la crisis económica o los atentados terroristas. ¿Que una ciudad es inundada por las aguas que han caído el fin de semana? Esto es un castigo de Dios por haber aprobado una ley a favor del aborto. ¿Que un huracán arrasa una ciudad? Dios ha derramado su ira contra los homosexuales que habitan sus calles. ¿Que un tsunami ha matado a cientos de personas? Eso ha sido un juicio de Dios contra el mundo por los avances en el uso de células madre. (Irónicamente, estas mismas personas suelen echar por tierra ideas acerca del calentamiento global como invenciones que los científicos usan para manipularnos.) No importa que hayamos descubierto en muchos casos las razones naturales que explican las probabilidades de que dichos desastres ocurran en algunos países. De alguna forma parece que muchas personas religiosas no suelen conformarse con explicaciones naturalistas a la hora de explicar lo que sucede a su alrededor; siempre suele ser necesario invocar el poder de Dios para explicar tanto lo bueno como lo malo que ocurre en sus vidas y las de los demás. Declaraciones como estas no serían preocupantes si aparecieran únicamente en labios de unos pocos ignorantes. Sin embargo lo verdaderamente triste es que el número de personas que se lanzan a realizar juicios de este tipo es demasiado alto. En mis años de creyente tanto en España como en el Reino Unido he escuchado en más de una ocasión comentarios que caen de lleno en la categoría que yo llamo "teología de Pat". Hace un tiempo escuché cómo un profesor de seminario explicaba el hecho de que un pastor hubiera tenido que dejar su pastorado utilizando el siguiente argumento: "Cuando un pastor tiene una teología que no es la correcta, eso se acaba notando y al final Dios le quita de la posición de liderazgo que ocupa". Esto mismo he escuchado en algunas ocasiones aplicado a distintas circunstancias: "el desastre económico que sufre nuestro país es un castigo de Dios como consecuencia del apoyo que nuestro gobierno ha dado al aborto y la eutanasia", "ese cáncer que tienes es un mensaje de Dios para que dejes de decir lo que dices", "tu hijo falleció porque entendió mal el propósito divino y escogió el camino equivocado", "has acabado sin iglesia porque Dios no acepta algunas de las ideas que mantienes", "no encuentras trabajo porque vives en pecado", etcétera. Cada vez que escucho algunas de estas afirmaciones me crujen las neuronas, no sólo porque hace falta tener poco tacto y amor cristiano para soltarlas en los momentos en los que se suelen soltar, sino porque la teología que habita detrás de ellas no pertenece al Dios de la Biblia. Al menos no al Dios que yo encuentro en las Escrituras. Para algunas personas es como si el libro de Job no hubiera sido escrito nunca. Es como si Jesús hubiera venido a este mundo a hacernos entender que el Dios de Abraham y Jacob es uno que castiga a los hijos por los pecados de los padres, un Dios que lanza su ira a diestra y siniestra sin importar sobre quién vaya a caer. Para estas personas es como si a nuestra pregunta: "Maestro, maestro… ¿quién pecó para que ese sea ciego: él o su padre?", Jesús fuera a responder: "Su padre, querido hijo… su padre". El Jesús que estas personas predican no se parece al que estamos acostumbrados a leer en los evangelios. Al menos no se parece nada al que encuentro yo. Me pregunto cuántos sueltan un ¡Amén! cuando escuchan a Pat decir esas majaderías. Alguno tiene que haber por ahí… quizá más cerca de lo que podemos imaginar… |
sábado, 16 de janeiro de 2010
O Cônsul, o Pastor e o Haiti
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
A Singularidade da fé cristã
Eduardo Ribeiro Mundim
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Pesquisa mostra dilemas de biólogos evangélicos
O biólogo com mestrado em Zoologia do Museu Histórico Nacional Luis Fernando Marques Dorvillé achava que ninguém, dentro de uma universidade, seria capaz de contestar sem base científica o que para a ciência é verdade absoluta. Mas o aumento da incidência de alunos evangélicos nos cursos de Biologia instaurou a polêmica.
A questão que aflige Dorvillé é como alguém pode ensinar ciências sem acreditar na teoria de Darwin? Seu assombro foi tamanho que ele passou os últimos oito anos entrevistando alunos para sua tese de doutorado na UFF. O trabalho narra esses embates usando a experiência do cientista com seus alunos evangélicos no curso de Biologia de um outra instituição do Estado, a Universidade Estadual do Rio (Uerj).
O levantamento mostra que dos 245 matriculados no curso de Biologia da Uerj, em São Gonçalo, 23% são evangélicos. O número é mais alto do que revelou o Censo de 2000 (15,44% dos brasileiros são evangélicos), mas muito próximo das estimativas de crescimento que o próximo Censo deve mostrar em 2010.
Dorvillé distribuiu questionários entre os alunos de todas as religiões. Diante de questões como "Comente a frase: alguns seres vivos têm parentesco maior entre si do que com outros" descobriu que a desconfiança sobre teoria da evolução chega a 70% entre os protestantes, 30% dos católicos e 20% dos espíritas e umbandistas.
"No início eu queria convencer os alunos a ferro e fogo. O resultado era nulo. Eles ficavam quietos, escreviam tudo certo e depois falavam 'mas eu não acredito em nada disso'." Dorvillé mudou a estratégia. Passou a confrontar as ideias religiosas com argumentos, sem tentar demovê-los de suas crenças.
Da indignação para a conciliação demorou um ano. Neste período o biólogo ouviu de tudo. De um aluno mais enfático, no auge da discussão sobre a teoria da evolução, veio a justificativa considerada absurda para um futuro biólogo: "Minha avó não é macaca. Então foi Deus quem criou o homem."
A pesquisa também indicou que os alunos evangélicos mudam ao longo do curso. "A maioria faz uma mediação entre o que diz a ciência e a religião." Acreditam, por exemplo, que há evolução, mas quem guia todo o processo é Deus; ou admitem que a evolução sirva para as outras espécies, menos para o homem; ou que, a criação divina do universo durou seis dias, mas a leitura não deve ser literal, já que entre um dia e outro ocorreram as eras geológicas e o processo de evolução.
De uma coisa eles não abrem mão, diz o professor. "Nunca deixam de ser evangélicos e de acreditar no que a igreja ensina. Nunca abandonam a religião por conta da faculdade." Essa também não é a intenção de Dorvillé. "Quando eu consigo qualquer grau de interferência me sinto satisfeito."
A área de ciências é uma das que mais sofre com a falta de professores no País. Pela carência de profissionais, a maioria dos formandos consegue emprego assim que deixa a universidade. "Muitos deles estudam biologia justamente porque o acesso é mais fácil. Não tem muita disputa de vagas no vestibular", diz.
O cientista conta que, em uma das aulas, ouviu de um aluno uma declaração perturbadora: "Eu sei de tudo isso que você está me falando, mas prefiro não pensar muito." Para Dorvillé, os alunos vivem uma angústia. "Esta visão de mundo ajuda a formar quem eles são. Muitas vezes foi graças a religião que eles, vindo de famílias pobres, conseguiram chegar à universidade."
Na sua tese de doutorado, Dorvillé descobriu também que os futuros professores evangélicos concordam que em sala de aula vão repetir a seus alunos o que aprenderam na faculdade. Mesmo que não acreditem. A religião, dizem eles, vai ficar fora da sala.
"Eu já acho emblemático haver evangélico ensinando teoria evolutiva com alguma propriedade. E eles podem ser bons professores, principalmente porque vão falar para muitos alunos evangélicos nas escolas públicas." Dorvillé confia que eles não vão trair o legado de Charles Darwin.
Aline Malafaia frequenta a Igreja Batista desde os 4 anos. Formada em Biologia pela Uerj, fez a sua própria interpretação sobre a teoria da evolução misturando o que aprendeu no curso com o que ouviu em sermões do pastor evangélico. "Sendo bióloga, não poderia negar que nós e outros primatas temos um ancestral comum. Mas a criação teve a mão de Deus." O curso fez com que Aline encarasse a Bíblia com outros olhos. "Ela não foi escrita para ser um livro científico. Podem ter sido 7 milhões de anos, em vez de 7 dias, e entre eles ocorreu a evolução."
Hoje, Aline dá aulas para crianças. Antes de ensinar a teoria da evolução, quis saber a opinião delas. "Todos responderam que foi Deus quem criou a vida." Mas ela garante que vai ensinar o que aprendeu na faculdade. "São regras que nós professores devemos cumprir."
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Avatar, o filme
Santos no mundo: os cristãos e a arena pública
• Alderi Souza de Matos é doutor em história da igreja pela Universidade de Boston e historiador oficial da Igreja Presbiteriana do Brasil. É autor de A Caminhada Cristã na História e "Os Pioneiros Presbiterianos do Brasil".
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Bioética e Fé Cristã número 6 ano IV
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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Teologia tem contribuições a dar às questões climáticas
Genebra, terça-feira, 22 de dezembro de 2009 (ALC) - O que diz a Bíblia sobre a mudança climática? Quais idéias teológicas as igrejas podem oferecer ao mundo frente a uma crise ecológica sem precedentes?
Estas perguntas, propostas num seminário sobre "A criação e a crise climática", assistido por representantes de igrejas durante a Cúpula do Clima da ONU, reunida em Copenhague, parecem hoje ainda mais urgentes depois do fracasso do encontro, que não conseguiu produzir um acordo justo, ambicioso e juridicamente vincular que milhões de pessoas esperavam.
"Não há nenhuma relação evidente entre o evangelho e a mudança climática", disse o chefe do Departamento de Teologia Sistemática da Universidade de Copenhague, Jakob Wolf. A Universidade co-patrocinou o seminário junto com o Conselho Nacional de Igrejas da Dinamarca.
Mas como a mudança climática é conseqüência da atividade humana, ela recai sob o imperativo dos princípios éticos, porque os seres humanos são responsáveis de seus atos. A exigência ética de amar ao próximo se aplica aqui porque o "planeta Terra converteu-se em nosso próximo", disse Wolf.
Segundo o acadêmico, uma visão teológica do planeta e da vida que há nele como criação de Deus lhes confere um valor intrínseco, pelo que suscita "respeito e amor". "Quanto mais amamos a vida sobre a Terra mais dispostos estaremos a atuar de forma não-egoísta", sublinhou Wolf.
Esta é a contribuição que a fé e a teologia cristã podem oferecer à luta contra a mudança climática: uma motivação que é abarcadora, profunda e "bem mais vigorosa" do que aquela baseada apenas em "meros cálculos e frias obrigações".
Isto é fundamental, enfatizou Wolf, porque a humanidade "tem à mão todos os instrumentos" para adotar medidas em relação à mudança climática. "A única coisa que falta é a vontade."
A biblista Barbara Rossing, professora na Faculdade Luterana de Teologia de Chicago, Estados Unidos, concordou com Wolf de que "a Bíblia não diz nada sobre a mudança climática". Mas ela crê que os cristãos podem basear na Bíblia sua resposta ao fenômeno.
O ponto de partida de Rossing é a pergunta: "Onde está Deus nesta crise?" Ela recusa a noção de que Deus castiga a humanidade e acredita, antes, que Deus "se lamenta junto com o mundo".
Segundo sua leitura do livro do Apocalipse, "Deus chora pela terra, não a amaldiçoa". As famosas pragas não são predições, senão ameaças e advertências, telefonemas de alarme, projeções do futuro sobre conseqüências lógicas dos atos humanos, se não forem alterados os rumos.
No entanto, para Rossing, o livro do Apocalipse não anuncia o fim do mundo, senão o fim do Império. Por conseguinte, apesar das atuais pautas insustentáveis de consumo e de uma economia baseada no carbono, a teóloga estadunidense encontra nele uma mensagem de esperança: "A catástrofe não é necessariamente inevitável; ainda há tempo para mudar."
Esta "visão de esperança para hoje" é uma contribuição essencial que a teologia e a fé cristãs podem trazer aos esforços mundiais para enfrentar a mudança climática.
"De forma muito ameaçadora e inquietante, a crise do clima nos faz estar unidos como a humanidade una, como a comunidade una de crentes, como a igreja una ", disse o secretário-geral eleito do Conselho Mundial de Iglesias (CMI), Olav Fykse Tveit.
"Somos chamados a mostrar um sinal do que significa ser a humanidade una, do que significa o fato de que Deus ama ao mundo inteiro", disse Tveit. Quando as igrejas se reúnem para oferecer este sinal, a luta contra a mudança climática "nos une de forma muito especial: como igrejas, como crentes".
A mensagem de que Deus ama ao mundo e a cada criatura que há sobre a terra "foi a sensação dolorosa que o movimento ecumênico enfrentou com relação à mudança climática", disse Tveit, recordando a longa história da preocupação do CMI pelas questões ecológicas.
Numa perspectiva ecumênica, a preocupação pela Criação tem estado sempre vinculada à preocupação pela justiça e a paz. "Não se pode dizer que este é um planeta para alguns de nós", disse o secretário-geral eleito, mas"é um planeta para todos nós".
O professor Jesse Mugambi, da Universidade de Nairobi e membro do grupo de trabalho do CMI sobre mudança climática, também destacou esse aspecto. "O mundo é um mundo no qual todos estamos relacionados por parentesco, mas teve algum momentos em que decidimos […] tratar-nos uns a outros como estrangeiros", afirmou.
Mugambi explicou que na África a mudança climática está causando graves secas, por uma parte, e inundações, por outra. Com a ajuda de mapas ele demonstrou que as partes do continente ricas em água e terras cultiváveis são também as zonas de maior conflito. Este conflito "não tem nada que ver com etnicidade, ele está relacionado com os recursos", disse.
Para Mugambi, a função da fé cristã e da religião em geral, por meio de seus líderes e teólogos é a de "fazer-nos voltar às normas" que possam contribuir para enfrentar um problema como a mudança climática.
"Não falamos de 'ajudar' os países africanos", disse Mugambi. "Não é questão de 'ajuda', senão da sobrevivência de todos nós".------------------------
Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC)
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terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Agulhas no corpo e bioética
domingo, 20 de dezembro de 2009
Fé e ciência: irmãs gêmeas ou inimigas? parte 2
Passagens bíblicas para meditação:
Sl 25.1-5
Pv 1.7; 2.1-6; 23.23
Dn 2.20-21
Jo 14.6
Rm 12.1-2
Fp 4.8
• Timóteo Carriker é teólogo, missionário da Igreja Presbiteriana Independente, capelão d'A Rocha Brasil e surfista nas horas vagas. É autor de A Visão Missionária na Bíblia e coordena diversos sites (acesse www.tim.carriker.com).
fonte: http://www.ultimato.com.br/?pg=show_conteudo&util=1&categoria=5®istro=1196
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Minha declaração de não-fé
Porém, como vivemos em um tempo estranho (passamos daquilo que Francis Schaeffer denomina "linha do desespero") onde o "não" significa "sim", o "sim", talvez" e o "talvez", "quem sabe, pode ser, passa lá em casa para tomar um café", resolvo fazer uma confissão de fé diferente. Faço uma confissão de não-fé.
Não creio que o Espírito Santo mude de ideia a cada seis meses, feito barata tonta, teleguiado por gente com desejos inconfessáveis.
Não creio que Deus tenha se "esquecido" de derramar seus dons por dois mil anos, reavivando somente agora alguns dons específicos, como línguas.
Não creio em apóstolos auto-nomeados, auto-ordenados e auto-consagrados. Napoleão Bonaparte sagrou-se imperador e deu no que deu.
Não creio na autoridade bíblica de pessoas que não se submetem a outros, em atitude de total arrogância e prepotência, fazendo do espelho e do afago bajulador os melhores aliados.
Não creio que Deus tenha eleito pessoas especiais dentro de sua eleição salvadora. Tropa de elite é coisa só de filme, ou de polícia.
Não creio na total autonomia humana em fazer escolhas certas sem a ação direta de Deus, especialmente em relação à salvação. Se posso mudar de ideia sobre o que almoçar, quanto mais para algo tão importante quanto seguir a Jesus!
Não creio que meu ego, corrompido pelo pecado, seja um referencial na minha adoração a Deus. Não creio ainda que a adoração deva ser necessariamente individual. A experiência coletiva é altamente benéfica para quebrantar potenciais megalomanias.
Não creio que a submissão, ou melhor, a subserviência da igreja ao Estado seja algo do agrado de Deus. A história se repete como farsa, como bem disse Karl Marx, e Constantino serve de aviso contra a tentação de se aliar ao poder temporal e poder espiritual.
Não creio que constituições, estatutos, manuais, apostilas e coisas parecidas tenham o mesmo peso das Escrituras na vida de um cristão.
Não creio que o ego ou o espelho sejam padrão e medida para a espiritualidade e conduta na vida cristã de outros. Se temos a Bíblia como fonte inesgotável de sabedoria, qualquer tentativa de ir além disso é confissão de farisaísmo.
Não creio em barganhas com Deus. Se eu fosse abençoado única e exclusivamente com a salvação eterna, sem nenhuma bênção aqui na terra, ainda assim teria muito o que agradecer. Afinal, Deus salva e abençoa não por obrigação e pressão, mas por amor e misericórdia.
Não creio no divórcio entre minha vida religiosa e minha vida, digamos, "civil". Os puritanos tinham um lema genial: "Aquilo que você faz fala tão alto que não consigo escutar aquilo que você diz". São separações assim que geram episódios bizarros como a "oração pela propina alcançada".
Não creio em demônios que tomam conta de certas regiões geográficas, ou mesmo de anjos que os combatem nessas mesmas regiões.
Não creio em copo de água em cima da televisão, rosa ungida, toco de carvão, corredor de sal grosso e outras "macumbas gospel". Os sacramentos são elementos comuns (pão, água, vinho) que servem de canal para a graça em nossas vidas. Mas tudo o que citei anteriormente, em vez de ser só uma cópia malfeita dos sacramentos, é, em sua essência, tentativa de manipular um pretenso mundo espiritual a favor daquele que pede.
Vou terminar minha declaração de não-fé com uma declaração de esperança: "Creio e espero que Deus, em sua infinita graça, venha restaurar os corações e as mentes da igreja evangélica brasileira, tornando-a saudável e livrando de seus tumores e mau humores. Derrama sua graça sobre nós, Senhor!".
• Rodrigo de Lima Ferreira, casado, duas filhas, é pastor da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil desde 1997. Graduado em teologia e mestre em missões urbanas pela FTSA, hoje pastoreia a IPI de Rolim de Moura, RO. revdigao.wordpress.com
fonte: http://www.ultimato.com.br/?pg=show_conteudo&util=1&categoria=3®istro=1193