sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Os especialistas / um evangelho egoísta

"Eles se dedicavam ao ensino dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e às orações. Todos estavam cheios de temor e maravilhas e sinais eram feitos pelos apóstolos. Os que criam mantinham-se unidos e tinham tudo em comum. Vendendo suas propriedades e bens distribuíam a cada um conforme a sua necessidade. Todos os dias continuavam a reunir-se no pátio do templo. Partiam o pão em suas casas, e juntos participavam das refeições, com alegria e sinceridade de coração, louvando a Deus e tendo a simpatia de todo o povo. E o Senhor lhes acrescentava diariamente os que iam sendo salvos." Atos 02: 42-47 (NVI)

O crescimento da Igreja dos crentes é um relato empolgante: temor, amor e calor misturados à oração, perseverança e comunhão. Há neste registro tudo o que sonhamos e precisamos para crescer, um crescer saudável e duradouro; não esse processo no qual a Igreja incha por uns tempos e depois volta ao que era, ou regride. Na labuta pelo aumento do rol lançamos mão de todos os meios lícitos, válidos, cristãos e nem tanto.

Diferentes em tudo da Igreja primitiva buscamos na empresa secular os modelos alternativos de crescimento; ainda que o Evangelho que salva e transforma e o Espírito Santo que dá o crescimento sejam os mesmos, imutáveis desde a eternidade, nós insistimos em novas "técnicas" de expansão do Reino.

Tornou-se comum em nossos dias o surgimento de denominações "especializadas" em seguimentos do Evangelho, e fazendo-se "especializadas" fazem-se também arrogantes e relapsas; prega-se um evangelho adaptável, que se adéqua às necessidades do cliente, digo, do crente. Avulta-se o relativo em detrimento do absoluto.

Então temos: quebra de maldição hereditária, e só; confissão positiva, e só; teologia do riso, e só; descapetização, e só; batalha espiritual (seja lá o que queiram dizer com isso), e só; curas e milagres, e só. Cadê o Evangelho integral, bíblico e gratuito? Na minha igreja nós sentimos um imenso e santo orgulho quando dizem que ninguém estuda a Bíblia com maior zelo do que nós; mas, que as mesmas pessoas não apareçam nas reuniões do ministério de oração; um vazio de dar dó. Yes! Nós temos um ministério de oração, Uau!

E quase em frente (à minha igreja) abriram uma "igreja de campanha" e do amanhecer ao anoitecer eles oram e contribuem e empilham envelopes de pedidos e ofertas; (de onde vem tanto envelope?), mas nunca os vi calmamente assentados obedecendo à ordem: "Examinai as Escrituras!" Precisamos de uma e de outra coisa, precisamos atentar para o que diz Pedro: "Crescei na "graça" e no "conhecimento" de Jesus Cristo." II Pe 3: 18. Eu sei, estiquei o versículo!

Carregando o slogan do evangelho social nos tornamos assistencialistas, distribuidores de cestas básicas, e só; sequer oramos por aqueles carentes de tudo, e Mateus 4: 4, como é que fica? Pregamos o Evangelho, a Jerusalém celestial, mas agimos como se aqui e hoje não fossem importantes, mandamos todos para o porvir, sem escalas.

Intercessores, e só; ao passarmos por um "nu faminto sedento enfermo", ao largo passamos. Mt 25: 35. "Ama o teu próximo" vem no vácuo de "Ama o teu Deus"; amo Deus e deixo meu irmão na pior? A igreja da benção "A" despreza a igreja da benção "B" e juntas desprezam a cruz.

O nosso egoísmo produz igrejas egoístas; ouvi um pastor "social" dizer que a igreja dele crescerá "pra dentro"; adeus missionário.

A Igreja precisa apresentar os cuidados com o crescimento social e espiritual aliados à experiência de transformação, da presença soberana do Espírito Santo; estudo bíblico e oração; sopão e louvor e cura cabem no mesmo templo. Adicione conversões aí.

Não precisamos de um evangelho da cura, outro da libertação, da prosperidade, um evangelho da quebra de maldição; mas precisamos da cura, da libertação, da prosperidade, da transformação e da salvação que em nós opera o Evangelho de Jesus, o Cristo.

A santidade em nós é que expressa o poder do Evangelho; os bens aparentes não oferecem uma visão clara da presença graciosa de Deus em nós; os ímpios são escandalosamente "especialistas" em ostentar esses bens aparentes, esmagam melhor do que nós.

O bom perfume de Cristo, a boa sensação causada pela tradução da cruz em nós e que nos diferencia, é que revela que somos humanos de volta à imagem e semelhança do Criador. Igreja que fala de um novo Céu, mas que vive uma nova vida aqui, e divide-a promovendo um todo.

Especialistas sim, especialistas em Deus, e só.

(ex-interno do Centro de Recuperação de Mendigos – Missão Vida)

www.mvida.org.br conheça-nos!

fonte: http://www.ultimato.com.br/?pg=mural&local=mural_show&util=1&registro=2164

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Igreja: decifra-me ou devoro-te

Derval Dasilio

Diria a esfinge. Esta figura egípcia definiria melhor a igreja sociológica cristã atual, em razão de sua imagem total, um ser composto de várias formas: tórax de leão, corpo de touro, asas de águia, cabeça de homem – símbolos imediatos nos domínios ancestrais atávicos. Leão: vida emocional. Águia: vida mental e intelectual. Touro: vida instintiva e vegetativa. Homem: consciência da existência total. Sabemos, no entanto, que os símbolos biblicamente são outros. Assírios, babilônicos, persas, gregos e romanos não são esquecidos como influência literária.

Poderíamos visualizar na igreja um lugar para "comer junto", comunhão em torno da mesa? Externamente, vive-se mentirosamente sob uma ideia comum de comunhão (Igreja de Cristo), porém são diversos os sentidos que damos aos sacramentos e à missão na diversidade anárquica. Comer na mesma "mesa", comunhão de diferentes nos alimentos da "ceia do Senhor", hospitalidade eucarística sem restrições, era um grande problema. Continua sendo. De fato, cristãos mediterrânicos adaptavam-se e compreendiam a Eucaristia ("eucaristein") e a diversidade por força do ensinamento apostólico.

O reino de Deus não se confunde com igreja alguma; fundamentalista católica ou protestante. Os perseguidores estão também no meio da comunidade. Apontam o fracasso, aguçam o desespero, instilam a covardia e o temor ao naufrágio, analisam o futuro de modo pessimista. Cristo, porém, na fé apostólica primitiva, é concreto, e não um produto de mercado ou um símbolo salvacionista abstrato. Não é um nome que possa ser utilizado impunemente na venda de amuletos, produtos simbólicos, religiosos e "curativos" (mesmo que seja um "cristo" como esparadrapo e analgésico). A magia, o curandeirismo e a superstição constituem um perigo tempestuoso que leva ao naufrágio.

A religião pessoal recente, contemporânea, não é estranha à igreja do tempo bíblico. Nesta as aspirações espirituais se misturavam com solicitações grosseiras e vulgares de satisfação física e material (H.H.Rowdon). Não havia uma linha demarcatória entre o culto mágico e a nova religião dissidente do judaísmo bíblico. Práticas de astrologia, adivinhação, eram elementos que permeiavam o culto cristão. Papiros de magia contendo orações e hinos "libertadores" eram elementos que circulavam juntamente com esboços das fontes dos evangelhos. Maldições e pragas se insinuavam em práticas supersticiosas repulsivas. Qual a diferença hoje?

A fé da igreja apostólica, "Eu te estabeleci como luz entre as nações, para que sejas portador de salvação até os confins da terra" (At 13.47), extinguiu-se? Muitos se enganam quando insistem que as comunidades nascentes no período neotestamentário viveram sem conflitos; que tiveram identidades únicas definidas com rigor doutrinal. Idealização absurda, irreal. Não houve jamais eclesiologias idênticas, que organizam os ministérios ordenados uniformemente (impossível dedução, diante da diversidade mediterrânica). Missão e sacramentos são compartilhados em recomendação apostólica: a Igreja é missão e ministérios, em totalidade, afirmou Joaquim Beato.

Falta-nos examinar estes pontos e contradições. Os conflitos vão crescendo, as dificuldades se impõem. Atos dos Apóstolos, minimizando, mantém seu objetivo conciliatório. Mas a igreja de Jerusalém é apostólica, ecumênica, missionária e diaconal.

A questão dos pobres e dos excluídos na igreja também estava em relevo (At 2.42-47; 4.32-35), por exemplo, e no século seguinte passaria para o segundo plano, para ser "amortecida" por quase vinte séculos. Com raras exceções, como enfatizavam Francisco de Assis (século13), Spener (século 17) e mais tarde John Wesley (século18). Mais recentemente, Bonhoeffer, Luther King, Romero, Hélder Câmara, Jaime Wright, Mandela, Desmond Tuto.

A questão das desigualdades desinteressava a comunidade cristã enquanto tomavam forma movimentos de espiritualização e ascetismo, de iconoclastia e "purificação" de símbolos eclesiásticos, entre outros. Não se passa incólume sobre esta questão, pois pobres e oprimidos, como tais, são tema permanente do Evangelho de Jesus Cristo, entre diferentes e vítimas das desigualdades. "O reino de Deus e a sua justiça" deveriam ser uma bandeira da Igreja. Enfim, o que é mesmo a Igreja, se levamos em conta as deformações do momento? Decifra-me ou devoro-te...


• Derval Dasilio é pastor da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil. www.derv.wordpress.com

fonte: http://www.ultimato.com.br/?pg=show_conteudo&util=1&categoria=3&registro=1155#

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A ditadura da Lei e a democracia do Espírito - implicações éticas

Eduardo Ribeiro Mundim

As Escrituras Sagradas expõem de maneira extensiva dois padrões de aliança entre Deus e os homens, ainda que relate várias alianças diferentes. Ambas são vontades explícitas dEle para o homem pecador, e uma sucede a outra, na linha cronológica.

A aliança com Israel nasce de um ato redentor, executado uma única vez, ao custo da vida de milhares de primogênitos, um sem número de soldados sepultados pelo Mar Vermelho e de severos reveses financeiros (gafanhotos, granizo e a morte dos primogênitos dos animais). A geração que viveu estes acontecimentos, com seus filhos, teve a oportunidade de aceitar o pacto oferecido, ou de recusá-lo. O pacto oferecido era o cumprimento de uma promessa feita aos Patriarcas algumas centenas de anos antes, continha obrigações de ambas as partes e foi aceito em nome dos descendentes. Não havia dispositivo na Lei que fizesse um filho hebreu avaliar sua pertença, ou dela se desligar voluntariamente. Apostasia era punida com pena de morte, assim como outros crimes "teológicos" (blasfêmia, por exemplo), "litúrgicos" (trabalho no sábado), contra a vida (homicídio intencional) e contra a santificação (diversas relações sexuais vetadas). Ou seja, cem anos após a chegada na Terra Prometida, os filhos de Jacó, querendo ou não, seriam circuncidados (uma semana após o nascimento) e passariam a viver sob as leis de um pacto não aceito por eles, baseado na livre escolha divina de fazer Israel Sua luz entre os demais povos.

A aliança do calvário nasce de um único ato redentor, jamais repetido, ao custo único da vida humana de Jesus, o Cristo de Deus - Deus feito homem, Deus que se esvazia e assume a forma, a vida, as vicissitudes de ser humano. Aliança proposta se baseia no Seu corpo e no Seu sangue, somente podendo ser aceita livremente pelo indivíduo, e não por algum representante, mesmo familiar direto. O batismo infantil, na visão protestante, significa apenas a intenção dos pais de que a criança batizada será criada de modo a, no momento oportuno, exercer seu direito de escolha, confessando Jesus Cristo como Senhor e Salvador. O comportamento ético é muito mais um processo de santificação progressivo e infindável que um comportamento exterior inatacável, inexistindo pena capital ou de castigo físico. A igreja tem como recursos disciplinares a admoestação privada, a pública, a suspensão da participação da eucaristia e a exclusão da comunidade de fé, nunca medidas perpétuas, mas sempre com a possibilidade do perdão, pedra sobre a qual todos são remidos.

Ambas alianças nascem no coração dAquele que sabe o que é melhor para o ser humano. Contudo, Ele não repete o padrão da Velha Aliança na Nova. Na primeira, buscava-se uma nação santa, inclusive enquanto sociedade civil; na segunda, povo santo em meio a uma geração "má e adúltera" (expressão que, salvo engano, refere-se aos judeus e não aos gentios...), a qual é ordenada submissão enquanto dentro do estatuto de um governo centrado nas necessidades de todos e não no ego do governante, mas não ao preço da apostasia.

Enquanto povo separado, é guiado espiritualmente por líderes nem infalíveis, nem perpétuos. A regra é "sujeitai-vos mutuamente uns aos outros" (e os presbíteros e diáconos não são exceção),cabendo à comunidade, muitas vezes, a palavra final sobre disputas internas (que não deveriam ser apresentadas aos tribunais do Estado). Solidariedade mútua, onde o governo da igreja (enquanto povo) existe em função da igreja (enquanto povo, e não instituição).

Quando confrontados hoje com as difíceis questões de harmonizar, em uma sociedade que jamais será cristã (pelo menos em uma vertente escatológica), interesses díspares, frequentemente contrárias à vontade de Deus expressa nas Escrituras, qual o modelo que adotamos? E por quê?

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

De Caio Fábio para Bráulia Ribeir

Querida Bráulia, graça e paz!

Li o texto Alexandre (Ultimato, edição setembro/outubro, 2009) e me comovi profundamente com a dor de vocês, tão simples e verdadeiramente expressa pela Bráulia.

Você e eu já tivemos todas as chances de nos tornarmos mais próximos em razão de amigos comuns e de muitas identificações simples e práticas no Evangelho. Além disso, muitos já fizeram tudo para que isto acontecesse, mas as circunstâncias não permitiram; e a culpa é minha, não sua.

Não posso dizer que leio o que você escreve, que pesquiso, que estou informado sobre você em detalhes...

Sabia e soube de você mais pelo George Foster, pelo Pedro do Borel (hoje no Egito), pelo André Fernandes e pelo Tiago da Jocum em Brasília, do que por quaisquer outros meios. E todos me dão o mesmo testemunho; sim, falam-me da carta escrita com amor de Deus em seu coração para com todos os que passam em seu caminho.

Entretanto, amiga no Senhor, somente Jesus nunca foi levita e sacerdote na estrada, sendo sempre o samaritano.

Sim, além dele, todos os demais somos samaritanos de vez em quando, e ficamos felizes com isso. Embora em nossa ignorância e distração não registremos a quantidade enorme de vezes em que passamos de largo fazendo da agenda da estrada [...] o caminho de nossa pressa, e não fazendo a estrada submeter-se ao caminho interior, ao invés de seguir o roteiro da estrada [...], todos os dias vejo-me escolhendo apressadamente as agendas da estrada enquanto negligencio a agenda do caminho.

O levita e o sacerdote seguiram a estrada e seu "tempo". O samaritano seguiu o seu caminho.

A estrada, todavia, é apressada, diferentemente do caminho, que só segue quando tem a permissão da vida para passar. Graças a Deus somos perdoados todos os dias pelas escolhas da estrada contra as veredas calmas do caminho!

Entretanto, o que desejo de coração dizer a você, publicamente, visto que seu texto é público, é que nem você e nem ele têm esse poder todo! Sim, vocês não têm o poder de saber nada além do que se tornou história com as configurações de "história" [...] de passado, portanto.

Na noite que meu filho Lukas morreu atropelado saindo de uma festa com os irmãos, antes de ir ele me ligou e me disse que estava meio cansado, a fim de dormir, e que se fosse seria apenas pelos irmãos e porque lá haveria uma moçada da Igreja Presbiteriana Betânia que ele não via há muito tempo.

"Vá meu filho! Vai ser legal! A Bruna está indo só por sua causa. E ela já saiu!", foi o que eu disse; e ele foi.

O interessante em tudo isto é que por uma certeza mais profunda do que a morte dele naquela noite, eu sabia que não fora a "minha força" que o pusera no chão daquela estrada fria de Itaipú. Havia um caminho naquela estrada que estava para além de mim. E certamente muito para além da própria estrada.

Conheço a sensação de não atender a insistências que acabam de modo catastrófico. No curso da vida já deixei para visitar no dia seguinte muita gente que morreu durante a noite; já adiei idas que se confirmaram atrasadas depois dos fatos; já passei e soube que o "deixado" não resistiu; já sim, já muita coisa...

Sei também que o nível de pessoalidade do conhecimento do moço que se autovitimou aprofunda qualquer dor. Aumenta toda sensação de culpa e exacerba as perspectivas de responsabilidade e de omissão. Tais fatos, todavia, servem a nós de muitos modos quando o coração é como o de vocês.

A gente aprende que todos estão a um passo de qualquer coisa.

A gente aprende que por vezes nem todos os esforços do mundo mudam determinadas realidades.

A gente aprende que muita dor culposa que se sente decorre da culpa da bondade cristã salvadora, a qual assume para si poderes de salvação que não estão em nossas mãos.

A gente aprende a discernir quais são as coisas que podem esperar ante um desespero e quais não podem.

A gente aprende que nem todo desespero tem que parar o nosso caminho também.

A gente aprende, sutilmente, o que é agenda da estrada e o que é agenda do caminho.

Mas ninguém aprende isso sem se sentir levita e sacerdote de vez em quando, posto que nossos atos samaritanos são emblemáticos, mas nossas omissões levíticas e sacerdotais são a regra na agitação de nossas inúmeras distrações.

O pecado é adotar o caminho do levita e do sacerdote como modo de se desviar de gente na estrada. Ora, esse jamais foi ou será o caso de vocês, graças a Deus.

Entretanto, o mesmo samaritano um dia deve ter tido seu dia de levita. Ou, então, ele seria "Ele". E não era...

Assim, minha oração é uma só nesse particular: "Senhor, faz de mim o samaritano possível no dia de hoje em minha existência! E salva-me dessa horrível tendência natural que tenho a, na estrada, preferir a omissão do caminho do levita e do sacerdote!".

Sim, pois o mais devotado dos samaritanos tem seus momentos de pressa de levita e de sacerdote. E mais: isto é assim para que todo ato samaritano de nossa vida seja pura glória e graça de Deus sobre nós; e não fruto de nossa certeza de que em nossa existência não existem omissões.

Louvo a verdade de sua dor sincera e exposta de modo tão simples e franco.

Recomendo, no entanto, que essa dor se torne louvor àquele que amava o Alexandre, e que o ama e que o tem em seu seio, pois quem danou o Alexandre apenas por que a dor de sua perturbação mental o levou a um desatino?

O Alexandre, sim, o do salmo, o que buscava consolação onde há consolação, era apenas um jovem em estado de perturbação adquirida pelo vício. Não era filho do inferno.

Nenhum diabo teve o poder de tirar o Alexandre das mãos do Senhor Jesus! Assim como nenhum diabo tentará (e vencerá) vocês com a culpa de que poderiam ser os salvadores do Alexandre e não o foram.

Manos amados, também isto está consumado! Recebam meu amor e meu carinho sincero e cheio de orações.

Nele, em quem nenhum de nós tem o poder de salvar, mas apenas o de cooperar com o Salvador, o qual salva com ou sem nós,

Caio


• Caio Fábio D´Araújo Filho é psicanalista clínico, escritor e pregador do Evangelho da Graça de Jesus. caiofabio.com
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terça-feira, 13 de outubro de 2009

A Palavra de Deus requer uma nova leitura, defende teólogo

Trinidad Vásquez


Managua, terça-feira, 6 de outubro de 2009 (ALC) - "A vigência da Palavra de Deus hoje, num mundo convulsionado social, econômica, política e culturalmente, tem de ser reconstruída a partir de uma leitura alternativa e com um espírito disposto à experiência", declarou o teólogo Alberto Araica, em palestra nesta capital, no marco do Dia Nacional da Bíblia, em 30 de setembro.

"Precisamos nos dar conta que é preciso observar mais o silêncio na hora de aprender dela", argumentou. Para o teólogo, muitos ficam atraídos pelo fundamentalismo religioso, que usa textos pinçados do texto sagrado para defender posições que lhes são convenientes. "Isso nos isolou e fez com que perdêssemos o significado da vigência da Palavra de Deus para o homem globalizado que vive num mundo pós-moderno", argumentou.

O teólogo alertou, contudo, que não se pode ficar presos aos dogmas denominacionais, mas é preciso ter uma ampla visão ecumênica. No mundo globalizado, onde desponta o individualismo, o livre mercado e a privatização, é "imprescindível a leitura do Evangelho desde uma perspectiva comunitária que leve a um entendimento comum", disse.

Araica frisou, bem por isso, que é preciso descobrir que a Palavra, além da letra e da tinta, tem de ser descoberta em comunidade, "aprendendo a ver e escutar a Deus na experiência do dia a dia".

"A mensagem das Sagradas Escrituras têm de criar pontes de aliança e solidariedade até mesmo com aqueles que pensam diferente de nós", destacou.


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quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Cristãos (in)tolerantes: destino inescapável?

Eduardo Ribeiro Mundim

Há poucas semanas houve uma manifestação no Rio de Janeiro pelo fim da intolerância religiosa. Ato ecumênico, no sentido amplo da palavra, aberto a todos que professam alguma crença religiosa, teísta ou não.

Tolerância parece ser uma palavra em moda.

Tolerância é a boa disposição do que ouve idéias contrárias as suas, ou liberação do cumprimento de alguma norma. Tolerante, portanto, é aquele capaz de ouvir com boa disposição (boa quer dizer favorável, propícia, sem desejar o mal) manifestações de pensamento que lhe são contrárias, ou que das quais discorda, respeitando o direito do outro de tê-las e expressá-las.

Será tolerância uma atitude possível? Será a intolerância o destino de todo aquele que crê?

Crer em algo significa não crer em outro algo. Acreditar na realidade, na existência, da reencarnação não é compatível com acreditar na aniquilação do ser na morte; ou na ressurreição dos mortos. Aceitar como verdade final a ressurreição dos mortos é considerar a reencarnação como não existente, como não verdade. Não é possível ter fé, aceitar como verdadeiras, todas as confissões religiosas existentes, teístas ou não. Desposar uma é,. por definição, não desposar as outras. Monogamia sólida!

Imaginar ser possível poligamia confessional, mantendo cada fé sua individualidade e particularidade, é acreditar que a cor branca é a mesma cor preta; ou que óleo e água se misturam, mantendo suas características que as definem.

Ser cristão é não ser mulçumano; ser mulçumano é não ser espírita; ser espírita é não ser budista; e assim por diante. Ser xintoísta é não acreditar no juízo final cristão; ser panteísta é não acreditar em um Deus pessoal.

Crer que todas as religiões, em sua totalidade, são verdadeiras (o que é diferente de crer que todas tem um sistema ético coerente, saudável, possível, fomentando o bem e lutando contra o mal) é não crer em nenhuma, e tentar criar uma nova.

Crer não impede a aceitação da idéia contrária do meu próximo. Mas até que ponto eu posso expressar minha não-crença na verdade da fé do meu próximo sem ofendê-lo (ou seja, agredí-lo, fazê-lo sentir-se mal ou desconfortável)? Ofende dizer que transmigração de almas é uma grande bobagem? que quem acredita em exorcismos é um ignorante? que um Deus triúno é uma blasfêmia?

Edir Macedo (é manifestação de intolerância chamá-lo de "autodenominado bispo") escreveu um livro, "Orixás, caboclos e guias: anjos ou demônios". Em um tempo, foi retirado da circulação por ordem judcial, porque desrespeitava os cultos de origem africana. Quem foi o intolerante: o bispo, que sugeriu a identificação de orixás com o demônio bíblico ou os adeptos do candomblé, que não foram capazes de respeitar a opinião dele fortemente contrária?

Há um ruído na internete a respeito de uma peça teatral que representa Jesus como homossexual, em orgia com os discípulos. Isto me ofende (causa desconforto, entristece-me). Mas porque O considero Deus Filho, como reza o credo de Niceia-Constantinopla. Não tem o direito de sentir-se ofendido aquele que crê em "bezenção" se o chamo de supersticioso? ou se pinto um retrato de Maomé, atitude blasfema do ponto de vista do mulçumano?

E como evangelizar sem ofender? Temos o direito de, em nome do Evangelho, causar sofrimento, vergonha, dano moral, aflição, restrição financeira, etc? Existe o direito do outro em causar-me sofrimento, vergonha, dano moral, aflição, restrição financeira ou social por ser eu cristão?

domingo, 4 de outubro de 2009

Alexandre

Bráulia Ribeiro

Conhecíamos Alexandre há mais de cinco anos. Chegou com 20 e poucos, com o cérebro já detonado pelo crack. Durante o curso de discipulado foi alcançando coerência, e, ao fim de seis meses, voltou à sua casa para fazer vestibular, ciente do que queria: ser piloto missionário. Terminou o ensino médio, inspirou o pai a estudar e fizeram vestibular juntos. O pai passou em direito -- Alexandre, ainda tratando de ser lúcido, não.

Vieram outras crises; a razão saía por uma fresta da janela, ficava uma algaravia religiosa indecifrável. Nas crises, ele nos visitava para longas conversas. Nunca foi mau o rapaz. Eu sempre lhe sabia gentil, apesar das incoerências. Meu marido tinha ouvidos para lhe decifrar as angústias no meio da verborragia. Aconselhava, ouvia.

Nos últimos meses, Alexandre começou a observar minha filha que se tornava menina moça e a notar-lhe a beleza florescendo. Ligava às três da manhã falando da menina que vira no balanço, de suas amiguinhas, do toque puro que lhe deu na perna, de como Deus ama os anjos. Meu instinto de mãe se põe de guarda. Aviso às coleguinhas e, quando Alexandre vem, eu o acompanho ao redor da floresta que circunda a comunidade.

Na terça-feira a bicicleta com adesivo Yokohama para na minha porta. Nesse dia Reinaldo está com pressa. Explica pro Alexandre:

-- Tô de saída. Tenho reunião com pastores na cidade.

O rapaz insiste, mais transtornado que nunca na esperança absurda que tem em Reinaldo.

-- Você é meu pai, meu pastor, eu preciso de você.

Reinaldo começa a se irritar. Explica que não dá. Alexandre implora.

-- Deixa eu voltar pra viver aqui com vocês.

-- Como? Você se droga, anda por aqui observando nossas crianças e me liga de madrugada falando nelas. Como posso confiar pra te deixar morar aqui?

-- Não vou fazer nada com elas, só quero ser como elas, nascer de novo numa família de Deus, Reinaldo. Eu quero ser de Deus e não sei como, será que elas me ajudam?

-- Hoje não posso. Tô atrasado demais. Olha, já fizemos tudo o que podíamos por você. Agora acabou.

-- Como acabou? Não acaba não, olha.

E mostrou um rolo de papel higiênico que tinha nas mãos.

Reinaldo se irritou com aquele rolo -- me contou depois --, mesmo assim segurou a ponta enquanto o menino desenrolava lentamente tirando de dentro uma Bíblia pequena amarfanhada, pra ler o Salmo 136.

-- Olha o que a Bíblia fala: "Rendei graças ao Senhor, porque seu amor dura para sempre".

E assim foi lendo parado no sol quente ao lado do carro o Salmo todo enquanto Reinaldo tentava lhe dizer que estava atrasado, que era pastor, que conhecia a Bíblia, que voltasse depois ou nem isto.

Foi-se o pastor pra reunião e o garoto em desespero para a estrada quente de bicicleta. Reinaldo disse que ainda o viu quando voltava, pedalando, percebendo o carro, mas nem o parou de novo como seria seu costume. Virou o rosto como se dissesse: "Olhe, você, meu pastor, falhou, me trocou por uma reunião, não me ouviu, deixou que seu amor acabasse, sendo que o amor de Deus nunca acaba".

Acabou também naquela tarde a história de Alexandre e sua busca por Deus. Na manhã seguinte sua irmã nos ligou, chamando para o velório. O rapaz se matou na tarde anterior nas rodas de uma carreta de carga depois de duas outras tentativas. Choramos eu e Reinaldo muitas lágrimas de angústia, desespero e culpa, e ainda choro enquanto escrevo isto. Por nós, e por todos os Alexandres da vida que encontram na rua os levitas e não os samaritanos.


• Bráulia Ribeiro, missionária em Porto Velho, RO, é autora de Chamado Radical. braulia.ribeiro@uol.com.br

fonte: http://www.ultimato.com.br/?pg=show_artigos&artigo=2474&secMestre=2488&sec=2506&num_edicao=320

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Neoevangélicos: raízes podres e indigestas


Derval Dasilio

Os surtos neoevangélicos recentes são certamente contaminados por uma estruturação clara em torno de um poder religioso especializado, econômico, restrito, hierárquico, autoritário, objetivo, moderno. Os fiéis tramitam essencialmente no ambiente urbano marcado pelo anonimato, por relações indiretas, pela massificação dos costumes, sem expressão de comunhão e de comunidade, em reação estrondosa às condições sociais e econômicas. Imaginam-se no mundo pré-histórico? Nunca. São muito modernos, capitalistas "in essentia", como coreografia de mitos ancestrais manipulados convenientemente.

A religião é um fenômeno antropológico extraordinário! Todas as religiões têm começo e origem. Nos primórdios imemoriais, na antiguidade e até hoje, as narrativas sagradas, os rituais, as práticas morais (em cada grupo religioso, em toda parte e em todo tempo, pré-histórico ou não) e a religião nunca se dissociam dos meios de produção econômica (João Décio Passos). Narrativas míticas, miraculosas, apontando prodígios, eventos divinos, transcendem à dinâmica histórica enquanto colocam homens e mulheres face a face com o transcendente. Estão na religião. Este é um ponto. O outro refere-se à institucionalização da religião, quando vão se racionalizar origens e fins. Atualizemos o surto contemporâneo da religião de mercado.

Pensemos no céu noturno, em forma de cúpula, com estrelas cadentes. Debaixo dele as pessoas armavam tendas. Como seria intrigante a marcha regular das estrelas, os céus cruzados periodicamente por tochas de fogo em alta velocidade, estrelas cadentes, grandes rios lácteos correndo pelo céu, tapetes gigantescos de estrelas estendidos nas noites limpas... Criaturas poderosas deveriam viver no firmamento... Nasce a religião! Magos, videntes, curandeiros e feiticeiros conheciam esses mistérios. Tinham, portanto, as chaves dos lugares sagrados, dos santuários, dos altares onde se fariam sacrifícios. Podiam manipular a religião por causa de seus atributos e competências. A Bíblia Hebraica, contudo, não esquece nenhum detalhe a respeito dessa religiosidade: condena-a. O homem bíblico não é diferente dos outros: denuncia-a imediatamente. A guinada na direção da religião revelada ocorrerá gradativamente.

A religiosidade comum a todos os homens pode ser esboçada assim. Contudo, a experiência de religião encontrada no Antigo Testamento vai fugir do comum. O ambiente mesopotâmico e depois cananita enseja uma abordagem diferenciada, notável. O povo bíblico crê numa religião revelada. Deus é espontâneo, revela-se porque quer. Não crê na religião natural, fenomenológica, calcada em sentimentos diante do fascinante mundo ao redor. No segundo caso, os fenômenos físicos ditam o ritmo dos acontecimentos. E agora, o deus econômicus neoevangélico, dita novas regras?

A aflição sobre fenômenos sobre os quais não se possui nenhum controle, vida nômade debaixo de céus estrelados contrapostos às tempestades noturnas, medonhas, céus lampejados vivamente por raios intensos, exigiram uma resposta do homem. Imaginemos uma árvore despedaçada por um raio, como acontece ainda hoje em áreas rurais, na madeira carbonizada e exposta (terror que converteu Lutero!). Acrescentemos a observação de ciclones, furacões, maremotos. Como explicar um vulcão em erupção, extensões de terra abaladas, tremendo, e em seguida rachadas em grandes distâncias, num mundo limitado ao que as pessoas conheciam? Hoje, o otimismo evangélico econômico, em trono da prosperidade, passa ao largo dessas questões.

Deus, aqui, além de assemelhar-se ao "deus ex machina" da teatrologia da Grécia Antiga, é bem brasileiro. Deus é um serviçal, "deus-quebra-galho", como num receituário doméstico. Todas as soluções possíveis para alguém se dar bem na vida. O crente ora e ordena à divindade imprensada na parede, depois das ofertas compulsórias: "Fiz a minha parte, agora faças a tua". Estamos na iminência de um "deus demitido do trono da graça". Perdeu-se a essência bíblica que convoca à ética, solidariedade, compaixão e misericórdia. A graça de Deus custa muito caro no mundo neoevangélico carismático.

• Derval Dasilio é pastor da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil. www.derv.wordpress.com
fonte: http://www.ultimato.com.br/?pg=show_conteudo&util=1&categoria=3&registro=1142#

domingo, 27 de setembro de 2009

Marina Silva, criacionismo e estado leigo

Eduardo Ribeiro Mundim

"Marina Silva, por fim, confessa-se adepta do designe inteligente...'eu acredito que Deus é o criador de todas as coisas e que esse criador tem um projeto, que as coisas não acontecem por acaso, alhures, que existe um projeto inteligente, da inteligência divina que governa todas as coisas.' É a sua fé, e o seu direito, mas não pode ser a sua política". Este é o parágrafo final da coluna dominical de Marcelo Leite, no caderno Mais, da Folha de São Paulo, do dia 27 de setembro de 2009. Todo o texto vale a pena ser lido (está disponível na internete, para os assinantes do jornal ou da UOL) e a razão desta reflexão é a opinião emitida nos parágrafos finais: "não é uma resposta aceitável, vinda de ministra de um estado laico. Deveria fazer a distinção, fundamental, entre ensino de ciências e ensino de religião...não há acolhimento possível da fé pela ciência, se por isso entende-se a admissão de que existam verdades além e acima das corroboradas com observações e medidas."

A citação da ex-ministra, cristã assumida, geradora do comentário foi a defesa do oferecimento de diferentes pontos de vista, a aceitaçao de que "ciência se faz pela multiplicidade dos olhares". E o contexto, a controvérsia criação e evolução, que o autor parece querer lançar no esquema fé X ciência.

Acredito que a limitação de espaço que Marcelo Leite enfrenta o levou a trabalhar com uma definição de ciência bastante resumida, "verdades corroboradas com observações e medidas". Não é o ensinado pelo seu colega articulista, Rubem Alves, no seu livro, bem didático, editado pela Loyola, "Filosofia da ciência: introdução ao jogo e às suas regras". Já que a questão é sobre as origens, na mesma página A3, o físico Marcelo Gleiser afirma que "o propósito da ciência não é responder a todas as perguntas; sua missão é outra...dado que jamais teremos um conhecimento completo da realidade, jamais poderemos construir uma nattativa científica completa."

Não é possível resumir a vida, em sua amplitude e beleza, a observações, medidas e experimentos controlados. Não é possível fazer ciência sem intuição, imaginação e criatividade. Manter a discussão sobre as origens do universo como um ringue onde duas visões conflitantes se enfrentam até à morte é negar as limitações inerentes de ambas. A ciência não fala de finalidades - isto é função da filosofia e da teologia. Estas não descrevem fenômenos, não fazem previsões sobre seu comportamento. E a realidade é maior que ambas.

Marina da Silva está certa ao defender a pluralidade de visões, e as declarações citadas não conflitam com o caráter leigo do Estado. Sendo leigo, o Estado não defende nem um, nem outro; não defende a religião A ou a B. Caso negue a possibilidade religiosa, o estado deixa de ser laico, e passa a ser secular, pondo obstáculos a quaisquer manifestações que não sigam a sua cartilha. Estado laico é aquele que proporciona um debate civilizado entre diferentes visões, uma convivência respeitosa entre discordantes.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

O crime e a condenação do deputado Henrique Afonso

Prezados amigos e companheiros
Quero agradecer a todos que estiveram torcendo e orando pelo Deputado Henrique Afonso.
Agradeço aos que foram na sede do Partido prestar solidariedade.
Como todos já devem saber ele foi condenado pelo Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores. Foi condenado por unanimidade de votos por ter ferido a ética partidária ao se manifestar publicamente contra o aborto.
A pena não foi a expulsão, apesar de muitos membros do Diretório terem pedido e votado que fosse expulso.
Mas entendo que a penalidade aplicada foi severa. Ele foi condenado a três meses de suspensão das atividades partidárias e não poderá por dois anos participar da Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados.
O Diretório ainda queria que o parlamentar retirasse todos os Projetos de Lei de sua autoria que defendem a vida humana, mas esta pena não alcançou votos suficientes para ser aplicada
A gravidade da pena imposta consiste no seguinte: todas as lutas do deputado passam pela Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados.
É naquela Comissão que se discute a proteção à criança, a violência contra a mulher, a eutanásia, os projetos de lei e políticas públicas voltados para os idosos, para a pessoa com deficiência, para os portadores de transtornos mentais, é lá que estamos discutindo o destino dos infectados pelo DDT na Amazônia, o atendimento aos hansenianos, aos moradores de rua. Lá também se avalia e se discute a saúde dos povos indígenas, a proteção das crianças indígenas. Ou seja: todas as bandeiras do Deputado Henrique Afonso passam por aquela Comissão e como ele poderá ficar fora dela???
A caso deverá o deputado agora migrar para a Comissão de Turismo ou de Esporte da Câmara dos Deputados se estas não são suas principais lutas???
Entendo que a pena tem um único objetivo: calar Henrique Afonso
Lembrem-se que outro parlamentar também foi julgando o dia 17.
Trata-se do Deputado Federal Luiz Bassuma da Bahia. A ele foi atribuída uma pena maior: foi suspenso por um ano, também esta proibido de participar da Comissão de Seguridade Social e deverá retirar todos os projetos de lei em defesa da vida humana e do nascituro. (minha opinião pessoal: Um absurdo sem precedente)
Houve uma grande repercussão sobre as condenações e a imprensa de todo o país falou sobre o assunto.
Em todos os comentários que estou lendo percebo que as pessoas entendem que o PT feriu a Constituição Federal e que existe por trás do julgamento uma perseguição religiosa pois um deputado é evangélico e o outro professa a fé espírita e ambos sempre usam a defesa de suas crenças em seus discursos contra o aborto. Com certeza os deputados petistas católcos que também se manifestarem contra o aborto publicamente também poderão sofrer sanções pelo Partido.
Na internet a pergunta que não se cala é como será doravante a relação dos cristãos do Brasil com o PT?
Esta pergunta continua sem resposta.
O Deputado Henrique Afonso ainda não informou se permanecer no PT ou se vai pedir ao TSE sua desfiliação depois da condenação.
Assim que ele tomar uma decisão estarei informando.
Entre todas as matérias que li e que esta circulando em inúmeros sites e blogs, gostei muito da que foi escrita por Reinaldo Azevedo da Revista Veja. Ela esta transcrita neste email leiam com atenção.
Recebam meu abraço e meu agradecimento por todo apoio manifestado
Damares Alves
Veja on line
sexta-feira, 18 de setembro de 2009 | 4:37

Na noite de ontem, o Diretório Nacional do PT decidiu punir os deputados federais Luiz Bassuma (BA) e Henrique Afonso (AC). Por unanimidade, ambos tiveram seus direitos políticos suspensos por um ano e 90 dias, respectivamente. Não poderão votar nem ser votados nas instâncias partidárias ou discursar em nome do partido. É possível que Bassuma, nessas condições, não consiga nem mesmo se candidatar à reeleição. Uau! Será que este partido está, finalmente, se emendando? Afinal, o que ambos fizeram? Abaixo, segue um diálogo imaginário com um leitor otimista. Ele pergunta (em negrito) e eu respondo.

— Será, Reinaldo, que eles foram pegar dinheiro de Marcos Valério no Banco Rural?
— Besteira! Isso é permitido. Não dá punição.

— Então usaram recursos "não contabilizados" de campanha. Acertei?
Bobagem! Isso é do jogo. Como você sabe, a campanha de Lula foi paga em moeda estrangeira, no exterior, com dinheiro de origem desconhecida.

— Já sei! Então integraram algum grupo de aloprados para fazer um dossiê falso contra adversários! Na mosca?
Claro que não! Integrar grupo de aloprados é coisa tão importante, que todos aqueles que participaram daquela aventura eram do entorno do próprio presidente Lula. É coisa para gente graduada.

— Ah, então vamos ver: usaram, sei lá, a estrutura de um ministério, da Casa Civil por exemplo, para fazer outro dossiê contra adversários do governo.
— Errado! Quem faz isso acaba sendo considerado candidato natural à Presidência da República. Isso rende promoção no PT, jamais punição.

— Ah, então vai ver eles violaram o sigilo bancário de um caseiro. Coisa feia!
— Tolice. Isso não tem importância. Quem dá bola para caseiro?

Que diabo, então, fizeram esses dois para que toda a cúpula petista, sem exceção, decidisse ser tão severa? Bem, eles resolveram tornar pública a sua posição contrária à descriminação do aborto. Vocês entenderam direito e não precisam ler de novo. Alguns pecadilhos, no PT, como os listados acima, não têm grande importância. Mas defender o direito de um feto à vida, a depender de como seja feito, é incompatível com a ética petista. Eu já desconfiava que fosse assim. De fato, não sei o que ambos fazem no PT sendo o partido tão escancaradamente favorável à descriminação do aborto.

Como a gente nota, no PT, os que cometeram todos aqueles crimes, merecem uma segunda chance. Mas o feto não merece a única chance que tem. É a forma que a esquerda tem de ser humanista, de ser progressista. A direção recomendou ainda que Afonso não seja reconduzido à Comissão de Seguridade Social e da Família na Câmara dos Deputados. Só pode pertencer a uma comissão de família quem é favorável à morte dos fetos, entenderam?

É o PT aplicando o seu Código de Ética. Ele comporta, por exemplo, Ideli SaLvatti a defender Sarney com todos os "esses" e "erres", mas não parlamentares que participam de uma marcha contra o aborto. Vejam que engaçado: a tal manifestação, sabe-se, teve o apoio de uma ONG que conseguiu dinheiro público para a sua realização etc — vocês conhecem aquela rotina típica de petistas e ONGs. Pô, aí já é demais, não é? Dinheiro público bem utilizado é aquele que financia marchas em defesa do aborto.

Um dia essa gente há de encontrar o lugar certo na história. Que seja logo!

domingo, 20 de setembro de 2009

O poder apostólico

Eduardo Ribeiro Mundim

Não é incomum haver uma idealização da igreja primitiva. Habitualmente, o versiculo "e eles tinham tudo em comum" é citado como o ideal da comunidade cristã. A isto, se somam os milagres realizados pelos apóstolos. Comunhão e poder parecem ser os temas centrais desta fantasia.

Qual era este poder?

Na parábola do grão de mostarda (Mt 17.20 ) Jesus ensina que o tamanho da fé não precisa ser grande, e, usando a mesma planta, diz que, sendo a fé real, é possível até mudar um monte de lugar (Mc 11.23).

Muita vezes os cristãos se perguntam por qual razão não fazem as mesmas maravilhas daquela época - e ancorados nesses dois textos, concluem ser por terem pouca fé.

Vários caminhos podem ser seguidos na busca da resposta (ou melhor, das respostas). Vou escolher um:

Deus é soberano: tem misericórdia de quem quer (Ex 33.19). Seus pensamentos e desejos estão fora do nosso alcance de entendimento (Is 55.9). A lógica retributiva do Seu Reino nos é absurda (Mt 19.30-20.16).

A capacidade de realizar milagres não serve ao cristão, mas ao Reino, e somente a seu serviço existe. Não fosse assim, porque o apóstolo Tiago, irmão de João, foi morto à espada apenas porque isto agradava a Herodes (At 12)? Como foi possível a execução de Estêvão (At 7), "cheio graça e poder" e que "fazia milagres e sinais entre o povo" (At 6.8).

E como o grande apóstolo Paulo chegou à cidade grega de Corinto? "Fraco e tremendo de medo (I Co 2.3), ainda que sua pregação se baseasse na "demonstração do poder do Espírito" (I Co 2.4).

E como ficou a igreja que lá ele deixou? Nela havia aqueles que se embriagavam com o vinho da eucaristia enquanto alguns passavem fome (I Co 11.17-34); alguém vivia em uma situação de incesto, tolerada pela comunidade (I Co 5); a justiça comum era usada para resolver disputas internas (I Co 6.1-11). Sua autoridade apostólico foi questionada (II Co 2.5-23). E por aí foi...

Todo e qualquer poder verdadeiramente divino não pode ser diferente!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Versão católica: Como era interpretada a história da criação, em Gênesis, antes de Darwin?

Fundamentalists often make it a test of Christian orthodoxy to believe that the world was created in six 24-hour days and that no other interpretations of Genesis 1 are possible. They claim that until recently this view of Genesis was the only acceptable one—indeed, the only one there was.

The writings of the Fathers, who were much closer than we are in time and culture to the original audience of Genesis, show that this was not the case. There was wide variation of opinion on how long creation took. Some said only a few days; others argued for a much longer, indefinite period. Those who took the latter view appealed to the fact "that with the Lord one day is as a thousand years, and a thousand years as one day" (2 Pet. 3:8; cf. Ps. 90:4), that light was created on the first day, but the sun was not created till the fourth day (Gen. 1:3, 16), and that Adam was told he would die the same "day" as he ate of the tree, yet he lived to be 930 years old (Gen. 2:17, 5:5).

Catholics are at liberty to believe that creation took a few days or a much longer period, according to how they see the evidence, and subject to any future judgment of the Church (Pius XII's 1950 encyclical Humani Generis 36–37). They need not be hostile to modern cosmology. The Catechism of the Catholic Church states, "[M]any scientific studies . . . have splendidly enriched our knowledge of the age and dimensions of the cosmos, the development of life forms, and the appearance of man. These studies invite us to even greater admiration for the greatness of the Creator" (CCC 283). Still, science has its limits (CCC 284, 2293–4). The following quotations from the Fathers show how widely divergent early Christian views were.
 

Justin Martyr

"For as Adam was told that in the day he ate of the tree he would die, we know that he did not complete a thousand years [Gen. 5:5]. We have perceived, moreover, that the expression 'The day of the Lord is a thousand years' [Ps. 90:4] is connected with this subject" (Dialogue with Trypho the Jew 81 [A.D. 155]).

Theophilus of Antioch

"On the fourth day the luminaries came into existence. Since God has foreknowledge, he understood the nonsense of the foolish philosophers who were going to say that the things produced on earth come from the stars, so that they might set God aside. In order therefore that the truth might be demonstrated, plants and seeds came into existence before the stars. For what comes into existence later cannot cause what is prior to it" (To Autolycus 2:15 [A.D. 181]).

"All the years from the creation of the world [to Theophilus' day] amount to a total of 5,698 years and the odd months and days. . . . [I]f even a chronological error has been committed by us, for example, of 50 or 100 or even 200 years, yet [there have] not [been] the thousands and tens of thousands, as Plato and Apollonius and other mendacious authors have hitherto written. And perhaps our knowledge of the whole number of the years is not quite accurate, because the odd months and days are not set down in the sacred books" (ibid., 3:28–29).

Irenaeus

"And there are some, again, who relegate the death of Adam to the thousandth year; for since 'a day of the Lord is a thousand years,' he did not overstep the thousand years, but died within them, thus bearing out the sentence of his sin" (Against Heresies 5:23:2 [A.D. 189]).

 

Clement of Alexandria

"And how could creation take place in time, seeing time was born along with things which exist? . . . That, then, we may be taught that the world was originated and not suppose that God made it in time, prophecy adds: 'This is the book of the generation, also of the things in them, when they were created in the day that God made heaven and earth' [Gen. 2:4]. For the expression 'when they were created' intimates an indefinite and dateless production. But the expression 'in the day that God made them,' that is, in and by which God made 'all things,' and 'without which not even one thing was made,' points out the activity exerted by the Son" (Miscellanies 6:16 [A.D. 208]).

Origen

"For who that has understanding will suppose that the first and second and third day existed without a sun and moon and stars and that the first day was, as it were, also without a sky? . . . I do not suppose that anyone doubts that these things figuratively indicate certain mysteries, the history having taken place in appearance and not literally" (The Fundamental Doctrines 4:1:16 [A.D. 225]).

"The text said that 'there was evening and there was morning'; it did not say 'the first day,' but said 'one day.' It is because there was not yet time before the world existed. But time begins to exist with the following days" (Homilies on Genesis [A.D. 234]).

"And since he [the pagan Celsus] makes the statements about the 'days of creation' ground of accusation—as if he understood them clearly and correctly, some of which elapsed before the creation of light and heaven, the sun and moon and stars, and some of them after the creation of these we shall only make this observation, that Moses must have forgotten that he had said a little before 'that in six days the creation of the world had been finished' and that in consequence of this act of forgetfulness he subjoins to these words the following: 'This is the book of the creation of man in the day when God made the heaven and the earth [Gen. 2:4]'" (Against Celsus 6:51 [A.D. 248]).

"And with regard to the creation of the light upon the first day . . . and of the [great] lights and stars upon the fourth . . . we have treated to the best of our ability in our notes upon Genesis, as well as in the foregoing pages, when we found fault with those who, taking the words in their apparent signification, said that the time of six days was occupied in the creation of the world" (ibid., 6:60).

"For he [the pagan Celsus] knows nothing of the day of the Sabbath and rest of God, which follows the completion of the world's creation, and which lasts during the duration of the world, and in which all those will keep the festival with God who have done all their work in their six days" (ibid., 6:61).

Cyprian

"The first seven days in the divine arrangement contain seven thousand years" (Treatises 11:11 [A.D. 250]).

Victorinus

"God produced the entire mass for the adornment of his majesty in six days. On the seventh day, he consecrated it with a blessing" (On the Creation of the World [A.D. 280]).

Lactantius

"Therefore let the philosophers, who enumerate thousands of ages from the beginning of the world, know that the six-thousandth year is not yet complete. . . . Therefore, since all the works of God were completed in six days, the world must continue in its present state through six ages, that is, six thousand years. For the great day of God is limited by a circle of a thousand years, as the prophet shows, who says, 'In thy sight, O Lord, a thousand years are as one day [Ps. 90:4]'" (Divine Institutes 7:14 [A.D. 307]).
 

Basil The Great

"'And there was evening and morning, one day.' Why did he say 'one' and not 'first'? . . . He said 'one' because he was defining the measure of day and night . . . since twenty-four hours fill up the interval of one day" (The Six Days Work 1:1–2 [A.D. 370]).
 

Ambrose of Milan

"Scripture established a law that twenty-four hours, including both day and night, should be given the name of day only, as if one were to say the length of one day is twenty-four hours in extent. . . . The nights in this reckoning are considered to be component parts of the days that are counted. Therefore, just as there is a single revolution of time, so there is but one day. There are many who call even a week one day, because it returns to itself, just as one day does, and one might say seven times revolves back on itself" (Hexaemeron [A.D. 393]).

Augustine

"It not infrequently happens that something about the earth, about the sky, about other elements of this world, about the motion and rotation or even the magnitude and distances of the stars, about definite eclipses of the sun and moon, about the passage of years and seasons, about the nature of animals, of fruits, of stones, and of other such things, may be known with the greatest certainty by reasoning or by experience, even by one who is not a Christian. It is too disgraceful and ruinous, though, and greatly to be avoided, that he [the non-Christian] should hear a Christian speaking so idiotically on these matters, and as if in accord with Christian writings, that he might say that he could scarcely keep from laughing when he saw how totally in error they are. In view of this and in keeping it in mind constantly while dealing with the book of Genesis, I have, insofar as I was able, explained in detail and set forth for consideration the meanings of obscure passages, taking care not to affirm rashly some one meaning to the prejudice of another and perhaps better explanation" (The Literal Interpretation of Genesis 1:19–20 [A.D. 408]).

"With the scriptures it is a matter of treating about the faith. For that reason, as I have noted repeatedly, if anyone, not understanding the mode of divine eloquence, should find something about these matters [about the physical universe] in our books, or hear of the same from those books, of such a kind that it seems to be at variance with the perceptions of his own rational faculties, let him believe that these other things are in no way necessary to the admonitions or accounts or predictions of the scriptures. In short, it must be said that our authors knew the truth about the nature of the skies, but it was not the intention of the Spirit of God, who spoke through them, to teach men anything that would not be of use to them for their salvation" (ibid., 2:9).

"Seven days by our reckoning, after the model of the days of creation, make up a week. By the passage of such weeks time rolls on, and in these weeks one day is constituted by the course of the sun from its rising to its setting; but we must bear in mind that these days indeed recall the days of creation, but without in any way being really similar to them" (ibid., 4:27).

"[A]t least we know that it [the Genesis creation day] is different from the ordinary day with which we are familiar" (ibid., 5:2).

"For in these days [of creation] the morning and evening are counted until, on the sixth day, all things which God then made were finished, and on the seventh the rest of God was mysteriously and sublimely signalized. What kind of days these were is extremely difficult or perhaps impossible for us to conceive, and how much more to say!" (The City of God 11:6 [A.D. 419]).

"We see that our ordinary days have no evening but by the setting [of the sun] and no morning but by the rising of the sun, but the first three days of all were passed without sun, since it is reported to have been made on the fourth day. And first of all, indeed, light was made by the word of God, and God, we read, separated it from the darkness and called the light 'day' and the darkness 'night'; but what kind of light that was, and by what periodic movement it made evening and morning, is beyond the reach of our senses; neither can we understand how it was and yet must unhesitatingly believe it" (ibid., 11:7).

"They [pagans] are deceived, too, by those highly mendacious documents which profess to give the history of [man as] many thousands of years, though reckoning by the sacred writings we find that not 6,000 years have yet passed" (ibid., 12:10).

fonte: http://www.catholic.com/library/Creation_and_Genesis.asp

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Como era interpretada a história da criação, em Gênesis, antes de Darwin?

Image for: How was the Genesis creation story interpreted before Darwin? 

 "In the beginning, God created the heavens and the earth." Genesis 1

Introduction

Many people assume that Darwin's theory must have shaken the foundation of the Christian faith because of the stark difference between evolution and the idea of six-day creation. In truth, the literalist six-day interpretation of Genesis 1-2 was not the only perspective espoused by Christian thinkers prior to the publication of The Origin of Species. The works of many early Christian theologians and philosophers reveal an interpretation of Genesis compatible with Darwin's theory.

Early Christian Thought

Origen, a third-century philosopher and theologian from Alexandria, Egypt — one of the great intellectual centers of the ancient world — provides an example of early Christian thought on creation.

Best known for On First Principles and Against Celsus, Origen presents the main doctrines of Christianity and defends them against pagan accusations. On First Principles offers the following perspective on the Genesis creation story:

"What person of intelligence, I ask, will consider as a reasonable statement that the first and the second and the third day, in which there are said to be both morning and evening, existed without sun and moon and stars, while the first day was even without a heaven? […] I do not think anyone will doubt that these are figurative expressions which indicate certain mysteries through a semblance of history." 1

Origen opposed the idea that the creation story should be interpreted as a literal and historical account of how God created the world.

St. Augustine of Hippo, a bishop in North Africa during the early fifth century, is another central figure of the period,  Although he is widely known for Confessions, Augustine authored dozens of other works, several of which focus on Genesis 1-2.2 In The Literal Meaning of Genesis, Augustine argues that the first two chapters of Genesis are written to suit the understanding of the people at that time.3

"Perhaps Sacred Scripture in its customary style is speaking with the limitations of human language in addressing men of limited understanding. … The narrative of the inspired writer brings the matter down to the capacity of children." 4

In order to communicate in a way that all people could understand, the creation story was told in a simpler, allegorical fashion. Augustine also believed God created the world with the capacity to develop — a view that is harmonious with biological evolution.5

Later Christian Thought

There are many other non-literalist interpretations of Genesis 1-2 later in history. St. Thomas Aquinas, a well-known 13th century philosopher and theologian, was an Italian priest who was particularly interested in the intersection of science and religion. Aquinas did not fear the possible contradiction between the Genesis creation story and scientific findings. William Carroll notes,

"Aquinas did not think that the opening of Genesis presented any difficulties for the natural sciences, for the Bible is not a textbook in the sciences. What is essential to Christian faith, according to Aquinas, is the "fact of creation," not the manner or mode of the formation of the world." 6

Aquinas' interpretation of the creation story is evident in Summa Theologica, in which he responds to the question of whether all six days of creation are actually a description of a single day, a theory Augustine had suggested. Aquinas does not take sides in the debate, but attempts to seek harmony between the two views. Aquinas argues in favor of the view that God created all things to have potential:

"On the day on which God created the heaven and the earth, He created also every plant of the field, not, indeed, actually, but "before it sprung up in the earth," that is, potentially. … All things were not distinguished and adorned together, not from a want of power on God's part, as requiring time in which to work, but that due order might be observed in the instituting of the world. Hence it was fitting that different days should be assigned to the different states of the world, as each succeeding work added to the world a fresh state of perfection." 7

Clearly, Augustine strongly influenced Aquinas.

Augustine's creation perspective can be seen even as late as the 18th century — just before Darwin published The Origin of Species — in the works of John Wesley.  An  Anglican minister and early leader in the Methodist movement, Wesley, like Augustine, thought scriptures were written in terms suitable for their audience.  He writes,

"The inspired penman in this history [Genesis] … [wrote] for the Jews first and, calculating his narratives for the infant state of the church, describes things by their outward sensible appearances, and leaves us, by further discoveries of the divine light, to be led into the understanding of the mysteries couched under them." 8

Wesley also argues the scriptures "were written not to gratify our curiosity [of the details], but to lead us to God."9 Darwin's theory of biological evolution would not necessarily have conflicted with the perspectives of Wesley, Augustine, Aquinas, Origen or others, but the interpretation of Genesis was only one of the issues at hand.

Conclusion

The history of Christian thought has not been consistently dominated by proponents of a literalist interpretation of Genesis. Although a comparable list of theologians who did believe in a six day creation could be made, the examples cited here show that many prominent Christian theologians embraced an allegorical interpretation of Genesis long before science presented evidence in its favor.10 The discoveries of modern science should not be seen as a contradiction to  scripture, but as guideposts toward a proper understanding of scripture's meaning.

Augustine offers this advice:

"In matters that are so obscure and far beyond our vision, we find in Holy Scripture passages which can be interpreted in very different ways without prejudice to the faith we have received. In such cases, we should not rush in headlong and so firmly take our stand on one side that, if further progress in the search of truth justly undermines this position, we too fall with it. That would be to battle not for the teaching of Holy Scripture but for our own, wishing its teaching to conform to ours, whereas we ought to wish ours to conform to that of Sacred Scripture." 11

 Notes

  1. Origen, "Book IV, Ch. 3," in First Principles, trans. G. Butterworth (London: SPCK, 1936), quoted in Ernest Lucas, "Interpreting Genesis in the 21st Century," Faraday Papers, no. 11 (2007),  (accessed January 28, 2009). Also available online at "De Principiis (Book IV)," New Advent. (accessed January 28, 2009).
  2. Gillian Clark, Augustine, the Confessions, Landmarks of World Literature (Cambridge; New York, NY: Cambridge University Press, 1993).
  3. Bishop of Hippo Saint Augustine, The Literal Meaning of Genesis, Ancient Christian Writers, no. 41 (New York, N.Y.: Newman Press, 1982).
  4. Saint Bishop of Hippo Augustine, The Literal Meaning of Genesis, Ancient Christian Writers, no. 41 (New York, N.Y.: Newman Press, 1982).
  5. For a further discussion of Augustine's perspective on creation, see chapter six of Francis Collins, The Language of God: A Scientist Presents Evidence for Belief (New York: Free Press, 2006), as well as chapters eight and fifteen of Alister McGrath, A Finely Tuned Universe: The Quest for God in Science and Theology (Louisville, KY: Westminster John Knox Press, 2009). 
  6. William E. Carroll, "Aquinas and the Big Bang," First Things 97 (1999): 18-20.
  7. St. Thomas Aquinas, "Question 74: All the Seven Days in Common," in The Summa Theologica of St. Thomas Aquinas, 2nd ed., trans. Fathers of the English Dominican Province (London: Burns Oates and Washbourne, 1920). Also available online at "Summa Theologica," New Advent, http://www.newadvent.org/summa/1074.htm#2.
  8. John Wesley, Wesley's Notes on the Bible (Grand Rapids, Michigan: Francis Asbury Press, 1987), 22, quoted in Darrel R. Falk, Coming to Peace with Science: Bridging the Worlds between Faith and Biology (Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 2004), 35. Also available online at John Wesley, "John Wesley's Notes on the Bible," Wesley Center Online, http://wesley.nnu.edu/john_wesley/notes/index.htm (accessed January 28, 2009).
  9. John Wesley, A Survey of the Wisdom of God in the Creation: Or, a Compendium of Natural Philosophy, 3rd ed. (London: J. Fry, 1777), 2:463, quoted in Falk, Coming to Peace with Science: Bridging the Worlds between Faith and Biology, 35.
  10. The Catholic Church also acknowledges the diversity of early Christian interpretations of Genesis. See, for example, Catholic Answers, "Creation and Genesis," Catholic Answers, http://www.catholic.com/library/creation_and_genesis.asp (accessed January 28, 2009).
  11. Augustine, The Literal Meaning of Genesis.
fonte: http://biologos.org/questions/early-interpretations-of-genesis/

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Uma arca abarrotada de ouro na curva do Rio Jordão


Data da impressão: 14 de setembro de 2009

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Derval Dasilio

Essa é a mensagem da bandeira do Estado de Israel na fachada da Catedral da IURD? Solidariedade explicita ao massacre sistemático de muçulmanos inocentes no Oriente Médio? O sionismo neoevangélico é uma boa caricatura do que acontece neste Brasil evangélico estranhamente solidário a Israel. Há uma febre judaizante. Restaria saber se os demais apóstolos (alguns, judeus palestinos) aceitariam o “evangelho” turístico neopentecostal. O grande sonho da elite evangélica é ir passear em Jerusalém: território que aponta para Sião, “nossa santa e bela cidade”, com pedrinhas de brilhantes “só pra ver Jesus passar”... Quem sabe não passa mesmo? Mas a escala em Paris e Veneza é obrigatória. Romance embalado com o gospel milionário e meloso no iPod (descubra as raízes da fé cristã: visite Yardenit, onde Jesus foi batizado por João Batista), como na novela sobre a Índia brasileira da Globo, para milionários, fundo musical em “jazz” de Frank Sinatra.

Daí se construiu toda uma ideologia idolátrica e romântica da Terra Santa: lá o batismo é mais santificado, a água é mais poderosa (embora a ideal, importada, seja mais cara que champanhe Don Pérignon Brut ou Vintage Rosé, 1996, mil reais a garrafa). Lá as pedras são sagradas, as folhas das árvores despoluídas espiritualmente. Faz um bem danado ao crente rebatizado! A água do Jordão, não a champanhe. Até o evangélico Bush foi lá, como bom fundamentalista, renascido, como carismáticos da Renascer em Cristo, dos famosos Hernandez e suas algemas eletrônicas, e do craque do Real Madri, Kaká, que pretende ser um de seus pastores ao aposentar-se do futebol. Tal e qual sua esposa, pastora Caroline Celico, que acaba de fundar uma comunidade/comodities em Madri (dinheiro é bom, principalmente na nossa mão...). A justiça norte-americana bloqueou bens do casal Hernandez, como a mansão em Boca Raton, avaliada em 495 mil dólares. Mas não alcança a fazenda em Mairinque, comprada por 1,8 milhões de reais. Meros sinais da teologia da prosperidade (deles)? Que água consomem ali, naquele paraíso? Aquela que passarinho não bebe?

Muita gente ganha dinheiro com esse comércio imoral e pagão (cf. Simão o mágico, At 8.9-24), vendendo porções de “terra santa” e garrafinhas de água do Rio Jordão com propriedades milagrosas, depois de pregações sionistas em templos evangélicos. Um subproduto desta bobagem é o "apoio incondicional a Israel" (palavras dos pastores). Afinal, foi dito a Abraão: "Abençoarei os que te abençoarem". “E não há nenhum esforço para ver qual a diferença entre Ariel Sharon e Abraão” (Gedeon Alencar). E mesmo para identificar islâmicos como ramos da mesma e abençoada árvore abraâmica.

Na realidade, há árabes cristãos, libaneses, drusos e judeus sefaradies que não assimilaram a cultura sionista apreciada por neoevangélicos. Por sua vez, o termo “israelita” é aplicado aos seguidores do culto, e o “israelense” aos cidadãos do Estado de Israel. Todos esqueceram que, desde Esdras e Neemias, o termo adequado seria “judeu”, exterminada a religião de Javé, com o exílio babilônico (e só profetas anteriores falam do “resto de Israel”) e na diáspora. Jesus, saudoso do “resto javista” original, combateu vigorosamente os resultados dos últimos trezentos anos sob gregos e romanos e seu “helenismo” introdutor do capitalismo imperial monetarista, opressor e escravagista, no mundo mediterrânico. Má geografia, péssima memória histórica, em competições de estupidez teológica.

De fato, hoje, entre judeus históricos e israelenses são mais de 80% o grupo nacional formado por ateus ou agnósticos. Há apenas cidadãos de um Estado e seguidores de uma cultura, mas não praticantes de uma religião bíblica. Israelenses islâmicos, cristãos e drusos, embora registrados como cidadãos e portadores do passaporte de Israel, vêm, a seguir, em ordem decrescente pirâmide abaixo, de patins: drusos, árabes-cristãos (grego-ortodoxos, sírio-ortodoxos, armênios, coptas, uniatas, latinos, protestantes). Mais recentemente, tem surgido, segundo Robinson Cavalcanti, uma reduzidíssima expressão: judeus messiânicos, evangélicos judeu-cristãos. Árabes-islâmicos (com suas clássicas divisões) compõem o cenário. Miríade pluralista que não perde para o cristianismo brasileiro.


• Derval Dasilio é pastor da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil. www.derv.wordpress.com



Daniel De Souza Benevides | Campo Grande - MS

#1
Eu não tinha fé, esperança, nenhum amor. Fui resgatado, dizem que mudei radicalmente de vida, há 15 anos conheci "JC", fui e já comprei as passagens novamente. Sou muito feliz com minha esposa. Amo meu Jesus e amo Israel. Será que estou errado?
Postado em 12/09/2009 às 14:24:48
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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

POLÍTICAS PÚBLICAS E INFANTICÍDIO: UM ESCLARECIMENTO ACERCA DA MISSÃO DA ATINI

A ATINI - voz pela vida, foi criada em 2006, com a proposta de dar voz aos indígenas que não concordam com a prática do infanticídio em suas comunidades de origem. Foi a partir do clamor desses indígenas, considerados "desviantes" pelo seu grupo étnico, que a ATINI se constituiu. O objetivo, então, foi possibilitar amparo a esses indígenas que não concordavam com a prática do infanticídio, seja ela exceção ou não.

Nesse sentido, a ATINI não se coloca como uma voz que pede à legislação brasileira a punição ou criminalização dos grupos indígenas que praticam, sistemática ou assistematicamente, o infanticídio, já que compreende que as leis da sociedade brasileira não podem ser aplicadas indiscriminadamente a grupos étnicos que fazem parte do território nacional mas que têm autonomia de organização social e têm uma visão-de-mundo extremamente diferenciada. Em conformidade com sua missão expressa, a ATINI dá voz e acolhe os indígenas que pedem ajuda para livrar do infanticídio crianças com as quais guardam algum grau de parentesco.

A falta de políticas públicas voltadas para atender as necessidades dos povos indígenas, seja de ordem da saúde, seja de ordem de acolhimento aos que não querem se submeter às leis da maioria, como acontece em qualquer sociedade, tem levado os indígenas "desviantes" a pedir socorro a organizações não-governamentais, como é o caso da ATINI. Nesse sentido, a ATINI não tem pretensão de colocar-se como detentora de qualquer tipo de expertise sobre o assunto, mas tem o compromisso de ACOLHER e DAR VOZ aos indígenas que pedem ajuda para que suas crianças não sejam submetidas ao infanticídio e LUTAR para que o Estado Brasileiro ofereça condições para, como deve ser seu compromisso, atender aos pedidos desses indígenas.

Sabe-se que, em qualquer sociedade, em qualquer cultura, há violações e mesmo em relação a práticas culturais aceitas pela maioria, como é o caso da ablação ou extirpação do clitóris de meninas entre 8 e 12 anos, em algumas sociedades, há os que não concordam com elas e que não querem se submeter ao que consideram algo que precisa ser mudado em suas sociedades. Há algo de errado em discordar dessa prática? Há algo de errado em pedir que o Estado acolha essas crianças e seus parentes que não concordam com essa prática? As organizações que acolhem essas crianças e esses indivíduos "desviantes" devem ser acusadas e proscritas? Não é sobre isso que, verdadeiramente, versa a Declaração Universal dos Direitos Humanos?

Esses indivíduos, como quaisquer outros na mesma situação estrutural de outras sociedades, também têm o direito de não se submeterem às regras coletivas que consideram fonte de sofrimento e de arbitrariedade, que, aliás, existem em toda e qualquer sociedade. E mais, têm o direito de ter o direito à escolha garantido, por meio de políticas públicas.

Um outro exemplo mais próximo é o que envolve o machismo, um dos traços culturais de várias sociedades, inclusive as latino-americanas, e que tem produzido atos de violência gravíssimos contra as mulheres. Apesar da coletividade não aprovar isso e existirem leis que apontam para a criminalização dos que praticam esses atos, sabe-se que há uma certa complacência e mesmo omissão por parte da sociedade, inclusive por parte de muitas mulheres que se submetem, por vários motivos, a essa violência, muitas vezes classificada como "normal". Isso não significa, porém, que essa violência não deva ser combatida por todos, sobretudo pelo Estado, não apenas por leis, mas por políticas públicas que protejam as mulheres e possibilitem a elas uma situação alternativa de vida.

Se o infanticídio não é uma prática cultural ou uma prática tradicional, como defendem alguns, se é apenas uma situação marginal, que não faz parte das regras sociais, os que pedem ajuda quando acometidos por ele ou pela ameaça dele precisam ser assistidos, preferencialmente pelo Estado.

A ATINI compreende que os povos indígenas não precisam de leis intrusivas ou punitivas do Estado. Mas esta organização apóia, por outro lado, qualquer iniciativa governamental, dentro ou fora do âmbito legislativo, que garanta aos povos indígenas acesso às políticas públicas. A criminalização do infanticídio não é, portanto, uma bandeira da ATINI. Esta organização reconhece a diversidade cultural que há no Brasil e a respeita. A ATINI afirma que os povos indígenas precisam de políticas públicas que propiciem, entre outras coisas, que os indígenas "dissonantes" da maioria ou não, tenham assegurado seu direito de não concordar, de mudar. Aliás, todas as sociedades são dinâmicas, do ponto-de-vista cultural. Com as sociedades indígenas não é diferente.

A bandeira da ATINI é tão-somente seu compromisso em atender e dar voz aos indígenas, considerados "desviantes" ou não, que pedem ajuda para livrar seus filhos ou netos do infanticídio e isso deve ser levado em conta, não só pelo Estado, mas pelas associações de intelectuais e pesquisadores renomados e reconhecidos pelos seus estudos e pesquisas nas áreas das ciências sociais e dos direitos humanos.

Brasília, 11 de agosto de 2009.

Conselho Deliberativo da ATINI

fonte: http://vozpelavida-quemsomos.blogspot.com/2009/08/politicas-publicas-e-infanticidio.html

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Teologia deve misturar-se à política

Guillermo Meléndez


San José, segunda-feira, 7 de setembro de 2009 (ALC) - O teólogo argentino Nésto Miguez afirmou, no artigo intitulado "A realidade sóciopolítica interpela a teologia", no qual questiona o papel da teologia no contexto onde ela se desenvolve.

"Corresponde à teologia dizer uma palavra sobre a realidade social, deixar-se interrogar ou até questionar, no sentido mais extremo da palavra, pela política?", pergunta-se Míguez.

Há setores, escreveu, que pensam que não é bom para a teologia, como expressão da fé, deixar-se enredar nessas questões. Apontou, ainda, para uma segunda postura, segundo a qual alguns aceitariam que a disciplina se pronunciasse sobre a realidade mundial, mas de uma perspectiva de objetividade, evitando os compromissos setoriais ou os apoios partidários.

"Alguns vão mais longe ainda. Afirmam que a teologia pode elevar sua voz profética, deve admoestar e advertir, inclusive assinalar caminhos de maior bem-estar e reconciliação social, de pacificação, mas sem assumir uma bandeira política."

Míguez quebrou, contudo, com essa lógica. "A reflexão teológica, como palavra a partir da fé, deve poder ajudar-nos a pensar a realidade humana na qual nos movemos, a enfrentar os dilemas que a vida nos põe por diante, a procurar caminhos através dos quais respondemos às demandas sociais que são parte de nossa complexa realidade."

Os que assumem tal teologia carregam as dores e feridas que a iniquidade, a pobreza e o sofrimento abrem e "respondem afirmativamente com o seu pensamento e com seu serviço" tratando de atuar, desde as estruturas eclesiais e através de declarações e posicionamentos de organizações da sociedade civil, em função de um compromisso mais concreto "no qual possam cumprir com sua vocação evangélica de servir aos precisados, sem que isso implique meter-se diretamente com as estruturas de poder, jogar os jogos impuros da sociedade."

Ele questionou, contudo, se é possível remediar as injustiças sem contaminar-se "com a áspera e muitas vezes ambígua realidade do mundo político".

Míguez concluiu, depois de trazer exemplos atuais em sua análise como o caso de Honduras, que a realidade sempre interpela a teologia, não somente perguntando-a de que lado está, senão que pode, quer ou está disposta a fazer em favor dos pobres, dos desvalidos, dos excluídos, das vítimas da exploração e do preconceito, do abuso e da violência dos poderosos.

A teologia como elaboração teórica e construtora de subjetividade, como motora de emoções e afetos, deve prover aos crentes o sustento e a força para uma militância que não tema misturar-se com o barro das decisões ambíguas e os compromissos temporários que encerra a política, disse.

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