Crer não é sinônimo de não pensar. Crer implica em pensar, em relacionar fé com a realidade, questionando uma a partir da outra. O conteúdo são pensamentos às vezes rápidos, em elaboração; outros, já mais elaborados. Ambos buscando provocar discussão e reposicionamentos, partindo sempre da confissão de fé protestante. Os artigos classificados como "originais" podem ser reproduzidos desde que com a menção da fonte e autoria. Ano V
segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
Descolonizações: Discutindo Charlie: parte 2 - A Lei do Véu
sexta-feira, 5 de dezembro de 2014
Defensores do Design Inteligente não apoiam ensino da teoria nas escolas
“A TDI-BRASIL declara, como sua política educacional, não ser favorável, na atual conjuntura acadêmica, ao ensino da TDI nas escolas e universidades brasileiras públicas e privadas, como também nas confessionais”, diz o manifesto.
A sociedade justifica sua posição citando que a academia científica ainda não corroborou totalmente os postulados da TDI e seu ensino.
“Somos acadêmicos e queremos disputar a posição de teoria científica sobre nossas origens não nas escolas, ou nos tribunais - com votos de juízes ou mesmo no Congresso Nacional - com voto de parlamentares, mas na academia, com a avaliação dos acadêmicos. Estamos certos que à medida que os conhecimentos sobre a TDI for expandido, ela sairá vencedora no meio acadêmico”, declarou Marcos Eberlin, presidente da Sociedade Brasileira do Design Inteligente. Eberlin também faz observações quanto ao ensino da Teoria da Evolução: “queremos que se ensine somente ciência em aulas de ciência, e que assim a TE seja ensinada hoje, mas como ela realmente é, com as suas graves deficiências e sem as fraudes e equívocos, além das provas contrárias apresentadas como fatos a favor da TE nas aulas e nos livros".
O 1° Congresso Brasileiro de Design Inteligente aconteceu nos dias 14, 15 e 16 de novembro no hotel The Royal Palm Plaza, em Campinas (São Paulo), e apresentou um ciclo de palestras com os mais diversos aspectos e dados científicos que provam que houve uma mente inteligente na criação e origem do Universo e da Vida.
A Teoria do Design Inteligente
A TDI estuda e analisa os dados científicos mais recentes sobre os eventos que deram origem ao Universo e aos seres vivos, que interpreta como apontando, como padrões de inteligência revelados através da complexidade irredutível, da informação e da antevidência, que produzem as evidências de uma inteligência organizadora. Em seu arcabouço teórico, a TDI reúne metodologia e conhecimentos interdisciplinares de estudos dos seres vivos em nível molecular, e através de inferências baseadas em fatos observáveis, propõe uma reinterpretação da origem da vida.
Leia a íntegra do manifesto da TDI-Brasil:
MANIFESTO PÚBLICO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DO DESIGN INTELIGENTE -TDI BRASIL- SOBRE O ENSINO DA TEORIA DA EVOLUÇÃO E DA TEORIA DO DESIGN INTELIGENTE NAS ESCOLAS E UNIVERSIDADES PÚBLICAS E PRIVADAS
A TDI-BRASIL declara, como sua política educacional, não ser favorável, na atual conjuntura acadêmica, ao ensino da Teoria do Design Inteligente (TDI) nas escolas e universidades brasileiras públicas e privadas, como também nas confessionais.
Nossa posição se fundamenta na opinião atual da Academia, que ainda não acata em sua maioria a TDI e o seu ensino, posição essa que nós da TDI BRASIL, como acadêmicos, devemos acatar.
Outro fundamento de nossa posição contrária ao ensino da TDI nas escolas é a não existência, no quadro educacional atual, de professores capacitados para corretamente ensinar os postulados da TDI.
Entendemos, porém, que os alunos têm o direito constitucional de ser informados que há uma disputa já instalada na academia entre a teoria da evolução (TE) e a TDI quanto à melhor inferência científica sobre nossas origens. Inclusive há outras correntes acadêmicas, além da TDI, que hoje questionam a validade da TE oferecendo uma terceira via.
Quanto ao ensino da TE, a TDI BRASIL defende que este ensino seja feito, porém, de uma forma honesta e imparcial, tanto nos livros didáticos quanto na exposição dos professores em salas de aula. Defendemos que sejam eliminados exemplos fraudulentos ou equivocados atualmente presentes em livros didáticos, e que sejam expostas as deficiências graves que a TE apresenta, e que se agravam a cada dia frente às descobertas científicas mais recentes - o que hoje não ocorre.
Quanto ao criacionismo, na sua versão religiosa e filosófica, por causa de seus pressupostos filosóficos e teológicos, entendemos que deva ser ensinado e discutido, junto com as evidências científicas que porventura o corroborem, em aulas de filosofia e teologia, dando a estas disciplinas o seu devido valor no debate sobre as nossas origens.
Informações: assessoria de comunicação da TDI-Brasil.
fonte: http://www.ultimato.com.br/conteudo/defensores-do-design-inteligente-nao-apoiam-ensino-da-teoria-nas-escolas-1
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
Formas de promoção humana: promover pelo ensino
Os atrasados são aqueles que nunca tiveram escola, aqueles que não terminaram os estudos, os menores explorados (sexualmente ou não), os subempregados, os bóias-frias, os marginais, os prostitutos e prostitutas, os trombadinhas, os índios.
O ensino ocorre das mais variadas formas: cursos profissionalizantes, ensino de atividades específicas (bordado, corte e costura, conceitos básicos de informática), mutirões para melhoria das casas e das condições de vida, alfabetização, educação de jovens adultos são alguns exemplos.
Os acomodadores apoiam, ao final, os valores da sociedade. Não é incomum que eles imaginam estar ofertando meios para que os necessitados façam uma reflexão crítica da sua situação, quando estes, na verdade, desejam apenas se apoderar da ferramenta (o conhecimento que está sendo ministrado) para melhorar as suas condições de vida. Ou seja, se acomodarem em um lugar previamente moldado para ele, que somente poderia ser ocupado se houvesse a educação para isto.
Habitualmente promover pelo ensino acontece através de uma instituição que determina quais são as necessidades dos necessitados, avalia os recursos humanos e financeiros que tem à disposição ("os acomodadores ensinam o caminho a ser percorrido para a conquista de um lugar na sociedade contando com os recursos da sociedade"), estuda as propostas de soluções e seleciona aquela(s) mais adequada(s) para a resposta ao(s) problema(s) encontrado(s). É a instituição que controla todas as etapas do processo, que incentiva, contribui e controla. O sucesso da promoção é percebido pela ascenção social do necessitado.
Promover pela educação dá ao necessitado um instrumento poderoso para se defender e melhorar de vida. Mas como o educador é que tem o controle do saber e do ensinar, este é que ensina como o necessitado deve entender a realidade e as razões pelas quais existem necessitados. A promoção pelo ensino supõe que a sociedade evoluiu de forma satisfatória, e que o que impede a participação de todos é apenas a ignorância. A única alternativa para "subir na vida" é se enquadrando na sociedade. Educa-se para "saber mais para ter mais".
Se a assistência para no ensino, ela tende a promover o individualismo competitivo, próprio da sociedade capitalista agressiva. É esta a visão da Igreja de Cristo?
"O compadecido é assistencialista, pois cria dependência, dando coisas aos necessitados. O acomodador é paternalista, pois dá condições para o necessitado obter as coisas, mas não permite que ele tome sua própria iniciativa."
Postado no Serviço Assistencial Dorcas
quarta-feira, 12 de novembro de 2014
Formas de promoção humana: promover pela assistência
A forma mais antiga e com maior presença na tradição cristã é a promoção do necessitado através da assistência. Ou seja, há um necessitado e um compadecido.
O primeiro é o indigente, o abandonado, o desprezado, o desempregado, o doente, o faminto.
O compadecido entende que promover o necessitado é providenciar recursos financeiros, materiais, sociais e culturais: saúde, abrigo, socorro, alimento, vestuário, habitação, infraestrutura, serviços, consolo. No meio evangélico, o texto do grande julgamento (Mt 25) é um fortalecedor desta visão de promoção humana.
A atuação assistencialista habitualmente ocorre através de uma instituição que trabalha a partir de objetivos explícitos ou implícitos que norteiam a captação e o uso dos recursos. Objetivos e recursos são tão interligados que um influencia o outro. A instituição é a controladora dos recursos, determinando onde e como serão empregados. A instituição também é que escolhe os valores que nortearão a percepção da necessidade.
"Os compadecidos socorrem os necessitados por sentimentos de caridade, de humanismo, de obrigação religiosa, de mitigar sua omissão diante das disparidades sociais etc. Eles dão testemunho de sua fé pelo amor ao próximo, simbolizado pela mão estendida em ajuda ao necessitado...A prática da promoção humana assistencialista reforça os laços que unem a humanidade e ressalta o dever cristão de ser um bom samaritano."
O relacionamento entre o necessitado e o compadecido é unidirecional; o necessitado recebe em função do ter. Aquele que tem, ou controla os meios de ter, dá aquilo que lhe sobra.
Ao lado das virtudes (universalidade de cuidado, real auxílio em situações limites, redução da fome, da miséria, do índice de violência e suicídio, por exemplo) há vícios que não podem ser ignorados.
As estruturas que geram solidão, doença, fome, desemprego, abandono não são enfrentadas. Racionalmente apela-se a Jo 12.8 ("os pobres sempre tereis convosco") para justificar o não enfrentamento destas estruturas.
O compadecido não corre riscos, pode aliviar o sofrimento alheio sossegadamente, e sem aprofundar o diálogo. E ele não é o necessitado, não vivenciou sua história - por mais que ame o necessitado, o compadecido não é um deles, é um estranho!
Racionalmente o compadecido organiza seu pensamento dentro da "certeza" de que a sociedade está no caminho certo, que o desenvolvimento social e econômico reverterá, a longo prazo, as situações que dão à luz o necessitado. É estranho ao evangélico este pensamento, que não se harmoniza com a visão pessimista que as Escrituras têm da sociedade humana corrompida e pecadora...
publicado originalmente em Serviço Assistencial Dorcas
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
A invenção do ’voto evangélico’
* Teólogo, historiador e doutor em Ciência Política pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o autor é professor da Universidade Federal de Alfenas (Unifal), em Minas Gerais.
fonte original: http://congressoemfoco.uol.com.br/opiniao/forum/a-invencao-do-%E2%80%99voto-evangelico%E2%80%99/
quarta-feira, 6 de agosto de 2014
Silas Malafaia, Israel e o direito de matar
“Porque, em vos convertendo ao Senhor, vossos irmãos e vossos filhos acharão misericórdia perante os que os levaram cativos, e tornarão a esta terra; porque o Senhor vosso Deus é misericordioso e compassivo, e não desviará de vós o seu rosto, se vos converterdes a ele.” 2 Crônicas 30:9
fonte original: http://www.hermesfernandes.com/2014/08/silas-malafaia-israel-e-o-direito-de.html
segunda-feira, 30 de junho de 2014
Um Nobel da Paz que serviu a Deus
Notas:
1. Schweitzer, 1949, p. 3.
2. Porter, 1997, p. 113.
quinta-feira, 12 de junho de 2014
Carta de um homossexual ao seu pastor
Carta a um ex-gay tentado a voltar atrás
| Libertação da: | Designação | Quando: | Como: |
| Culpa do pecado | Justificação | Passado | Ato único realizado uma única vez |
| Poder do pecado | Santificação | Presente | Processo incompleto e imperfeito |
| Presença do pecado | Glorificação | Futuro | Ato único realizado de uma vez para sempre |
Do seu irmão e amigo,
Augustus
publicado em http://www.ultimato.com.br/conteudo/carta-a-um-ex-gay-tentado-a-voltar-atras
ver resposta em http://crerpensar.blogspot.com.br/2014/06/carta-de-um-homossexual-ao-seu-pastor.html
segunda-feira, 5 de maio de 2014
sábado, 29 de março de 2014
Comentários sobre "Visão Mundial USA volta atrás na decisão de contratar casados com pessoas do mesmo sexo"
Desconhecia que era exigido dos seus membros compromissos éticos específicos alheios à ação social. Não sabia que a vida privada era matéria de escrutínio e vigilância. Pelo menos é assim que interpreto "nossa política de emprego antiga que requer abstinência sexual para todos os funcionários solteiros e fidelidade dentro do pacto bíblico do matrimônio entre um homem e uma mulher. " Requerer é, entre outros significados, "demandar", "exigir". O que é exigido pode ser cobrado, verificado, questionado. Pergunto-me se todas as Visões Mundiais mundo afora atuam desta mesma maneira.
Causa-me desconforto o que está nas entrelinhas: o cristão homossexual que vive uma relação análoga à do casamento não respeita as Escrituras como norma absoluta de fé e prática. As entrelinhas permitem concluir que não há outra interpretação possível, tornando a interpretação tradicional de condenação absoluta e sem rodeios da atividade homossexual (leia-se relação sexual entre pessoas do mesmo sexo) intocável e irretocável. Ou seja, santifica-se uma interpretação tradicional e demoniza qualquer outra, em que base for, como insubmissa à autoridade das Escrituras. O correto seria afirmar que a organização demanda um compromisso com uma interpretação bíblica específica, majoritariamente aceita.
Visão Mundial USA volta atrás na decisão de contratar casados com pessoas do mesmo sexo
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Queridos Amigos,
Estamos escrevendo para nossos parceiros de confiança e líderes cristãos, que vieram a nós no espírito de Mateus 18, para expressar sua preocupação com amor e convicção. Compartilhamos o desejo de nos unirmos ao Corpo de Cristo em torno de nossa missão de servir os mais pobres dos pobres. Ouvimos vocês, queremos agradecer e pedir humildemente o seu perdão.
No esforço de nosso Conselho de se unir em torno de missão compartilhada com a igreja para servir aos pobres em nome de Cristo, não conseguimos ser consistentes com o compromisso da Visão Mundial Estados Unidos para o entendimento tradicional do casamento bíblico e a nossa Declaração de Fé, que diz: "Acreditamos que a Bíblia é a inspiração, a única palavra infalível da autoridade de Deus." E também falhamos em não procurar aconselhamento suficiente através dos nossos próprios parceiros cristãos. Como resultado, fizemos uma alteração na nossa política de emprego que não era consistente com a nossa Declaração de Fé e nosso compromisso com a santidade do casamento.
Estamos de coração partido com a dor e confusão que causamos a muitos de nossos amigos que viram nesta decisão uma reversão do nosso forte compromisso com a autoridade bíblica. Pedimos que entenda que nunca foi a intenção do Conselho. Pedimos por seu apoio contínuo. Comprometemo-nos que continuaremos a ouvindo os sábios conselhos dos irmãos e irmãs cristãos, e alcançaremos os principais parceiros nas próximas semanas.
Enquanto a Visão Mundial Estados Unidos mantém-se firme na visão bíblica do casamento, afirmamos enfaticamente que todas as pessoas, independentemente da sua orientação sexual, são criados por Deus e devem ser amados e tratados com dignidade e respeito.
Por favor, saibam que a Visão Mundial continua a servir todas as pessoas em nosso ministério ao redor do mundo. Oramos para que você continue a se juntar a nós em nossa missão de ser "uma parceria internacional dos cristãos cuja missão é seguir nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, trabalhando com os pobres e oprimidos para promover a transformação humana, buscar a justiça, e testemunhar a boa nova do Reino de Deus. "
Em Cristo,
Richard Stearns, presidente
Jim Beré, presidente do Conselho da Visão Mundial Estados Unidos
sexta-feira, 14 de março de 2014
Sobre Cosmovisão
De: Uriel Heckert
Data: 14 de março de 2014 10:40
Assunto: Sobre Cosmovisão
Para:
domingo, 23 de fevereiro de 2014
Uma carta a Sardes, e a nós - revitalização já!
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
Linchadores e bandidos - o que têm em comum?
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
Personalidades negras na bíblia
domingo, 2 de fevereiro de 2014
Talks on Health
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
[Serviço Assistencial Dorcas] Sistema prisional brasileiro, por um juiz do STF
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Postado por Blogger no Serviço Assistencial Dorcas em 12/09/2013 11:06:00 PM
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Eduardo Ribeiro Mundim
www.medicinaeciencia.med.br
www.bioeticaefecrista.med.br
Nota Pública sobre Nelson Mandela
De: Uriel <uriel@pwl.com.br>
Data: 7 de dezembro de 2013 18:54
Assunto: Nota Pública sobre Nelson Mandela
Para:
ALIANÇA DE NEGRAS E NEGROS EVANGÉLICOS DO BRASIL (ANNEB)
NOTA PÚBLICA Nº 02 - 2013
| Tema: Nelson Mandela
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| Assunto: TRIBUTO AO HOMEM DE DEUS NELSON MANDELA
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| A Paz do Senhor para meu irmão metodista convicto Nelson Mandela. Desta vez, a paz eterna e definitiva. Durante um tempo, sob o regime racista do apartheid, a paz foi uma impossibilidade; depois, um sonho; depois, uma luta; depois, uma conquista e, por fim, uma consolidação. Desta vez, não é preciso guardar proporções, para comparar seu nome ao de Moisés, libertador de Israel. Basta lembrar que o Êxodo, que o primeiro profeta judeu, e codificador de sua fé, protagonizou, não foi apenas sob o prisma espiritual a que nossa visão limitada nos remete. Também o foi sob os prismas cívico-nacional e étnico-racial. O contraste entre Mandela e Moisés talvez seja este. Em Moisés, a importância espiritual que lhe damos esconde um pouco os valores civis e seculares. Em Nelson, a importância civil esconde os valores espirituais. Quem devolveu aos negros sul-africanos a dignidade cidadã foi o líder civil Nelson Mandela. Quem se recusou a fazer depois uma revanche e recomendou a paz e a normalidade foi o irmão, cristão metodista, Nelson Mandela. É fato, todavia, que estivemos por noventa e cinco anos convivendo com uma pessoa que, bem situada e bem localizada narrativa, descritiva e dissertativamente, terminará por manter denúncias que ainda não queremos fazer. De fato, não mostrar que a luta de Mandela teve o recorte de fé é manter-se na trincheira demagógica de onde se acena que Jesus só salva almas e nada tem a ver com a opressão feita sobre o corpo das pessoas, sobre a matéria. Esquecer que foi um irmão metodista é não reconhecer a sua fé e que a Palavra de Deus exigiu dele o máximo dessa fé. Não seria sem fé que se passaria da humilhação vivida por ele na pseudoliberdade de sua juventude para uma maturidade forjada na humilhação ainda maior dos vinte e sete anos de cárcere. Não fosse o fato de que sobreviveu a tudo isto para ver a vitória final, e ter-lhe-ia cabido, na hipotética morte precoce, o título de mártir espiritual tanto quanto a qualquer que tenha morrido por defesa apologética e ideológica ou, como preferem os pregadores, por amor a Cristo, amor que se resume, sem acréscimos ou decréscimos, no amor aos indefesos. A todos os indefesos, já que todos respondem à indagação farisaica sobre "quem é o meu próximo?" A Aliança de Negras e Negros Evangélicos do Brasil sentir-se-ia diminuída e sentiria insubsistente um tributo ao Grande Irmão, se não reconhecesse que tudo o que Mandela sofreu não teve gênese no continente tão desgraçadamente acusado de ser o depósito de todas as maldições, congresso de todas as mandingas e bruxarias e herdeiro do legado de Cam-Canaã. A nossa máscara, em homenagem a Mandela, deve cair para que se admita que cristãos, mais que isto, protestantes, levaram da Europa para a África do Sul a mácula que, se avaliada como deveria, talvez tivesse superado na História a marca do holocausto dos judeus. Afinal os povos do mundo, e também o Brasil em especial, são historicamente mais firmes em odiar negros do que em odiar judeus, haja vista a febre em tentar impor nas liturgias ritmos hebraicos e a aversão em fazê-las com expressões artísticas de matriz africana. Honrar Mandela é insistir em espiritualizar o que é convenientemente para alguns secularizado. Em outras palavras, é dar-lhe o valor de homem de Deus, hoje praticamente restrito aos líderes clericais. O demônio existe e foi percebido por Mandela e que, em relação a ele, os africanos são vítimas e não aliados do mal, e não sacerdotes de Satã. O demônio existe e muitas vezes é branco. Queiram revoltar-se ou não contra a ANNEB, este é o fato corajosamente apontado. O demônio existe e muitas vezes é ele cristão fervoroso, como foi o apartheid: cristão, como alguns ignoram, e fervoroso, como ninguém negaria. Jesus enviou Mandela ao mundo também para salvar o que se havia perdido e, por mais triste que pareça, em vez de salvar seu povo das forças do demônio, se viu no constrangimento de salvá-lo da maldade do próprio Deus cristão, se entendido como muitos cristãos europeus apresentaram-nO aos africanos. Felizmente, a Paz do Senhor, Nelson Mandela, a paz do Deus verdadeiro, e não daquele que por décadas te oprimiu e à sua-nossa gente. A paz do Pai da Eternidade que, na Eternidade te recebe como Premio Nobel da paz. A Paz do Senhor ao Prêmio Nobel da Paz do Senhor. |
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Eduardo Ribeiro Mundim
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