fonte: www.jblibanio.com.br/modules/wfsection/article.php?articleid=1185
Crer não é sinônimo de não pensar. Crer implica em pensar, em relacionar fé com a realidade, questionando uma a partir da outra. O conteúdo são pensamentos às vezes rápidos, em elaboração; outros, já mais elaborados. Ambos buscando provocar discussão e reposicionamentos, partindo sempre da confissão de fé protestante. Os artigos classificados como "originais" podem ser reproduzidos desde que com a menção da fonte e autoria. Ano V
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
O olhar do teólogo: Bioética e clonagem
fonte: www.jblibanio.com.br/modules/wfsection/article.php?articleid=1185
sábado, 24 de setembro de 2011
Milagres, para o quê servem?
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Livros evangélicos tendem a mostrar uma supermulher
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Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC)
Edição em português: Rua Ernesto Silva, 83/301, 93042-740 - São Leopoldo - RS - Brasil
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segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Política de Chávez tem sinais visíveis do Reino , dizem pentecostais
Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC)
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terça-feira, 13 de setembro de 2011
É a religião um ópio das massas?
terça-feira, 6 de setembro de 2011
PRONUNCIAMENTO SOBRE DECISÃO DO STF – LEGALIZAÇÃO DA UNIÃO HOMOAFETIVA
- A IPU reafirma que as Sagradas Escrituras são o seu padrão de doutrina e ética e reconhece o direito, diante delas, a diferentes posicionamentos exegéticos e teológicos os quais, sob a influência de condicionamentos históricos, culturais e sob a orientação do Espírito Santo, transformaram-se e se transformam de acordo com as necessidades dos homens e passaram a constituir verdadeiro patrimônio espiritual da Igreja Cristã (Artigo 4º dos Princípios de Fé e Ordem);
- A IPU reconhece que estamos diante de um tema complexo e terreno fértil para polarizações, mas, por isso mesmo, digno de debate e que, por isso, ao invés de silêncio e exclusão, é necessário aprofundar e qualificar o debate relativo à tensão entre o sagrado direito de crença de uns e o democrático respeito aos direitos civis (laicos) de outros;
- A IPU, não obstante respeitar a laicidade do Estado e defender o sagrado direito de crença, lamenta que o STF tenha assumido o papel do Congresso Nacional, ao decidir sobre o tema, havendo que prevalecer o texto constitucional, até que o Congresso o revisasse, transformando-se, assim, o STF em um poder constituinte;
- A IPU reconhece e defende a sólida tradição da separação entre Igreja e Estado e que isso não significa a sujeição de um à esfera do outro, nem a substituição de um pelo outro;
- A IPU defende, também, que a Igreja deve anunciar e proclamar as boas novas do Senhor Jesus Cristo que se caracterizam pela transformação e pela novidade de vida, ao alcance de todos os homens e mulheres e que todos venham ao conhecimento da Verdade, que é o Senhor Jesus Cristo;
- A IPU reafirma seu compromisso com a defesa dos direitos civis de todas as pessoas, cristãs e não cristãs, e que nenhuma delas fique desamparada pelo Estado ou pela sociedade, independentemente de sua classe social, raça, cor, religião, ideologia política, sexo ou orientação sexual, representando, assim, tal decisão do STF um avanço para a garantia dos direitos da pessoa humana (Artigo 9º dos PFO, caput);
- A IPU, não obstante a decisão do STF de reconhecimento legal da união civil homoafetiva e de sua equiparação a entidade familiar, afirma que, de acordo com a alínea l do artigo 9º de seus Princípios de Fé e Ordem, “admite a bênção matrimonial e também celebra casamento civil na forma da lei” (grifo nosso) somente para a união em fidelidade entre um homem e uma mulher.
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
O velho e o ônibus
Jerusalém, quinta-feira, 1 de setembro de 2011
O primeiro foi estabelecido em 1968 e o segundo no início da década de 1980 por colonos removidos do Sinai após o tratado de paz entre Israel e o Egito. Algumas famílias palestinas continuam vivendo ali, resistindo à pressão criada pelos assentamentos circundantes, que se manifesta normalmente através do confisco de terras e através da violência dos colonos. Em meio a esse conturbado ambiente, encontra-se a história de perseverança de um velho e seu ônibus.
Sozinho, agarrando-se ao pouco que resta de sua terra, um idosos de 80 anos, chamado Abd Al-Hasib Atta Zaloum, passa a maior parte do tempo em baixo de uma árvore. Durante toda a sua longa vida, testemunhou inúmeros acontecimentos-chave do conflito árabe-israelense, como as guerras de 1948 e 1967. Também testemunhou a formação e a expansão dos assentamentos israelenses à sua volta, já a partir do ano de 1968.
Desde o princípio, esses assentamentos se constituíram tomando terras palestinas, sejam privadas ou estatais (ou assim declaradas pelo Estado ocupante, Israel), às vezes vagarosamente, às vezes abruptamente. Isso é realizado normalmente através de um engenhoso sistema que utiliza medidas de segurança que inviabilizam o acesso à terra e leis otomanas de confisco de terras não cultivadas durante três anos. As terras pertencentes a Abd Al-Hasib não ficaram imunes a esse processo de desapropriação.
Localizadas adjacente ao assentamento de Qiryat Arba, cuja população atual gira em torno de oito mil habitantes, suas terras também sofreram o mesmo processo de desapossamento a quais tantos outros palestinos estão sujeitos. De seus originais 21 dunums de terras, restam-lhe apenas 4 dunums (1 dunum = 1.000 m²). Como também em tantos outros casos, o motivo declarado pelas autoridades israelenses foi a proteção dos assentamentos através da criação de área de isolamento que provesse uma espécie de faixa de segurança para as instalações desse, como a escola para as crianças dos colonos que fica próxima às terras de Abd Al-Hasib.
Essas medidas de segurança foram impostas a custas da propriedade privada de um idoso inofensivo, sem que lhe fosse dado qualquer compensação pelas perdas, o que deveria ser a prática em qualquer sociedade sob o estado de direito. Ao contrário, os próprios assentamentos que provocaram essa destituição forçada é que estão em flagrante violação com as leis internacionais, de acordo com a Quarta Convenção de Genebra, segundo a qual é ilegal a transferência de uma população para territórios ocupados pela força ocupante.
Mais de 100 assentamentos israelenses foram erguidos desde 1967 na Cisjordânia, para os quais foram construídos em meio a um território alheio rodovias, sistemas de canalização de água, redes de luz e eletricidade... aos quais a população local, os palestinos, tem pouco ou nenhum acesso.
A partir de 1994, durante o processo de Oslo, foi estabelecido que a Cisjordânia seria divida em Áreas A, B e C. As áreas consideras A estariam dali em diante sob controle total da Autoridade Nacional Palestina, também uma criação dos mesmos acordos, pelo menos em tese.
Já as áreas consideradas C (quase 2/3 da Cisjordânia) permaneceriam sob controle total israelense, sendo as Áreas B um misto das duas: controle civil palestino e militar israelense. Do mesmo modo que tantas outras nas imediações de assentamentos, as terras de Abd Al-Hasib caíram dentro da Área C. Isso significou que qualquer construção realizada dali em diante necessitaria da aprovação das autoridade militares israelenses.
Como regra geral, é praticamente impossível para um palestino conseguir permissão para construir nessa área, não restando outra opção a não ser fazê-lo ilegalmente. Ordens de demolição são emitidas pouco tempo depois do término das construções e, após o esgotamento de todos os recursos possíveis, aos quais a grande maioria sequer tem acesso, vem a demolição de fato.
Assim foi com a casa que Abd Al-Hasib construiu em suas terras em fins da década de 1990, demolida pouco tempo depois de sua construção, no ano de 2000. A retirada forçada de sua casa pelos soldados e policiais israelenses resultou em algumas seqüelas, principalmente em seu braço direito, quebrado por aqueles enquanto resistia à remoção forçada.
Seu filho buscou então uma solução para seu pai que insistia e ainda insiste em permanecer vivendo em suas terras até o dia que morrer. Comprou para ele um ônibus quebrado de uma companhia de Beit Sahur por 400 shekels para que pudesse continuar ali. Não sendo uma construção, o ônibus não está sob a ameaça de demolição pelas autoridades israelenses. Já há 10 anos, vive o idoso Abd Al-Hasib em seu ônibus, cerca de 20 metros de sua antiga casa demolida.
As condições dentro dessa residência, o ônibus, são consideravelmente austeras. Não há água encanada, nem banheiro. Há apenas alguns colchões, uma televisão, um rádio e um fogão a gás simplíssimo. Algumas janelas do ônibus estão quebradas ou faltando, o que durante o inverno torna as condições ali difíceis de serem suportadas. Adjacente ao ônibus encontra-se a árvore onde o idoso passa a maior parte do tempo. À primeira vista é possível pensar que alguém vivendo nessas condições sinta-se miserável e infeliz, mas não é o caso de Abd Al-Hasib:
"Eu tenho tudo aqui: pão, água. Eu prefiro viver aqui do que em um hotel cinco estrelas," diz ele apontando para o que mantém próximo ao alcance de suas mãos.
O insistente idoso permanece firme em sua terra, temendo que, caso a deixe, ela seja incorporada ao assentamento adjacente de Qiryat Arba. Os colonos dali costumavam importuná-lo regularmente até que fosse erguida cerca há oito anos. Entretanto, a mesma lhe barrou o acesso a maior parte de suas terras, restando apenas menos de um quinto do que tinha anteriormente. Ainda assim, esse exíguo lote de terra é visado por aqueles que desejam usá-lo para expansão do assentamento.
Alguns anos atrás um advogado veio até ele interessado em comprar suas terras e ofereceu-lhe um altíssimo valor por elas. Inicialmente, foi oferecido em torno de 30.000 dinares jordanianos por cada dunum de terra (um dinar jordaniano costuma valer entre 2 a 2,5 reais).
Suspeitando algo estranho, Abd Al-Hasib continuou negociando e conseguiu aumentar o valor para 100 mil dinares por dunum. Finalmente ele disse que não venderia a terra, já que sabia que tal preço só poderia ser pago por colonos ideológicos interessados na expansão do assentamento próximo. Então, disse que toda sua terra junta não valia 10 mil dinares jordanianos e expulsou o advogado dali.
Inicialmente, sua mulher lhe fazia companhia morando com ele no ônibus. Porém, há cerca de oito meses teve que se retirar dali por causa de problemas de saudade que praticamente a imobilizaram. Ela vive agora na casa do filho, há poucas centenas de metros dali. Agora resta apenas o velho solitário, sentado debaixo de sua árvore ou dormindo dentro de seu ônibus.
"Eu sou como um rei aqui na minha terra. Eu tenho uma TV e posso ouvir no rádio Umm Kulthum (famosa cantora egípcia). O rei da Jordânia não poderia vir aqui e viver aqui, pois precisaria de seus guarda-costas. Eu tenho só um protetor: Deus", afirma.
Resoluto em terminar seus dias sobre o chão que legitimamente lhe pertence, o idoso Abd Al-Hasib Atta Zaloum resiste firme ao que é apenas um exemplo do lento avanço do processo de desapontamento que ocorre na atualidade em toda a Cisjordânia. Ao contrário do habitualmente veiculado pela mídia, não é violência a principal arma da maioria dos palestinos em sua longa luta contra quase 45 anos de ocupação, mas sim a paciente persistência como a do velho em seu ônibus.
* Gabriel Matyias Soares é brasileiro, um observador ecumênico em Hebron.
fonte: http://www.alcnoticias.net/interior.php?lang=689&codigo=20292&format=columna
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Mapa das Religiões aponta estagnação pentecostal e crescimento evangélico
A queda do catolicismo é maior entre os jovens, na faixa dos dez aos 19 anos de idade, passando de 74,13%, em 2003, para 67,48%, em 2009. A grande novidade é o crescimento, de 5,39% para 7,47%, dos evangélicos de igrejas históricas e tradicionais, e a estabilização dos pentecostais, em 12% do total da população brasileira no período.
Os dados constam no Novo Mapa das Religiões, organizado pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV) com base nos dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O mapa foi divulgado na semana passada.
O Brasil continua, porém, o maior país católico do mundo. Mas com uma marca própria. Das 25 denominações analisadas pelo Mapa, o catolicismo é a única em que o número de homens seguidores (75,3%) é maior do que o de mulheres (71,3%). Ou seja, as mulheres são mais religiosas do que os homens, mas os homens são mais católicos do que as mulheres.
Apenas 5% das mulheres brasileiras não têm religião, enquanto esse percentual sobe para 8,52% na coluna masculina. "Enquanto os homens abandonaram as crenças, as mulheres trocaram de crença, preservando mais que eles a religiosidade", relata o estudo. A ética católica, prossegue a análise, "estaria sendo trocada por outras mais em linha com a emancipação feminina em curso" acompanhada por uma revolução dos costumes. As alterações no estilo de vida feminino nos últimos 30 anos não encontraram eco na doutrina católica, "menos afeita a mudanças".
Outra constatação interessante, o estudo aponta que a religiosidade é menor nas duas pontas extremas do espectro educacional. Dentre os sem instrução, com menos de três anos de escolaridade, 9,94% não têm religião. Na outra ponta, 17,04% dos mestres e doutores são sem religião.
Quando os olhares se voltam para o critério econômico, a classe E mostra-se como a menos religiosa de todas – 7,72%. O catolicismo é a religião mais presente nos dois extremos – 72,76% na classe E, e 69,07% nas classes AB. Os pentecostais têm maior abrangência nos níveis inferiores da distribuição de renda: 15,34% na classe D, 2,4 vezes maior do que nas classes AB – 6,29%. Os evangélicos tradicionais e históricos concentram-se mais nas classes AB (8,35%) e C (8,72%).
O Novo Mapa das Religiões levanta uma tese: enquanto o protestantismo tradicional liberou o cidadão comum da culpa da acumulação do capital privada, as religiões neopentecostais liberaram a acumulação privada de capital através da igreja. Elas estariam ocupando, no período de baixo crescimento econômico no país – anos 80 e 90 – o lugar do Estado na cobrança de impostos (dízimo e outras contribuições) e na oferta de serviços e redes de proteção social.
O Piauí é o Estado da Federação com o maior contingente de católicos (87,93%) e Roraima é o que tem o maior número dos que se dizem sem religião (19,39%). O Estado com a maior concentração de pentecostais é o Acre (24,18%), enquanto o Espírito Santo (15,09%) é o Estado que reúne maior número de evangélicos tradicionais e históricos.
Quatro capitais de Estados da região Norte despontam nas primeiras posições quanto ao número de pentecostais: Rio Branco, capital do Acre, com 28,43%; Belém, no Pará, com 22,99%; Boa Vista, Roraima, com 21,21%; e Porto Velho, Rondônia, com 19,02%. Os Estados mais católicos do país estão no Nordeste, com 74,9% de sua população.
Vitória, no Espírito Santo, com 18,13%, Rio Branco, Acre, com 14,63%, e Campo Grande, com 13,71%, são as três capitais que abrigam o maior número de evangélicos tradicionais e históricos.
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quarta-feira, 24 de agosto de 2011
A história do blog que pode virar igreja
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Os brasileiros estão entre os povos que mais utilizam redes sociais como twitter e facebook. Mas um dia antes da realização do Eclesiocom, no dia 17 de agosto, os jornais publicaram a informação de que esse vigor todo está arrefecendo.
Ao lado dos russos, os brasileiros também estão entre os mais cansados das redes sociais. Um levantamento realizado pela consultoria Garner em 11 países aponta que no Brasil e na Rússia, 30% a 40% dos usuários usam menos esses sites agora do que quando se inscreveram.
A revista UMA, publicação feminina da Editora Escala, também destaca em sua edição de agosto o surgimento de um movimento contrário à onda virtual, com o surgimento de grupos de mulheres que buscam espaço em suas agendas para os contatos reais, organizando reuniões de bate-papo, meditação, estudo e até prática de tricô.
Na reportagem abaixo você vai conhecer a história de um blogueiro, pastor evangélico, que depois de arrebanhar um rebanho virtual está vendo o movimento se materializar.
Em 2008, o então estudante de teologia Paulo Siqueira resolveu lançar dois blogs de uma só vez: um mais teológico, no qual pudesse publicar seus trabalhos acadêmicos (http://pedrasclamam.wordpress.com) e um outro de caráter mais “laico”. (http://estrangeira.wordpress.com). Ambos abertos ao diálogo sobre a cena evangélica brasileira com o mesmo espírito crítico diante do pensamento e práticas influenciadas pela teologia da prosperidade.
Como diligente blogueiro, Paulo começou a interagir com os seus leitores, respondendo dúvidas e comentários. Ficou quase doido. O número de comentários começou a crescer tanto que nem mesmo de celular em punho, acessando o blog em todos os momentos livres, ele conseguia dar conta de acompanhar as mensagens que chegavam. Paulo Siqueira comprou, então, mais um computador para a casa, ganhou o apoio ativo da esposa Vera, que assumiu o “Estrangeira”, e viu nascer, quase perplexo, um novo movimento pela ética eclesial.
Os blogs do casal Paulo e Vera catalisaram especialmente o descontentamento de jovens evangélicos ansiosos pelo retorno ao “Cristianismo puro e simples” – título de um livro de C.S.Lewis com o qual explicam seu objetivo. (CLIQUE AQUI para fazer o download do livro). São pessoas decepcionadas com a mercantilização da fé, muitas delas feridas por doutrinas e práticas estapafúrdias, mas que mantiveram viva a sua fé.
A própria blogueira Vera é uma dessas sobreviventes. Vera havia pertencido a diferentes grupos religiosos, antes de se tornar evangélica, mas, por maior que fosse a sua fé, não conseguia se livrar de um mal que a afligia: sentia cheiros desagradáveis onde quer que fosse.
“Espíritos” foi a explicação que ela ouviu durante o tempo em que freqüentou centros espíritas. “Demônios”, disseram-lhe pastores evangélicos. Foi na Unifesp (antiga Escola Paulista de Medicina) que Vera se descobriu portadora de uma rara síndrome. Agora, espera ajudar outros portadores desta síndrome, contando sua experiência em um livro que já tem até título escolhido: “Algo não cheira bem na Igreja”.
O virtual no caminho do real
Inspirados pelas reflexões compartilhadas pelos blogs e mobilizados por intermédio das redes sociais, os blogueiros e seus leitores participaram, em junho, da última Marcha para Jesus (evento capitaneado pela Igreja Renascer) ostentando faixas que pediam ética às igrejas evangélicas brasileiras. “O show tem que parar”, exortavam. Quase apanharam dos seguranças da Marcha. O vídeo da confusão, gravado por celulares, foi para o youtube. “Em seis minutos, comecei a receber e-mails e ligações do Brasil e do exterior”, diz Paulo.
Um desses contatos era de uma repórter do Christian Post, site evangélico de notícias com sede nos Estados Unidos, que o entrevistou. Paulo conta que recebeu convite para se tornar um colaborador do site.
Dois dias depois da Marcha para Jesus, os participantes do Movimento pela Ética Evangélica fizeram o que eles chamam de “antimarcha”: organizaram uma visita, em grupo, a centros de doação de sangue, para sinalizar a “responsabilidade social da Igreja”. “As pessoas querem fazer algo em prol do Reino, mas não são estimuladas pela instituição”, afirma Paulo.
O que eram apenas contatos on line já se tornaram reuniões de reflexão e estudo bíblico. Participam desses encontros, conta Paulo Siqueira, jovens oriundos de todas as tribos e tendências, incluindo um ex-neonazista convertido ao Evangelho. “O virtual está se materializando em nossa frente”, diz o teólogo que já recebeu pedidos para fundar uma Igreja.
A sociologia da religião ensina que os movimentos tendem a se institucionalizar. O que era profeta, contestando a ordem vigente, pode se transformar em sacerdote, legitimando uma nova ordem. Esse é o desafiador quadro que se apresenta ao blogueiro e pastor Paulo. Que Deus o ajude.
fonte: http://www.alcnoticias.net/interior.php?lang=689&codigo=20235&format=columna
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Igreja Evangélica elogiou Adolf Eichmann
A carta tem cerca de 50 anos, mas lança uma luz negativa sobre a Igreja Protestante, afirmou a revista. As informações prestadas pela Igreja em 1960 ao governo de Konrad Adenauer aparecem em documentos do Arquivo Político do Ministério das Relações Exteriores.
Uma carta de William Mensing-Brown, superintendente de Linz - cidade austríaca em que o assassino em massa havia crescido - foi enviada ao Ministério das Relações Exteriores referindo-se a Eichmann como "decente", um "bom coração" e "com grande disponibilidade para ajudar".
Mensing-Brown escreveu que não poderia "imaginar" que o ex-tenente-coronel SS Adolf Eichmann, estivesse "de acordo ou teria sido capaz de praticar crueldades ou atos criminosos." Ele foi sequestrado na Argentina e levado para Israel. Os irmãos dele tentaram conseguir um tribunal internacional e não um israelense, e pediram ajuda à Igreja.
Isso levou o bispo Hermann Kunst, representante da EKD no governo federal, a enviar a carta de Mensing-Braun para o Ministério das Relações Exteriores pedindo uma votação "pelo menos interessante." Mas a tentativa foi mal sucedida. Em Jerusalém, Eichmann foi condenado e executado em 1962.
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sexta-feira, 19 de agosto de 2011
O pecado da era pós-cristã
Essa me parece ser a discussão dos dias correntes: pecador ou vítima?
A Bíblia reconhece que qualquer pessoa pode ser vítima do pecado de alguém ou mesmo da conjuntura social, ou da estrutura politico-econômico-social, porém, não entende que isso possa justificar qualquer ato pecaminoso. Para a Bíblia todo ser humano é sujeito da e na história, principalmente, de sua história. Todos são pessoalmente responsáveis, ainda que possa haver atenuantes ou agravantes.
Para a Escritura Sagrada o que se pede do pecador é que se arrependa, isto é, que assuma o seu erro e a sua responsabilidade. Arrepender-se é aceitar a punição da lei. Um pecador arrependido é aquele que admite merecer a punição que a Lei de Deus prescreve para ele. Que, em última instância, é a morte: “A alma que pecar, morrerá” (Ez 18.4).
O Novo Testamento, entretanto, nos ensina que todo o pecador que se arrepender, isto é, todo o que admitir e confessar o seu pecado será por Deus perdoado, como ensina o apóstolo João (1 Jo 1.9). E, por ser perdoado por Deus, deve ser perdoado pelo ser humano a quem ofendeu. Entretanto, o pecador não tem como exigir o ser perdoado. O pecador pede perdão, mas, não o exige; pelo simples fato de que perdão não é um direito do pecador, é uma benesse do ofendido. Porque perdão é graça.
É verdade que o cristão não tem como não perdoar (Mt 6.12). Contudo, essa é uma questão entre a vítima e Deus. Além disso, o pecador não tem o direito de reclamar do sofrimento de que foi acometido como consequência de seus atos - no relacionamento ofensor e ofendido (isso não justifica o ofendido, caso sua reação seja pecaminosa). É a lei da semeadura: “Semeia-se vento, colhe-se tempestade” (Os 8.7). E é preciso que se diga que, por pior que seja o sofrimento que o pecado venha a provocar sobre o pecador, ainda é menor do que o Inferno ao qual ele fez jus.
Todo o que confessa o seu pecado será perdoado e restaurado por Deus (1 Jo 1.9). Porém, confessar é assumir a responsabilidade e admitir a justiça da punição pelo que fez. Ainda que a punição não virá pelo fato de já ter sido sofrida por Cristo.
Nesta época tal reflexão está se tornando impensável: porque vivemos numa era de vítimas. Hoje, não importa o erro que a pessoa cometa, ela é sempre vítima: seja da sociedade, seja da história, seja da economia, seja da política, seja das instituições, seja da família. Ninguém é culpado. Logo, como alguém disse: é uma época em que ninguém assume a responsabilidade, nem adia prazeres e nem se presta a sacrifícios.
Essa época é pós-cristã não porque não se fale mais de Deus (pelo contrário, provavelmente, poucas vezes na história se falou tanto de Deus), mas, porque não se fala e nem mais se admite a realidade do pecado. Esta é uma era onde não há mais pecadores, só há enfermos. É o auge do humanismo: o pressuposto de que o ser humano é intrinsecamente bom venceu; e, ora, gente intrinsecamente boa não peca, adoece. E doentes são vítimas.
O que ainda não se percebeu nesta presente época é que doentes não podem ser perdoados. Só pecadores podem ser perdoados. Logo, só pecadores podem ser restaurados; só pecadores podem ser tornados puros de toda a injustiça que cometeram. O que será dos que estão prontos para assumir que estão enfermos, mas, jamais que são pecadores? A probabilidade maior é a de continuar pecando cada vez mais e pior, contraindo, aí sim, uma doença para a qual não há cura: a voracidade de ser aceito de qualquer jeito, por julgar ter o direito de ser de jeito qualquer. Essa enfermidade coloca a pessoa a deriva dos mais grotescos apetites, tornando-a escrava dos instintos, que se tornarão cada vez mais irresistíveis. É a escravidão do pecado (Jo 8.34). E disso só se escapa quando, finalmente, a todos os pulmões o pecador confessa: “Minha culpa, minha culpa, minha máxima culpa”.
Texto publicado originalmente no portal Irmãos.com
fonte: http://www.ultimato.com.br/conteudo/o-pecado-da-era-pos-crista
domingo, 14 de agosto de 2011
Tributo a Deus
(Rm 14:8) Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos;
Se morremos, para o Senhor morremos.
Quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor.
Em Belo Horizonte, em 9 de agosto de 2011.
As minhas notas deram origem a parte do que falei na tarde do dia 8 de agosto, no culto em agradecimento a Deus pela vida de meu pai, e são a base do que escrevo agora. É um depoimento muito pessoal. Se você está buscando um “perfil” estruturado sobre quem foi Péricles Couto, pode parar de ler por aqui.
Agradeço mais uma vez, em meu nome e no nome de minha mãe e de minha irmã, todas as mensagens, telefonemas e demais comunicações de carinho e solidariedade que estamos recebendo da cidade, do Brasil e do mundo desde as 17:42 horas do dia 07/08.
Na certidão de óbito consta que meu pai faleceu às 17:40 horas do dia 07/08. Nesse momento, eu estava na porta do CTI e havia acabado de receber a notícia e conversar com o médico. Meu celular tocou às 17:42 horas com a seguinte mensagem de um casal de amigos que mora em Buenos Aires, Argentina:
Respondi com o post:
Eles me retornaram:
Desculpo-me com os amigos e amigas que mandaram outras mensagens. Ainda não consegui responder.
Volto no tempo. No último dia 29 de junho, mais ou menos na mesma época em que meu pai recebeu a notícia de que precisaria passar por uma cirurgia, estive em um funeral de um bebê recém-nascido de um casal de amigos (Arthur e Quésia) que me impactou muito por causa do exemplo de fé em Deus, uma fé como a que Jó teve, que não dependia das circunstâncias. Na ocasião, pensei:
Quero ter uma fé como essa.
Persisto de forma negligente em muitos erros e pecados recorrentes. Preciso viver a minha vida aqui nesta terra de outra forma, cada dia mais condizente com a transformação que Deus já fez na minha vida.
Sabia que certamente guardaria na memória aquele momento por toda a minha vida, mas não podia imaginar que Deus já estava me preparando para estes dias...
(Tg 4:13-17) Atendei agora, vós que dizeis: Hoje, ou amanhã iremos para a cidade tal, e lá passaremos um ano, e negociaremos e teremos lucros.
Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois apenas como neblina que aparece por instante e logo se dissipa.
Em vez disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, não só viveremos, como faremos isto ou aquilo.
Agora, entretanto, vos jactais das vossas arrogantes pretensões. Toda jactância semelhante a essa é maligna.
Devocionais Agosto 2011
01.08.2011. Segunda, 10:00.
Bendirei o Senhor em todo o tempo, o seu louvor estará sempre nos meus lábios. Engrandecei o Senhor comigo e todos à uma lhe exaltemos o nome. Clamam os justos e o Senhor os escuta e os livra de todas as suas tribulações.
Salmo 34 (1,3 e 17).
Um novo mês que inicia e estamos em Belo Horizonte hospedados pelo Israel e Nilse. Tempo de espera. Hoje, uma semana depois da cirurgia. Graças te dou ó Deus por Tua presença e encorajamento.
03.08.2011, Quarta, 20:15.
Rendei graças ao Senhor, porque ele é bom, porque a sua misericórdia dura para sempre. Salmo 136 (1).
Este foi o Salmo que meditei hoje pela manhã com Alva após ter feito o retorno com o médico cirurgião ontem ao final da tarde e definido a nova cirurgia para amanhã.
(1) me proteger durante todo o processo de cirurgia... os profissionais, os equipamentos, materiais, sala cirurgia, etc.
(2) antes, durante essa noite, tranqüilizar a minha mente, corpo, emoções e espírito, capacitando-me a descansar no Senhor.
(3) guardar a minha estrutura física para todo o processo cirúrgico e para os procedimentos de anestesia, transfusão de sangue, oxigênio e cuidados pós-cirúrgicos na UTI.
(4) guardar Alva e Nilse que estarão inicialmente me acompanhando e Alva durante a espera até que eu possa ir para o apartamento.
(5) assistência e fortalecimento para que eu suporte o tempo de hospitalização.
(6) orientar os procedimentos para minha alta e recuperação na casa do Estêvão. A maneira como conciliar a dinâmica da casa com minhas necessidades. Paciência e força para Alva aguardar este tempo.
(7) dirigir o acompanhamento médico e de enfermagem, alimentação, higiene durante o tempo no Hospital. Oro para que o Senhor me dê resistência mesmo quando estiver muito desconfortável – proteção nos procedimentos de enfermagem.
(8) agradecimento ao Israel, à Nilse por todo seu carinho e cuidado para comigo. Aos irmãos e amigos que tem acompanhado com suas orações.
Rendei graças ao Senhor porque Ele é bom!
03.08.2011. Quarta, 22:25.
Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda.
Salmo 139 (16)
Pai querido, eu te louvo e agradeço por Tua bondade e misericórdia. Por tudo que venho sendo agraciado nestas semanas. Pela Tua Palavra como o texto acima. O Senhor conhece todos os meus dias e assim vou dormir esperando e ansiando por teu descanso. Guarda-me nesta noite e no amanhecer de AMANHÃ.
No dia 07/08, pela manhã, ao visitá-lo, não queria orar. O estado de sua saúde tinha piorado muito. O médico disse que a luz no fim do túnel que tinha se acendido no dia anterior, naquele dia havia se apagado. Minha mãe insistiu para que eu orasse. Balbuciei algo como: “Senhor, não confiamos em homens. Confiamos apenas no Senhor. Os homens são meros instrumentos seus.”
***
Minha esperança em Jesus Cristo, o Filho do Deus Vivo, não está abalada. Eu somente queria ter um pouco mais de tempo para me despedir dele. Porém, Deus sabe de todas as coisas. Se o chamou agora, e de forma tão abrupta, é porque tem algum propósito. Quem sou eu para questionar o Deus Vivo?
(Tg 1:27) A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo.
(Salmo 1:1-2) Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes o seu prazer está na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite.
Esses são dois dos inúmeros versículos e textos bíblicos que meu pai impregnou no meu coração e na minha mente.
Deve ser mencionado aqui também o tempo que ele teve junto com minha mãe e minha irmã (eu já estava fora de Belo Horizonte) na Comunidade Evangélica do Castelo. Nas suas próprias palavras, “um tempo dado por Deus para transição e restauração”.
Que Deus tenha misericórdia de nós e nos capacite a viver de modo digno para com a vocação para a qual fomos chamados. Somente a Ele toda a Glória!
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Evangélicos sem espetáculo
Pessoas religiosas e seculares fazem um grande trabalho humanitário, mas às vezes não trabalham juntas por suspeitas mútuas
fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,evangelicos-sem-espetaculo,755510,0.htm
domingo, 7 de agosto de 2011
In memorian Péricles Couto
Margarete e Ageu Heringer Lisboa
veja também: http://crerpensar.blogspot.com/2011/08/tributo-deus.html
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Ateus espalham outdoors com mensagens polêmicas em Porto Alegre
(Reprodução)
De acordo com a Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos, quatro outdoors já foram fixados nas ruas da capital gaúcha, que é a primeira do país a receber a iniciativa. A expectativa é de que o número de outdoors aumente, o que vai depender principalmente de doações. Ao todo, a entidade já gastou R$ 7.000, valor bancado por doares. A associação espera ainda expandir o projeto para outras cidades, mas isso vai depender também de doações.
Lá fora, a campanha não é novidade e há dois anos, as mensagens são divulgadas em ônibus. Na Inglaterra, em 2009, foram publicadas mensagens dizendo: "Deus provavelmente não existe". No Brasil, a associação informou que empresas de transporte de Porto Alegre, Salvador, Florianópolis e São Paulo rejeitaram a proposta de publicidade, feita no final do ano passado.
fonte: http://www.ultimato.com.br/conteudo/ateus-espalham-outdoors-com-mensagens-polemicas-em-porto-alegre
domingo, 31 de julho de 2011
CARTA EM APOIO AO REV. RICARDO GONDIM
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Contestações ao noticiário sobre supostas pesquisas secretas
1a. contestação
2a contestação.
Como esta notícia vem de um blog cristão conservador de direita, traduzida de um site de mesma ideologia, com fonte em um tablóide inglês de cunho conservador e textos resumidos; acho importante esclarecer algumas coisas para quem está formando opinião sobre o assunto.
“cientistas britânicos criaram mais de 150 embriões híbridos de seres humanos com animais”
Em nenhum momento da notícia é comentado que estes embriões nunca chegam a 14 dias de idade e se desenvolvem no máximo até este ponto:
http://www.sciencephoto.com/
Acho que este tipo de informação não deveria faltar numa notícia que mexe com o sentimento de tantos; que também são, em sua maioria, leigos.
“155 embriões “mesclados”, contendo material genético tanto humano quanto animal, foram criados durante os passados três anos”
Estes embriões são formados por um óvulo animal sem núcleo, que é fecundado por um núcleo celular 100% humano. O único DNA não-humano que existe neste embrião está nas mitocôndrias restantes do óvulo que constituem no máximo 0,1% de todo material. Estas não adicionam em nada ao material genético responsável pelas divisões celulares que são 100% humanas. Será que todos que lêem esta notícia entendem o nível dessa “mescla”? Será que todos entendem que SE este embrião pudesse ser desenvolvido em uma gestação ele resultaria em um ser humano normal e não numa suposta quimera metade humano metade besta? Usam-se óvulos de animais não-humanos apenas para evitar o uso de óvulos humanos que são mais difíceis de adquirir.
“As pesquisas secretas foram reveladas depois que uma comissão de cientistas alertou sobre um cenário de pesadelo em que a criação de híbridos de seres humanos com animais poderia ir longe demais.”
As pesquisas não eram secretas (apenas para o tabloide sensacionalista), e o que esta comissão de cientistas veio alertar se referia ao uso de transgenia de características humanas para animais. A objeção ética no caso é em relação ao sofrimento de animais; não com os “embriões mesclados”.
A comissão está preocupada com questões relacionadas aos animais humanos e não-humanos que já estão vivos e podem experimentar sofrimento. Estes cientistas não se opõe a pesquisa promissora que é feita com um amontoado de células com menos de 2 semanas de idade.
Na notícia traduzida escrevem:
“O Prof. Robin Lovell-Badge do Instituto Nacional de Pesquisas Médicas e coautor de um relatório feito pela comissão de cientistas, avisou sobre os experimentos e pediu uma vigilância mais rigorosa desse tipo de pesquisa.”
Na notícia original escrevem assim (traduzi para facilitar):
“ Professor Robin Lovell-Badge (…) disse que os cientistas não estavam preocupados com relação aos embriões humanos-animais porque pela lei estes tem de ser destruídos em até 14 dias (...) Ele diz: ‘A razão de fazer estes experimentos é entender mais sobre o desenvolvimento humano inicial e encontrar formas de curar doenças sérias, e como um cientista eu sinto que existe um imperativo moral em continuar com esta pesquisa.”
Como percebem, a informação correta não causa o mesmo efeito que o texto que foi traduzido de forma convenientemente errada.
“Dos 80 tratamentos e curas que ocorreram a partir das células-tronco, todos vieram das células-tronco adultas, não das embrionárias. Na base da ética e moralidade, [os experimentos com células-tronco embrionárias] fracassam; e na base da ciência e medicina também”.
Esta é a opinião de um político católico pró-vida sem qualquer especialidade no assunto. Ele ignora o fato de que a produção de células-tronco adultas só foi possível graças às pesquisas em células-tronco embrionárias. Além disso, avanços em vários estudos vieram indiretamente desse tipo de pesquisa, e o potencial de novas descobertas ainda existe. Na base da ciência e medicina estão longe de ser um fracasso, e na verdade tem grande potencial de continuar a ser um sucesso. Com base na “ética e moral” que defende um blastocisto por este supostamente possuir uma alma, em detrimento da cura potencial de inúmeras doenças que certamente vão matar milhões de seres humanos formados e conscientes; talvez ela fracasse mesmo. Ainda bem.
“Josephine Quintavalle, da organização pró-vida Comment on Reproductive Ethics (Corethics), disse para o Daily Mail, “Estou horrorizada com o fato de que isso esteja ocorrendo e não sabíamos nada disso. Por que eles guardaram isso como segredo? Se eles têm orgulho do que estão fazendo, por que precisamos fazer ao Parlamento perguntas para que isso seja trazido à luz?”
Não guardaram nada em segredo. Agiram de acordo com a legislação de embriologia vigente desde 2008, como a própria reportagem ressalta. Bastava que as organizações pró-vida (pró-vida de quem?) incomodadas com esse tipo de pesquisa tivessem checado a informação 3 anos atrás. Cientistas estão ocupados com coisas mais importantes que informar todo novo procedimento científico de maneira simples, para organizações e pessoas que estão longe de querer entender ciência. Quem acredita que um amontoado de algumas dezenas de células merece mais respeito que a cura de seres em plena consciência/senciência precisa se informar. Caso o problema não seja falta de informação, mas sim, excesso de crenças pessoais, espero que estas se mantenham aonde pertencem: no subjetivo de cada um.
De uma forma geral a ‘notícia’ vem mais para obscurecer do que para esclarecer, contendo várias informações incorretas e tendenciosas; além de ser baseada em um tabloide de reputação duvidosa e linguagem simplista, sem qualquer compromisso com a divulgação científica correta.
3- comentário -
Muito legal Pedro essa discussão. Isso me motiva a continuar sócio do Debulhar. Parabenizo ao Ageu por tê-la iniciado. Os seres humanos são animais vertebrados, bípedes, polegar opositor, encéfalo bem desenvolvido e mamíferos. Com DNA com lógicas similares a de outros mamíferos. Essa separação dita entre humanos e animais tem a mesma origem da separação feita para alimentar a discriminação sofrida por Darwin.