segunda-feira, 26 de março de 2012

O Advogado Judeu Defende o Cristianismo... Sem Cobrar um Tostão [pro bono] !

Tinha acabado cinco horas de aulas, pediu apenas um prato de batatas fritas, que foi petiscando enquanto conversava. Joseph Weiler, nascido em 1951, é um judeu convicto. O que não o impediu de defender a possibilidade de haver (ou não) crucifixos nas paredes das escolas. Virou a opinião do tribunal, dos anteriores 17 votos a favor de retirar os símbolos religiosos da parede, para uns claríssimos 15 contra. Apenas 2 juízes mantiveram a decisão anterior. E adverte: nem a Itália nem a França são neutros em matéria religiosa. Mas ambos devem educar para o pluralismo.

veja a entrevista em: http://www.fd.lisboa.ucp.pt/resources/documents/Noticias/Artigos%20que%20sairam%20na%20Imprensa/2011/27SetembroPublicoEntrevistaJosephWeiler.pdf

o título original é do comentário do leitor Eduardo, na página da revista Ultimato, que deu o endereço da entrevista

sábado, 10 de março de 2012

Despedida de Robinson Cavalcanti

Os jornais de Recife informavam: foram sepultados no fim da tarde de quarta-feira, 29/02, os corpos do Revmo. Bispo Edward Robinson de Barros Cavalcanti e sua esposa, Miriam Cotias Cavalcanti, no cemitério Morada da Paz em Paulista, Região Metropolitana do Recife (PE). Os dois caixões foram levados no veículo do Corpo de Bombeiros.

Igreja lotada no culto fúnebre do casal Cavalcanti
Espremida no meio de muitos, eu participei do culto fúnebre na Paróquia Anglicana Emanuel, na Praça Dantas Barreto, em Olinda, onde me encontrei entre uma legião de amigos, parentes, representantes de organizações, o prefeito da cidade e fiéis de várias igrejas e denominações da cidade. Muitos vieram de outros estados para prestar homenagem a este tão querido casal. A mãe de dom Robinson, dona Geruza, de 92 anos, veio de União dos Palmares, Alagoas, para acompanhar o sepultamento do filho.

Cerca de quinhentas pessoas estavam no espaço com capacidade para trezentas pessoas. O calor era intenso. A cerimônia foi conduzida pelos bispos auxiliares Evilásio Tenório e Flávio Adair. Emocionados, os presentes cantaram e ouviram relatos bíblicos lidos pelos celebrantes. O Rev. Márcio José Souza Simões trouxe uma bela mensagem. Ele disse que mesmo nos trinta anos que trabalhou como bombeiro, nunca tinha sido tão comovido e impactado por uma tragédia. Falou sobre a vida dedicada do bispo Robinson em movimentos, no ensino universitário, em livros e artigos e pelas Dioceses Anglicanas pelo Brasil das quais, segundo ele, haviam sido todas visitadas pessoalmente pelo bispo. Também foi lida a mensagem enviada pelo Arcebispo de Cantuária, Rowan Williams.

Miriam Cavalcanti foi muito elogiada durante a mensagem. Olhei em volta de mim e vi que não eram poucas as mulheres vestidas com a camiseta do ministério feminino da igreja. Antes dos caixões serem levados para o cemitério, este grupo de mulheres cantou uma canção com muita emoção. Uma participante do grupo nos contou depois que esta mesma música seria cantada no mesmo dia e horário em um ensaio dirigido pela própria Miriam. Robinson e Miriam eram muito amados e suas ausências serão sentidas profundamente em Olinda, Recife e outras cidades.

O culto terminou com a benção que dom Robinson gostava de dar. Todos falaram juntos: “Portanto irmãos e irmãs, vamos na paz de Cristo, sejamos fortes e corajosos no testemunho do Evangelho entre todas as pessoas, sirvamos ao Senhor com alegria! No poder do Espírito Santo! Aleluia!”
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Alison M Worrall mora em Recife (PE) e é representante da Rede Mãos Dadas no Nordeste.

fonte: http://ultimato.com.br/sites/paralelo10/2012/03/despedida/ 

domingo, 4 de março de 2012

CMI repudia doutrina que justificou abusos contra povos indígenas

Genebra, terça-feira, 28 de fevereiro de 2012 (ALC) - A "Doutrina do Descobrimento" tem sido usada para subjugar e colonizar povos indígenas, o que, na visão do Comitê Executivo do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), fere o evangelho de Jesus Cristo".

A declaração foi divulgada na reunião que aconteceu dias 14 a 18 de fevereiro, em Bossey, Suíça, com um pedido de repúdio à doutrina do descobrimento, que permitiu a escravização dos povos indígenas em nome do cristianismo.

A origem da doutrina remonta às bulas papais emitidas pelo papa Nicolau V, em 1452 e 1455, respectivamente, que legitimaram a invasão de terras e assassinato de povos Indígenas.

Esses documentos históricos da igreja, intitulados "Dum Diversas" e "Romanus Pontifex", declaravam que os povos não-cristãos podiam ser capturados, derrotados e ter suas propriedades e bens apreendidos pelos monarcas cristãos.

Com base nesse referencial histórico, a declaração assinala que, "Cristóvão Colombo foi instruído, por exemplo, para 'descobrir e conquistar', 'subjugar e adquirir' terras distantes".

Países europeus, como a Espanha, Portugal, Inglaterra, França e Holanda, lançaram mão dessa doutrina, que foi introduzida na lei dos Estados Unidos e, depois, na Austrália, Canadá e Nova Zelândia.

A declaração do Comitê Executivo ressalta que "a situação atual dos povos indígenas ao redor do mundo é o resultado de um programa linear de precedentes 'legais', que surgiram com a 'Doutrina do Descobrimento' e codificada nas leis políticas nacionais contemporâneas".

A declaração do CMI rejeita a idéia apoiada pela doutrina de que "os cristãos gozam de um direito moral e legal baseado unicamente na sua identidade religiosa para invadir e tomar terras indígenas e dominar povos indígenas".

Descrevendo a Doutrina do Descobrimento como uma violação dos direitos humanos, a declaração apóia os "direitos dos povos indígenas de viver e manter suas terras e territórios" e de "manter e enriquecer suas culturas".

Junto com as dioceses Episcopais de Maine e New York Central, além da Philadelphia Yearly Meeting of the Religious Society of Friends, muitas igrejas têm denunciado essa doutrina nos Estados Unidos e no Canadá. No ano passado, várias igrejas Universalistas Unitárias e Quakers também aprovaram resoluções repudiando a doutrina.

Como a Doutrina do Descobrimento será o tema da 11 ª sessão do Fórum Permanente das Nações Unidas sobre Questões Indígenas (UNPFII), este ano, a declaração do Comitê Executivo do CMI salientou a necessidade de sensibilizar as igrejas sobre o assunto. A sessão da UNPFII acontecerá entre 7 a 18 maio de 2012, em Nova York. O documento do Comitê Executivo instou as igrejas e organizações ecumênicas a se mobilizarem e participarem do processo do Fórum.

A declaração pediu, ainda, aos governos para que "assegurem que suas políticas, regulamentos e leis que afetam os povos indígenas estejam em conformidade com as convenções internacionais e, em particular, em conformidade com a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas e a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho".

Através dessa declaração, o CMI reafirma seu compromisso com os direitos dos povos indígenas, pedindo a cada igreja-membro para "refletir acerca de sua história nacional e da própria igreja" e buscar melhor compreensão melhor das questões enfrentadas pelos povos indígenas".
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Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC)
Edição em português: Rua Ernesto Silva, 83/301, 93042-740 - São Leopoldo - RS - Brasil
Tel. (+55) 51 3592 0416

quinta-feira, 1 de março de 2012

Nota Pública do CFP de esclarecimento à sociedade e às(o) psicólogas(o) sobre Psicologia e religiosidade no exercício profissional


Conselho Federal de Psicologia
Conselho Federal de Psicologia
Em resposta ao debate travado na mídia e nas redes sociais acerca da relação entre religiosidade e exercício profissional da(o) psicóloga(o), o Conselho Federal de Psicologia (CFP) esclarece o que segue.
Não existe oposição entre Psicologia e religiosidade, pelo contrário, a Psicologia é uma ciência que reconhece que a religiosidade e a fé estão presentes na cultura e participam na constituição da dimensão subjetiva de cada um de nós. A relação dos indivíduos com o “sagrado” pode ser analisada pela(o) psicóloga(o), nunca imposto por ela(e) às pessoas com os quais trabalha.
Assim, afirmamos o respeito às diferenças e às liberdades de expressão de todas as formas de religiosidade conforme garantidas na Constituição de 1988 e, justamente no intuito de valorizar a democracia e promover os direitos dos cidadãos à livre expressão da sua religiosidade, é que o Código de Ética Profissional da(o) Psicóloga(o) orienta que os serviços de Psicologia devem ser realizados com base em técnicas fundamentados na ciência psicológica e não em preceitos religiosos ou quaisquer outros alheios a esta profissão:
Art. 1º – São deveres fundamentais dos psicólogos:
c) Prestar serviços psicológicos de qualidade, em condições de trabalho dignas e apropriadas à natureza desses serviços, utilizando princípios, conhecimentos e técnicas reconhecidamente fundamentados na ciência psicológica, na ética e na legislação profissional;
Se as(o) psicólogas(o) exercerem a profissão declarando suas crenças religiosas e as impondo ao seu público estarão desrespeitando e ferindo o direito constitucional de liberdade de consciência e de crença.
O Código de Ética Profissional das(o) Psicólogas(o) cita nos dois primeiros princípios fundamentais a necessidade de respeito à liberdade e a eliminação de quaisquer formas de discriminação, e no artigo 2º veda à(o) psicóloga(o) a indução não só de convicções religiosas, mas também de convicções filosóficas, morais, ideológicas e de orientação sexual, compreendendo a delicadeza e complexidade que o tema merece:
 
Princípios Fundamentais
I. O psicólogo baseará o seu trabalho no respeito e na promoção da liberdade, da dignidade, da igualdade e da integridade do ser humano, apoiado nos valores que embasam a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
II. O psicólogo trabalhará visando promover a saúde e a qualidade de vida das pessoas e das coletividades e contribuirá para a eliminação de quaisquer formas de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.
Art. 2º – À(o) psicóloga(o) é vedado:
b) Induzir a convicções políticas, filosóficas, morais, ideológicas, religiosas, de orientação sexual ou a qualquer tipo de preconceito, quando do exercício de suas funções profissionais;
Esse Código de Ética em vigor foi construído a partir de múltiplos espaços de discussão sobre a ética da profissão, suas responsabilidades e compromissos com a promoção da cidadania. O processo ocorreu ao longo de três anos, em todo o país, com a participação direta das(o) psicólogas(o) e aberto à sociedade. Seu objetivo primordial é garantir que haja um mecanismo de proteção à sociedade e à profissão, no intuito de garantir o respeito às diferenças, aos direitos humanos e a afirmação dos princípios democráticos e constitucionais de um Estado laico.
A profissão de psicóloga(o) foi regulamentada no Brasil pela Lei nº 4.119/1962 e a Lei nº 5.766/1971 criou a autarquia dos Conselhos Federal e Regionais de Psicologia, destinados a orientar, a disciplinar e a fiscalizar o exercício da profissão de psicólogo e zelar pela fiel observância dos princípios de ética e disciplina da classe. Entre as atribuições estabelecidas por essa lei ao Conselho Federal de Psicologia estão a de elaborar e aprovar o Código de Ética Profissional do Psicólogo e funcionar como tribunal superior de ética profissional, portanto atuar como instância de recurso aos processos julgados nos Conselhos Regionais.
Cumprindo seu papel previsto na Lei 5.766/1971 de zelar pela fiel observância dos princípios de ética e disciplina da classe, os Conselhos Regionais de Psicologia recebem e apuram as denúncias que chegam sobre o exercício profissional de psicólogas (os). Do julgamento do plenário do Conselho Regional, cabe recurso ao plenário do Conselho Federal de Psicologia.
Qualquer cidadão pode oferecer denúncia contra o exercício profissional do(a) psicólogo(a), visto ser seu direitos constitucional. Assim, as ações de orientação e fiscalização promovidas pelos conselhos profissionais no âmbito Regional são legítimas e não podem ser tomadas como perseguições ou cassações a qualquer direito. Todos os profissionais que exercem suas funções reconhecidas pelo Estado Democrático de Direito estão submetidos às legislações e Códigos de Ética dos seus respectivos Conselhos e, portanto, têm o dever de pautar sua atuação profissional nas legislações que disciplinam o exercício de sua profissão.
A Psicologia como ciência e profissão pertence à sociedade   tendo teorias, técnicas e metodologias pesquisadas, reconhecidas e validadas por instâncias oficiais do campo da pesquisa e da regulação pública que validam o conjunto de formulações do interesse da sociedade. Os princípios e conceitos que sustentam as práticas religiosas são de ordem pessoal e da esfera privada, e não estão regulamentadas como atribuições da Psicologia como ciência e profissão.
Finalizamos esse posicionamento declarando que o CFP iniciará uma série de atividades de debate sobre a relação entre  Psicologia e religiosidade, com vistas a contribuir com o debate público da categoria e da sociedade frente a esse tema, objetivando explicitar que não somos contrários a que os profissionais tenham suas crenças religiosas e sim que devemos zelar para que estes não utilizem suas crenças, de qualquer ordem,  como ferramenta de atuação profissional.

fonte: http://www.pol.org.br/pol/cms/pol/noticias/noticia_120228_001.html 

correlatos: Psicóloga perseguida por razões religiosas? Algumas consideraçãoes

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O Haiti chegando em nossa casa




Logo após o terremoto no Haiti que comoveu o mundo, muitas pessoas se mobilizaram para ajudar e foram lá levando tudo o que podiam e muito mais. Pr. Seung foi três vezes ao Haiti como médico para socorrer os acidentados e eu fiquei em casa todas as vezes MORRENDO de vontade de ir e fazer alguma coisa pelos haitianos.

No ano passado soubemos que havia alguns haitianos em Manaus. Um dia, numa banca da feira que doa para o nosso seminário, descobri que doam também a haitianos, que ficavam num galpão sem paredes, sujeitos às chuvas e ataques de mosquitos! Precisavam urgentemente de outro local para se instalar. Levei-os para a nossa antiga casa que estava vazia.

Na semana passada, o padre católico, que cuida de quase 3 mil haitianos em Manaus alugando 600 casas para abrigá-los, declarou ao jornal da cidade que, apesar de 90% destes haitianos serem evangélicos, apenas UMA igreja evangélica estava alugando UMA casa para acolher 30 haitianos. Vergonha para nós, família de Deus, que não sabemos receber os estrangeiros e irmãos em Cristo! (Como não ostentamos uma bandeira de igreja, não se referiu a nós). Podemos ir até eles, mas quando eles vêm a nós, o quê fazemos?




Jantar preparado por voluntários de Pindamonhangaba


Primeiro grupo na casa


No dia 23 de novembro os 13 primeiros haitianos chegaram. Foi um momento de grande emoção. "O Haiti chegou na minha casa!." Eu não pude ir até o Haiti, então Deus, que move as montanhas, trouxe o Haiti até a minha casa!!!. Esse é o Deus que eu sirvo, Deus de milagres, que nos surpreende, nos honra e nos dá o imenso privilégio de servi-LO. A minha família se multiplicou naquele dia!

Os haitianos não param de chegar. Já perdemos a conta de quantos estão em nossa casa e no galpão próximo que fora alugado pela Fundação Alan Kardec (!). Estão dormindo todos no chão e alguns sem colchão. Disseram que a situação em Tabatinga estava caótica. Anteontem, no galpão eram 121 haitianos dormindo no chão. Na casa uns 80. Graças a Deus agora ganhamos muitos colchões. Alguns têm comprado passagens para ir a São Paulo, Campinas, Belo Horizonte e Paraná para tentarem a vida. Temo que sem ter ninguém os esperando, ficarão perdidos. Se tivéssemos contatos que se dispusessem a ajudá-los, seria muito bom. Agora são cerca de 5 mil haitianos em Manaus. Na Polícia Federal e o Ministério do Trabalho tem enormes filas de haitianos que para tirar a carteira de trabalho está levando 3-4 meses. O desespero deles é tão grande que a polícia foi acionada para controlar a turba. Alguns foram presos. Um deles foi assassinado. Desconheço os detalhes. Existe preconceito. Existe exploração da mão de obra e grande dificuldade de comunicação devido à língua. Os últimos grupos que estão chegando quase não falam espanhol e são poucos os que falam francês. A maioria fala crioulo.

Galpão


Cadastramento para trabalhar


Novos amigos



Nos abrigos faltam mão de obra para cozinhar. Falta água para beber por falta de carro e de gente para carregar os galões. Há voluntários, mas eles também tem os seus empregos. Deixo muitas tarefas para ajudá-los. Só de gasolina é R$1500,00 por mês para acompanhá-los. Mas o Senhor tem nos abençoado muito, 3 dos nossos filhos entraram em escolas do governo, assim, grande economia nas despesas. Na semana passada começamos a servir o café da manhã para eles e o Pr. Seung começou o atendimento médico. Muitos têm problemas de vários anos sem nunca terem passado por um médico, muito caro no Haiti. Ficam maravilhados pelo atendimento gratuito no Brasil. Mas aqui também está abarrotado e leva meses, madrugadas e muitas idas e vindas para conseguir consultas, exames e tratamentos. Imagine para quem não fala portugu&ecir c;s e não tem passagem de ônibus... Recentemente surgiram voluntários que ensinam português e outros com doações de toda espécie. Algumas pessoas procuram mão de obra disponível para trabalhos avulsos, mas às vezes existe exploração da mão de obra, não pagam pelo trabalho realizado e os haitianos não sabem como reclamar.

Até chegar a Manaus eles passaram por muita luta. Venderam seus bens, pegaram empréstimo bancário e enfrentaram viagem de 2 aviões e 3 barcos, tendo que esperar 3 meses em Tabatinga pelo protocolo de entrada no país. Em Tabatinga eram uns 2 mil haitianos passando fome, alguns reviravam o lixo e dormiam no chão da praça da cidade, se aglomeravam dividindo um quarto com outros 30 haitianos. Não havia quase emprego, dinheiro, comida, etc. A única igreja que estava ajudando era a Católica, mas não estava dando conta de tudo sozinha, sem ajuda do governo.

Aula de português


Recém-chegados


Galpão cheio



Há diferença cultural. Há pessoas cultas e os iletrados, o educado e o não educado, os honestos e trabalhadores e outros não. A maioria é gente do bem, querem trabalhar para ajudar suas famílias. Me pedem trabalho todos os dias. Vou procurando trabalho para eles. Muitas portas já se abriram, mas não é fácil. Há estudantes de Engenharia Civil que estão trabalhando de pedreiros, um formado em direito que trabalhava como costureiro de dia e de noite era garçom. Pessoas que falam 4 línguas trabalham como garçons. Mas os que só falam Crioulo, analfabetos e sem qualquer formação, como fariam para trabalhar? São como peças de quebra-cabeças que aos poucos vão formando uma figura. Se forem montadas com a ajuda do povo de Deus, poderão formar uma linda paisagem. Sim, o governo participa, mas o que pode ter mais resultado mesmo é o trabalho da formiguinha, que vai cortando folhinha por folhinha. É como Jesus, que se envolvia com o povo. É o trabalho que o Senhor tem nos dado a oportunidade e privilégio de realizar. Não somente a nós, mas a todo o povo dEle. O padre está pedindo socorro, sozinho cuidando de quase 5 mil haitianos. O povo de Deus é muito grande e pode fazer muito, se cada um lançar ainda que só uma gota de água para apagar um incêndio, terá um efeito grande. O que são 5 mil pessoas em um país tão grande como o Brasil? Eles estão querendo ir a outros estados para arrumar emprego e moradia. Muitos precisam aprender português. Não estão pedindo dinheiro, mas pedem trabalho remunerado para ajudar suas famílias no Haiti. Está na hora do povo de Deus praticar o que prega. A oportunidade chega a sua casa e bate à sua po rta, o que você fará?

Lotação para tirar carteira de trabalho


Lotação para tirar carteira de trabalho


Atendimento médico


Café da manhã


Loja da Tim


Coleta de doações da feira


No amor de Cristo,

Margareth Yurie Obara An.


Missionária no Amazonas desde 1999.
Trabalha na ONG AME Amazonas e atua como
Voluntária no Projeto AMA HAITI ,
juntamente com seu esposo Pr. Seung Yeol An.
Contatos: e-mail: brazil32@gmail.com
Cel. (92)9122-3055/(92)8204-9002


terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Tempo de partir

Ricardo Gondim

Não perdi o juízo. Minha espiritualidade não foi a pique. Minhas muitas tarefas não me esgotaram. Entretanto, não cessam os rótulos e os diagnósticos sobre minha saúde espiritual. Escrevo, mas parece que as minhas palavras chegam a ouvidos displicentes. Para alguns pareço vago, para outros, fragmentado e inconsistente nas colocações (talvez seja mesmo). Várias pessoas avisam que intercedem a Deus para que Ele me acuda.
Minha peregrinação cristã está, há muito,  marcada por rompimentos. O primeiro, rachei com a Igreja Católica, onde nasci, fui batizado e fiz a Primeira Comunhão. Em premonitórias inquietações não aceitava dogmas. Pedi explicações a um padre sobre certas práticas que não faziam muito sentido para mim. O sacerdote simplesmente deu as costas, mas antes advertiu: “Meu filho, afaste-se dos protestantes, eles são um problema!”.
Depois de ler a Bíblia, decidi sair do catolicismo; um escândalo para uma família que se orgulhava de ter padres e freiras na árvore genealógica –  e nenhum “crente”. Aportei na Igreja Presbiteriana Central de Fortaleza.  Meus únicos amigos crentes vinham dessa denominação. Enfronhei em muitas atividades. Membro ativo, freqüentei a escola dominical, trabalhei com outros jovens na impressão de boletins, organizei retiros e acampamentos. No cúmulo da vontade de servir, tentei até cantar no coral – um desastre. Liderei a União de Mocidade. Enfim, fiz tudo o que pude dentro daquela estrutura. Fui calvinista.  Acreditei por muito tempo que Deus, ao criar todas as coisas, ordenou que o universo inteiro se movesse de acordo com sua presciência e soberania. Aceitei tacitamente que certas pessoas vão para o céu e para o inferno devido a uma eleição. Essa doutrina fazia sentido para mim até porque eu me via um dos eleitos. Eu estava numa situação bem confortável. E podia descansar: a salvação da minha alma estava desde sempre garantida. Mesmo que caísse na gandaia, no último dia, de um jeito ou de outro, a graça me resgataria. O propósito de Deus para minha vida nunca seria frustrado, me garantiram.
Em determinada noite, fui a um culto pentecostal. O Espírito Santo me visitou com ternura. Em êxtase, imerso no amor de Deus, falei em línguas estranhas – um escândalo na comunidade reverente e bem comportada. Sob o impacto daquele batismo, fui intimado a comparecer à versão moderna da Inquisição. Numa minúscula sala, pastores e presbíteros exigiram que eu negasse a experiência sob pena de ser estigmatizado como reles pentecostal. Ameaçaram. Eu sofreria o primeiro processo de expulsão, excomunhão, daquela igreja desde que se estabelecera no século XIX. Ainda adolescente e debaixo do escrutínio opressivo de uma gerontocracia inclemente, ouvi o xeque mate: “Peça para sair, evite o trauma de um julgamento sumário. Poupe-nos de sermos transformados em carrascos”. Às duas da madrugada, capitulei. Solicitei, por carta, a saída. A partir daquele momento, deixei de ser presbiteriano.
De novo estava no exílio. Meu melhor amigo, presidente da Aliança Bíblica Universitária, pertencia a Assembleia de Deus e para lá fui. Era mais um êxodo em busca de abrigo. Eu só queria uma comunidade onde pudesse viver a fé. Cedo vi que a Assembleia de Deus estava engessada. Sobravam legalismo, politicagem interna e ânsia de poder temporal. Não custou e notei a instituição acorrentada por uma tradição farisaica. Pior, iludia-se com sua grandeza numérica. Já pastor da Betesda eu me tornava, de novo, um estorvo. Os processos que mantinham o povo preso ao espírito de boiada me agrediam. Enquanto denunciava o anacronismo assembleiano eu me indispunha. A estrutura amordaçava e eu me via inibido em meu senso crítico. A geração de pastores que ascendia se contentava em ficar quieta. Balançava a cabeça em aprovação aos desmandos dos encastelados no poder. Mais uma vez, eu me encontrava numa sinuca. De novo,  precisei romper. Eu estava de saída da maior denominação pentecostal do Brasil. Mas, pela primeira vez, eu me sentia protegido. A querida Betesda me acompanhou.
Agora sinto necessidade de distanciar-me do Movimento Evangélico. Não tenho medo. Depois de tantas rupturas mantenho o coração sóbrio. As decepções não foram suficientes para azedar a minha alma, sequer fortes para roubar a minha fé. “Seja Deus verdadeiro e todo homem mentiroso”.
Estou crescentemente empolgado com as verdades bíblicas que revelam Jesus de Nazaré. Aumenta a minha vontade de caminhar ao lado de gente humana que ama o próximo. Sinto-me estranhamente atraído à beleza da vida. Não cesso de procurar mentores. Estou aberto a amigos que me inspirem a alma.
Então por que uma ruptura radical? Meus movimentos visam preservar a minha alma da intolerância.  Saio para não tornar-me um casmurro rabugento. Não desejo acabar um crítico que nunca celebra e jamais se encaixa onde a vida pulsa. Não me considero dono da verdade. Não carrego a palmatória do mundo. Cresce em mim a consciência de que sou imperfeito. Luto para não permitir que covardia me afaste do confronto de meus  paradoxos. Não nego: sou incapaz de viver tudo o que prego – a  mensagem que anuncio é muito mais excelente do que eu. A igreja que pastoreio tem enormes dificuldades. Contudo, insisto com a necessidade de rescindir com o que comumente se conhece como Movimento Evangélico.
1.     Vejo-me incapaz de tolerar que o Evangelho se transforme em negócio e o nome de Deus vire marca que vende bem. Não posso aceitar, passivamente, que tentem converter os cristãos em consumidores e a igreja, em balcão de serviços religiosos. Entendo que o movimento evangélico nacional se apequenou. Não consegue vencer a tentação de lucrar como empresa. Recuso-me a continuar esmurrando as pontas de facas de uma religião que se molda à Babilônia.
2.       Não consigo admirar a enorme maioria dos formadores de opinião do movimento evangélico (principalmente os que se valem da mídia). Conheço muitos de fora dos palcos e dos púlpitos. Sei de histórias horrorosas, presenciei fatos inenarráveis e testemunhei decisões execráveis. Sei que muitas eleições nas altas cupulas denominacionais acontecem com casuísmos eleitoreiros imorais. Estive na eleição para presidente de uma enorme denominação. Vi dois zeladores do Centro de Convenções aliciados com dinheiro. Os dois receberam crachá e votaram como pastores. Já ajudei em “cruzadas” evangelísticas cujo objetivo se restringiu filmar a multidão, exibir nos Estados Unidos e levantar dinheiro. O fim último era sustentar o evangelista no luxo nababesco. Sou testemunha ocular de pastores que depois de orar por gente sofrida e miserável debocharam delas, às gargalhadas. Horrorizei-me com o programa da CNN em que algumas das maiores lideranças do mundo evangélico americano apoiaram a guerra do Iraque. Naquela noite revirei na cama sem dormir. Parecia impossível acreditar que homens de Deus colocam a mão no fogo por uma política beligerante e mentirosa de bombardear outro país. Como um movimento, que se pretende portador das Boas Novas, sustenta uma guerra satânica, apoiada pela indústria do petróleo.
3.       No momento em que o sal perde o sabor para nada presta senão para ser jogado fora e pisado pelos homens. Não desejo me sentir parte de uma igreja que perde credibilidade por priorizar a mensagem que promete prosperidade. Como conviver com uma religião que busca especializar-se na mecânica das “preces poderosas”? O que dizer de homens e mulheres que ensinam a virtude como degrau para o sucesso? Não suporto conviver em ambientes onde se geram culpa e paranoia como pretexto de ajudar as pessoas a reconhecerem a necessidade de Deus.
4.       Não consigo identificar-me com o determinismo teológico que impera na maioria das igrejas evangélicas. Há um fatalismo disfarçado que enxerga cada mínimo detalhe da existência como parte da providência. Repenso as categorias teológicas que me serviam de óculos para a leitura da Bíblia. Entendo que essa mudança de lente se tornou ameaçadora. Eu, porém, preciso de lateralidade. Quero dialogar  com as ciências sociais. Preciso variar meus ângulos de percepção. Não gosto de cabrestos. Patrulhamento e cenho franzido me irritam . Senti na carne a intolerância e como o ódio está atrelado ao conformismo teológico. Preciso me manter aberto à companhia de gente que molda a vida, consciente ou inconsciente, pelos valores do Reino de Deus sem medo de pensar, sonhar, sentir, rir e chorar. Desejo desfrutar (curtir)  uma espiritualidade sem a canga pesada do legalismo, sem o hermético fundamentalismo, sem os dogmas estreitos dos saudosistas e sem a estupidez dos que não dialogam sem rotular.
Não, não abandonarei a vocação de pastor. Não negligenciarei a comunidade onde sirvo. Quero apenas experimentar a liberdade prometida nos Evangelhos. Posso ainda não saber para onde vou, mas estou certo dos caminhos por onde não devo seguir.
 Soli Deo Gloria

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

D. Robinson Cavalcanti e esposa são assassinados

(Diário de Pernambuco) O pastor da Igreja Anglicana, cientista político e ex-reitor da Universidade Federal Rual de Pernambuco (UFRPE), Edward Robison Cavalcanti, de 64 anos, e a esposa dele, a professora aposentada Mirian Nunes Machado Cotias Cavalcanti, também de 64 anos foram assassinados na casa da família, na Rua Barão de São Borja, número 305, em Jardim Fragoso, Olinda.

De acordo com a policia, o autor do crime é o filho adotivo do casal Eduardo Olímpio Cotias Cavalcanti, de 29 anos. O rapaz morava nos Estados Unidos desde os 16 anos de idade e teria voltado ao Brasil há cerca de 15 dias depois de ter sido preso no país estrangeiro várias vezes por envolvimento com drogas e outros delitos.
 
Segundo o reverendo Hermany Soares, amigo da família, quando Eduardo chegou ao Brasil, ele foi buscá-lo no aeroporto e ainda no desembarque teria perguntado onde compraria uma arma.
 
Ontem pela manhã, o rapaz saiu de casa, foi beber na praia e voltou à tarde. À noite ele foi visto amolando uma faca na frente do portão de  casa. Por volta das 22 horas da noite, Eduardo começou a discutir com o pai, pegou a faca e começou a golpear o idoso. A mãe foi defender o marido e também foi esfaqueada.
 
O bispo Robison morreu no quarto. Já a mãe ainda foi levada para o Hospital Tricentenário, em Olinda, com uma facada no peito esquerdo, mas já chegou morta. Após o crime, Eduardo tentou cometer suicídio ingerindo uma substância não identificada e aplicando vários golpes de faca no próprio peito. Ele foi levado para o Hospital da Restauração (HR) em uma viatura da Polícia Militar. Eduardo estava passando por um processo de deportação.
 
Segundo informações de parentes, o bispo Robinson foi o coordenador regional da primeira campanha do ex-presidente Lula para presidente da República, que o teria visitado em casa depois de eleito. O bispo também foi candidato a deputado federal e proferiu palestras na ONU.

Morre D. Robinson Cavalcante

 
É com grande pesar que a Igreja Anglicana - Diocese do Recife, comunica o trágico falecimento do  Reverendíssimo Bispo Diocesano, Dom Edward Robinson de Barros Cavalcanti, e de sua esposa Miriam Cavalcanti, ocorrido neste domingo 26/02/2012 por volta das 22h na cidade de Olinda-PE.
A família diocesana agradece a Deus pela vida e devotado ministério do seu Pai em Deus, pastor, mestre e amigo, um verdadeiro profeta e mártir do nosso tempo, que lutou pela causa do evangelho de Cristo, por Sua igreja, bem como pela Comunhão Anglicana, e que contou sempre com sua esposa que, como fiel ajudadora, o apoiou em todos os anos de seu ministério.
Partiu para a Eternidade deixando um legado de serviço, amor e firmeza doutrinária, pelos quais essa Diocese continuará.
Oportunamente estaremos divulgando dia, horário e local do seu sepultamento.
Revmº Bispo Evilásio Tenório – Bispo Sufragâneo Eleito
Revmº Bispo Flávio Adair – Bispo Sufragâneo Eleito
Rev. Márcio Simões – Presidente do Conselho Diocesano

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Psicóloga perseguida por razões religiosas? Algumas questões

Eduardo Ribeiro Mundim

A página Genizah trouxe a notícia de que a psicóloga Marisa Lobo está sob pressão do Conselho Regional de Psicologia ao qual está jurisdicionada. Esta pressão foi efetivada na forma de uma convocação à sede do CRP para tomar ciência de acusações de desvio ético profissional feitas por ativistas homossexuais e ateus. As supostas infrações seriam, pelo menos:
  • fazer proselitismo evangélico através do seu trabalho como psicóloga
  • defender posturas preconceituosos em relação aos homossexuais enquanto psicóloga
 Marisa se diz vítima de perseguição religiosa - será?

Não parece sensato supor que nossos conselhos profissionais sejam instituições compostas por anjos destituídos de opiniões e agendas individuais; que ao avaliarem o comportamento ético profissional o façam sem nenhum viés pessoal; que ao interpretarem os códigos de deontologia inexistam opções filosóficas subsidiando esta atividade; que eles sejam corporativistas ao extremo para ignorar os clamores da sociedade multifacetada sobre o comportamento profissional de seus inscritos.

O episódio parece ter como fonte de informação a própria Marisa, e as falas atribuídas a ela mesma e ao CRP-8 são do seu próprio relato, sem o contexto no qual foram geradas. Nesta data, a página da instituição não se manifesta sobre o assunto (como é de se esperar em uma atuação legal de um conselho regional).

Há óbvias questões legais envolvidas sobre as quais nada é possível falar por falta de informações.

O mote parecer ser o posicionamento de Marisa a respeito da homossexualidade, em desacordo com o estabelecido por resolução do Conselho Federal de Psicologia em 1999:

Art. 1° - Os psicólogos atuarão segundo os princípios éticos da profissão notadamente aqueles que disciplinam a não discriminação e a promoção e bem estar das pessoas e da humanidade.

Art. 2° - Os psicólogos deverão contribuir, com seu conhecimento, para uma reflexão sobre o preconceito e o desaparecimento de discriminações e estigmatizações contra aqueles que apresentam comportamentos ou práticas homoeróticas.

Art. 3° - os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas, nem adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados.

Parágrafo único - Os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades.

Art. 4° - Os psicólogos não se pronunciarão, nem participarão de pronunciamentos públicos, nos meios de comunicação de massa, de modo a reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica.

Esta resolução foi alvo de ação judicial quanto a sua constitucionalidade, e que deu ganho de causa ao CFP.

A situação de  Marisa Lobo não é inédita. A psicóloga Rosângela Justino foi punida através de censura pública pelo CRP-5 pela mesma razão (não deve ser por acaso que, em seu perfil do blogger, ela explicite ser seguidora do blog da mesma).

Marisa foi intimada a reformar suas páginas na internet (blog e página pessoal) em consonância com os ditames da resolução acima. Segundo o divulgado, ela não o fará, pois caso o fizesse, negaria sua identidade como psicóloga cristã.

Serão todos os outros psicólogos cristãos apóstatas? Por que apenas Marisa e Rosângela enfrentam problemas ético profissionais? Será a psicologia ciência de segunda categoria, incapaz de auxiliar aqueles que a procuram sem o auxílio da fé cristã? Segundo outra fonte, Marisa teria relatado: 

“Quando mandei que me dessem um exemplo de cura da dependência química só pela ajuda psicológica, ficaram em silêncio, eu disse que conheço centenas de casos, falei das estatísticas das comunidades e serviços que trabalham a fé, e dos meus 15 anos de trabalho na área vendo os milagres da transformação, apenas por dar essa oportunidade as mães e usuários de saberem que existe um Deus que pode tirá-los desse lixo que a psicologia não tem conseguido. Claro que a situação ficou mais crítica.”

Arrisco alinhavar algumas ideias:
  1. há uma confusão generalizada sobre o que é pregar o Evangelho. Grupos estão em luta aberta contra o que chamam de "ditadura gay-nazista" e tomam um ponto focal, a sexualidade, como o cerne da mensagem da cruz, "que Jesus Cristo veio salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal". Confundem discipulado de novos cristãos com cristianização da sociedade, ou, dito de outra forma, o Reino de Deus é para ser imposto a todos, mesmo contra a vontade de todos. Exemplo maior, Júlio Severo, elogiado em um blog como o "primeiro exilado da ditadura gay brasileira". O blog em questão é um dos acompanhados por Marisa (será por acaso?)
  2. falta a Marisa no mínimo jogo de cintura: onde está a prudência das serpentes e a simplicidade das pombas, recomendação que Jesus deu aos Seus discípulos ao enviá-los como ovelhas entre os lobos (Mt 10.16)
  3. a página pessoal, psicologia cristã, a apresenta como profissional da psicologia, vende seus livros, fala de sua agenda junto a igrejas evangélicas, divulga entrevistas concedidas e seu curso sobre dependência química. A quem ela serve: à pessoa ou as ideias por ela defendidas? Qual a necessidade de publicar sua identidade profissional junto com estas ideias? para dar-lhes credibilidade e respeitabilidade?
  4. como ela está sendo questionada diretamente sobre o cumprimento de uma resolução do seu Conselho Federal (quem, além da Rozângela Justino, desafiou sua legalidade?) dizer-se vítima de perseguição religiosa é deturpar os fatos. Há, certamente, um conflito entre a sua ideia de como deve ser o exercício profissional de uma pessoa com convicção religiosa e o órgão que disciplina este exercício profissional que se destina a todos os brasileiros, teístas ou não. Novamente pergunto: todos os outros psicólogos cristãos são apóstatas e covardes?

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Do fanatismo evangélico


"Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores." (Salmo 1)
               
Por tal razão, deixei de frequentar igrejas, não participo mais de grupos de oração; o meio evangélico afronta o Deus que habita em mim... E os princípios bíblicos.

Vivo numa cidade que pretende se tornar a capital evangélica do Brasil: Palmas/TO. Aqui, constroem-se igrejas quase que uma em cima da outra, todos andam de Bíblia na mão. E jamais vi, de forma tão exacerbada, tanta futricagem, tanta promiscuidade, tanto julgamento. Um fanatismo exasperador, uma ignorância assombrosa, uma prepotência assustadora, caracterizam os que se julgam salvos e cometem atrocidades em nome do Senhor Jesus. E há quem, por medo da discriminação, frequente igrejas evangélicas, para o caso de Palmas se transformar numa Irlanda (ouvi esse comentário de duas pessoas, há três dias; fiquei completamente atônita!), pois o mundo evangélico tem em Palmas a sua expressão maior.

Por costume, durante muito tempo davam tiros numa imagem de Nossa Senhora, colocada numa pequena praça; já invadiram e vandalizaram um templo do Vale do Amanhecer, só não o incendiando em razão da precoce chegada de um dos fiéis; os galões de gasolina deixados para trás atestam a intenção dos "homens de Deus".

O amor ao próximo se resume ao próximo que cumprimente com a "Paz do Senhor"; os demais não são merecedores do que seja, pois não são filhos de Deus, apenas criaturas. Sim, porque há uma diferença entre os dois aspectos: todo crente é filho de Deus; os não crentes, são reles criaturas.

Sob o pretexto do “ide e pregai” (ainda não entenderam que o “pregai” é uma atitude de vida, e não a torpe falação a que pretendem submeter a todos os que encontram), em cada aldeia indígena deste estado há uma igreja firmemente construída, em flagrante afronta à história dos primeiros habitantes do país. E costumes, registros ancestrais e credo milenares dos indígenas, são aniquilados com o rolo compressor do fanatismo.

Agora, os pentecostais resolveram satanizar a cultura guarani kaiowá, em Mato Grosso do Sul, e incendeiam templos indígenas; objetos de ritual são tratados como obras demoníacas (assistam ao vídeo).

A limitação de raciocínio desses pretensos servidores de Cristo, não lhes permite a compreensão de que Nhanderu é Deus. Da mesma forma que em alemão é Gott ou Dieu em francês. O fanatismo os cega, lhes entorpece a visão, lhes embota o discernimento (sinal de que pouco contato possuem com o Espírito Santo...). Não lhes deixa perceber que o culto a Deus é algo íntimo, pessoal, que não pode ser massificado.

Sim, há exceções. Mas são tão poucas, que me parece ser necessária a intervenção dos órgãos governamentais contra esses insanos, que não alcançam compreender ser o respeito, a base de tudo na vida. Respeito a tudo e a todos, respeito às diferenças étnicas, culturais, filosóficas. Só o respeito embasa o bom diálogo e a convivência sadia. É necessário que se ponha um fim à essa sanha de pseudos cristãos.

Assim como a igreja católica possui a CNBB, que regulamenta, orienta e supervisiona as ações de seus representantes, também os evangélicos deveriam eleger um Conselho verdadeiramente cristão, que estabelecesse a forma de atuação de seus membros, determinando limites de ação e punição aos desatinos que estamos vivenciando.

Os índios são tão filhos de Deus, do Nhanderu Papa Tenondé, quanto o somos todos nós não indígenas. E é urgente que isso seja entendido e respeitado.

Peço aos meus irmãos que sejam cristãos, que tenham em si o olhar do Cristo, manso e humilde de coração, que jamais discriminou quem fosse, que não julgou, que não condenou e respeitou a todos, que chamem suas igrejas para um momento de conscientização.

Evangelizar, sem respeito, é profanar o nome daqu’Ele que personificou o AMOR MAIOR.

Eu agradeço.

Paz em Deus.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

CARTA AOS PASTORES E PASTORAS DA IPU

Estimados/as  pastores/as da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil, Companheiros/as no caminho,

Esperamos encontrar todos/as cuidados/as e supridos/as pelo Senhor, rogamos que a Paz e que a Graça da parte do Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo seja com cada um/a.

Reconhecemos o labor, a dedicação, a doação, os sofrimentos, a capacitação e a qualificação que todos/as buscam em sua formação pessoal para que a igreja de Jesus, de forma especial a parte dela congregada em nossa denominação, seja de fato pastoreada, alimentada, direcionada para o crescimento e motivada à maturidade cristã através das vidas de vocês. Agradecemos a Deus pelo privilégio de tê-los/as como companheiros/as de caminhada e oramos continuamente por cada um/a, confiando que o Nosso Deus é poderoso para fazer muito mais do que pedimos e pensamos. Ele sabe nos surpreender!

Observando nossa denominação, parte da igreja una e santa de Cristo, reconhecemos nossas debilidades, nossas limitações relacionais, eclesiásticas e litúrgicas diante da contemporaneidade. Reconhecemos os desafios que temos em comunicar Cristo como centro da vida, da existência e de toda nossa vivência cristã a uma sociedade que caminha, conforme os observadores deste tempo, para a diluição integral de toda e qualquer normatização e padrão de vida; sendo nós um organismo “vivo” em Cristo que interage através de uma organização que, essencialmente fundamentada nas Escrituras Sagradas, normatiza um estilo de vida e conserva padrões éticos e morais com o objetivo de refletir o Sagrado.

Somos conscientes de que em nosso caminho já trilhado na história, insistentemente, com muita perseverança, sonhamos e tentamos estabelecer igreja de Cristo verdadeira, livre e responsável, reformada e sempre em reforma, que se atualiza preservando o inegociável e que conversa com a atualidade assumindo a responsabilidade de sermos instrumento do Divino, do único Senhor criador e sustentador de tudo, no objetivo de gerar transformação onde estivermos. Somos vivos, comunidade e família, em uma instituição organizada que luta por uma causa.

Nesse mesmo caminho, como Conselho Coordenador da IPU, disponibilizamo-nos como conselheiros, irmãos de caminhada, rejeitando a ideia rasa e superficial do coleguismo e assumindo a irmandade relacional respeitosa e profunda, cúmplice e perdoadora, recebendo e ministrando graça e perdão, sendo cuidados e pastoreados mutuamente e propondo a possibilidade de um pastoreio e de um mentoreamento significativo e eficaz.

Rejeitamos também a proposta de um “pseudopastoreio” onde a confiança é desconsiderada e o sigilo inexistente. Ainda é possível confessarmos nossos pecados uns aos outros e recebermos graça, perdão e vida nova de verdade. Nossa pretensão é sermos companheiros de caminhada dizendo a cada um/a dos nossos heróis batalhadores, pastores/as corajosos/as: Vocês não estão sozinhos/as, contem conosco!

Ocupamo-nos e preocupamo-nos com cada um/a de nossos companheiros no caminho e chamamos a atenção para pontos importantes na caminhada:

1 - A priori, a relação pessoal com o Sagrado como está? Ensinamos, direcionamos e empolgamos muitos para uma vida cristã com qualidade e para um relacionamento profundo com o Cristo bíblico e corremos o risco de priorizar muitas outras atividades, caindo para segundo plano a meditação, a reflexão, a leitura bíblica despretensiosa e edificante, fugindo dos antigos e retrógrados devocionais.

Temos muitas outras coisas pra fazer: nossos artigos, a administração eclesiástica, as visitas, os sermões, os relatórios, os atendimentos pastorais, os boletins e tantas outras impossíveis de enumerar que acabam se impondo diante do nosso tempo, fazendo com que não nos dediquemos àquilo que de fato é mais importante: nossa relação pessoal com Deus é a prioridade e não nossas leituras teológicas, mas nosso envolvimento com o Pai que nos amou e nos adotou como filhos sem que encontrasse em nós alguma coisa que O atraísse. Amou-nos sendo nós mortos e nos vivificou em Cristo apenas por nos amar. Amor que nunca merecemos nem mereceremos. Rogamos que todos priorizem esse relacionamento.

2 – Como está cada um/a consigo mesmo? Os sonhos, os planos, os projetos, a formação, a qualificação, as finanças, as necessidades, o lazer, o divertimento e seu bem estar? Incentivamos um belo planejamento para o ano que se inicia, colocando cada uma das áreas onde atuamos em seu devido lugar conforme sua real importância.

Não podemos deixar de abordar e de expressar a preocupação que temos com as relações familiares de cada um. Cuidamos de muitas famílias em detrimento das nossas. Isso não pode ser assim. O cuidado para com os nossos que são os próximos mais próximos é prioridade. Também estamos juntos com cada um/a de vocês, nossos pastores heróis, no caminho de Cristo, integralmente à disposição para ombrearmos, sendo suporte e sustento para cada um/a e para cada família pastoral.

Despedimo-nos com a certeza de que o Senhor, soberano criador e sustentador de todas as coisas é conosco, com todos nós da igreja de Cristo e tem cuidado da IPU que não é apenas uma organização e sim um organismo vivo em Cristo, buscando, a cada dia, mais saúde e mais vivência de uma espiritualidade saudável para todos os seus membros, de forma especial para seus pastores e pastoras que saciam a sede de muitos, buscando muito mais na fonte com um cântaro maior, sendo todos nós instrumentos divinos de transformação onde estivermos.

Que o Eterno Criador seja com cada um/a, no amor do Cristo nascido e ressurreto.

Belo Horizonte, 15 de janeiro de 2012.
Conselho Coordenador da IPU – CCIPU/2011-2014

fonte: http://www.ipu.org.br/cartaaospastores.html

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Sobre os haitianos no Brasil

Marcelo Coelho, em sua coluna semanal na Folha de São Paulo, em 25/01/12, página E12 (caderno Ilustrada), traz, sob o título "Indesejáveis, porém cheirosos", algumas reflexões sobre a entrada dos mesmos no Brasil. Destaco alguns trechos:

"O primeiro passo para a degradação definitiva do ser humano é reduzi-lo a isso: um mero ser, sem papeis, sem língua, sem mais que a roupa do corpo.
Antes que sua aniquilação física seja vista como 'natural', 'inevitável' e mesmo 'desejável' (afinal, quem tem paciência para conviver com uma escória animalizada?), é preciso ocorrer a sua aniquilação civil
...
Destituídos de sua cidadania, os judeus da Alemanha entraram inicialmente num limbo legal. O processo continuou até que...já não eram nada mais que corpos, cadáveres vivos, para os quais a única 'solução' era acabar de vez com eles.
...
"Para o Estado, o imigrante sem papéis não existe'. Como não existe, sua morte - em última análise - não fará a menor diferença.
...
Na medida em que a liberdade do homem deixa de ser levada em consideração e se dá mais peso às determinações do meio ambiente ou da genética, oque existe de único em cada indivíduo perde valor."

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Os vagabundos de Pinheirinho?

No último domingo, 22 de janeiro, uma área em São José dos Campos (SP) conhecida como “Pinheirinho” foi alvo de uma grande operação da Polícia Militar de São Paulo, que cumpriu um mandado de reintegração de posse, retirando 6 mil moradores do terreno. Durante a ação policial houve mortes, incluindo a de uma criança de três anos, que não foram noticiadas na imprensa, mas foram confirmadas pelo presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São José dos Campos, Aristeu César Pinto Neto. O Pinheirinho, que tem mais de um milhão de metros quadrados, é uma das maiores ocupações urbanas da América Latina e é o centro de uma enorme disputa judicial. De um lado, figura Naji Nahas, dono do terreno, mega especulador financeiro que deve milhões aos cofres públicos, tendo sido preso na Operação Satiagraha, em 2008, por evasão de divisas e lavagem de dinheiro. De outro lado, 1.600 famílias que ocuparam a área há cerca de oito anos.
 
Não quero entrar no mérito sobre a ilegalidade das ações da polícia paulista em Pinheirinho. Não que elas não mereçam análise de mérito, mas a deixo a cargo daqueles que, com o cinismo característico, perdem-se num interminável complexo de Adão, que comeu a maçã por culpa de Eva, que a comeu por culpa da serpente. E a serpente... bem, a serpente são os outros. O soldado matou porque o coronel mandou. O coronel mandou porque o governador assim o requereu. E para o governador, que descumpriu uma ordem federal para que suspendesse a reintegração de posse, a culpa é da justiça.
 
Minha pequena nota dirige-se, então, especificamente a algumas observações que li nas redes sociais nos últimos dias sobre esse caso. Muitos comentaram que todos os moradores do Pinheirinho são “vagabundos e preguiçosos” por morarem em terreno “dos outros”, e, portanto, mereceram ser expulsos de lá, mesmo à bala. Fiquei pensando no seguinte: segundo dados recentes da ONU (The Chronic Poverty Report 2008-09), 1,2 bilhões de pessoas no mundo vivem abaixo da linha da pobreza, isto é, com menos de US$ 1,00 (um dólar) por dia para satisfazer todas as necessidades pessoais. Desse total, cerca de 1 bi (um bilhão) vive em favelas (UN-Habitat 2010), sendo que mais da metade está em áreas privadas sem regularização por parte do Estado, como é o caso do Pinheirinho. Ou seja, estamos falando em 500 milhões de “vagabundos e preguiçosos” ao redor do mundo que precisam ser expulsos de suas casas com urgência.
 
Outros comentários alegavam que os “vagabundos” desobedeceram à lei ao ocuparem um terreno privado. Não lhes culpo por acharem assim, mas talvez desconheçam que estamos aqui diante de uma colisão de normas do sistema jurídico. A propriedade privada merece, sim, a proteção constitucional e efetiva do Estado. Mas esta mesma Constituição estabelece como máxima que a propriedade urbana somente deve ser passível de proteção pelo Estado se atender à sua função social, o que não é o caso do Pinheirinho, cujo terreno é mantido unicamente como fruto de especulação financeira imobiliária. A ordem judicial paulista de reintegração de posse, além de desconsiderar esse princípio constitucional, descumpriu acordos internacionais firmados pelo Brasil em matéria de moradia. Alguns deles são: Declaração Universal dos Direitos Humanos (artigo 25); Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (artigo 11); Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos (artigo 4, artigo 17); Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial (artigo 5, e, iii); Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra as Mulheres (artigo 14.2); Convenção dos Direitos das Crianças (artigo 27.3).
 
Deduzo que há nas entrelinhas de tais comentários, e, principalmente no senso comum dos brasileiros, uma falsa ideia de que o crescimento econômico faz/fará automaticamente, e por si só, com que desapareçam as favelas. Entretanto, se, como propaga o governo, dez milhões de pessoas deixaram a pobreza extrema no Brasil, outros vinte milhões ainda continuam à margem. Tudo num contexto em que é extremamente rarefeita a ligação de pessoas sem moradia com o acesso à saúde, à educação, ao trabalho digno. Defender a fundamentalidade transcendente do direito à moradia a essas pessoas é reconhecer, portanto, que a moradia traça uma linha divisória entre a pobreza e a miséria extrema, entre a vulnerabilidade e absoluta vulnerabilidade, de modo que um melhor acesso à segurança social requer de igual modo um melhor acesso à moradia.
 
Ver a questão do Pinheirinho e de outras comunidades, tais como “Dandara” em Belo Horizonte (MG), fora das lentes da justiça social é caminhar por um viés que privilegia um discurso monocromático, unilateral, indiferente a outras condicionantes, e que flerta com a assimetria do poder de polícia numa síntese da visão do mundo nietzchiana, que glorifica o poder e a força. Atitudes semelhantes às do Governo Paulista tornam o Brasil, tão avesso e carente de respostas globais a problemas coletivos, mais impermeável ainda às condicionantes históricas de pobreza, miséria, escravidão, pseudo-empregos, precário sistema de saúde, analfabetismo total e funcional e déficit de maturidade democrática de sua população. Quando se atenua a justiça, a democracia torna-se delgada. Onde seres humanos são mortos por defenderem seu abrigo, a liberdade perde a sua casa e a justiça é destinada a ser morta também.
 
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Áquila Mazzinghy é professor de Direito Internacional e Direitos Humanos.
 

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Comércio internacional de frutas é mais regulamento do que a venda de armas


Atualmente, há mais restrições para a venda internacional de bananas do que regulamentações para o comércio de armas, disse a coordenadora da ONG Serpaz e professora de hebraíco na Faculdades EST, Marie Ann Wangen Krahn.

Micael Vier B.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012 
 
Atualmente, há mais restrições para a venda internacional de bananas do que regulamentações para o comércio de armas, disse a coordenadora da ONG Serpaz e professora de hebraíco na Faculdades EST, Marie Ann Wangen Krahn. Ela representou a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) no encontro, em dezembro, na equipe internacional que organiza a campanha do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) em favor da assinatura de um Tratado Internacional sobre o Comérciode Armas.
A cada ano, informou a professora, são produzidas 12 bilhões de balas, ou seja, duas para cada habitante do planeta, em transações que contabilizam entre 50 bilhões a 100 bilhões de dólares. O grupo do CMI destaca que são prioridades as questões humanitárias em detrimento do enfoque econômico distinguido ao assunto. O Brasil, revelou Marie Ann, ainda não aceitou a cláusula que proíbe a transferência de armas para países onde esse comércio poderia facilitar e incrementar a corrupção. Leia na entrevista abaixo.

Pergunta: Quais são as diretrizes que norteiam o Tratado Internacional sobre o Comércio de Armas (Arms Trade Traty – ATT) proposto pela Organização das Nações Unidas (ONU)?
Marie Ann: O Tratado buscará, conforme documento provisório de 14 de julho de 2011, promover as metas e objetivos da Carta das Nações Unidas, estabelecer os mais elevados padrões internacionais para a importação, exportaão e transferência de armas convencionais, prevenir, combater e erradicar a transferência, produção e intermediação ilícita de armas convencionais e o seu desvio para mercados ilícios.
O Tratado também contribuirá para a paz, a segurança e a estabilidade internacional e regional através do impedimento de transferências internacionais de armas convencionais que contribuam ou facilitem sofrimento humano, violações graves da lei internacional dos direitos humanos, da lei internacional humanitária, violações das sanções e embargos de armas do Conselho de Segurança das Nações Unidas e outras obrigações internacionais, conflito armado, desalojamento de pessoas, crime organizado transnacional e atos terroristas.
Visa, ainda, promover a transparência e a prestação de contas na importação, exportação e transferências de armas convencionais, e deverá ter aplicação universal.

Pergunta: Qual é o enfoque do Conselho Mundial de Igrejas quanto ao tratado?
Marie Ann: As igrejas apóiam esse itens, com ênfase particular nas proteções humanitária e comunitária. Promovendo esses elementos, o tratado incentivará os Estados membros da ONU a encararem o ATT como tratado de comércio que elevará a condição humana e reduzirá a escala de violência em vez de ser um tratado de comércio centrado em armas legitimando a aquisição de armas convencionais.
As igrejas estão especialmente interessadas em verem os seguintes princípios incluídos num tratado efetivo: Não vender armas para onde houver o risco de serem usadas para cometer crimes contra a lei internacional dos direitos humanos e a lei internacional humanitária, incluindo aí armas pequenas, leves e munições. Também defendem proteção para o desenvolvimento sustentável, provisões que lidam com a violência baseada em gênero e provisões para a assistência de sobreviventes.
Além disso, as igrejas apóiam um tratado efetivo que contenha provisões robustas para a prestação de contas e implantação dos regulamentos universais de comércio de armas que já existem. Adicionalmente, o tratado deve incluir um instrumento ou promover a criação de uma instituição que impedirá e processará as violações do comércio lícito de armas convencionais.

Pergunta: O que falta, efetivamente, para que a importação e exportação de armas e munições sejam regulamentadas, assim como acontece com produtos alimentícios, remédios e roupas?
Marie Ann: Faltam padrões e critérios universais para o controle desse comércio, atravessando as fronteiras internacionais. É verdade que atualmente há mais restrições para a venda de bananas, internacionalmente, do que regulamentações universais para o comércio de armas

Pergunta: Quais são os principais prejuízos sociais gerados pela falta de regulamentação? Essa problemática aflige mais diretamente os países subdesenvolvidos ou em fase de desenvolvimento, como é o caso do Brasil?
Marie Ann: A venda e o comércio não controlado de pequenas e armas leves alimentam a pobreza e o sofrimento. O estoque não regulamentado de armas facilita o assassinato por criminosos, facilita que grupos armados e soldados rebeldes matem indiscriminadamente e que policiais corruptos tirem vidas arbitrariamente. A falta de critérios acordados universalmente para as transferências internacionais de armas contribui para conflitos armados, desalojamento de pessoas, crime e terrorismo organizado, fazendo ruir a paz, a estabilidade e o desenvolvimento sócio-econômico.
Os países mais afetados por um comércio desregulamentado são os países subdesenvolvidos, como muitos no continente africano e na América Latina. Mas ele também afeta fortemente os outros países pelo alto índice de corrupção e violência que o comércio desregulado gera.

Pergunta: Que tipo de pressão de ordem econômica e política impede a introdução desse tratado?
Marie Ann: Alguns países resistem ao tratado por entenderem que ele será mais uma ferramenta para punir e descriminar países que não têm bons históricos em direitos humanos. Também há uma resistência por causa daquilo que é exigido para a implantação de um tratado efetivo, pois vários países menores ou menos desenvolvidos poderão não ter as condições físicas e/ou econômicas para lidar com o licenciamento, monitoramento e relatórios sem terem auxílio de fora.
Outros países não querem incluir tecnologias e partes de uso duplo no tratado, pois receiam que isso virá em detrimento do desenvolvimento tecnológico e econômico de certos países. O Brasil apóia fortemente o tratado, mas a inclusão de tecnologia e partes de uso duplo de armas está encontrando resistência aqui. 
O Brasil, assim como outros países, não está aceitando a cláusula que proíbe transferências de armas para países onde esse comércio poderia facilitar e incrementar a corrupção. O Brasil alega que a linguagem ainda não está suficientemente clara nesse artigo.

Pergunta: A ONU tem dados concretos sobre a quantidade de armas e munições comercializadas no mundo em um ano. Quais quantias estão envolvidas nesse negócio?
Marie Ann: Pela Campanha do Control Arms consegui-se chegar à informação de que 8 milhões de armas leves são produzidas por ano e 12 bilhões de balas (munição), isto é, duas balas para cada pessoa no mundo.  Justamente o Tratado (ATT) lida com essas armas e munições.
O tamanho do comércio internacional de armas é difícil de medir. Estimativas vão de 50 bilhões de dólares a 100 bilhões de dólares por ano. Em 2009, somente uma venda de submarinos e tecnologia franceses para o Brasil somou quase 10 bilhões de dólares. Existem muitas variáveis que precisam ser consideradas: a definição de “armas”, o que incluir na categoria de “ comércio”, e quantos países, incluindo grandes produtores como a China, emitem dados muito limitados.

Pergunta: Qual seria o papel das igrejas e da sociedade civil para o desarmamento e regulamentação do comércio de armas?
Marie Ann: O primeiro papel das igrejas é testemunhar quanto ao impacto do comércio não regulamentado, pois elas ministram para as vítimas e suas famílias e são parte das comunidades que sofrem a violência armada, em todo o mundo, nas nações ricas e pobres.
O segundo papel das igrejas é pleitear, junto aos governos, como parte da sociedade civil nessa campanha, para reforçar e promover o escopo humano do tratado através do trabalho de educação e conscientização sobre a necessidade de um Tratado Internacional sobre o Comércio de Armas (ATT).
Também cabe a elas a mobilização de outros para agirem em apoio a um tratado forte e efetivo que contenha valores da fé sobre a justiça, a paz e o bem-estar do ser humano. Elas devem fazer lobby junto aos representantes oficiais e governamentais eleitos quanto ao imperativo humano do ATT, para que os governos apoiem, ratifiquem e implementem um tratado forte e efetivo.
A mobilização e a pressão sobre nossos/as governantes são cruciais, pois eles/as precisam saber, e temos que mostrar isso, que não assinando esse tratado ou não incluindo certos itens, muitas vidas e comunidades estarão em risco e eles/as enfrentarão fortes consequências em termos políticos. Esse é nosso grande desafio.
É preciso que instituições e indivíduos assinem a Declaração Inter-religiosa que se encontra no site da Control Arms, e que vai ser entregue aos representantes dos governos nas negociações para o tratado, em julho de 2012.

Para obter mais informação e aprender como pode participar da campanha sobre o Tratado Internacional do Comércio de Armas (Arms Trade Treaty – ATT) podem acessar o site www.controlarms.org ou www.soudapaz.org.br

Para mais informação da campanha ecumênica acesse o site http://www.oikoumene.org/

Acesse o link para assinar a Declaração Interreligiosa: http://www.controlarms.org/interfaith-information

fonte: http://www.alcnoticias.net/interior.php?codigo=21174&format=entrevista&lang=689

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

CONSELHO COORDENADOR DA IGREJA PRESBITERIANA UNIDA DO BRASIL – CCIPU
PRONUNCIAMENTO Nº 3
 SOBRE AS DROGAS LÍCITAS E ILÍCITAS

O Conselho Coordenador da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil - CCIPU, no exercício de sua ação pastoral junto à Igreja e tendo em vista o imperativo de as igrejas cristãs, os governos nas três esferas de poder e a sociedade civil organizada tomarem medidas urgentes que visem a reduzir e/ou eliminar os efeitos nocivos das drogas lícitas e ilícitas sobre o homem, imagem e semelhança de Deus, resolve expedir o seguinte PRONUNCIAMENTO em que a IPU:

 1 – Denuncia a ação dos fabricantes de cigarros no sentido de reduzir ou eliminar os efeitos das medidas de controle ao tabagismo no país e conquistar consumidores cada vez mais jovens;

2 – Alerta para a ação nociva da indústria do tabaco ao agregar aditivos aromatizantes aos cigarros com a finalidade de atrair o público jovem ao tabagismo;

3 – Denuncia a estratégia da indústria do tabaco de conquistar o mercado do futuro, afinal quanto mais precocemente uma pessoa começar a fumar, mais cedo ela fica dependente e mais tempo vai consumir o produto e alerta para o fato de que 8 (oito) em cada 10 (dez) fumantes adultos começam a usar o cigarro antes dos 20 anos de idade e, por isso, conclama os pais, pastores, presbíteros  e demais  líderes de suas igrejas a exercerem com amor o ministério da orientação, para que nossos jovens e adolescentes não se enveredem pelo caminho do tabagismo;

4 – Alerta ao público em geral e aos membros de suas igrejas, em particular, sobre os efeitos psicotrópicos do álcool sobre o corpo humano e propõe aos seus pastores, presbíteros e demais líderes que adotem medidas de desencorajamento do uso do álcool, mesmo sob forma recreativa, lembrando que as drogas lícitas, álcool e tabaco, são a porta de entrada para o uso das drogas ilícitas;

5 – Denuncia a estratégia mercadológica dos fabricantes de bebidas alcoólicas com o fito de atrair o público jovem, ao oferecer ao mercado as bebidas ice, com baixo teor alcoólico e assim fugir às limitações da propaganda impostas pela Lei Federal n. 9.294/96, dessa forma a IPU apoia a proposição de projeto de lei específico a favor da proibição total da propaganda de bebidas alcoólicas, independentemente do teor alcoólico das mesmas;

6 – Apoia as alterações na Lei Federal n. 11.705/08 (Lei Seca), que alterou o Código de Trânsito Brasileiro, no sentido de impor tolerância zero ao teor alcoólico no sangue de motoristas infratores;

7 – Reconhece, baseada em dados de pesquisa divulgada pela UNIFESP – Universidade Federal do Estado de São Paulo em agosto de 2011, a importância da religião e sua eficácia na recuperação de pessoas que buscam a independência do alcoolismo e, por isso, incentiva seus pastores, presbíteros e demais lideranças a oferecer apoio espiritual, psicológico e material a quem necessitar e buscar assistência de nossas comunidades de fé;

8 – Lamenta o alto índice de mortes de pessoas dependentes do álcool em nosso país, semelhante ao número de mortes provocadas pelo crack, perfazendo 17% em pessoas que buscam apoio para se livrar de sua dependência, em um período analisado de 5 anos, em flagrante contraste com o índice do Reino Unido que atinge tão somente 0,5%, conforme dados da pesquisa da UNIFESP;

9 – Posiciona-se contra, considerando que a maconha é, geralmente, a primeira das drogas ilícitas a dela se fazer uso, devido a seu aspecto falsamente inofensivo, o uso recreativo dessa droga, feito às custas de vidas inocentes, vítimas do tráfico, e é igualmente contra a descriminalização do comércio dessa droga;

10 – Alerta a sociedade e às suas igrejas em geral para os efeitos nocivos da cocaína, do crack (lixo da cocaína) e do oxi (lixo do crack), todos de um mesmo princípio ativo (cocaína), mas, principalmente os dois últimos, de efeitos letais sobre o organismo humano e socialmente desagregadores.

 Em vista do exposto, a IPU conclama seus presbitérios, igrejas, organismos eclesiásticos, pastores, presbíteros, diáconos e demais lideranças a exercerem seu papel pastoral e a oferecer apoio a quem precisar para superar a dependência das drogas, sejam lícitas ou ilícitas.

 A IPU também recomenda a seus presbitérios e igrejas que, em nenhuma hipótese, seja admitido o uso, mesmo que recreativo, de qualquer droga em eventos e celebrações oficiais da igreja, exceto o vinho da eucaristia, para as igrejas que mantêm tal costume.

 A IPU conclama o povo de Deus que se reune nesta igreja que se una em oração e esforços, para que tenhamos uma juventude saudável e que todas as pessoas tenham vida com qualidade, vida plena, vida em abundância, como nos afirma o Senhor Jesus Cristo: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (João 10.10).

 Belo Horizonte, 15 de janeiro de 2012.
 Conselho Coordenador da IPU – CCIPU/2011-2014