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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

A invenção do ’voto evangélico’

Sandro Amadeu Cerveira *

A presença de dois candidatos à Presidência da República, Marina Silva e Pastor Everaldo, em torno dos quais gravitam figuras polêmicas como Silas Malafaia colocou em pauta novamente o chamado “voto evangélico”. Essa expressão parece ser capaz de ativar uma série de imagens, sentimentos, conceitos e preconceitos, muitos deles contraditórios. Se para alguns o termo “evangélico” já é incômodo, o “voto evangélico” então pode causar arrepios, náuseas, urticárias e outras reações. Mas, afinal de contas, existe mesmo um “voto evangélico”? Esse “voto” possui as características que lhe atribuem? Em meio a tantas falas e estudos qualificados há algo ainda a ser dito?

A abordagem talvez mais comum sequer questiona a existência de um voto evangélico. Ele é dado. Existem evangélicos, eles votam em outros evangélicos (ou em quem seus pastores mandarem) e os eleitos agem sempre de forma coerente com o “ser evangélico”.  A chamada  “bancada evangélica” é a prova irrefutável deste “fato”.  Há ainda outra certeza. O não avanço das pautas relacionadas aos direitos sexuais e reprodutivos, assim como de outros direitos humanos, é culpa dos eleitores evangélicos.  São eles em sua sanha moralista e teocrática que ameaçam a democracia com o retorno ao obscurantismo.
De outro lado há quem afirme que os “evangélicos” sequer existem.  O argumento neste caso é de que a pluralidade dos chamados evangélicos é tão grande que é virtualmente impossível falar em “evangélicos”.  Afinal que afinidade existe entre um presbiteriano e um assembleiano? Entre um membro crismado da Igreja Evangélica Cristã Luterana no Brasil (IECLB) e um frequentador da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd)? Se não existem os “evangélicos”, podemos supor que tampouco exista o  “voto evangélico”. As pesquisas que apontam para a correlação entre autoidentificação religiosa e a preferência por um ou outro candidato (ou mesmo a afinidade com pautas conservadoras) seriam correlações espúrias. Mera coincidência ou acaso.
O bom senso nos recomenda desconfiar desses polos (caricatos) que apresentei. Tratar o “voto evangélico” ou mesmo os “evangélicos” como um bloco efetivamente desconsidera a grande pluralidade que existe entre os que assim se definem. Essa abordagem também parece ignorar que a religião é somente uma das dimensões da vida de uma pessoa, entre tantas outras. Pesquisas indicam que o fato de o “evangélico” ser homem ou mulher, rico ou pobre, nordestino ou gaúcho, analfabeto ou pós-graduado pode fazer muita diferença em uma série de questões.

Apenas para ilustrar, observemos os dados pesquisa Datafolha publicada em 29 de agosto. Segundo esse levantamento, 38% dos eleitores que se dizem católicos votariam em Dilma, enquanto “apenas” 30% dos evangélicos votam na candidata petista. Quando se trata de Marina os números se invertem: 41% dos evangélicos pentecostais votam em Marina e somente 30% dos católicos na candidata do PSB. Conclusão? Há um “voto evangélico” em Marina. Mesmo? Que “voto evangélico” é este se quase 60% dos evangélicos NÃO votam em Marina?

Por outro lado, afirmar que os evangélicos simplesmente “não existem”, em virtude das grandes diferenças internas às denominações de matriz protestante é também um equívoco. A heterogeneidade dos grupos e fenômenos sociais não nos exime do esforço de conceituação e generalização. Estas estratégias/ferramentas são importantes no desafio de pensar o mundo multifacetado e multicondicionado que nos cerca. O conhecido sociólogo Max Weber já alertava que um “tipo ideal” não existe no “mundo real”, mas eles podem ser úteis para operar e pensar a realidade. Para além da questão metodológica, a Frente Parlamentar Evangélica existe e, a menos que analistas e políticos estejam redondamente enganados, sua existência se deve (ainda que parcialmente) à concentração de votos de evangélicos em candidatos que assim também se apresentam.

Agradecido pela paciência do leitor até aqui, chego a minha tentativa de dizer algo sobre o assunto. O que chamamos de “voto evangélico” existe sim, mas ele é uma “invenção”. Como dito antes, ser evangélico (católico, espírita sem religião etc.) não é a única dimensão da identidade de uma pessoa que pode ser mobilizada politicamente. Quem trabalha ou estuda marketing político sabe que boa parte do esforço dos partidos e candidatos se concentra precisamente em tentar ativar, entre as muitas dimensões importantes em nossas vidas, aquela que lhes é mais favorável. Criar uma “conexão eleitoral” para criar uma base eleitoral. Embora os eleitores não sejam passivos nesse processo, o protagonismo é, via de regra, dos candidatos.

Até as eleições para o último Congresso Constituinte a presença de evangélicos na política pouco ou nada tinha a ver com um “voto evangélico”. O discurso predominante era de que “crente não se mete em política”. Os eventuais sucessos de candidatos evangélicos nas urnas raramente contou com a bênção de suas igrejas. Em 1986, algo mudou. O número de deputados evangélicos saltou de 12 para 32, sendo que a maioria (18) agora eram oriundos de igrejas pentecostais. A estratégia de lançar “candidaturas oficiais”, legitimadas pela pregação de que “Irmão vota em Irmão” foi parte da estratégia de algumas igrejas no sentido de criar, ou para usar meu termo provocativo, “inventar” os eleitores para esses candidatos. Os estudiosos das estratégias usadas pelos parlamentares na busca pela reeleição apontam que a “sinalização” de temas ou ideias é uma das principais estratégias usadas por políticos cuja votação não está geograficamente concentrada. São necessários estudos mais detalhados sobre o sucesso dos  políticos evangélicos em suas tentativas de reeleição, mas, ao que parece, aqueles que têm conseguido o aporte de recursos (simbólicos e materiais) das igrejas em suas campanhas e obtido maior visibilidade durante seus mandatos em temas importantes para os que se identificam como evangélicos vêm sendo os mais bem-sucedidos.

Um das estratégias utilizadas na construção de uma base eleitoral (não apenas dos evangélicos) é justamente a simplificação e a redução de temas complexos a frases de efeito e jargões carregados emocionalmente, não raro marcados pela chave “amigo-inimigo”. Um candidato evangélico típico bem-sucedido será então aquele que convencer um número suficiente de evangélicos de que devem votar nele por representar não tanto os interesses, mas seus valores e crenças na arena política. Como as crenças e valores adotados pelos “evangélicos” variam muito, é preciso recorrer a termos genéricos, carregados emocionalmente e familiares ao contexto linguístico do grupo fortalecendo a sensação de pertencimento. Termos como “governo dos justos”, “ditadura gay”, “abortistas” ativam esperanças, medos e ódios bastante poderosos que podem virar votos.
É claro que as estratégias das igrejas e dos políticos para criar o “voto evangélico” não seriam eficazes se todo seu discurso não fizesse sentido para pelo menos parte dos fiéis eleitores. De qualquer forma, se votar como evangélico não é algo dado ou “natural”, precisamos nos debruçar sobre seus efeitos, e não apenas sobre o sistema político. Questões como distorções na representação ou mesmo a defesa de pautas contrárias a direitos de minorias são os exemplos mais conhecidos. Por outro lado, o próprio campo evangélico pode estar sendo “colonizado” pela lógica e pelos interesses dos políticos evangélicos em detrimento de sua dimensão propriamente religiosa.

* Teólogo, historiador e doutor em Ciência Política pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o autor é professor da Universidade Federal de Alfenas (Unifal), em Minas Gerais.

fonte original:  http://congressoemfoco.uol.com.br/opiniao/forum/a-invencao-do-%E2%80%99voto-evangelico%E2%80%99/

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

[Serviço Assistencial Dorcas] Sistema prisional brasileiro, por um juiz do STF

É lugar comum falar das condições carcerárias do Brasil. Habitualmente, todos os que debatem o assunto concordam que as condições não são adequadas, que há muito a ser corrigido. Mas, estarão todos aqueles que discutem nosso sistema prisional, principalmente aqueles que não estão com ele diretamente envolvidos, inteirados da realidade e das razões pelas quais ano após ano nada muda?

Entrevista recente cedida à jornalista Mônica Bergamo (1), da Folha de S. Paulo, pelo ministro do STF, e seu ex-presidente, Gilmar Mendes, lança algumas luzes a partir da visão de quem está envolvido até o pescoço com o tema.

Se a situação é ruim (talvez catastrófica, já que o título da entrevista foi "é o caos"), isto se deve ao não cumprimento do dever por diversos personagens: Ministério da Justiça, Secretarias Estaduais da Justiça, ministério público, Poder Judiciário. E ruim como?
- apenados doentes colocados no chão
- apenados com o abdômen aberto
- contêiner servindo de cela, com as necessidades dos de cima caindo sobre os debaixo
- 22 mil pessoas presas sem inquérito concluído em determinado ano (certa pessoa estava preso, sem condenação, há 14 anos) (2)
- pessoas que já cumpriram pena e que ainda se encontram presas
- juízes de execução penal que nunca visitaram um presídio

Mas o mais chocante é a principal razão apontada pelo magistrado: todos nós (ou, eufemisticamente, "a sociedade em geral") não se importa com a pessoa que é condenada, não importa por qual crime. Ela passa a ser uma "não pessoa" (3), sem direitos, sem direitos humanos, sem dignidade. Se passa fome ou frio, é justo, pois é o que acontece com quem infringe a lei. Na prática, todos nós condenamos o culpado a diversas penalidades, sendo a privação da liberdade a única prevista em lei. Mas as autoridades e "a sociedade em geral" fazem de conta que esta ilegalidade (para dizer o mínimo) é natural, necessária, etc.

Após esta constatação - e quem pode argumentar que ela seja inverídica? (4) - outras razões ficam menos importantes: falta de defensores públicos, má vontade dos governadores em relação a eles, subutilização dos atuais recursos digitais...

Não deve ser por acaso que a reincidência de crimes, no Brasil, segundo Gilmar Mendes, é de 70%.



(2) certamente o que já foi denunciado pela imprensa não parece ser exceção, mas regra. Por exemplo, http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/140808-procura-se-o-processo.shtml
(3) termo não usado pelo entrevistado, mas pelo autor desta resenha
(4) veja o comentário do leitor à reportagem sobre crimes sexuais publicada em http://www.novojornal.com/minas/noticia/regiao-norte-de-bh-lidera-crimes-sexuais-contra-menores-02-09-2013.html


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Postado por Blogger no Serviço Assistencial Dorcas em 12/09/2013 11:06:00 PM



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Eduardo Ribeiro Mundim
www.medicinaeciencia.med.br
www.bioeticaefecrista.med.br

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Profissionais de saúde discutem testemunho cristão


Os Médicos de Cristo, organização filiada a RENAS (Rede Evangélica Nacional de Ação Social) e ao ICMDA (International Christian and Dental Association), realizou nos dias 7 a 12 de outubro uma experiência inédita: promoveu um Seminário Internacional Itinerante nas cidades do Rio de Janeiro, Campinas, São Paulo e Belo Horizonte. Somando os eventos, obtivemos a participação de quase 200 profissionais de saúde.

Além dos preletores locais, o médico indiano Vinod Shah, CEO do ICMDA, e a médica holandesa Josephine Maat, membro da coordenação do Congresso Mundial do ICMDA que acontecerá em 2014, em Rotterdam, Holanda, trouxeram relevantes contribuições para capacitação dos presentes.

A temática “Desafios do profissional de saúde cristão no mundo pós-moderno” possibilitou a discussão e a tomada de posição dos profissionais de saúde presentes em torno da importância de mantermos a integridade em ambientes de corrupção. É digno de nota o fato que quanto o acesso e a qualidade dos serviços de saúde são prejudicados com o desvio de verbas destinadas à saúde.

Dilemas éticos, integralidade da missão e proclamação do evangelho no atendimento à saúde foram debatidos na perspectiva da expansão do reino de Deus, entendendo o campo de trabalho como campo missionário.

Frente a frente com os determinantes sociais da saúde (condições sociais nas quais as pessoas nascem, vivem, trabalham e envelhecem que influenciam na ocorrência de problemas de saúde e fatores de risco para a população) e iniquidades em saúde – evitáveis, injustas e desnecessárias – compreendeu-se porque os mais vulneráveis adoecem mais e morrem mais cedo. As discussões nos conduziram a uma reflexão profunda sobre a estrutura do sistema de saúde brasileiro, que requer participação ativa dos profissionais na defesa do direito constitucional à saúde.

Esse simpósio possibilitou também uma análise das clínicas de curto prazo realizadas sem planejamento e sem parceria com a comunidade local, com um cunho puramente assistencialista, sem ações que promovam uma participação ativa da população. A metodologia consistiu na análise de cartas de missionários relatando sua experiência e o retorno da liderança local. Essa atividade proporcionou um aprendizado fundamental no sentido de qualificar as clínicas de curta duração, uma das principais contribuições dos profissionais de saúde.

Todos foram conscientizados da relevância da incidência em políticas públicas, controle social e defesa de direitos. Ressaltou-se que os conselhos de direito podem ser importantes espaços de testemunho, serviço e exercício de nossa fé numa perspectiva cidadã e podem contribuir para o bem comum, especialmente no que tange ao acesso à saúde e ao fortalecimento do SUS (Sistema Único de Saúde).

Nosso próximo encontro será em Campinas (SP) por ocasião do V CENPS – Congresso Evangélico Nacional de Profissionais de Saúde, no Lar Luterano Belém, que ocorrerá de 17 a 19 de outubro de 2014.

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Soraya Dias é presidente dos Médicos de Cristo e integra o Grupo Coordenador da RENAS (Rede Evangélica Nacional de Ação Social).

terça-feira, 16 de julho de 2013

Eleições Limpas


Contamos com sua participação e apoio a esta decisão da Aliança




Irmãos e irmãs, saudações e paz em Cristo.
Este é assunto é muito importante e solicitamos sua atenção para o que segue.
Nos últimos dias o Conselho Gestor de nossa Aliança, com o grupo de assessores e sua equipe executiva trabalhou arduamente para, através de oração, conversas, troca de e-mails, buscar discernimento sobre a conjuntura brasileira à luz dos acontecimentos das últimas semanas. No dia 19 de junho fizemos uma declaração, à luz dos fatos e em coerência com nossa declaração anterior, de fim de fevereiro, "Por uma Igreja Participativa e Cidadã".
Os irmãos e irmãs devem ter lido e ouvido algumas falas de nosso meio evangélico sobre como os movimentos das ruas e praças poderia tomar a forma de encaminhamentos mais concretos para as mudanças que se fazem necessárias em nosso Brasil, a fim de aprimorar nossa democracia e manifestar mais da justiça de Deus em nossa sociedade.
Assim, tomamos a decisão de apoiar a campanha "Eleições Limpas", do mesmo movimento que conduziu a projeto de iniciativa popular "Ficha Limpa".
Abaixo há várias informações para que os demais integrantes da liderança da Aliança, seus filiados e o povo evangélico, entendam essa tomada de decisão o quanto ela é importante neste momento da vida brasileira.

Nós esperamos que você caminhe com a Aliança fazendo o seguinte:

1. assine em apoio ao projeto de lei por iniciativa popular, conforme orientações abaixo;
2. compartilhe nossa participação nesta campanha com outras lideranças evangélicas de seu relacionamento;
3. compartilhe também através do Facebook, se você tem uma conta lá;
4. baixe o formulário com a lista para colher assinaturas e faça uma campanha por assinaturas em sua igreja ou organização e envie-nos por correio.
PRECISAMOS CHEGAR A 1 MILHÃO E 600 MIL ASSINATURAS EM TODO O BRASIL ATÉ FIM DESTE MÊS DE JULHO.


Porque a Aliança Evangélica Apoia Campanha "Eleições Limpas"

Depois do sucesso do projeto de iniciativa popular "Ficha Limpa", chegou a vez da campanha por "Eleições Limpas". Sob a liderança do MCCE (www.mcce.org.br), com a participação de um grande coletivo de organizações e pessoas por todo o Brasil, precisamos coletar 1 milhão e 600 mil assinaturas até o fim deste mês de julho, para dar entrada em proposta de Reforma Política por iniciativa popular. O movimento "Eleições Limpas" já está na Internet, em eleicoeslimpas.org.br. Conheça as organizações que apoiam no site acima, clicando embaixo na aba "embaixadores".
O Sistema Eleitoral vigente é o mesmo desde 1932. Por não ter sido atualizado, trouxe até os nossos tempos os problemas de uma cultura política personalista, clientelista e incompatível com o século XXI. Os principais problemas do atual sistema são:
  • personalismo;
  • muitos candidatos e poucas propostas consistentes;
  • caro e demandante de grandes recursos financeiros;
  • estimula a transferência de votos;
  • criminalização do uso da internet e das redes sociais.

O que muda com as "Eleições Limpas"?

  • retira as empresas do financiamento de campanhas;
  • menos candidatos e mais propostas;
  • mais liberdade de expressão na internet.
Conheça a proposta do Projeto de Lei por iniciativa popular na íntegra neste link:
http://eleicoeslimpas.org.br/assets/files/projeto_de_lei_eleicoes_limpas.pdf?1371963119
Vote pela Internet em: eleicoeslimpas.org.br
Vote pelo Facebook: https://www.facebook.com/queroeleicoeslimpas


Outras considerações sobre o apoio evangélico a "Eleições Limpas"

  • Esta proposta trabalho com o que é necessário, possível, viável, alcançável agora, de modo prático e objetivo, sem idealizar para fora da realidade e possibilidades do Estado de Direito.
  • Movimento "eleições limpas" está propondo projeto de lei popular. Não propõe plebiscito, referendo ou constituinte. Estes três expedientes demandam muito mais tempo de realização e não alcança as próximas eleições.
  • A mudança da legislação eleitoral (leis ordinárias) não depende de plebiscito, o que é mais simples que mudança constitucional (quórum, votações, processo, que são diferentes).
  • Não apoiar iniciativas como estas implica em deixar as coisas estão (não afirmar mudanças), beneficiando e mantendo atual sistema, em dissonância com o senso de justiça da sociedade como um todo.
  • "Eleições Limpas" não muda o sistema proporcional para distrital (que seria matéria constitucional) – propõe sim a alteração dentro da legislação vigente no sentido das eleições proporcionais serem também em dois turnos (deputados e vereadores, quando for o caso) – primeiro se vota num partido e num segundo turno num candidato dentro de uma lista (elaborada a partir de eleições internas do partido), conforme as vagas obtidas pelo partido no primeiro turno.
  • Mantém coligações, mas sem permitir o acumulo de verbas para campanhas (o que em tese favorece oposições) e fortalece partidos (perde mandato quem mudar de partido).
  • Empresas não podem doar e há limites de verbas por candidatos (democratiza e dá oportunidades a candidatos que não representam o capital).
  • Estimula a participação feminina.
  • Torna mais transparente os gastos de campanha e prestação de contas, criminalizando e penalizando práticas "sujas" (ante-éticas e ante-democráticas).
  • Aprimora regulação da propaganda eleitoral, inclusive no uso da internet.
  • Dispõe sobre o financiamento das campanhas eleitorais e o sistema das eleições proporcionais, alterando a Lei no 4.737, de 15 de julho de 1965 (Código Eleitoral), a Lei no 9.096, de 19 de setembro de 1995 (Lei dos Partidos Políticos), e a Lei no 9.504, de 30 de setembro de 1997 (Lei das Eleições), e sobre a forma de subscrição de eleitores a proposições legislativas de iniciativa popular, alterando a Lei no 9.709, de 18 de novembro de 1998. Esta Lei dispõe sobre ações e mecanismos que assegurem transparência no exercício do direito de voto, sobre financiamento democrático dos partidos e campanhas eleitorais, bem como sobre o controle social, a fiscalização e a prestação de contas nas eleições.

Avancemos com as mudanças possíveis e imediatas

Por certo, desejamos muito mais; mas temos diante de nós uma proposta prática e alcançável, para ser discutida e eventualmente melhorada pelos congressistas, de modo que possam valer para 2014. Vamos um passo de cada vez.
Não devemos confundir eventuais desgostos com políticos específicos, ou posições partidárias, com justas reformas do sistema político – esta mudança no sistema poderá resultar num parlamento melhor, que poderá fazer leis melhores, e até aprofundar mudanças no sistema eleitoral futuro.
Em Cristo, Pr. Wilson Costa, pelo Conselho Gestor.
Campinas, 4 de julho de 2013




www.aliancaevangelica.org.br


sexta-feira, 28 de junho de 2013

SOBRE AS MANIFESTAÇÕES POPULARES POR TRANSPORTE PÚBLICO, SAÚDE E EDUCAÇÃO DE QUALIDADE E OUTRAS DEMANDAS

PRONUNCIAMENTO CC-IPU Nº 5
SOBRE AS MANIFESTAÇÕES POPULARES POR TRANSPORTE PÚBLICO, SAÚDE E EDUCAÇÃO DE QUALIDADE E OUTRAS DEMANDAS

“A injustiça é contra Deus e a vil miséria insulta os céus” Rev. João Dias de Araújo

“Antes, corra o juízo como as águas; e a justiça, como ribeiro perene” Amós 5.24


O Conselho Coordenador da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil – CC-IPU no uso de suas atribuições, tendo em vista as recentes manifestações populares ocorridas nas principais capitais e cidades do país, torna público seu pronunciamento, na expectativa de contribuir para o amadurecimento do debate sobre a agenda apresentada pelos movimentos sociais e para o fortalecimento das instituições democráticas de nosso país, razão por que:

1. Reconhece que essas manifestações se revestem de caráter democrático e expressam o amadurecimento da democracia brasileira e insiste que a consecução dos objetivos desses movimentos deve se dar pela via do diálogo e da construção de interlocução política;

2. Rechaça qualquer tentativa de se tirar proveitos político-partidários desses movimentos, em especial com objetivos nas eleições majoritárias de 2014, principalmente para a Presidência da República;

3. Chama a atenção das autoridades constituídas do país, nas três esferas de poder, para a necessária interpretação correta dos anseios desses movimentos, reflexos de expectativas reais e simbólicas que são sistematicamente ignoradas por elas, em especial os anseios por transporte público de qualidade a tarifas justas, a rejeição à PEC 37 que retira poderes de investigação do Ministério Público, a luta por educação e saúde de qualidade em contraste com os excessivos gastos com construção e reforma de estádios para a realização da Copa do Mundo e a intolerância contra qualquer forma de corrupção;

4. Enaltece o caráter predominantemente pacífico das diversas manifestações e repudia os atos de vandalismo com depredação do patrimônio público e privado e lamenta a infiltração de pessoas estranhas ao movimento com intuito único de subtrair bens do patrimônio alheio;

5. Condena os atos de violência praticados por forças policiais de diversas unidades da federação contra manifestantes e jornalistas, num claro uso desmedido, desnecessário e desigual de força contra cidadãos no exercício democrático de seu direito de manifestar;

6. Lamenta as políticas públicas das últimas décadas que privilegiaram o transporte individual sobre o público, gênese da atual crise no transporte público;

7. Reconhece como medidas iniciais para a compreensão da situação atual a atitude de diversos prefeitos e governadores em revogar aumentos ou reduzir o valor das tarifas, mas insiste que o problema do transporte público de má qualidade persiste e devem ser buscadas soluções duradouras para o mesmo;

8. Conclama, por fim, toda a sociedade brasileira e a elite política para uma mudança mais profunda na estrutura de nossa sociedade, com o chamamento de reformas estruturais que promovam câmbios profundos em nossos sistemas político e tributário.

O CC-IPU conclama o povo de Deus que se congrega nesta igreja, que deve ser sal e luz neste mundo e lutar por justiça e igualdade de direito para todos e todas, que se una em oração e esforços, para que tenhamos uma sociedade brasileira justa, em que todos os cidadãos e cidadãs tenham acesso a transporte, educação e saúde de qualidade e que tenhamos um sistema político e tributário justo.

Este Pronunciamento poderá ser revisto ou revogado pela Assembleia Geral da IPU.

Vitória/ES, 25 de junho de 2013.

Presbª Anita Sue Wright Torres – Moderadora
Rev. Dagoberto Santos Pereira – Vice-Moderador
Presb. Wertson Brasil de Souza – 1º Secretário
Rev. Luciano Fuly – 2º Secretário
Presb. Obadias Alves Ferreira – Tesoureiro

domingo, 16 de junho de 2013

O ministro padilha errou?





Este é um assunto explosivo, que parece não render muita discussão na sociedade em geral, e nas igrejas. O que é, a meu ver, uma pena.

Será que o ministrou errou?

As críticas publicadas no semanário Carta Capital1 são absolutamente infundadas? Assinaria eu a réplica publicada no sítio da Ultimato2?

Organizando meus pensamentos, inicio pelo mais fácil: não há possibilidade da prostituição voluntária (não estou pensando, por exemplo, nas coreanas obrigadas a servirem sexualmente o invasor japonês na primeira metade do século XX), em qualquer uma de suas formas (voluntária, masculina, feminina, transgênera, cultual, etc), estar em consonância com as Escrituras cristãs. Não há lugar, no Reino de Cristo, para este ramo de atividade. Não é possível àquele(a) que “nasceu de novo” usar dos serviços do(a)s trabalhadore(a)s do sexo ou explorá-los de alguma forma.

O segundo pensamento fácil é a antiguidade e onipresença desta atividade. Provavelmente poucas culturas não a tem, ou nunca a tiveram. Possivelmente continuará a existir, na legalidade ou na ilegalidade, até a segunda vinda de Cristo.

Aumentando o nível de dificuldade, quantos que se manifestaram sobre este assunto já conversaram com prostituta(o)s? Quantos já ouviram suas histórias de vida, seus recursos para manter em segredo seu trabalho, ou a opinião de suas famílias? Quantos já se perguntaram e investigaram, deixando de lado o jargão e a visão romântica, sobre as razões da escolha por este mister?

O ofício do meretrício

Cada profissão solicita um perfil psicológico e social. Os perfis dos advogados não são os mesmos dos professores que não são os mesmos dos engenheiros que não são os mesmos dos cantores que não são os mesmos dos assistentes sociais que não são os mesmos dos médicos...que não são os mesmos dos trabalhore(a)s do sexo. Por exemplo, os profissionais da medicina, enquanto grupo, se caracterizam também pelo prazer sádico e de controle3. O que caracteriza o(a)s do sexo?

Algumas pesquisas4 sugerem a existência de 1,5 milhão de prostitutas no Brasil na década 2000-2010. As analfabetas chegariam a 4%, e as com ensino fundamental, 70%. Portanto, 26% possuiriam uma escolaridade maior. A maioria ganharia de 1 a 4 salários-mínimos mensais.

Gabriela Silva Leite5,6 é prostituta por opção desde os 22 anos de idade. Não por falta de condições econômicas, mas por se identificar e realizar-se nesta profissão. Vê no termo “puta” diversas conotações positivas7, e luta para valorizar esta profissão. Casada, mãe e avó. Publicamente reconhecida como prostituta. Será ela uma exceção? Será sua atuação uma doença? Pergunto: nossas opiniões e crenças sobre o mundo do meretrício fundamentam-se em informações indiretas moldadas em preconceitos ou em ouvir os envolvidos no assunto?

A questão da felicidade

Portanto, caminhando pelos trechos mais espinhosos, por que as prostitutas não podem ser pessoas autenticamente felizes? Afinal, o que entendemos por felicidade? Um estado permanente de satisfação, contentamento, bem-estar e sucesso? Se assim for, não há ser humano feliz, pois não há ninguém (apresente-se o que discordar) que seja diuturnamente, sem interrupção, feliz. Há momentos felizes, mais ou menos, na dependência de fatores externos e internos, controláveis e não controláveis, mesmo em cenários extremamente cruéis e degradantes, como nas guerras.

Rosana Schwartz aponta que suas pesquisas sugerem entre 5% e 6% as prostituas felizes com a profissão8. Dirceu Greco questiona se felicidade não estaria no poder ser feliz mesmo ganhando a vida de um modo duro9 – o que não é exclusividade da prostituição.

Verdade que “vida fácil” é o que a maioria delas não tem. Programas de R$10,00 a R$20,00, com as “despesas profissionais” (artigos de limpeza, preservativos, hotel que lhes serve de local de trabalho) por sua conta, quantos clientes (e que clientes!) deveriam atender para receber, livres, um salário-mínimo? Supondo que não haja “cano”, nem subornos a pagar, dentre outras variáveis. Verdade que as menos afortunadas social e culturalmente sejam felizes em escala inferior àquelas de nível superior.

Marco Lacerda10 conta o que ouviu de um amigo, prostituto homossexual: sentia-se usado, como um objeto. Assim se sentem muitas garotas de programa: “tenho nojo de homens”.

Apesar da remuneração, apesar da insalubridade, apesar do preconceito, apesar da hipocrisia, a prostituição permanece como opção abraçada, sem dramas, por dezenas de milhares de mulheres. Inclusive porque há clientes em número suficiente para estas dezenas de milhares em um esquema de alta rotatividade.

Novamente insisto: não é uma atitude / atividade que tenha respaldo moral no Evangelho de Jesus Cristo.

Arrisco uma afirmativa: não é uma atividade procurada apenas por ser a “única opção que restou para a sobrevivência”.

É uma atividade exercida por pessoas que negam a obrigação da relação entre sexo e afetividade, que veem na atividade sexual apenas um “descarregar das pulsões”, um alívio de uma necessidade biológica. Pessoas que são “estranhos morais” daqueles que têm como base da moralidade as Escrituras cristãs. Mas são pessoas regidas por um código moral, indubitavelmente (aliás, haverá sociedade, ou grupo social, verdadeiramente amoral?).

Logo, a questão do Ministro da Saúde se define pela moralidade e não pela veracidade da afirmativa exposta em um dos cartazes: “eu sou feliz sendo prostituta”11.

E de onde surgiu esta frase? Segundo Dirceu Greco, das próprias prostitutas12, acompanhada de outras, como “eu não posso ficar sem camisinha, meu amor”.
O artigo publicado no sítio da Ultimato levanta que a questão da campanha, antes do seu abortamento, é a aprovação moral implícita da prostituição13, e não o direito à saúde, ao respeito.

Proteção a quem?

Mas, como já comentado, a partir de qual moral? Sem dúvida, não há aprovação a partir da moral cristã. Mas este país, como talvez a maior parte nas nações, é uma amálgama de estranhos morais, onde a legislação tende a refletir o equilíbrio de poder entre eles. Equilíbrio de poder não é sinônimo de maioria, mas da capacidade de articular para obter sucesso político. E, tomando a moral cristã como base, como se justifica a imposição de uma moral sobre a outra, lembrando que as duas são estranhas entre si, e abraçadas por razões não restritas às intelectuais?

Uma das perdas neste debate abortado foi esta: que país de estranhos morais queremos e como nos articularemos para sê-lo?

Assumindo o número de 1,2 milhão de prostitutas, qual é o número de clientes? Difícil precisar, e desconheço alguma estatística. Mas é necessário que seja muito superior. Quantas vezes? 5? 10? Somente são vendidos produtos com compradores. Portanto, só há prostitutas por haver pessoas, em grande número, que desvinculam afetividade de atividade sexual; que fantasiam o exercício da genitalidade em um contexto de domínio, posse, compra, e não na troca, doação e igualdade. Não são elas que têm uma profissão de risco; são seus clientes que mantém um risco permanente à saúde, inclusive quando pagam a mais pelo sexo sem preservativo. Clientes que incluem suas esposas no risco, pois a clientela, na prostituição, vai de solteiros a casados, de mulheres a travestis. Aparentemente, os idealizadores da campanha preocuparam-se com o lado mais fraco da equação, as trabalhadoras. O mais fraco por serem mulheres que consentem, em troca do dinheiro que as sustenta e as suas famílias (quando as têm), serem usadas e rapidamente descartadas. Parece-me que ao protegê-las, a rede de segurança se espalha por uma fatia bem maior da sociedade. E este fato não foi analisado pelo Guilherme de Carvalho ao sugerir que elas buscam um “direito especial”.

O argumento científico

A ciência nunca foi uma atividade ideológica ou moralmente neutra. Sua agenda também é determinada pelo contexto sociopolítico onde ela é executada. E ela não é um ser, muito menos dotado de autonomia. É uma atividade desenvolvida por seres humanos com uma agenda, com uma ideologia, com uma moralidade, com necessidades econômicas. Equivoca-se gravemente quem defende sua argumentação com “a ciência diz que”. O mais correto seria dizer, no máximo, “o modo como eu interpreto os dados a minha disposição, e que foram coletados pela metodologia tal e analisados pela técnica estatística pertinente, permite que eu conclua que, na minha amostragem tal situação...”

Não existe uma disputa entre a ciência “laica” do Estado e a ciência “religiosa” de grupos extra-Estado. Existe um conjunto de dados que, dentro da metodologia utiliza, sugere ser mais eficiente o combate à AIDS quando se reforça a autoestima dos envolvidos. Moralizar as consequências destes estudos é negar as suas conclusões sem analisá-los. É condenar sem provas, é condenar sem ouvir o acusado.

Infelizmente, o Guilherme não completou a crítica com a análise dos trabalhos. Mas reduziu-a à moral. Pergunto: devo deixar as prostitutas se resumirem, enquanto seres humanos, exclusivamente ao que elas desempenham profissionalmente? Serão pessoas absolutamente más, não merecedoras de nenhum cuidado, exclusivamente por serem meretrizes?

A única possibilidade, neste quesito, é demonstrar de modo razoável que as conclusões dos ditos trabalhos não se sustentam em função dos fatos tais. Ou pela apresentação de trabalhos igualmente válidos com conclusões opostas.

Evangelho/evangélicos e política

Os evangélicos – e eu sou evangélico professo em denominação histórica – teimam em sonhar, politicamente, com o imperador Constantino e com o Velho Testamento. Constantino (tenho cá minhas dúvidas sobre sua real experiência religiosa) alçou o cristianismo à religião estatal/imperial, com todos os benefícios decorrentes. O que, provavelmente, subsidiou o uso do aparelho repressivo do Estado contra os hereges alguns séculos depois. O Velho Testamento regulava uma sociedade na qual não havia o direito de escolha: pertencia-se ao povo eleito, e a todo o seu ordenamento jurídicio-litúrgico-sacerdotal-teológico compulsoriamente. Mas o Novo Testamento traz a única teocracia possível neste mundo: a Igreja. E esta desprovida do poder da força humana; unicamente fortalecida pelo Espírito Santo.

Não consigo ver nas Escrituras nenhuma possibilidade razoável de legitimidade em impor, pela força estatal (que pode significar também o voto), a moral cristã (que eu, enquanto cristão, voluntariamente aceito e me submeto) àqueles que a recusam.

Neste sentido concordo com a crítica do Pedro Serrano, publicada pela Carta Capital, em relação à bancada chamada de evangélica. O seu interesse eleitoreiro, o seu despreparo para servir àqueles que não são evangélicos (o que é uma traição ao Evangelho), a sua incapacidade de ouvir, e o seu desejo de poder são fonte permanente de constrangimento para mim. Repito, sou protestante, membro e oficial de igreja histórica. E não acredito estar sozinho neste desconforto.

Pergunto à tal bancada: qual é a proposta realista (ou seja, excluindo o fim da prostituição) que ela tem para o enfrentamento das doenças sexualmente transmissíveis e da AIDS? Qual a proposta realista (ou seja, excluindo o fim da profissão de prostituta) que ela tem para, sem humilhar quem já é muito humilhada, melhorar a qualidade de vida destas mulheres, reduzindo os riscos à saúde delas e dos seus clientes e das esposas dos seus clientes?

Afirmo à tal bancada: a inexistência de proposta realista é a aceitação implícita da realidade tal como ela hoje é.

Mas temo que esta tal bancada acenda uma vela aos pés de Pôncio Pilatos.

Por último, dou minha opinião. O ministro errou ao cancelar a campanha – talvez devesse tê-la discutido um pouco melhor de modo a não ferir nossas suscetibilidades. O ministro errou vergonhosamente ao demitir o Prof. Dr. Dirceu Greco – ato este tomado, aparentemente, por não ter coragem de ser, e não estar, ministro da saúde deste país.


1http://www.cartacapital.com.br/politica/prostituicao-e-direito-a-saude-737.html
2http://ultimato.com.br/sites/guilhermedecarvalho/2013/06/06/prostituicao-e-direito-a-saude-alexandre-padilha-nao-errou/
3Jeammet P, Reynaud M, Consoli S. Manual de Psicologia Médica, Ed Mason / Atheneu, pag 345
4http://www.uems.br/na/discursividade/Arquivos/edicao02/pdf/Romilda%20Meire%20Barbosa.pdf
5http://pt.wikipedia.org/wiki/Gabriela_Leite
6Leite GS. Eu, mulher da vida. Editora Rosa dos Tempos, 1992.
7http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI1072160-EI6594,00.html
8Miterhof M. Prostituição legal. Folha de S. Paulo, pg B8, 13/06/13.
9Miterhof M. Prostituição legal. Folha de S. Paulo, pg B8, 13/06/13.
10Lacerda M. As flores do jardim da nossa casa. Ed Terceiro Nome, SP, 2007.
11Observar que os cartazes trazem a marca do dia 02/06, “dia internacional das prostitutas”
12Miterhof M. Prostituição legal. Folha de S. Paulo, pg B8, 13/06/13.
13http://ultimato.com.br/sites/guilhermedecarvalho/2013/06/06/prostituicao-e-direito-a-saude-alexandre-padilha-nao-errou/

terça-feira, 14 de maio de 2013

Ser bandido é, antes de tudo, um problema de caráter

Esta frase está contida em uma interessante provocação de Luiz Felipe Pondé (O bandido e o frentista). Ironias à parte, abundantes no texto, ele traz à tona outros vieses frequentemente esquecidos na discussão sobre a criminalidade - e, atualmente, sobre a redução da maioridade penal.

O mais curioso é que os cristãos já não são os únicos que falam (falamos??) sobre o pecado individual como uma das causas da criminalidade atual.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

SOBRE A IGREJA EVANGÉLICA, O DEPUTADO MARCO FELICIANO, A COMISSÃO DE DIREITOS HUMANOS E MINORIAS E A DEMOCRACIA BRASILEIRA

O Conselho Coordenador da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil – CC-IPU torna público seu pronunciamento a respeito da recente discussão em torno da presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados ocupada pelo deputado Marco Feliciano.

Este pronunciamento é consequência do coerente histórico desta igreja, herdeira da Reforma Protestante, ramo presbiteriano originário do trabalho missionário do Reverendo Ashbel Green Simonton, em 1859, fundador do presbiterianismo no Brasil. A IPU se originou de homens e mulheres, pastores e leigos sob a perseguição eclesiástica e política instaurada no Brasil a partir da década de 1960, que ceifou vidas de pastores e de leigos ministros religiosos e eclesianos. Dentre seus membros de primeira hora, conta-se o Reverendo Jaime Wright, defensor incondicional dos direitos humanos e participante do projeto “Brasil: Nunca Mais”, junto com Dom Paulo Evaristo Arns.
Em vista desses fatos, o CC-IPU:

1 - Afirma:
• A democracia representativa é a forma de governo que melhor se aproxima do ideal em um mundo desequilibrado e injusto;
• É essencial o respeito às instituições democráticas, que só o serão se reguladas por legislação justa, equilibrada e sensata;
• Não ser compatível com a democracia o cerceamento da palavra e o uso da violência física ou verbal;
• A todos os políticos eleitos cabe o direito de exercer o mandato em sua plenitude, trabalhando dentro das responsabilidades que lhes forem outorgadas por voto popular e dos seus pares.

2 - Esclarece à sociedade em geral:
• Que a igreja protestante, mais conhecida pelo termo “evangélica”, é um dos três grandes ramos da Igreja de Jesus Cristo, composta por todos/as aqueles/as que O reconhecem como Senhor e Salvador. Este ramo nasceu com a Reforma do século XVI, que fez originar uma ampla diversidade de comunidades de fé autônomas, que, paralelamente às semelhanças, têm posturas teológicas divergentes em assuntos não centrais;
• Que não há, no Brasil, nenhuma entidade ou associação que represente ou fale em nome de todas as igrejas descendentes da Reforma e que não há nenhum político nem bloco de políticos, em especial o chamado “Bloco Evangélico”, autorizado a se pronunciar em nome da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil – IPU ou do conjunto dos/as cristãos/ãs protestantes.

3 - Defende:
• Que o/a cristão/ã que aceita o mandato político, deve fazê-lo em benefício do bem comum e não por seu interesse pessoal ou de suas próprias estruturas eclesiásticas, o que lamentavelmente não se pode verificar nas chamadas operações Sanguessuga, Entre Irmãos e Pandora, nas quais se verificou a presença de deputados intitulados evangélicos;
• Que a ética cristã deve ser explicada e proposta democraticamente como alternativa e jamais imposta, pois, para o cristão, ela é uma consequência natural de sua opção religiosa, do novo nascimento, livremente abraçada como resposta à Graça divina;
• Que os princípios religiosos das diversas igrejas cristãs devem ser respeitados e suas cerimônias litúrgicas devam ser imunes à interferência estatal ou de pessoas alheias a estes princípios e que seus ministros religiosos não venham a ser vítimas da violência de agirem contra suas próprias consciências.

4 – Alerta:
• Que o deputado Marco Feliciano defende uma agenda política própria, que interessa a um grupo restrito de brasileiros, muitos deles denominados evangélicos;
• Que, embora qualquer deputado tenha o direito de exercer a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, considera-o sem condições políticas para o pleno exercício deste cargo;
• Que, não obstante reconheça que o eleitorado do deputado Marco Feliciano seja composto por evangélicos, nega que ele, ou qualquer político, bloco parlamentar ou partido, represente todos os evangélicos brasileiros e lamenta seu despreparo teológico, vergonhosamente demonstrado na sua defesa da interpretação da origem dos povos africanos e no desconhecimento e desrespeito aos direitos das minorias.

O CC-IPU conclama o povo de Deus que se reúne nesta igreja que se una em oração e esforços, para que tenhamos uma sociedade brasileira justa, em que todos os cidadãos e cidadãs tenham seus direitos e liberdades individuais respeitados e que, cada vez mais, pelo nosso testemunho de verdadeiro amor cristão, mais e mais vidas venham ao pleno conhecimento da Verdade, a saber Jesus Cristo, Nosso Senhor.
Este Pronunciamento poderá ser revisto ou revogado pela Assembleia Geral da IPU.

Vitória/ES, 19 de abril de 2013.

 
Presbª Anita Sue Wright Torres – Moderadora
Rev. Dagoberto Santos Pereira – Vice-Moderador
Presb. Wertson Brasil de Souza – 1º Secretário
Rev. Luciano Fuly – 2º Secretário
Presb. Obadias Alves Ferreira - Tesoureiro

terça-feira, 16 de abril de 2013

“Caso Marco Feliciano”: um paradigma na relação religião-mídia-política no Brasil

Texto: Profa. Dra. Magali do Nascimento Cunha – UMESP

Nestes meses de março e abril de 2013 temos lido, ouvido e assistido a um episódio sem precedentes no Congresso Nacional, que coloca em evidência a relação religião-política-mídia. Em 5 de março foi anunciada pelo Partido Socialista Cristão (PSC), a indicação do membro de sua bancada o pastor evangélico deputado federal Marco Feliciano (SP) como presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal (CDH). Foram imediatas as reações de grupos pela causa dos Direitos Humanos ao nome de Marco Feliciano, com a alegação de que o deputado era conhecido em espaços midiáticos por declarações discriminatórias em relação a pessoas negras e a homossexuais.  O PSC se defendeu dizendo que seguiu um protocolo que lhe deu o direito de indicar a presidência dessa comissão, um processo que estava dentro dos trâmites da democracia tal como estabelecida no Parlamento brasileiro. Isto, certamente, é fonte de reflexões, em especial quanto ao porquê da defesa dos Direitos Humanos ser colocada pelos grandes partidos como “moeda de troca barata”, como bem expôs Renato Janine Ribeiro em artigo publicado no Observatório da Imprensa (n. 740, 2/4/2013). Soma-se a isto o fato de o deputado indicado e o seu partido não apresentarem qualquer histórico de envolvimento com a causa dos Direitos Humanos que os qualificassem para o posto.

O que tem chamado a atenção neste caso, e que é objeto desta reflexão, é a “bola de neve” que ele provocou a partir das reações ao nome do deputado, formada por protestos públicos da parte de diversos segmentos da sociedade civil,  mais a criação de uma frente parlamentar de oposição à eleição de Feliciano, e pelo estabelecimento de uma guerra religiosa entre evangélicos e ativistas do movimento de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (LGBT), e entre evangélicos e não-cristãos. E esta bola de neve é produto de fatores que se apresentam para além da CDH, e a expõem como um elemento a mais no complexo quadro da relação entre religião e sociedade no Brasil. Pensemos um pouco sobre estes fatores; vamos elencar quatro.

1. A reconfiguração do lugar dos evangélicos na política
Desde o Congresso Constituinte de 1986 e a formação da primeira Bancada Evangélica e seus desdobramentos, a máxima “crente não se mete em política” construída com base na separação igreja-mundo foi sepultada. A máxima passou a ser “irmão vota em irmão”.

Depois de altos e baixos em termos numéricos, decorrentes de casos de corrupção e fisiologismo, a bancada evangélica se consolidou como força no Congresso Nacional, o que resultou na criação da Frente Parlamentar Evangélica (FPE) em 2004, ampliada nas eleições de 2010 para 73 congressistas, de 17 igrejas diferentes, 13 delas pentecostais. Os parlamentares evangélicos não são identificados como conservadores, do ponto de vista sociopolítico e econômico, como o é a Maioria Moral nos Estados Unidos, por exemplo. Seus projetos raramente interferem na ordem social e se revertem em “praças da Bíblia”, criação de feriados para concorrer com os católicos, benefícios para templos. Basta conferir o perfil dos partidos aos quais a maioria dos políticos evangélicos está afiliada e os recorrentes casos de fisiologismo.
Mais recentemente é o forte tradicionalismo moral que tem marcado a atuação da  FPE, que trouxe para si o mandato da defesa da família e da moral cristã contra a plataforma dos movimentos feministas e de homossexuais, valendo-se de alianças até mesmo com parlamentares católicos tradicionalistas, diálogo impensável no campo eclesiástico.

Os números do Censo 2010 são fonte para a demanda de legitimidade social entre os evangélicos, e certamente de conquista de mais espaço de influência. Estudos mostram que desde 2002, período da legislatura em que a FPE foi criada, a cada eleição, o número de evangélicos no Parlamento (Câmara e Senado) aumenta em torno de 30% do total anterior. A estimativa, mantido este índice, é de chegarem a 100 cadeiras em 2014, o que representaria em torno de 20% das 513 do Congresso, refletindo a representatividade dos evangélicos no Brasil revelada pelo Censo 2010. Este é um projeto cada vez mais nítido deste segmento social que certamente visa, como os demais grupos políticos, muito mais do que cadeiras no Congresso, mas também presidências de comissões e de ministérios relevantes (para além do único atual tímido Ministério da Pesca, sob a liderança do bispo da Igreja Universal do Reino de Deus Marcelo Crivela).

A polêmica com Marco Feliciano deixa este projeto em evidência, já que não só uma presidência inédita de comissão foi alcançada, mas também maior visibilidade aos evangélicos na política e ao próprio PSC, que tem o nome “Cristão”, mas sempre se caracterizou como um partido de aluguel para quem desejasse candidatura independentemente de confissão de fé. Pelo fato de estar nas manchetes durante semanas, o PSC já prevê que Feliciano, eleito com 212 mil votos por São Paulo em 2010, se tornará um “campeão de votos” nas próximas eleições, podendo atingir um milhão de votos, e ainda alavancará a candidatura do pastor Everaldo Pereira (PSC/SP) a presidente da República. Aliado de Marco Feliciano, o pastor da Assembleia de Deus Vitória em Cristo Silas Malafaia, figura sempre presente nas mídias, declarou: “Se o Feliciano tiver menos de 400 mil votos na próxima eleição, eu estou mudando de nome”.

Mais uma vez, é possível afirmar que a cada novo episódio, a relação evangélicos- política é dinâmica complexa que inclui disputas por poder e hegemonia no campo religioso, ambição dos políticos que veem no pragmatismo dos evangélicos fonte para suas barganhas de campanha, concorrência de grupos que competem por poder sociopolítico e econômico como as empresas de mídia, como veremos adiante.

2. O conservadorismo de Marco Feliciano e de seus “soldados”
A imagem dos “evangélicos” foi construída fundamentalmente com base na identidade de dois grupos de cristãos não-católicos:  os protestantes de diferentes confissões que chegaram ao Brasil por meio de missões dos Estados Unidos, a partir da segunda metade do século XIX, e os pentecostais, que aportaram em terras brasileiras na primeira década do século XX, vindos daquele mesmo país. Esta imagem sempre mostrou ao Brasil um segmento cristão predominantemente conservador teologicamente, marcado por um fundamentalismo bíblico, um dualismo que separava a igreja do “mundo”/a sociedade e um anticatolicismo.

Desta forma, não é surpresa que um pastor evangélico, no caso Marco Feliciano, reproduza em seus sermões modernos e de forte apelo emocional, uma abordagem teológica tão antiga como a que embasa a ideologia racista, por meio da leitura fundamentalista de textos do Gênesis que contêm a narrativa da descendência de Noé. Também não é surpresa que Marco Feliciano conduza sua reflexão teológica por meio de bases que justifiquem a existência de um Deus Guerreiro e Belicoso, que tem ao seu redor anjos vingadores, que destrói do Titanic a John Lenon ou aos Mamonas Assassinas, continuando o que já fazia com os povos africanos herdeiros do filho de Noé, e que, nesta linha, certamente fará aos que assumem e apregoam o homossexualismo. Menos surpreendente é ainda que o líder religioso reaja a quem lhe faz oposição ou tenha posição diferente da sua classificando-o como agente do diabo e assim foram sinalizadas a própria formação anterior da Comissão de Direitos Humanos e celebridades como o cantor Caetano Veloso.

Quem se surpreende com o que Feliciano diz e com o apoio que ele recebe de diversos segmentos evangélicos desconhece o DNA deste grupo. Não há nada de novo aqui. O que há é maior visibilidade pela projeção que a mídia religiosa e não-religiosa têm dado a este discurso. Em 2010, por exemplo,  o pastor estadunidense  Pat Robertson, dono de um canal de televisão, declarou que o trágico terremoto no Haiti naquele ano era consequência de um pacto dos haitianos com o diabo no passado para se tornarem independentes da França. A declaração de Robertson, amplamente veiculada, provocou manifestações contrárias em todo o mundo. As palavras de Marco Feliciano no Brasil de 2013 são apenas o eco da mesma teologia.

Há algo novo, sim, neste processo, relacionado à articulação dos apoios a Feliciano que coloca em evidência o conservadorismo, antes atribuído mais diretamente aos evangélicos, que reflete uma tendência forte na sociedade brasileira de um modo geral.

É nesse contexto que o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ), suplente da CDH, afirmou que se sente como “irmão” do presidente da comissão. “Como capitão do Exército, sou um soldado do Feliciano”, declarou Bolsonaro, em matérias divulgadas pelas mídias em 27 de março, e acrescentou: “A agenda antes era outra, de uma minoria que não tinha nada a ver. Hoje, representamos as verdadeiras minorias. Acredito no Feliciano, de coração. Até parece que ele é meu irmão de muito tempo. Não sinto mais aquele cheiro esquisito que tinha aqui dentro e aquele peso nas costas. Aqui, era uma comissão que era voltada contra os interesses humanos, contra os interesses das crianças e contra os interesses da família. Agora, essa comissão está no caminho certo. Parabéns, Feliciano”.

O deputado Bolsonaro tem um histórico de posicionamentos racistas e de conflito com ativistas sociais e militantes de movimentos gays. Em novembro de 2011, ele chegou a pedir, da tribuna da Câmara, à presidente Dilma Rousseff  para que ela assumisse se gostava de homossexuais.  Em março do mesmo ano, respondeu que “não discutiria promiscuidade” ao ser questionado em um programa de TV pela cantora Preta Gil sobre como reagiria caso o filho namorasse uma mulher negra.

No campo das igrejas, o já citado pastor Silas Malafaia, conhecido por polêmicas midiáticas desde a campanha presidencial de 2010, se alistou nas fileiras do deputado Feliciano e se tornou seu árduo defensor e colaborador desde o início da controvérsia da presidência da CDH. Até a Igreja Católica, explícita em suas posições quanto à ampliação de direitos civis de homossexuais, mas clássico “inimigo” dos evangélicos, é colocada por Feliciano na lista de aliados. Em entrevista à TV Folha-UOL (2/4/2013), o deputado explicitou: “Tenho alguns contatos com algumas pessoas da CNBB, mas com os grandes líderes do movimento católico não tive contato até porque quase não tenho tempo. Acredito que, nesse momento, todos eles me conhecem até porque o que eu sofro hoje de perseguição dado ao movimento LGBT, a Igreja Católica sofre isso no mundo todo. Inclusive, o novo papa, o papa Francisco, na Argentina quase foi linchado por esse grupo. Então, nós temos algumas coisas que, acredito, nos fazem pensar igual.(…) Eu fiquei feliz por termos ali um papa que ainda é bem ortodoxo, é bem conservador e que prima por aquilo eu acredito também, que a família é a base da sociedade. Aliás, a família é antes da sociedade”.

Estas alianças estão produzindo efeitos até na qualidade do discurso de Marco Feliciano. Os benefícios proporcionados pela aproximação com lideranças mais experientes ficam evidentes nas mudanças no discurso do deputado como: “Só saio da presidência da CDH morto” para “Só saio da presidência da CDH se os deputados condenados pelo julgamento do mensalão, José Genoíno e João Paulo Cunha, deixarem a Comissão de Constituição e Justiça”. Com isso, Feliciano atraiu para si a simpatia da mídia que se fartou na cobertura do julgamento do Superior Tribunal de Justiça e de segmentos conservadores, que, embora não concordem com seu nome na presidência da CDH, querem “a cabeça” dos condenados. Feliciano usa uma controvérsia ética para justificar a controvérsia de sua própria eleição – a CDH como moeda de troca partidária.

Alianças do religioso com o não-religioso formando exércitos que marcham em defesa da moral e dos bons costumes – em defesa da família – não é algo novo no Brasil, mas é bastante novo no espaço político que envolve os evangélicos e suas conquistas na esfera pública. Em matéria na Folha de São Paulo, de 7/4/2013, o diretor do instituto de pesquisa Datafolha, Mauro Paulino, declarou que o discurso de Feliciano atinge preocupações de parte da população: “Entre os brasileiros, 14% se posicionam na extrema direita. As aparições na imprensa dão esse efeito de conferir notoriedade a ele.” Isto significa que apesar dos tantos slogans divulgados em manifestações presenciais e nas redes sociais – “Feliciano não me representa” – Feliciano, Bolsonaro e tantos outros são eleitos e ganham espaço e legitimidade. Portanto, há quem se sinta representado, sim, não somente do ponto de vista da popularidade mas do peso das articulações ideológicas em curso na sociedade brasileira.

3. Inimigos, um componente do imaginário evangélico
Exércitos precisam de inimigos. A teologia de um Deus Guerreiro e Belicoso sempre esteve presente na formação fundamentalista dos evangélicos brasileiros, compondo o seu imaginário e criando a necessidade da identificação de inimigos a serem combatidos. Historicamente a Igreja Católica Romana sempre foi identificadas como tal e sempre foi combatida no campo simbólico mas também no físico-geográfico. Da mesma forma as religiões afro-brasileiras também ocupam este lugar, especialmente, no imaginário dos grupos pentecostais.

Periodicamente, estes “inimigos” restritos ao campo religioso perdem força quando ou se renovam, como é o caso da Igreja Católica, a partir dos anos de 1960, ou quando aparecem outros que trazem ameaças mais amplas. Assim foram interpretados os comunistas no período da guerra fria no mundo e da ditadura militar. Há também um imperativo imaginário de se atualizar os combates, quando a insistência em determinados grupos leva a um desgaste da guerra. Durante o processo de redemocratização brasileira nos anos 80, o espaço que vinha sendo conquistado pelo Partido dos Trabalhadores, interpretado como nítido representante do perigo comunista, foi reconhecido como ameaça e campanhas evangélicas contra o PT reverberaram de forma religiosa o que se expunha nas trincheiras da política.

Com o enfraquecimento do ideal comunista nos anos 90 e com o PT chegando ao poder nacional com o apoio dos próprios evangélicos, a força das construções ideológicas estadunidenses abriu lugar à atenção à ameaça islâmica e houve algum espaço entre evangélicos no Brasil para discursos de combate ao islam. No entanto, como esta ameaça está bem distante da realidade brasileira – não se configura um inimigo tão perigoso nestas terras -, emerge,  mais uma vez, o imperativo de se atualizar os combates. Não mais catolicismo, nem comunismo, não tanto islamismo… quem se configuraria como novo inimigo?  Desta vez, um inimigo contra a religião e seus princípios, contra a Bíblia, contra Deus, contra o Brasil e as famílias: o homossexualismo.
Declarações de Marco Feliciano na mídia noticiosa expressam bem este espírito belicoso: “É um assunto tão podre! Toda vez que se fala de sexo entre pessoas do mesmo sexo ninguém quer colocar a mão, porque é podre. Por causa disso, um grupo de 2% da população – os gays – consegue se levantar e oprimir uma nação com 90% de cristãos, entre católicos e evangélicos, e até pessoas que não têm religião, mas que primam pelo bem-estar da família, pelo curso natural das coisas” (Rede Brasil Atual, 1/3/2013). “Existe uma ditadura chamada (…) “gayzista”. Eles querem impor o seu estilo de vida e a sua condição sobre mim. E eles lutam contra a minha liberdade de pensamento  e de expressão. Eles lutam pela liberdade sexual deles. Só que antes da liberdade sexual deles, que é secundária, tem que ser permitida a minha liberdade intelectual. A minha liberdade de expressão. Eu posso pensar. Se tirarem o meu poder de pensar, eu não vivo. Eu vegeto e morro”. (TV Folha-UOL, 2/4/2013).

Consequência da eleição de inimigos e do combate a eles é o discurso de que há uma perseguição a quem se faz contrário, promovida pelo maior inimigo de Deus, Satanás. Esta ideia está claramente presente em afirmações de Feliciano como: “Eu morro, mas não abandono minha fé”; “A situação está tomando dimensões muito estranhas. É assustador, estou me sentindo perseguido como aquela cubana lá. Como é o nome? A Yoani Sánchez”; “Se é para gritar, tem um povo que sabe o que é grito. [...] Nós (evangélicos) sabemos qual é o poder da nossa fé.”

A insistência da mídia noticiosa em enfatizar a guerra Feliciano-homossexuais, com o lado “inimigo” representado por um deputado, na mesma condição do primeiro, Jean Wyllys (PSOL/RJ), ativista do movimento LGBT, só faz reforçar a reconstrução do imaginário evangélico da guerra aos inimigos e da perseguição consequente. Isso tem gerado manifestações diversas de apoio a Feliciano entre evangélicos dos mais diferentes segmentos e ações como a da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB), realizada em Brasília neste abril, que aprovou uma moção de apoio a Feliciano, aprovada em votação simbólica por unanimidade. Feliciano agradeceu o apoio dizendo que “nunca houve uma comissão com tanta oração. Os pastores estão orando pela minha vida e pela comissão. Venceremos esta batalha”.

Há ainda uma explosão de postagens em nas mídias digitais, em especial nas redes sociais. Por exemplo, uma montagem com foto de Marco Feliciano com uma faixa presidencial tem sido veiculada por usuários do Facebook, e, na primeira semana de abril já havia superado a marca de 65 mil compartilhamentos. A campanha pede que favoráveis à candidatura do pastor à presidência da República em 2014 compartilhem a imagem para demonstrar força nas redes sociais: “Campanha urgente: Marco Feliciano presidente do Brasil”, diz o texto.

Uma segunda imagem com comparações entre Marco Feliciano e Jean Wyllys  também veiculada no Facebook, já havia superado 100 mil compartilhamentos em meados de abril, registrando mais de 7,5 mil comentários. Na imagem, há dados sobre o número de votos de cada um dos deputados, além de comparações entre as bandeiras políticas defendidas por cada um deles. A imagem quando compartilhada revela declarações pessoais de quem “curtiu” com texto que manifesta apoio ao pastor Feliciano: “Eu sou cristão, a favor da democracia, da vida e da família brasileira. Marco Feliciano me representa”.
A declaração de Silas Malafaia à Folha de São Paulo (7/4/2013) sobre a repercussão do caso entre os evangélicos e simpatizantes reflete bem este espírito: “Quero agradecer ao movimento gay. Quanto mais tempo perderem com o Feliciano, maior será a bancada evangélica em 2014″.

Toda e qualquer análise e ação em torno da presença dos evangélicos nas mídias e na política não pode ignorar esta dimensão do imaginário da necessidade da criação de inimigos e da consequente perseguição. Isto é característico de religiões numericamente não-majoritárias, sendo portanto, fruto, entre outros aspectos, do caráter minoritário da presença evangélica em terras brasileiras.

4. As transformações e as revelações na relação mídia-religião
O histórico da presença evangélicas nas mídias não-religiosas no Brasil revela a hegemonia católica-romana que vem pouco a pouco sendo diminuída por conta do espaço que os evangélicos vêm conquistando na esfera pública. Enquanto católicos sempre apareceram para expressar sua fé nas datas clássicas do calendário religioso e para se manifestar sobre temas amplos, à exceção dos casos controversos inevitáveis como a pedofilia praticada por clérigos, cuidadosamente tratados, evangélicos tinham espaço garantido quando se tratava de escândalos de corrupção ou situações bizarras.
Na última década, a expressiva representatividade dos evangélicos no país com o consequente declínio do catolicismo, e a ampliação de sua presença nas mídias e na política, torna este segmento não só visível mas um alvo mercadológico. As mídias passam a prestar a atenção no segmento e na lucratividade possível, em torno da cultura do consumo vigente.
Um exemplo ilustrativo se dá quando um personagem, por vezes protagonista, por vezes coadjuvante, como o pastor Silas Malafaia, que assume o papel da pessoa controvertida em todo este contexto e constrói sua imagem midiática como “aquele que diz as verdades”, é convidado para uma conversa com o vice-diretor das Organizações Globo, João Roberto Marinho (PINHEIRO, Daniela. Vitória em Cristo. Revista Piauí, n. 60, set 2011). Aí é possível identificar o patamar em que se encontra o segmento evangélico nas mídias. Segundo depoimento do pastor depois da conversa, Marinho teria alegado precisar conhecer mais o mundo dos evangélicos já que a emissora teria percebido que Edir Macedo não seria “a voz” dos protestantes no Brasil. O pastor Malafaia ganhou, então, trânsito em um canal destacado de comunicação e teve várias aparições no programa de maior audiência da Rede Globo, o Jornal Nacional.

Além do contato com Malafaia, as Organizações Globo, por meio da gravadora Som Livre, já contrataram grandes nomes do mercado da música evangélica que têm, a partir daí, espaço garantido na programação da Rede Globo. A Globo tirou da Rede Record, em 2011, o evento de premiação dos melhores da música evangélica, tendo criado o Troféu Promessas. A Rede Globo é também, a partir de 2011, patrocinadora de eventos evangélicos como a Marcha para Jesus e de festivais gospel. Noticiário inédito do mundo evangélico tem ganhado espaço na Rede, como por exemplo, a matéria sobre a reeleição de José Wellington Bezerra à presidência da Convenção Geral das Assembleias de Deus veiculada em matéria de 1’44 no Jornal da Globo, de 1’52 na Globo News, em 11 de abril, além de nota na CBN e no portal G1.

Neste contexto, o caso Marco Feliciano tem sido amplamente tratado pela grande mídia. Feliciano já foi entrevistado por todos os grandes veículos de imprensa e já participou dos mais variados programas de entretenimento – de talk-shows a games. Foi tratado com simpatia na entrevista de Veja e defendido pelo jornalista Alexandre Garcia em comentário na Rádio Metrópole (5/4/2013) com o argumento de “liberdade de opinião”.  Fica nítido que estes veículos não desprezam a dimensão do escândalo e da bizarrice relacionada ao caso, somada à atraente questão da homossexualidade que mexe com as emoções e paixões humanas e expõe a vida íntima de celebridades, como o caso da cantora Daniela Mercury que veio à tona na trilha desta história.

No entanto, o amplo espaço dado para que Feliciano e seus aliados exponham seus argumentos e sejam exibidos como simpáticos bons sujeitos revela que estas personagens ganham um tratamento bastante afável em comparação à execração imposta a outras em situações críticas da política brasileira, como a que envolveu os parlamentares do PT. Não temos aqui apenas os evangélicos como um segmento de mercado a ser bem tratado, mas, retomando a constatação de que Feliciano, Malafaia e Bolsonaro representam uma parcela conservadora da sociedade brasileira, é possível que haja uma identidade entre estes líderes e quem emite e produz conteúdos das mídias. Afinal, é a mesma mídia que constrói notícias sobre crimes protagonizados por crianças e adolescentes de forma a promover uma “limpeza” das cidades por meio de campanha por redução da maioridade penal no Brasil, ou que veicula programas que trazem enquetes durante um noticiário sobre crimes urbanos que indagam: “Ligue XXX ou YYY para indicar qual pena merece o criminoso? XXX para prisão ou YYY para morte”.

São transformações na relação mídia e religião, com efeitos políticos, que merecem ser monitoradas e esclarecidas, tendo em vista a complexidade das relações sociais, em especial no que diz respeito à religião, e que devem ser potencializadas no ano eleitoral que se aproxima.

Um paradigma
O caso Marco Feliciano pode ser considerado um paradigma pelo fato de ser a primeira vez na história em que os evangélicos se colocam como um bloco organicamente articulado, com projeto temático definido: uma pretensa defesa da família.  Com a polarização estimulada pelas mídias entre o deputado Feliciano e ativistas homossexuais foi apagada a discussão de origem quanto à indicação do seu nome em torno das afirmações racistas e de seu total distanciamento da defesa dos direitos humanos.

Torna-se nítida uma articulação política e ideológica conservadora em diferentes espaços sociais – do Congresso Nacional às mídias – que reflete um espírito presente na sociedade brasileira, de reação a avanços sociopolíticos, que dizem respeito não só a direitos civis homossexuais e das mulheres, como também aos direitos de crianças e adolescentes, às ações afirmativas (cotas, por exemplo) e da Comissão da Verdade, e de políticas de inclusão social e cidadania. Nesta articulação a religião passa a ser instrumentalizada, uma porta-voz.

A postagem de um pastor de uma igreja evangélica no Facebook reflete bem este espírito: “Devemos nos unir cada vez mais, já somos milhões de evangélicos no Brasil, fora os simpatizantes. Temos força, é claro que nossa força vem de Deus. Precisamos nos mobilizar contra as forças das trevas, que querem desvirtuar os bons costumes e a moral e, principalmente que querem afetar a honra da família. Se o meu povo que se chama pelo meu nome se humilhar e orar, não tem capeta que resista”. E as palavras de Marco Feliciano ecoam como profecia: “Graças a Deus permanecemos firmes até aqui. Chegará o tempo que nós, evangélicos, vamos ter voz em outros lugares. O Brasil todo encara o movimento evangélico com outros olhos”.

Nesse sentido é possível afirmar que os grupos políticos e midiáticos conservadores no Brasil descobriram os evangélicos e o seu poder de voz, de voto, de consumo e de reprodução ideológica. A ascensão de Celso Russomano nas eleições municipais de São Paulo, em 2012, já havia sido exemplar: um católico num partido evangélico, apoiado por grupos evangélicos os mais distintos. A eleição da presidência da CDH é paradigmática no campo nacional e ainda deve render muitos dividendos a Feliciano, ao PSC, à Bancada Evangélica e a seus aliados. O projeto político que se desenha, de fato, pouco ou nada tem a ver com a defesa da família… os segmentos da sociedade civil, incluindo setores evangélicos não identificados com o projeto aqui descrito, que defendem um Estado laico e socialmente justo, têm grandes tarefas pela frente.

Magali do Nascimento Cunha é jornalista, doutora em Ciências da Comunicação, professora da Universidade Metodista de São Paulo e autora do livro A Explosão Gospel. Um Olhar das Ciências Humanas sobre o cenário evangélico contemporâneo (Ed. Mauad)

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Pelo direito de discordar


Fui advertido de que nesse momento, que estamos vivendo na Igreja evangélica brasileira, discordar do Presidente do CDHM, em exercício, é concordar com o movimento GLBTS, e vice versa.

Discordo!

Eu respeito o irmão e oro por ele, mas, discordo da forma como o Deputado está conduzindo o mandato que recebeu de seus eleitores.

Eu respeito os seres humanos que optaram pela homossexualidade, mas, entendo que os direitos que estão a reivindicar já estão contemplados nos direitos da pessoa humana, cobertos por nossa constituição, e que o que passa disso constitui reclamos por privilégios, o que não é passível de ser concedido numa democracia, sob pena de contradizê-la.

Eu respeito o direito das uniões homossexuais terem garantida, pelo Estado, a preservação do patrimônio, por eles construídos, quando da separação ou do falecimento de um dos membros da união. Entretanto, discordo que seja possível transformar uma união voluntária de duas pessoas do mesmo sexo, a partir de opção comum e particular, em casamento, pois isso insinua haver um terceiro gênero na humanidade, o que não se explicita na constituição do ser humano. Assim como não entendo que a conjunção da maternidade e da paternidade, necessária para um desenvolvimento funcional do infante humano, seja substituível por mera boa vontade.

Eu respeito e exerço direito de pregar o que se crê, mas discordo do pregador, quando diz que Deus matou John Lennon ou aos Mamonas Assassinas, por terem desacatado o Altíssimo, como se o pecado humano não o fizesse desde sempre. A Trindade matou a todos os que a desacatam, em todo o tempo, no sacrifício do Filho, manifesto por Jesus de Nazaré (1 Pe 1.18-20), na Cruz do Calvário, oferecendo a todos o perdão e a ressurreição.

Eu respeito o direito de ter religião e o reivindico sempre, mas, discordo de tachar como agentes do inferno quem não concorda com o que penso, como se Deus, por sua graça, não estivesse, desde sempre, cuidando que a raça humana não sucumbisse à rebeldia inerente à sua natureza, o que explica o triunfo do bem frente a maldade explícita. Por isso discordo do pregador quando afirma que o sucesso de um artista, a quem Deus, por sua graça, cumulou de talentos, como Caetano Veloso, só se explique por ter feito pacto com o diabo. Como se ao adversário de nossas almas interessasse qualquer manifestação do Belo.

Eu respeito e pratico o direito ao livre exame das Escrituras Sagradas, conquistado pela Reforma Protestante, e, por isso, enquanto respeito o direito do teólogo expressar suas conclusões, discordo do teólogo quando suas considerações sobre o significado de profecias do texto que amo e reverencio, não corresponderem ao que entendo ser uma conclusão pautada pelas regras da interpretação bíblica, assim como, no meu parecer, ferirem a uma das maiores revelações desse Livro dos livros: Deus é Pai de todos, está em todos e age por meio de todos (Ef 4.6).

Reconheço a qualquer ser humano o direito de protestar contra o que não concorda, mas, nunca em detrimento do direito do outro, o que inclui o direito ao culto. Uma coisa é discordar do político outra coisa é cercear o direito do religioso, e de quem o convide para participar de um culto da fé que pratica. Uma coisa é denunciar o político por suas posturas, outra, e inadmissível, é atentar contra a integridade física ou emocional dele e dos seus.

Não admito, contudo, como cristão, ser sequestrado no direito de discordar, ou ser tratado como se fosse refém das circunstâncias, sejam elas quais forem. Foi para a liberdade que Cristo nos libertou (Gl 5.1).

Lamento que haja, entre os cristãos, quem trate a nossa fé como se fosse frágil e necessitada de proteção. Nossa fé foi preponderante na construção do Ocidente, e resistiu às mais atrozes perseguições.

Nós sempre propugnamos pela liberdade. Nós impusemos a Carta Magna ao Príncipe John, na Inglaterra; construímos o Estado Laico na revolução americana, quando, numa nação majoritariamente cristã, todas as confissões religiosas foram tidas como de direito. Nós lutamos entre nós pelo fim da escravidão, seja na guerra da Secessão, seja por meio de Wilberforce, premier Inglês, e de tantos outros movimentos. Nós denunciamos e enfrentamos os que entre nós quiseram fazer uso da nossa fé para legitimar a opressão. Os maiores movimentos libertários nasceram em solo cristão, e mesmo quando renegavam ao que críamos, não havia como não reconhecer a nossa contribuição à emancipação humana.

Nós construímos uma sociedade de direitos, lutamos por e reconhecemos direitos civis, e não podemos abrir mão disso; não podemos abrir mão da civilização que ajudamos a construir e a solidificar, onde mulheres, homens e crianças são protegidos em sua integridade e garantidos em seus direitos. Na democracia que ajudamos a reinventar, onde cada ser humano vale um voto, tudo pode e deve ser discutido segundo as regras da civilidade.

Nossa fé foi construída por gente que foi a toda luta que entendeu justa, pondo em risco a própria vida, e por mártires, por gente que se recusou a matar, por gente que não capitulou diante do assassínio, pois nós cremos que Deus é amor, e que o amor de Deus é mais forte do que a morte (Rm 8.38). E por amor a Deus e ao seu Cristo lutamos pela unidade e pela liberdade da humanidade.

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Ariovaldo Ramos é escritor, articulista e conferencista sobre a missão da igreja. Foi presidente da AEVB (Associação Evangélica Brasileira), missionário da SEPAL e presidente da Visão Mundial no Brasil. Atualmente é um dos presbíteros da Comunidade Cristã Reformada, em São Paulo (SP).


fonte: http://www.ultimato.com.br/conteudo/pelo-direito-de-discordar