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quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Silas Malafaia, Israel e o direito de matar



Por Hermes C. Fernandes

Acabei de assistir ao pronunciamento do pastor Silas Malafaia acerca do conflito "Israel e Palestinos" e coincidentemente tratei do mesmo assunto no culto de ontem em nossa igreja. Apesar do meu amigo Danilo Fernandes, editor do Genizah, concordar 100% com o líder da AVEC, gostaria de apresentar as razões que me fazem discordar de seu posicionamento.
Silas faz coro com boa parte dos líderes evangélicos brasileiros, que por sua vez, estão afinados com o diapazão ideológico americano. 
A primeira coisa que me chamou a atenção na defesa que Silas faz dos ataques de Israel à faixa de Gaza foi dizer que, numa guerra, nenhuma reação é proporcional à ação. Portanto, Israel teria razão em lançar mísseis em escolas palestinas matando crianças inocentes para vingar a morte de três adolescentes judeus mortos por militantes do Hamas. Ora, se Israel se mantivesse fiel aos princípios esboçados na Lei do Senhor, saberia que um dos seus mandamentos diz respeito à proporcionalidade de nossas reações (olho por olho, dente por dente). E mais: um discípulo de Jesus jamais defenderia qualquer reação, uma vez que seu Mestre ensinou a amar a seus inimigos e oferecer-lhes a outra face. Partindo do argumento usado por Silas, o ataque dos EUA a Nagazaki e Hiroshima em reação ao ataque japonês a Pearl Harbor foi totalmente justificável. Enquanto 2403 pessoas morreram na base americana de Pearl Harbor, 220 mil pessoas morreram nas duas cidades japonesas (quase cem vezes mais!). Quantas crianças palestinas terão que morrer para vingar a morte dos três adolescentes judeus?
Porém, o que mais me incomodou em seu discurso pró-Israel foi a interpretação teológica dada ao fato e à posição supostamente privilegiada de Israel. 
De fato, Deus fez uma promessa a Abraão de que toda aquela terra seria dada à sua descendência (Gn.13:14-15). Esta mesma promessa foi confirmada a Isaque e a Jacó (Gn.26:2-24; 28:12-14). Todavia, Deus estabeleceu condições para que seus descendentes tivessem o direito de posse da terra. Se não as cumprissem, a terra os vomitaria e eles seriam espalhados entre as nações (Lv.20:22; 26:14-15, 27-28, 32-33). Portanto, a Diáspora Judaica nada mais é do que o cumprimento das sanções impostas por Deus a Israel, se seu povo não guardasse os seus mandamentos. Ainda mais grave do que rejeitar a Lei do seu Deus, os judeus também rejeitaram o Messias prometido. Portanto, a aliança entre Deus e eles foi quebrada. 
Entretanto, há promessas bíblicas de que Israel retornaria à sua terra. E com base nessas promessas, surgiu o movimento sionista. Sionismo é um movimento político e filosófico que defende a existência de um Estado nacional judaico independente e soberano no território onde historicamente existiu o antigo Reino de Israel. O sionismo é também chamado de nacionalismo judaico e historicamente propõe a erradicação da Diáspora Judaica, com o retorno da totalidade dos judeus ao atual Estado de Israel.  O termo "sionismo" é derivado da palavra  “Sião”, nome de uma das colinas que cercam a chamada Terra Santa. Durante o reinado de Davi, Sião se tornou sinônimo de Jerusalém. Em inúmeras passagens bíblicas, os israelitas são chamados de "filhos (ou filhas) de Sião".
O que este movimento parece ignorar é que para que Israel retornasse à sua terra, algumas condições precisariam ser preenchidas. Dentre elas, a mais importante é a conversão dos judeus.
“Porque, em vos convertendo ao Senhor, vossos irmãos e vossos filhos acharão misericórdia perante os que os levaram cativos, e tornarão a esta terra; porque o Senhor vosso Deus é misericordioso e compassivo, e não desviará de vós o seu rosto, se vos converterdes a ele.” 2 Crônicas 30:9
Portanto, o atual Estado de Israel, fruto de um arranjamento político da ONU, nada tem a ver com o cumprimento da promessa de Deus de que seu povo retornaria à sua terra. E a prova disso é que não houve conversão. E converter-se a Deus é acolher a única oferta de salvação possível: JESUS CRISTO. Por isso os apóstolos eram tão enfáticos ao testificar que "tanto a judeus como a gregos devem converter-se a Deus com arrependimento e fé em nosso Senhor Jesus" (At.20:21). À parte de Cristo, todo judeu está tão perdido quanto qualquer gentio. 
Paulo diz que eles eram os ramos naturais da oliveira (Abraão), mas devido à sua incredulidade e desobediência, foram quebrados e em seu lugar, nós, os que cremos dentre os gentios, fomos enxertados. Até que se convertam ao evangelho, eles são judeus apenas na carne, mas não na fé que teve seu patriarca. A igreja é, por assim dizer, a continuação do verdadeiro Israel. A árvore é a mesma, os ramos que foram substituídos. 
Ademais, a promessa de que os judeus retornariam à sua terra foi cumprida quando deixaram o cativeiro babilônico e voltaram para Jerusalém nos dias de Esdras e Neemias. Porém, por terem se mantido rebeldes, foram mais uma vez espalhados pelo mundo quando Jerusalém foi destruída pelo exército romano no ano 70 d.C. sob o comando de Tito.
A aliança feita com Abraão não caducou, mas foi devidamente cumprida em Jesus, seu Descendente (Gl.3:16). E os que são de Cristo são os verdadeiros descendentes de Abraão (Gl.3:29). De acordo com o próprio Jesus, o reino foi tirado dos judeus e entregue a outro povo, a saber, a Sua igreja, reunião de judeus e gentios que creem em Seu nome (Mt.21:43). 
E mesmo que Israel continuasse a ser o povo da aliança, conforme cre Silas, isso não lhe daria o direito de agir da maneira como tem agido, tirando a vida de milhares de civis inocentes. Deus não lhes deu o direito de matar. Nem a eles, nem ao Hamas, nem aos palestinos, nem aos EUA, nem a quem quer que seja. 
Ainda segundo o pastor Silas, quem se levanta contra a política Israelense corre o risco de ser amaldiçoado por Deus. Ora, ora... A bênção de Abraão a que ele se refere (abençoarei aos que te abençoarem e amaldiçoarei aos que te amaldiçoarem) está sobre seus verdadeiros descendentes, aqueles que seguem suas pegadas de fé, recebendo a oferta de salvação feita em Cristo Jesus. E por favor, não confundam isso com antissemitismo. Faço coro com Paulo que diz que seu desejo era que seus compatriotas fossem salvos. Amo os judeus. Como também amo os palestinos. Oro por Jerusalém. Como também oro por Gaza. E não é porque desejo prosperar, mas pelo simples fato de amar ao que Ele igualmente ama. Porém, este amor não me faz cego ante as arbitrariedades cometidas pelo Estado Israelense. 
Se Israel tem o direito de existir como Estado, os palestinos também tem o mesmo direito. Só haverá paz consistente e verdadeira quando houver justiça. E só haverá justiça quando houver amor. O salmista diz poética e profeticamente que a misericórdia e a verdade devem se encontrar e a justiça e a paz devem se beijar (Sl.85:10). Sem que isso aconteça, o máximo que teremos são tréguas momentaneas, seguidas de conflitos ainda mais severos. 
A questão é: quem será o cupido que promoverá este encontro? Em que cenário se dará o tal beijo? Será no jardim da Casa Branca? Ou quem sabe no pátio do Templo de Salomão... Não! A paz deve ser selada na ambiência do coração. E o cupido que deve promover o encontro não é algum presidente americano, mas ninguém menos que a igreja de Cristo. 
A igreja deve agir como agência reconciliadora entre os povos, e para tal, não pode posicionar-se ao lado de uns contra outros, como fez o meu colega Silas. Deus nos confiou o ministério da reconciliação (2 Co.5:18-19; Ef.2:14-16). Em vez de alimentar discórdias, devemos nos posicionar pela justiça, pela verdade e pela paz. 
Não ouso questionar a sinceridade de Silas, pois reconheço que seu discurso é eco do que tem sido ensinado à igreja desde o surgimento da teologia dispensacionalista. Porém, recuso-me a ficar calado, consentindo com os equívocos desta teologia. 
Que assim como Jesus, que caminhou por Jerusalém durante os dias em que Israel estava sob a tirania romana, preguemos o dever de se oferecer a outra face em vez de o direito de revidar ao ataque dos inimigos.

fonte original: http://www.hermesfernandes.com/2014/08/silas-malafaia-israel-e-o-direito-de.html

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Linchadores e bandidos - o que têm em comum?

Nos últimos dias, notícias de punições a supostos / verdadeiros bandidos têm surgido na imprensa nacional. Hoje foi noticiado que um grupo de justiceiros amarrou alguém julgado culpado por alguma ação ilegal e o jogou sobre um formigueiro...


Na Folha de S. Paulo de hoje (http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrada/152988-linchadores-e-bandidos.shtml), o psicanalista Contardo Calligaris traz algumas reflexões pertinentes.

Será que o Brasil existe como nação? Existir como nação é ter um claro sentimento de pertencimento a uma sociedade com destino, passado e futuro; uma sociedade na qual vale à pena estar incluído, uma sociedade da qual não se deseja ser excluído.

Se tal sociedade não existe, então não existe a "coisa pública", não existe Estado. Apenas uma abstração sem vínculo verdadeiro com a realidade, não sendo seu espelho, nem estando a seu serviço.

Tolerância zero?

Tolerância zero não é repressão policial imediata e violenta, mas a certeza de que a comunidade existe para si e por si, e que cuida de si em todos os aspectos, do canteiro no qual ninguém pisará à segurança dos lares. Comunidade que existe nos corações e mentes dos seus membros, dispostos a lutar para defendê-la.

É este projeto de uma sociedade na qual valha a pena estar incluída que falta ao Brasil.

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Um rei em Washington

Para começar, o texto é uma peça notável de oratória cristã. O fato é por vezes ignorado: Luther King foi sobretudo influenciado por Thoreau e Gandhi, dizem os especialistas, e a sua estratégia de resistência não violenta é tributária dos dois.

Certo, certíssimo. Mas, antes de Thoreau e Gandhi, recordo aos especialistas que Luther King foi formado na adolescência pelo teólogo Benjamin Mays, que incutiu no pupilo uma ideia revolucionária e simples: se os ensinamentos da Bíblia não servem para mudar os homens, então a Bíblia serve para muito pouco.

Luther King aprendeu a lição: primeiro, ao tornar-se também teólogo e pastor batista no Alabama. E, depois, ao aplicar o arsenal teológico à causa dos direitos civis.

A cadência e o vigor retórico de Luther King são próprios de um pastor em frente ao seu rebanho.

texto completo em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrada/126014-um-rei-em-washington.shtml

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Eu tenho um sonho


Estou feliz em me unir a vocês hoje naquela que ficará para a história como a maior manifestação pela liberdade na história de nossa nação. 

Cem anos atrás, um grande americano, em cuja sombra simbólica nos encontramos hoje, assinou a proclamação da emancipação [dos escravos]. Este decreto momentoso chegou como grande farol de esperança para milhões de escravos negros queimados nas chamas da injustiça abrasadora. Chegou como o raiar de um dia de alegria, pondo fim à longa noite de cativeiro. 

Mas, cem anos mais tarde, o negro ainda não está livre. Cem anos mais tarde, a vida do negro ainda é duramente tolhida pelas algemas da segregação e os grilhões da discriminação. Cem anos mais tarde, o negro habita uma ilha solitária de pobreza, em meio ao vasto oceano de prosperidade material. Cem anos mais tarde, o negro continua a mofar nos cantos da sociedade americana, como exilado em sua própria terra. Então viemos aqui hoje para dramatizar uma situação hedionda. 

Em certo sentido, viemos à capital de nossa nação para sacar um cheque. Quando os arquitetos de nossa república redigiram as magníficas palavras da Constituição e da Declaração de Independência, assinaram uma nota promissória de que todo americano seria herdeiro. Essa nota era a promessa de que todos os homens, negros ou brancos, teriam garantidos os direitos inalienáveis à vida, à liberdade e à busca pela felicidade. 

É evidente hoje que a América não pagou esta nota promissória no que diz respeito a seus cidadãos de cor. Em lugar de honrar essa obrigação sagrada, a América deu ao povo negro um cheque que voltou marcado "sem fundos". 

Mas nós nos recusamos a acreditar que o Banco da Justiça esteja falido. Nos recusamos a acreditar que não haja fundos suficientes nos grandes depósitos de oportunidade desta nação. Por isso voltamos aqui para cobrar este cheque --um cheque que nos garantirá, a pedido, as riquezas da liberdade e a segurança da justiça. 

Também viemos para este lugar santificado para lembrar à América da urgência ferrenha do agora. Não é hora de se dar ao luxo de esfriar os ânimos ou tomar a droga tranquilizante do gradualismo. Agora é a hora de fazermos promessas reais de democracia. Agora é a hora de sairmos do vale escuro e desolado da segregação para o caminho ensolarado da justiça racial. É hora de arrancar nossa nação da areia movediça da injustiça racial e levá-la para a rocha sólida da fraternidade. Agora é a hora de fazer da justiça uma realidade para todos os filhos de Deus. 

Seria fatal para a nação passar por cima da urgência do momento e subestimar a determinação do negro. Este verão sufocante da insatisfação legítima do negro não passará enquanto não chegar um outono revigorante de liberdade e igualdade. 1963 não é um fim, mas um começo. 

Os que esperam que o negro precisasse apenas extravasar e agora ficará contente terão um despertar rude se a nação voltar à normalidade de sempre. Não haverá descanso nem tranquilidade na América até que o negro receba seus direitos de cidadania. Os turbilhões da revolta continuarão a abalar as fundações de nossa nação até raiar o dia iluminado da justiça. 

Mas há algo que preciso dizer a meu povo posicionado no morno limiar que conduz ao palácio da justiça. No processo de conquistar nosso lugar de direito, não devemos ser culpados de atos errados. Não tentemos saciar nossa sede de liberdade bebendo do cálice da amargura e do ódio. 

Temos de conduzir nossa luta para sempre no alto plano da dignidade e da disciplina. Não devemos deixar nosso protesto criativo degenerar em violência física. Precisamos nos erguer sempre e mais uma vez à altura majestosa de combater a força física com a força da alma. 

A nova e maravilhosa militância que tomou conta da comunidade negra não deve nos levar a suspeitar de todas as pessoas brancas, pois muitos de nossos irmãos, conforme evidenciado por sua presença aqui hoje, acabaram por entender que seu destino está vinculado ao nosso destino e que a liberdade deles está vinculada indissociavelmente à nossa liberdade. 

Não poderemos caminhar sozinhos. 

E, enquanto caminhamos, precisamos fazer a promessa de que caminharemos para frente. Não poderemos retroceder. Há quem esteja perguntando aos devotos dos direitos civis: Quando vocês ficarão satisfeitos?'. Jamais estaremos satisfeitos enquanto o negro continuar sendo vítima dos desprezíveis horrores da brutalidade policial. 

Jamais estaremos satisfeitos enquanto nossos corpos, pesados da fadiga de viagem, não puderem hospedar-se nos hotéis de beira de estrada e nos hotéis das cidades. Não estaremos satisfeitos enquanto a mobilidade básica do negro for apenas de um gueto menor para um maior. Jamais estaremos satisfeitos enquanto nossas crianças tiverem suas individualidades e dignidades roubadas por cartazes que dizem exclusivo para brancos'. 

Jamais estaremos satisfeitos enquanto um negro no Mississippi não puder votar e um negro em Nova York acreditar que não tem nada em que votar. 

Não, não estamos satisfeitos e só ficaremos satisfeitos quando a justiça rolar como água e a retidão correr como um rio poderoso. 

Sei que alguns de vocês aqui estão, vindos de grandes provações e atribulações. Alguns vieram diretamente de celas estreitas. Alguns vieram de áreas onde sua busca pela liberdade os deixou feridos pelas tempestades da perseguição e marcados pelos ventos da brutalidade policial. Vocês têm sido os veteranos do sofrimento criativo. Continuem a trabalhar com a fé de que o sofrimento imerecido é redentor. 

Voltem ao Mississippi, voltem ao Alabama, voltem à Carolina do Sul, voltem à Geórgia, voltem à Louisiana, voltem aos guetos e favelas de nossas cidades do norte, cientes de que de alguma maneira a situação pode ser mudada e o será. Não nos deixemos atolar no vale do desespero. 

Digo a vocês hoje, meus amigos, que, apesar das dificuldades de hoje e de amanhã, ainda tenho um sonho. 

É um sonho profundamente enraizado no sonho americano. 

Eu tenho um sonho de que um dia esta nação se erguerá e corresponderá em realidade o verdadeiro significado de seu credo: Consideramos essas verdades manifestas: que todos os homens são criados iguais'. 

Tenho um sonho de que um dia, nas colinas vermelhas da Geórgia, os filhos de ex-escravos e os filhos de ex-donos de escravos poderão sentar-se juntos à mesa da irmandade. 

Tenho um sonho de que um dia até o Estado do Mississippi, um Estado desértico que sufoca no calor da injustiça e da opressão, será transformado em um oásis de liberdade e de justiça. 

Tenho um sonho de que meus quatro filhos viverão um dia em uma nação onde não serão julgados pela cor de sua pele, mas pelo teor de seu caráter. 

Tenho um sonho hoje. 

Tenho um sonho de que um dia o Estado do Alabama, cujo governador hoje tem os lábios pingando palavras de rejeição e anulação, será transformado numa situação em que meninos negros e meninas negras poderão dar as mãos a meninos brancos e meninas brancas e caminharem juntos, como irmãs e irmãos.
Tenho um sonho hoje. 

Tenho um sonho de que um dia cada vale será elevado, cada colina e montanha será nivelada, os lugares acidentados serão aplainados, os lugares tortos serão endireitados, a glória do Senhor será revelada e todos os seres a enxergarão juntos. 

Essa é nossa esperança. Essa é a fé com a qual retorno ao Sul. Com esta fé poderemos talhar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé poderemos transformar os acordes dissonantes de nossa nação numa bela sinfonia de fraternidade. Com esta fé podemos trabalhar juntos, orar juntos, lutar juntos, ir à cadeia juntos, defender a liberdade juntos, conscientes de que seremos livres um dia. 

Esse será o dia em que todos os filhos de Deus poderão cantar com novo significado:"["Meu país, é de ti, doce terra da liberdade, é de ti que canto. Terra em que morreram meus pais, terra do orgulho do peregrino, que a liberdade ressoe de cada encosta de montanha". 

E, se quisermos que a América seja uma grande nação, isso precisa se tornar realidade. 

Então que a liberdade ressoe dos prodigiosos picos de New Hampshire. 

Que a liberdade ecoe das majestosas montanhas de Nova York! 

Que a liberdade ecoe dos elevados Alleghenies da Pensilvânia! 

Que a liberdade ecoe das Nevadas Rochosas do Colorado! 

Que a liberdade ecoe das suaves encostas da Califórnia! 

Mas não só isso --que a liberdade ecoe da Montanha de Pedra da Geórgia! 

Que a liberdade ecoe da Montanha Sentinela do Tennessee! 

Que a liberdade ecoe de cada monte e montículo do Mississippi. De cada encosta de montanha, que a liberdade ecoe. 

E quando isso acontecer, quando deixarmos a liberdade ecoar, quando a deixarmos ressoar em cada vila e vilarejo, em cada Estado e cada cidade, poderemos trazer para mais perto o dia que todos os filhos de Deus, negros e brancos, judeus e gentios, protestante e católicos, poderão se dar as mãos e cantar, nas palavras da velha canção negra, "livres, enfim! Livres, enfim! "Louvado seja Deus Todo-Poderoso. Estamos livres, enfim!" 

Martin Luther King, 28/08/63

terça-feira, 11 de junho de 2013

Sobre a violência e suas causas

Eduardo Ribeiro Mundim

Violência é um tema sempre presente. Todos nós já sofremos por sua causa, direta ou indiretamente, em algum grau. Suas origens são múltiplas e não é um assunto fácil de ser dissecado. Mas é um assunto sacado oportunamente em toda campanha eleitoral – apenas com intenções de angariar votos.

Em última análise, a violência nasce do coração pecaminoso do ser humano. Ou seja, ela tem sua origem na revolta da criatura, o ser humano, contra o Seu Criador.

Mas há outras análises possíveis, e que não contradizem a anterior. Mas frequentemente esclarecem que mecanismos operam no seio desta rebelião para que ela venha a existir de modo concreto na vida das pessoas.

Sendo tema fartamente utilizado a cada ano eleitoral, clichês se tornaram comuns a seu respeito. E é enfrentando estes ditos exaustivamente repetidos que duas reportagens do jornal Folha de São Paulo, do dia 09 de junho de 2013, trazem à tona novas (?) informações.

“Nem o avanço da economia livra o Brasil da violência”1 informa o aumento em 6 vezes dos homicídios nos últimos 30 anos, com o seu deslocamento para as regiões norte e nordeste. Coloca como causas a desigualdade econômica e social, o aumento da capacidade de consumo (com a consequente ampliação do desejo de ter e de desfrutar) e as dificuldades judiciárias no enfrentamento da situação.

“Nem a recessão impede a queda de crimes na Inglaterra”2 conta que o órgão estatal responsável pela estatística mostrou o mais baixo nível de violência naquele país nos últimos 30 anos. E isto apesar da situação econômica do Reino Unido não estar, atualmente, muito favorável. Situação semelhante ocorrem em outros países europeus. Os fatores levantados são a redução do uso de drogas, a queda no consumo de álcool, uso de melhores tecnologias de segurança, modernas técnicas de policiamento e o controle do porte de armas.


terça-feira, 14 de maio de 2013

Ser bandido é, antes de tudo, um problema de caráter

Esta frase está contida em uma interessante provocação de Luiz Felipe Pondé (O bandido e o frentista). Ironias à parte, abundantes no texto, ele traz à tona outros vieses frequentemente esquecidos na discussão sobre a criminalidade - e, atualmente, sobre a redução da maioridade penal.

O mais curioso é que os cristãos já não são os únicos que falam (falamos??) sobre o pecado individual como uma das causas da criminalidade atual.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Pelo direito de discordar


Fui advertido de que nesse momento, que estamos vivendo na Igreja evangélica brasileira, discordar do Presidente do CDHM, em exercício, é concordar com o movimento GLBTS, e vice versa.

Discordo!

Eu respeito o irmão e oro por ele, mas, discordo da forma como o Deputado está conduzindo o mandato que recebeu de seus eleitores.

Eu respeito os seres humanos que optaram pela homossexualidade, mas, entendo que os direitos que estão a reivindicar já estão contemplados nos direitos da pessoa humana, cobertos por nossa constituição, e que o que passa disso constitui reclamos por privilégios, o que não é passível de ser concedido numa democracia, sob pena de contradizê-la.

Eu respeito o direito das uniões homossexuais terem garantida, pelo Estado, a preservação do patrimônio, por eles construídos, quando da separação ou do falecimento de um dos membros da união. Entretanto, discordo que seja possível transformar uma união voluntária de duas pessoas do mesmo sexo, a partir de opção comum e particular, em casamento, pois isso insinua haver um terceiro gênero na humanidade, o que não se explicita na constituição do ser humano. Assim como não entendo que a conjunção da maternidade e da paternidade, necessária para um desenvolvimento funcional do infante humano, seja substituível por mera boa vontade.

Eu respeito e exerço direito de pregar o que se crê, mas discordo do pregador, quando diz que Deus matou John Lennon ou aos Mamonas Assassinas, por terem desacatado o Altíssimo, como se o pecado humano não o fizesse desde sempre. A Trindade matou a todos os que a desacatam, em todo o tempo, no sacrifício do Filho, manifesto por Jesus de Nazaré (1 Pe 1.18-20), na Cruz do Calvário, oferecendo a todos o perdão e a ressurreição.

Eu respeito o direito de ter religião e o reivindico sempre, mas, discordo de tachar como agentes do inferno quem não concorda com o que penso, como se Deus, por sua graça, não estivesse, desde sempre, cuidando que a raça humana não sucumbisse à rebeldia inerente à sua natureza, o que explica o triunfo do bem frente a maldade explícita. Por isso discordo do pregador quando afirma que o sucesso de um artista, a quem Deus, por sua graça, cumulou de talentos, como Caetano Veloso, só se explique por ter feito pacto com o diabo. Como se ao adversário de nossas almas interessasse qualquer manifestação do Belo.

Eu respeito e pratico o direito ao livre exame das Escrituras Sagradas, conquistado pela Reforma Protestante, e, por isso, enquanto respeito o direito do teólogo expressar suas conclusões, discordo do teólogo quando suas considerações sobre o significado de profecias do texto que amo e reverencio, não corresponderem ao que entendo ser uma conclusão pautada pelas regras da interpretação bíblica, assim como, no meu parecer, ferirem a uma das maiores revelações desse Livro dos livros: Deus é Pai de todos, está em todos e age por meio de todos (Ef 4.6).

Reconheço a qualquer ser humano o direito de protestar contra o que não concorda, mas, nunca em detrimento do direito do outro, o que inclui o direito ao culto. Uma coisa é discordar do político outra coisa é cercear o direito do religioso, e de quem o convide para participar de um culto da fé que pratica. Uma coisa é denunciar o político por suas posturas, outra, e inadmissível, é atentar contra a integridade física ou emocional dele e dos seus.

Não admito, contudo, como cristão, ser sequestrado no direito de discordar, ou ser tratado como se fosse refém das circunstâncias, sejam elas quais forem. Foi para a liberdade que Cristo nos libertou (Gl 5.1).

Lamento que haja, entre os cristãos, quem trate a nossa fé como se fosse frágil e necessitada de proteção. Nossa fé foi preponderante na construção do Ocidente, e resistiu às mais atrozes perseguições.

Nós sempre propugnamos pela liberdade. Nós impusemos a Carta Magna ao Príncipe John, na Inglaterra; construímos o Estado Laico na revolução americana, quando, numa nação majoritariamente cristã, todas as confissões religiosas foram tidas como de direito. Nós lutamos entre nós pelo fim da escravidão, seja na guerra da Secessão, seja por meio de Wilberforce, premier Inglês, e de tantos outros movimentos. Nós denunciamos e enfrentamos os que entre nós quiseram fazer uso da nossa fé para legitimar a opressão. Os maiores movimentos libertários nasceram em solo cristão, e mesmo quando renegavam ao que críamos, não havia como não reconhecer a nossa contribuição à emancipação humana.

Nós construímos uma sociedade de direitos, lutamos por e reconhecemos direitos civis, e não podemos abrir mão disso; não podemos abrir mão da civilização que ajudamos a construir e a solidificar, onde mulheres, homens e crianças são protegidos em sua integridade e garantidos em seus direitos. Na democracia que ajudamos a reinventar, onde cada ser humano vale um voto, tudo pode e deve ser discutido segundo as regras da civilidade.

Nossa fé foi construída por gente que foi a toda luta que entendeu justa, pondo em risco a própria vida, e por mártires, por gente que se recusou a matar, por gente que não capitulou diante do assassínio, pois nós cremos que Deus é amor, e que o amor de Deus é mais forte do que a morte (Rm 8.38). E por amor a Deus e ao seu Cristo lutamos pela unidade e pela liberdade da humanidade.

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Ariovaldo Ramos é escritor, articulista e conferencista sobre a missão da igreja. Foi presidente da AEVB (Associação Evangélica Brasileira), missionário da SEPAL e presidente da Visão Mundial no Brasil. Atualmente é um dos presbíteros da Comunidade Cristã Reformada, em São Paulo (SP).


fonte: http://www.ultimato.com.br/conteudo/pelo-direito-de-discordar

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Onde estava Deus?!


Vídeo interessante sobre o recente massacre na escola Sandy Hook, nos EUA.
Trata-se da resposta que um jornalista deu à pergunta que lhe fizeram: "Onde estava Deus?!"

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Bullying" religioso afasta universitários da fé, queixa-se padre

ALC


Cidade do México, quinta-feira, 9 de agosto de 2012 (ALC) - "Bullying" em universidades tem afastado jovens da igreja e da fé, queixou-se o porta-voz da Diocese católica de Aguascalientes, padre Carlos Alberto Alvarado.

Esse tipo de ataque tem se manifestado sobretudo em universidades, onde jovens que têm uma fé cimentada na ética e na moral religiosa sentem-se acossados, até mesmo violentados, pelos que os forçam a adotar outros modelos religiosos e de pensamento, seguindo correntes do agnosticismo ou do ateísmo prático.


"Vemos como os jovens sentem-se atacados por manifestarem publicamente sua fé", disse Alvarado. Esses jovens, de diferentes denominações cristãs, relutam em expressar suas convicções por temerem ser tachados de retrógrados.


Esse tipo de abuso alimentam a indiferença nos jovens para com a religião. Muitos deixam de crer ou caem no que Alvarado denominou de "dúvida metódica", que é crer, mas questionando a fé.


Esse quadro, revelou, tem preocupado os bispos da América Latina, que pretendem incentivar novos modelos de evangelização, que respondam melhor ao contexto e às problemáticas da atualidade. 


Alvarado conclamou jovens cristãos que, apesar das adversidade, se mantenham firme na fé e valorizem a espiritualidade, afastando-se de influências nefastas.

 


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Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC)
Edição em português: Rua Ernesto Silva, 83/301, 93042-740 - São Leopoldo - RS - Brasil

quinta-feira, 12 de julho de 2012

A verdade sobre a condenação de Yousef Nadarkhani no Irã

Por Francisco Thiago Almeida, no Projeto 5
Você conhece este homem. Ele é Yousef Nadarkhani. Mas porque você o conhece – ou deveria conhecê-lo? As notícias que circulam na Internet é que Yousef é pastor e está sendo condenado à morte por ser cristão.
Minha intenção não apenas polemizar ou diminuir ainda a importância do caso. Com certeza a firmeza e a fibra do Pastor Yousef são admiráveis! Duvido que a metade dos cantores-pastores deste país teriam a mesma coragem. E as reflexões que trarei aqui não pretendem diminuir a coragem do pastor, pelo contrário, pretende criticar a nossa falta de coragem.
Agora veja esta imagem:
É nesta hora que você pergunta: Que diferença faz? E daí a gente pensa junto.
Abandonar o Islã: O Irã é um país – por falta de palavra melhor no momento – confessional. Sua religião oficial é o Islã e assim o país ainda absorve leis religiosas e as aplica com todo o rigor que uma interpretação literalista do Corão pede: a chamada Sharia. Não há, nestas leis, uma condenação exclusiva aos cristãos. Há sim uma lei que proíbe-se o abandono do Islã. Yousef poderia ser espírita kadercista, cadombléssista, budista, taioísta, seicho-no-ie-sista, corinthiano que ele seria condenado à forca da mesma forma.
Rejeitasse Cristo: Aquela série “Deixados para trás” e aquele filme antigo, dos idos dos anos 70 com o tema arrebatamento, tiveram um grande impacto no cristianismo brasileiro. Há uma cena muito forte onde, no tempo da tribulação, uma personagem é questionada se nega ou não a Cristo enquanto sua cabeça está dentro de uma guilhotina – bem retrô e impactante. Prova de que a teologia do martírio ainda é muito forte entre nós. Não duvido que a forma como a notícia foi transmitida pelos cristãos tenha sofrido influência desses filmes. Negar a Cristo? A preocupação é que se negue a religião e volte para o Islã. Não há porque negar a Cristo. Seria como pedir a um cristão que negue João Batista!
Ajudar outras vítimas da Sharia: Não é apenas a “coisa” religiosa que é digna de nota na imprensa internacional e entre cristãos que anseiam pela expansão do reino de Deus. Há o abuso contra as mulheres, contra crianças… Mas tudo isso demandaria “pensar”… Discutir até que ponto a religião pode intervir no cotidiano das pessoas, até que ponto a religião pode manipular as leis de um país, obrigando que os compatriotas sigam forçadamente o comportamento determinado por uma religião. Mas a maioria dos cristãos brasileiros não querem fazer isso porque seria uma grande auto-crítica.
Outros fatos: Depois de todo o frisson causado na internet, alguns grupos cristãos brasileiros retiraram seu apoio ao Pr. Yousef pelo simples fato de ele não ser “trinitariano”. De mártir o pastor passou a ser perseguido como herege. Isso me lembra o caso do “Suicida Cristão”.
Deste caso, eu tiro algumas conclusões:
A primeira é que os cristãos brasileiros não tem envergadura moral para pedir o que estão pedindo. Primeiro porque é um pedido totalmente egoísta e causuísta. Não querem libertar o Pr. Yousef porque é vítima de intolerância religiosa. Querem libertar o Pr. Yousef porque ele é cristão. E não é justo que um cristão morra… Se bem que, talvez alguns até estejam pedindo para que ele morra… Um mártir é sempre bem vindo.
E a Igreja Cristã brasileira também não tem envergadura moral para pedir o que está pedindo pelo simples fato de que aqui também caminha-se para o mesmo rumo. O problema com o Irã não é ele seguir as leis do Islã; o problema com o Irã é não seguir as leis do Cristianismo! E aí está: dois pesos e duas medidas!
Os cristãos ainda preferem se colocar como vítimas para justificar o gueto em que vivem. E uma vez no gueto, querem defender apenas aos seus. Deveriam sim abrir os olhos e espalhar tantas mensagens de protesto por conta das mulheres que são castradas, das crianças que são assassinadas e exploradas, das leis abusivas e que vão contra os direitos humanos.
Mais uma vez digo: O problema  não é com o Pr. Yousef: Um homem corajoso e digno de nota. o problema é conosco que o utilizamos como ícone para acusar o outro, mas não vemos que via de regra incorremos no mesmo erro.
Por um Estado Laico, contra todo tipo de intolerância e que me permita guiar a própria vida no caminho do respeito mútuo.
 fonte: http://www.hermesfernandes.com/2012/06/verdade-sobre-condenacao-de-yousef.html

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Bugigangas gospel incrementam idolatria evangélica

Terça-feira, 29 de maio de 2012 (ALC) - A comercialização de águas, pulseiras, sais e outros artigos representa uma boa fonte de receita, afora o dízimo, para igrejas evangélicas adeptas da teologia da prosperidade, mas ferem princípios caros aos reformadores.

Para o blogueiro Danilo Fernandes, estagiário de teólogo "meia boca, palhaço semiprofissional e doido por (e em) Cristo", como se define, "80% dos evangélicos não têm moral alguma para criticar católicos, hinduístas ou quem quer que seja por conta de idolatria".

A idolatria "evangélica" não se dá por imagens, mas por pessoas, explica o blogueiro. "Não ajoelham diante de estátuas, mas beijam os pés dos apóstolos, idolatram quinquilharias de Israel, fabricam toda a sorte de porcaria ungida e se babam como vacas por seus ídolos vivos", diz.
O Genizah, nome do blog, não é denominacional. Ele reúne bispo, pastor, missionário de diferentes denominações, que querem levar "a Palavra da salvação sem mistura e sem marketing!"

Sem apresentar números, Fernandes assinala que o volume dos negócios gerados pela comercialização de produtos evangélicos é superior aos recursos arrecadados pelos católicos com medalhas e velas.

"Hoje, evangélicos movimentam mais fabricando e vendendo toda a sorte de bugiganga gospel do que todas as medalhas e santinhos dos católicos. Mesmo mortos e incapazes de interceder por nós, pobres lascados, ao menos os católicos podem reconhecer na maioria de seus santinhos, estátuas e medalhas pessoas cujas virtudes são dignas de serem seguidas e admiradas – grandes mestres, mártires, servos fiéis dedicados ao serviço do Reino", comenta.

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terça-feira, 17 de abril de 2012

CNBB contesta decisão do Supremo sobre aborto de anencéfalos

Brasília, terça-feira, 17 de abril de 2012 (ALC) - A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lamentou, em nota, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de permitir, por oito votos a dois, a interrupção da gravidez em casos de gestação de fetos anencéfalos. A decisão foi tomada na quinta-feira, 12, encerrando uma discussão que levou oito anos.

A compreensão da maioria dos ministros e ministras é a de que um feto com anencefalia é natimorto, razão pela qual a interrupção da gravidez não pode ser comparada ao aborto, nesses casos. 

“Legalizar o aborto de fetos com anencefalia, erroneamente diagnosticados como mortos cerebrais,é descartar um ser humano frágil e indefeso. A ética, que proíbe a eliminação de um ser humano inocente, não aceita exceções”, aponta a CNBB.

A Bíblia trata o feto como uma pessoa, escreveu o  líder da igreja Assembléia de Deus, pastor Silas Malafaia, em seu blog. “Na questão jurídica, aborto no Brasil é crime. Jamais o STF poderia aprová-lo. É o Congresso Nacional que tem autoridade para legislar”, argumentou, agregando: “O espírito de Hitler está no mundo da pós-modernidade. O ser humano está sendo coisificado. É uma ‘coisa’ como qualquer outra coisa que possa ser descartada”.  

O assentamento da decisão do Supremo desobriga as gestantes de fetos com anencefalia, que é a ausência de partes do cérebro, da autorização da Justiça para que possam antecipar o parto. Sem revisão há 72 anos, o Código Penal brasileiro prevê o aborto legal apenas para dois casos: quando coloca em risco a saúde da mãe e em gravidez resultante de estupro. 

Os ministros favoráveis foram categóricos. "Aborto é crime contra a vida. Tutela-se a vida em potencial. No caso do anencéfalo, não existe vida possível", disse Marco Aurélio Mello, relator do processo. Carlos Ayres Britto lembrou que se trata de "natimorto cerebral", sem perspectiva de vida.

Os ministros e ministras admitiram que a saúde física e psíquica da grávida de feto anencéfalo sofre prejuízos quando levada até o fim. Além de danos emocionais, a gravidez de feto sem cérebro provoca complicações à saúde da mãe, como pressão arterial alta, risco de perda do útero e até a morte. Assim, impedir a mulher de interromper a gravidez nesse caso se assemelharia a uma tortura. Ayres Britto disse ainda que se os homens engravidassem, a antecipação de partos de anencéfalos "estaria autorizada desde sempre".

O ministro Gilmar Mendes sugeriu que o Ministério da Saúde edite normas que regulem os procedimentos a serem adotados para garantir a segurança do tratamento, inclusive que o diagnóstico de anencefalia seja atestado em dois laudos de médicos diferentes.

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segunda-feira, 16 de abril de 2012

Reformados e metodistas propõem isolamento de empresas que impedem a paz entre judeus e palestinos

Nova Iorque, quinta-feira, 12 de abril de 2012 (ALC) - Direção das igrejas Metodista Unida e Presbiteriana, dos Estados Unidos, vão encaminhar moção às respectivas assembleias gerais a proposta de isolamento das empresas que lucram com a ocupação israelense na Palestina. São lembradas, entre outras, empresas como a Caterpillar, a Motorola e a Hewlett-Packard. 

A jornalista Elizabeth Bolton, da Jewis Voice for Peace Rabbinical Council (Voz Judaica para a Paz do Conselho de Rabinos) relatou que as duas denominações e seus seguidores que defendem o fim dos assentamentos israelenses na Cisjordânia e na parte leste de Jerusalém estão sendo atacadas violentamente por causa dessa posição. 

Rabinos emitiram carta de apoio a metodistas e reformados. "Cremos que investir em empresas que estão se beneficiando com a injusta ocupação reduz as possibilidades de atingir a paz e é contrária aos valores judeus", argumentaram. 

A carta dos rabinos reporta-se aos tempos de cativeiro do povo judeu, "uma experiência que não queremos nem para nós nem para os outros. Acreditamos na liberdade para todos. E estamos juntos de todos os que têm essa mesma crença", proclamam.

A Caterpillar, apontam igrejas, lucra com a venda de tratores utilizados na destruição de moradias e plantações de palestinos. A Motorola Solutiona produz sistemas de vigilância instalados em assentamentos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. Já a HP provê apoio e manutenção dos sistemas de identificação biométrica IDE, instalados nos postos de controle israelenses, na Cisjordânia, que privam a livre locomoção dos palestinos em seu próprio território.
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Eduardo Ribeiro Mundim
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quarta-feira, 4 de abril de 2012

Pastor Yousef Nadarkhani escreve carta a cristãos do mundo inteiro


(Missáo Portas Abertas) Pastor Yousef Nadarkhani corre o risco de ser executado por apostasia no Irã. Ele escreveu esta carta na prisão em janeiro de 2011, poucos meses depois de receber o veredicto por escrito confirmando sua sentença de morte. O pastor permanece preso em Rasht, sob a ameaça de uma execução que pode acontecer a qualquer momento.

Leia abaixo as palavras de perseverança do pastor e lembre-se de interceder por ele.
 
"Graça e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo”.
 
Portanto, tambem nós, uma vez que estamos rodeados por tão grande nuvem de testemunhas, livremo-nos de tudo o que nos atrapalha e do pecado que nos envolve, e corramos com perseverança a corrida que nos foi proposta, tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé. Ele pela alegria que lhe fora proposta, suportou a cruz, desprezando a vergonha, e assentou-se à direita do trono de Deus. Hebreus 12:1-2.
 
Quando alguém compreende a revelação da verdade, essa pessoa estará disposto a compartilhá-la com outras pessoas e com as gerações futuras. Somos gratos às pessoas que, no passado, lutaram pela Verdade, que nos permitem ter acesso a esta gloriosa revelação de Jesus Cristo. Esses crentes entenderam a riqueza e a beleza da revelação, e estavam prontos para lutar a fim de passar adiante o fruto da revelação.
 
Como podemos dar frutos semelhantes para a vida eterna? Depende esolhas que fizermos. Primeiro temos que fechar os ouvidos para a voz das trevas, como está escrito no salmo primeiro: Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Salmo 1:1.
 
A segunda coisa é abrir os nossos ouvidos à voz do Espírito falando através da Palavra de Deus, como está escrito: Mas o seu prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite. Salmo 1:2.
 
O fruto da A comunhão com o Senhor através da Sua Palavra Vivificante é o que garante a estabilidade nesta vida e impacta a vida de outros gerando frutos eternos, como dizem as Escrituras: E ele será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, que dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará. Salmo 01:03.
 
"Um passo de fé"
 
Muitas pessoas admiram Jesus como um modelo único a ser seguido por gerações, muitos gostariam de imitá-lo. Jesus não veio para ser apenas admirado, mas nos trouxe um modelo perfeito a ser seguido. Se queremos ser como Ele, precisamos dar um passo de fé, como Pedro. Quando Pedro viu o seu Senhor andando sobre o mar furioso, ele pediu para ir ao encontro de Jesus sobre as águas. Então Jesus disse: "Vem!".
 
Todos quanto escolheram seguir o Senhor, de alguma forma ouviram antes uma ordem D’ele, dizendo: "Vem!" Uma ordem que implica um passo de fé. Como é evidente nas Escrituras, aquilo que somos capazes de ver não é fé. A fé é bíblicamente definida como: "Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem."
 
Temos que dar um passo de fé "apesar das dificuldades" ", a fim de experimentar o poder de Deus. Mas precisamos lembrar que tudo deve ser feito de acordo com a Palavra de Deus. Pedro não experimentou a possibilidade de andar sobre as águas porque ele simplesmente decidiu abandonar o barco, mas por causa da Palavra, da Ordem do Senhor. A Palavra de Deus nos diz que "deveremos passar por dificuldades" e desonra por causa do Seu Nome. A nossa fé não será genuina se ignorarmos estas palavras, se não manifestarmos a paciência do Senhor em nossos sofrimentos. Qualquer um que ignora-las será envergonhado naquele dia.
 
É bom lembrar que muitas vezes o passo de fé nos coloca diante de algumas dificuldades. Assim como a Palavra levou os filhos de Israel a sair do Egito e os colocou diante de um obstaculo chamado Mar Vermelho. Essas  dificuldade se colocam entre as promessas de Deus e cumprimento delas e servem para desafiar e fortalecer a nossa fé. Os crentes devem aceitar esses desafios como uma parte de sua caminhada espiritual. O Filho foi desafiado no Calvário, no caminho mais difícil, como está escrito nas Escrituras: "Durante os dias de vuda na terra, Jesus ofereceu orações e súplicas, em voz e com lágrimas, àquele que o podia salvar da morte, sendo ouvido por causa da sua reverente submissão; Embora sendo Filho, ele aprendeu a obedecer por meio daquilo que sofreu ". Hebreus 5:7-8.
 
O clamor "Eli, Eli, lamá sabactâni?" É suficiente para expressar os sofrimentos de nosso Senhor no Calvário. Por trás desse pedido de socorro, podemos identificar a grande fé que o levou a aceitar a vontade do Pai. Sim, Ele sabia que Deus não permitiria que "seu Santo sofresse decomposição”, e que, em três dias, ele ressuscitaria  dentre os mortos. Além do poder da morte, o Senhor enxergou o poder da ressurreição vitoriosa.
 
Eu não preciso escrever mais nada sobre a base da fé. Lembremo-nos que indenpendente de momentos bons ou ruins, apenas três coisas permanecem: a Fé, a Esperança e o Amor. É importante para os cristãos se certificarem que tipo de fé, esperança e amor permanecerão. Somente o que recebemos de acordo com a Palavra permanecerá para sempre. Eu quero encoraja-lo a viver de forma digna do chamado da Santa Palavra. Permitam irmãos, vocês que são herdeiros da glória de Cristo, serem exemplos para outros, a fim de ser um testemunho do poder de Cristo para o mundo.
 
Peço-lhes que vivam segundo a Palavra de Deus, a fim de rejeitar as ações das trevas que geram dúvidas em seus corações. A verdadeira vitória que elimina as dúvidas, vem pelo ouvir a Palavra de Deus com fé.
 
Somente uma igreja baseada nos ensinamentos de nosso Senhor Jesus Cristo subexistirá, longe do auxilio e da proteção da Palavra de Deus o devorador o destrurá.
 
“Vamos dar um Testemunho Santo. "
 
Seu irmão em Cristo,

Youcef Nadarkhani
 

segunda-feira, 26 de março de 2012

O Advogado Judeu Defende o Cristianismo... Sem Cobrar um Tostão [pro bono] !

Tinha acabado cinco horas de aulas, pediu apenas um prato de batatas fritas, que foi petiscando enquanto conversava. Joseph Weiler, nascido em 1951, é um judeu convicto. O que não o impediu de defender a possibilidade de haver (ou não) crucifixos nas paredes das escolas. Virou a opinião do tribunal, dos anteriores 17 votos a favor de retirar os símbolos religiosos da parede, para uns claríssimos 15 contra. Apenas 2 juízes mantiveram a decisão anterior. E adverte: nem a Itália nem a França são neutros em matéria religiosa. Mas ambos devem educar para o pluralismo.

veja a entrevista em: http://www.fd.lisboa.ucp.pt/resources/documents/Noticias/Artigos%20que%20sairam%20na%20Imprensa/2011/27SetembroPublicoEntrevistaJosephWeiler.pdf

o título original é do comentário do leitor Eduardo, na página da revista Ultimato, que deu o endereço da entrevista

domingo, 4 de março de 2012

CMI repudia doutrina que justificou abusos contra povos indígenas

Genebra, terça-feira, 28 de fevereiro de 2012 (ALC) - A "Doutrina do Descobrimento" tem sido usada para subjugar e colonizar povos indígenas, o que, na visão do Comitê Executivo do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), fere o evangelho de Jesus Cristo".

A declaração foi divulgada na reunião que aconteceu dias 14 a 18 de fevereiro, em Bossey, Suíça, com um pedido de repúdio à doutrina do descobrimento, que permitiu a escravização dos povos indígenas em nome do cristianismo.

A origem da doutrina remonta às bulas papais emitidas pelo papa Nicolau V, em 1452 e 1455, respectivamente, que legitimaram a invasão de terras e assassinato de povos Indígenas.

Esses documentos históricos da igreja, intitulados "Dum Diversas" e "Romanus Pontifex", declaravam que os povos não-cristãos podiam ser capturados, derrotados e ter suas propriedades e bens apreendidos pelos monarcas cristãos.

Com base nesse referencial histórico, a declaração assinala que, "Cristóvão Colombo foi instruído, por exemplo, para 'descobrir e conquistar', 'subjugar e adquirir' terras distantes".

Países europeus, como a Espanha, Portugal, Inglaterra, França e Holanda, lançaram mão dessa doutrina, que foi introduzida na lei dos Estados Unidos e, depois, na Austrália, Canadá e Nova Zelândia.

A declaração do Comitê Executivo ressalta que "a situação atual dos povos indígenas ao redor do mundo é o resultado de um programa linear de precedentes 'legais', que surgiram com a 'Doutrina do Descobrimento' e codificada nas leis políticas nacionais contemporâneas".

A declaração do CMI rejeita a idéia apoiada pela doutrina de que "os cristãos gozam de um direito moral e legal baseado unicamente na sua identidade religiosa para invadir e tomar terras indígenas e dominar povos indígenas".

Descrevendo a Doutrina do Descobrimento como uma violação dos direitos humanos, a declaração apóia os "direitos dos povos indígenas de viver e manter suas terras e territórios" e de "manter e enriquecer suas culturas".

Junto com as dioceses Episcopais de Maine e New York Central, além da Philadelphia Yearly Meeting of the Religious Society of Friends, muitas igrejas têm denunciado essa doutrina nos Estados Unidos e no Canadá. No ano passado, várias igrejas Universalistas Unitárias e Quakers também aprovaram resoluções repudiando a doutrina.

Como a Doutrina do Descobrimento será o tema da 11 ª sessão do Fórum Permanente das Nações Unidas sobre Questões Indígenas (UNPFII), este ano, a declaração do Comitê Executivo do CMI salientou a necessidade de sensibilizar as igrejas sobre o assunto. A sessão da UNPFII acontecerá entre 7 a 18 maio de 2012, em Nova York. O documento do Comitê Executivo instou as igrejas e organizações ecumênicas a se mobilizarem e participarem do processo do Fórum.

A declaração pediu, ainda, aos governos para que "assegurem que suas políticas, regulamentos e leis que afetam os povos indígenas estejam em conformidade com as convenções internacionais e, em particular, em conformidade com a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas e a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho".

Através dessa declaração, o CMI reafirma seu compromisso com os direitos dos povos indígenas, pedindo a cada igreja-membro para "refletir acerca de sua história nacional e da própria igreja" e buscar melhor compreensão melhor das questões enfrentadas pelos povos indígenas".
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quinta-feira, 1 de março de 2012

Nota Pública do CFP de esclarecimento à sociedade e às(o) psicólogas(o) sobre Psicologia e religiosidade no exercício profissional


Conselho Federal de Psicologia
Conselho Federal de Psicologia
Em resposta ao debate travado na mídia e nas redes sociais acerca da relação entre religiosidade e exercício profissional da(o) psicóloga(o), o Conselho Federal de Psicologia (CFP) esclarece o que segue.
Não existe oposição entre Psicologia e religiosidade, pelo contrário, a Psicologia é uma ciência que reconhece que a religiosidade e a fé estão presentes na cultura e participam na constituição da dimensão subjetiva de cada um de nós. A relação dos indivíduos com o “sagrado” pode ser analisada pela(o) psicóloga(o), nunca imposto por ela(e) às pessoas com os quais trabalha.
Assim, afirmamos o respeito às diferenças e às liberdades de expressão de todas as formas de religiosidade conforme garantidas na Constituição de 1988 e, justamente no intuito de valorizar a democracia e promover os direitos dos cidadãos à livre expressão da sua religiosidade, é que o Código de Ética Profissional da(o) Psicóloga(o) orienta que os serviços de Psicologia devem ser realizados com base em técnicas fundamentados na ciência psicológica e não em preceitos religiosos ou quaisquer outros alheios a esta profissão:
Art. 1º – São deveres fundamentais dos psicólogos:
c) Prestar serviços psicológicos de qualidade, em condições de trabalho dignas e apropriadas à natureza desses serviços, utilizando princípios, conhecimentos e técnicas reconhecidamente fundamentados na ciência psicológica, na ética e na legislação profissional;
Se as(o) psicólogas(o) exercerem a profissão declarando suas crenças religiosas e as impondo ao seu público estarão desrespeitando e ferindo o direito constitucional de liberdade de consciência e de crença.
O Código de Ética Profissional das(o) Psicólogas(o) cita nos dois primeiros princípios fundamentais a necessidade de respeito à liberdade e a eliminação de quaisquer formas de discriminação, e no artigo 2º veda à(o) psicóloga(o) a indução não só de convicções religiosas, mas também de convicções filosóficas, morais, ideológicas e de orientação sexual, compreendendo a delicadeza e complexidade que o tema merece:
 
Princípios Fundamentais
I. O psicólogo baseará o seu trabalho no respeito e na promoção da liberdade, da dignidade, da igualdade e da integridade do ser humano, apoiado nos valores que embasam a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
II. O psicólogo trabalhará visando promover a saúde e a qualidade de vida das pessoas e das coletividades e contribuirá para a eliminação de quaisquer formas de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.
Art. 2º – À(o) psicóloga(o) é vedado:
b) Induzir a convicções políticas, filosóficas, morais, ideológicas, religiosas, de orientação sexual ou a qualquer tipo de preconceito, quando do exercício de suas funções profissionais;
Esse Código de Ética em vigor foi construído a partir de múltiplos espaços de discussão sobre a ética da profissão, suas responsabilidades e compromissos com a promoção da cidadania. O processo ocorreu ao longo de três anos, em todo o país, com a participação direta das(o) psicólogas(o) e aberto à sociedade. Seu objetivo primordial é garantir que haja um mecanismo de proteção à sociedade e à profissão, no intuito de garantir o respeito às diferenças, aos direitos humanos e a afirmação dos princípios democráticos e constitucionais de um Estado laico.
A profissão de psicóloga(o) foi regulamentada no Brasil pela Lei nº 4.119/1962 e a Lei nº 5.766/1971 criou a autarquia dos Conselhos Federal e Regionais de Psicologia, destinados a orientar, a disciplinar e a fiscalizar o exercício da profissão de psicólogo e zelar pela fiel observância dos princípios de ética e disciplina da classe. Entre as atribuições estabelecidas por essa lei ao Conselho Federal de Psicologia estão a de elaborar e aprovar o Código de Ética Profissional do Psicólogo e funcionar como tribunal superior de ética profissional, portanto atuar como instância de recurso aos processos julgados nos Conselhos Regionais.
Cumprindo seu papel previsto na Lei 5.766/1971 de zelar pela fiel observância dos princípios de ética e disciplina da classe, os Conselhos Regionais de Psicologia recebem e apuram as denúncias que chegam sobre o exercício profissional de psicólogas (os). Do julgamento do plenário do Conselho Regional, cabe recurso ao plenário do Conselho Federal de Psicologia.
Qualquer cidadão pode oferecer denúncia contra o exercício profissional do(a) psicólogo(a), visto ser seu direitos constitucional. Assim, as ações de orientação e fiscalização promovidas pelos conselhos profissionais no âmbito Regional são legítimas e não podem ser tomadas como perseguições ou cassações a qualquer direito. Todos os profissionais que exercem suas funções reconhecidas pelo Estado Democrático de Direito estão submetidos às legislações e Códigos de Ética dos seus respectivos Conselhos e, portanto, têm o dever de pautar sua atuação profissional nas legislações que disciplinam o exercício de sua profissão.
A Psicologia como ciência e profissão pertence à sociedade   tendo teorias, técnicas e metodologias pesquisadas, reconhecidas e validadas por instâncias oficiais do campo da pesquisa e da regulação pública que validam o conjunto de formulações do interesse da sociedade. Os princípios e conceitos que sustentam as práticas religiosas são de ordem pessoal e da esfera privada, e não estão regulamentadas como atribuições da Psicologia como ciência e profissão.
Finalizamos esse posicionamento declarando que o CFP iniciará uma série de atividades de debate sobre a relação entre  Psicologia e religiosidade, com vistas a contribuir com o debate público da categoria e da sociedade frente a esse tema, objetivando explicitar que não somos contrários a que os profissionais tenham suas crenças religiosas e sim que devemos zelar para que estes não utilizem suas crenças, de qualquer ordem,  como ferramenta de atuação profissional.

fonte: http://www.pol.org.br/pol/cms/pol/noticias/noticia_120228_001.html 

correlatos: Psicóloga perseguida por razões religiosas? Algumas consideraçãoes