| ||||||||||
Crer não é sinônimo de não pensar. Crer implica em pensar, em relacionar fé com a realidade, questionando uma a partir da outra. O conteúdo são pensamentos às vezes rápidos, em elaboração; outros, já mais elaborados. Ambos buscando provocar discussão e reposicionamentos, partindo sempre da confissão de fé protestante. Os artigos classificados como "originais" podem ser reproduzidos desde que com a menção da fonte e autoria. Ano V
terça-feira, 30 de junho de 2009
gripe suína e suas relações
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Comissão denuncia perseguição religiosa
O documento acusa a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) e seu "discurso xenófobo, racista e de exploração da população carente", colocando em risco a liberdade religiosa no país.
A IURD, aponta a Comissão, serviu de modelo a outras igrejas, dentre elas a Renascer em Cristo, na perseguição a praticantes da religiosidade afro-brasileira. A comissão acompanha 34 ações judiciais e outros 12 registros de ocorrência em delegacias do Rio de Janeiro,
O relatório, informa a repórter Claudia Lamego, do jornal O Globo, cita o "braço armado" da intolerância religiosa no Rio: "Traficantes e milicianos proíbem manifestações religiosas em templos de umbanda e candomblé nas comunidades dominadas, e ainda expulsam sacerdotes e adeptos, sendo incondicionalmente apoiados, e na grande maioria das vezes incitados, por pastores neopentecostais, líderes religiosos deste 'rebanho de armas'".
A Comissão, criada há um ano, é integrada por representantes de 18 instituições, dentre elas a Federação Israelita do Rio, a Sociedade Beneficente Muçulmana, a Congregação Espírita Umbandista do Brasil, a Polícia Civil, o Ministério Público e o Tribunal de Justiça do Rio.
fonte: Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC)
sexta-feira, 26 de junho de 2009
A esmola envergonha e vicia o cidadão
Derval DasilioHá urgências. Porém, a sociedade não é receptiva. Pessoas famintas, desnutridas, doentes, discriminadas por causa da cor da pele, portadoras de deficiências, sem autonomia física, ficam ainda mais fragilizadas (Mc 3 --10). Quem cuidará delas? A religião as condenaria ao conformismo, como resultado de pecados pessoais ou ancestrais, de acordo com o senso comum. Jesus mandou: “Entra na roda, fique no meio!”. E o esquadrão que vigiava, perguntou: “Será que ele ousará contrariar a religião?”. Na sinagoga/igreja, lugar dos religiosos, o fato chama a atenção. E Jesus, entendendo o espírito coletivo repressivo, legalista ou fatalista, pergunta: “O que a Lei permite fazer no sábado: fazer o bem ou o mal? Salvar uma vida ou dar-lhe fim?”. Fica-se em cima do muro. O medo de “agir ilegalmente”, contra ideologias tradicionais, é mais forte. A religião não cuida dessas coisas? Jesus não espera -- cura o homem deficiente, alimenta famintos, “porque hoje é sábado”, como diria Vinícius de Moraes. E inclui diferentes, estranhos. Aqui e agora, a vida não pode esperar pela morte. A neutralidade e a equidistância, porém, escondem o julgamento de morte. Estabelecer condições de relacionamento para ações que instrumentalizem teológica e eticamente estas questões como próximas da vida de fé, é urgente. Mas Jesus, enquanto vigiado pelas autoridades religiosas de seu tempo, era julgado. Heróis nas lutas por libertação no século 20, como Mahatma Ghandi, Martin Luther King, Nelson Mandela, jamais teriam chance de fazer o que fizeram, se dependessem da aprovação oficial da igreja cristã, para não falar da fé fundamentalista. Ghandi leu o Novo Testamento numa noite, quando morava na África do Sul. Ao amanhecer, convicto de que encontrara orientação certa para sua causa, procurou uma igreja cristã. Deparou-se com uma e quis entrar. Imediatamente viu uma placa: “É proibida a entrada de cães e negros”. Nunca mais entrou numa igreja cristã. Não há notícia sobre qualquer apoio evangélico ou cristão à sua causa. Entre cristãos, o legalismo sempre está próximo do preconceito e do exclusivismo. A fome e o racismo não são estudados na Escola Dominical. A afirmação do pecado abstrato, sim. O Brasil quer torrar milhões e milhões para sediar a Copa do Mundo em 2014, e aqui há milhões de pessoas morrendo de fome. O governo desistiu do Fome Zero, pouco depois da vitória nas urnas. Será a fome uma crise humanitária, social e econômica, resultante da hipocrisia política, de campanhas eleitorais governamentais, insensibilidade das elites, da religião, do conformismo da sociedade? Se não é, então, o que é? O homem tolhido pela doença socializada -- e a fome é a pior delas -- ou pelo racismo, necessita de amparo. Precisa ser útil, trabalhar, produzir o seu sustento e o dos dependentes. Especialmente do ponto de vista coletivo, curar a desnutrição e evitar o holocausto infantil causado por doenças. Transformações, são importantes para a manutenção da vida. A desnutrição mata mais que a Aids, acidentes aéreos e terrestres, guerras e terrorismo, juntos. Seriam como mil transatlânticos afundando, cheios de crianças que vão morrer; e ninguém chora, ninguém protesta, ninguém lamenta. Talvez porque a Aids, a guerra e o terrorismo não fazem distinção de classe como a fome faz. Desnutrição em massa, epidemias e aumento na mortalidade são “privilégios”dos fracos, excluídos da participação dos bens sociais. Programas como o Bolsa Família são esmolas, enquanto o que as famílias necessitam é trabalho, habitação e seguridade sanitária, em primeiro lugar. A fome não espera pela religião, diz o Evangelho. Mais de um bilhão de homens, mulheres e crianças, neste planeta -- mais de vinte milhões no Brasil -- sofrem por causa da fome. “A esmola mata de vergonha ou vicia o cidadão”, diz Luiz Gonzaga. E Jesus diz, a respeito do “descanso” que deram a Deus: “Meu Pai ainda trabalha” para saciar as fomes do mundo. “No juízo final, você espera ser desculpado? Deus poderá lhe obrigar a derramar lágrimas de vergonha, nesse dia, fazendo recitar de cor os poemas que você poderia ter escrito, e não o fez; as palavras de indignação que evitou proferir, tivesse sido sua uma vida de amor à justiça” (W.H. Auden). • Derval Dasilio é pastor da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil. http://www.ultimato.com.br/?pg=show_conteudo&util=1&categoria=3®istro=1076 |
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Lista dos senadores beneficiados por atos secretos
(segundo o jornalista Leonardo Colon, do Estado de São Paulo)
(chama a atenção a presença de alguns senadores, como Pedro Simon e Cristovam Buarque, e dois evangélicos - em vermelho. A conferir, em suas páginas pessoais, a resposta que dão ao jornalista Leonardo Colon)
Aldemir Santana (DEM-DF)
Antonio Carlos Júnior (DEM-BA)
Augusto Botelho (PT-RR)
Cristovam Buarque (PDT-DF)
Delcídio Amaral (PT-MS)
Demóstenes Torres (DEM-GO)
Edison Lobão (PMDB-MA) licenciado para assumir ministério
Efraim Moraes (DEM-PB)
Epitácio Cafeteira (PTB-MA)
Fernando Collor (PTB-AL)
Geraldo Mesquita (PMDB-AC)
Gilvam Borges (PMDB-AP)
Hélio Costa (PMDB-MG) licenciado para assumir ministério
João Tenório (PSDB-AL)
José Sarney (PMDB-AP)
Lobão Filho (PMDB-MA)
Lúcia Vania (PSDB-GO)
Magno Malta (PR-ES)
Marcelo Crivella (PRB-RJ)
Maria do Carmo (DEM-SE)
Papaléo Paes (PSDB-AP)
Pedro Simon (PMDB-RS)
Renan Calheiros (PMDB-AL)
Roseana Sarney (PMDB-MA) renunciou para assumir o governo do Maranhão
Sérgio Zambiasi (PTB-RS)
Serys Slhessarenko (PT-MT)
Valdir Raupp (PMDB-RO)
Wellington Salgado (PMDB-MG)
LISTA DOS SENADORES QUE ASSINARAM ATOS SECRETOS QUANDO INTEGRAVAM A MESA
Antonio Carlos Valadares (PSB-SE)
César Borges (PR-BA)
Eduardo Suplicy (PT-SP)
Garibaldi Alves (PMDB-RN)
Heráclito Fortes (DEM-PI)
Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR)
Paulo Paim (PT-RS)
Romeu Tuma (PTB-SP)
Tião Viana (PT-AC)
fonte: jornalista Lucia Hippolito
Movimento indígena a favor da vida
terça-feira, 23 de junho de 2009
A morte e os 3 irmãos
Um conto lido recentemente marcou meu imaginário a respeito do tema. Provavelmente, ele apenas organizou pensamentos e leituras até então desconexos. Trata-se do "conto dos três irmãos", de Joane K Rowlingi. Resumidamente: três irmãos bruxos iniciaram uma jornada, onde, a certo momento, encontraram um caudaloso rio. Não havia possibilidade de atravessá-lo à pé ou à nado, nem embarcação disponível. Juntos, conjuraram uma ponte, imediatamente concretizada. Após percorrerem metade da sua extensão, o caminho encontrava-se bloqueado por uma figura negra e encapuzada. Furiosa por não ter conseguido as três vidas (que era o evento habitual para os viajantes naquele ponto da estrada), a Morte se apresentou a eles, dando-lhes o direito de demandarem, individualmente, um desejo. O mais velho, orgulhoso, e o mais forte, exigiu uma varinha mágica imbatível, impossível de ser derrotada, digna daquele que a vencera. Do galho de uma árvore próxima, a Morte tirou um ramo, fabricando dele tal varinha, deixando-o passar. O segundo irmão, arrogante, desejando ampliar a humilhação da inimiga, demandou a capacidade de tornar à vida os mortos. Ela, pegando um pedregulho das margens do rio, infundiu-lhe tal poder, e a entregou. O mais moço a tudo observava, e desconfiado do drama que se desenrolava, pediu-lhe apenas que pudesse dali sair, sem ser achado por ela. Muito a contragosto, a Morte lhe entregou a própria capa. Os irmãos seguiram viajem, e se separaram no devido tempo. O mais velho tinha contas a ajustar com um conhecido. Procurou-o e o venceu em um duelo de mágicos, matando-o. Dirigiu-se a um bar na cidade, onde, em meio aos muitos copos de álcool, vangloriou-se do feito e de sua varinha. Pela madrugada, um dos ouvintes invadiu seu quarto, onde dormia profundamente, roubando-lhe a preciosa varinha. Apenas por precaução, degolou-o. E a Morte recebeu o primeiro irmão. O segundo, sozinho em sua residência, viu, através da pedra, uma moça que sonhara desposar anos antes. Resgatou-a do mundo dos mortos, trazendo-a para junto de si. Contudo, ela não se adaptava ao mundo dos vivos, e preferiu novamente morrer. Desesperado, e como única maneira de reunir-se verdadeiramente a ela, ele se matou. E a Morte recebeu o segundo irmão. Os anos se passaram, e por mais que procurasse, ela não encontrava o caçula. Já muito velho, família constituída até a terceira geração, tendo realizado o que fora possível, o mais novo retirou a capa, passando-a para o filho, e aguardou a Morte. Ela foi recebida como uma velha amiga, e, como amigos e iguais, ele partiu com ela.
Neste conto temos três mortes, três faces. O primeiro, seguindo o ditado popular, morreu como viveu, pela violência. O segundo, incapaz de fazer frente à impossibilidade do seu desejo, suicida-se. O terceiro, sabedor de que o encontro somente poderia ser adiado, viveu a vida com plenitude, e soube encontrar a morte no momento em que ela se encaixava na vida.
i Rowling JK Os contos de Beedle, o bardo Editora Rocco, RJ, Rio de Janeiro, 2008
sexta-feira, 19 de junho de 2009
O Papel da mulher na conservação do meio ambiente
Isabelle Ludovico da Silva Deus criou uma natureza deslumbrante, uma profusão de formas, cores, cheiros, texturas, sabores e sons, para o nosso deleite. O ápice de sua criação foi o ser humano. Ele criou macho e fêmea à sua imagem e lhes deu autoridade sobre a terra. Porém, a ambição de ser igual a Deus os levou a usar o conhecimento a serviço desta ânsia pelo poder. Assim, rompeu-se a parceria com Deus, entre eles e com o resto da criação.Adão assumiu o controle, chamou sua companheira Eva, que significa “mãe”, e a confinou ao espaço do lar, enquanto ele, sozinho, se encarregava de construir o mundo. Sua escolha por privilegiar o racional e o pragmático em detrimento do afetivo gerou um mundo muito desenvolvido do ponto de vista tecnológico, mas doente no aspecto relacional. O ser humano está desintegrado e construiu um sistema injusto em que a concentração de renda e poder produz cada vez mais excluídos, condenados à miséria. Os recursos naturais foram dilapidados para aumentar o lucro de alguns em detrimento da maioria, colocando em risco nossa própria sobrevivência. A recente emancipação feminina abriu à mulher a possibilidade e a responsabilidade de afirmar a importância do ser humano e da paz, fruto da justiça. A vocação da mulher é gerar a vida e contribuir para sua conservação. Por meio da razão, o homem enxergou um mundo linear, fragmentado e excludente. Com os olhos do coração, a mulher apreende o mundo em sua totalidade, com todas as partes interligadas e interdependentes. Esta visão sistêmica é essencial para percebermos as consequências das nossas ações e precisa se traduzir em ações práticas. A pioneira do movimento ecológico foi uma mulher. Em 1962, Rachel Carson denunciou o efeito nefasto dos pesticidas em seu livro “Primavera Silenciosa”. Morei um tempo em João Pessoa, na Paraíba, onde a natureza exuberante está sendo destruída pela ignorância e pela miséria. Pessoas sobrevivem enfiando a mão nos lixos domésticos com risco de ferir-se e contaminar-se. Vão jogando ao redor os restos, que o vento espalha. A caminho da praia, frequentemente encontrava fraldas sujas e plásticos que entopem o estômago das tartarugas que vêm desovar ali. Perto do Natal, fizemos um mutirão de limpeza e decoramos uma palmeira com a sucata que juntamos. Queríamos denunciar o descaso dos banhistas e a omissão da prefeitura. Aliás, diante da reivindicação por lixeiras, o prefeito declarou não gostar de lixeiras porque elas atraem lixo! O dono de um bar que fica em uma das dez praias mais lindas do Brasil respondeu que não precisa de lixeira porque o mar se encarrega de limpar! A mulher acompanha a formação das crianças no dia-a-dia. É ela quem pode ensiná-las a não desperdiçarem a água do banho fechando a torneira enquanto se ensaboam e a fazerem as compras do supermercado com sacolas reutilizáveis. Parecem detalhes, mas pequenos atos praticados por muitos fazem uma grande diferença. É com nossas atitudes em relação ao semelhante e à natureza que demonstramos respeito, generosidade e solidariedade. Infelizmente, estes valores bíblicos geralmente são ignorados na igreja, onde focalizamos a moral sexual e nos esquecemos o chamado para sermos carvalhos de justiça, porta-vozes dos vulneráveis e mordomos dos recursos que Deus nos confiou para sinalizar o seu reino. Esta ética da reconciliação e do cuidado com o ser humano e com a natureza não é uma opção -- é a essência do cristianismo. “Ethos” significa “modo de viver”. A palavra nos lembra que, sem esta conversão, nossa oração é inútil. • Isabelle Ludovico da Silva, francesa de nascimento e brasileira de coração, é psicóloga e terapeuta sistêmica. Aprendeu com a filha a separar o lixo e com o filho um estilo de vida mais simples. |
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Deus: Pai ou Mãe?
Os braços que me aqueciam quando eu era criança, o colo que me consolava, a voz que me aquietava cantando à noite quando eu despertava inquieta de um pesadelo não eram de meu pai -- eram de minha mãe. Quem me dava um trocado pra comprar bala depois da escola, quem me cobria, quem me vestia, era sempre minha mãe. A casa da minha infância, cujas lembranças me trazem conforto, tem o cheiro dela, e mesmo quando eu saía na rua pra tomar caldo de cana e comer pastel era em sua mão, que hoje sinto tão pequena e magra, que eu segurava.Na pessoa de Deus encontramos a plenitude da masculinidade e também da feminilidade. Ele deu características de si mesmo aos dois gêneros, planejando que apresentássemos a imagem completa do amor numa família heterossexual. Homem e mulher juntos, gerando em amor, nutrindo, educando, criando, estabelecendo outros seres completos e também capazes de amar, gerar, nutrir e educar.
Apesar de muitas vezes usar imagens maternas para se referir a seu amor por nós, Deus certamente teve uma razão para chamar-se de Pai. Apesar de a ideia de um Deus Pai nos distanciar da noção de amor sacrificial e transcendente que brota mais fácil quando se fala de mãe, ela provê um modelo de amor paterno para a humanidade.
Deus previu que a cruel perversão da masculinidade nos deixaria quase incapazes de entender o verdadeiro significado do amor de um pai. Ele precisou garantir pessoalmente que este modelo fosse expresso de forma inequívoca e o fez tornando-se ele o Pai.
É uma escolha que todo tradutor faz -- reduzir significados -- e que ele, como tradutor de suas verdades celestiais para nós, também teve de fazer. Então ele se fez Pai; ainda assim, nos deixa ver seu lado mãe. É o Pai-Mãe como exemplo de hombridade e não de macheza. É um pai-mãe que persegue, que missiona, que se inclina e que se humilha ("missio Dei").
Seu amor às vezes é "brega" e "babão" como amor de mulher ou música sertaneja; outras, é digno e contido, mas nunca indiferente, cruel ou egoísta. Como uma mãe, ele faz tudo o que é necessário para nos dar conforto, prazer, alegria, alimento, calor. Como um pai, ele nos dá destino, missão, identidade. Ele é um solo de violino que corta o silêncio com uma melodia profunda, mas também um surdo, uma orquestra completa de tambores axé, que marca o ritmo alegre e complexo de nosso desfile nas micaretas da vida.
Na América Latina, o continente onde o pai veio de longe e ao nos estuprar nos concebeu bastardos, vivemos no vazio da imagem masculina do amor. O pai se foi, e dói em nossa alma órfã. Resgatar a imagem do pai é tarefa de nossos homens de verdade; recriar uma figura masculina não baseada nos modelos culturais corruptos que vemos todos os dias em nossos lares, mas na imagem do Deus Pai.
No entanto, o Deus-Mãe sempre vai nos ser importante. Vamos precisar dele para entender com o coração o amor transcendente. Sem a Mãe, nosso Deus não é completo, não é vivo. A misericórdia, a ternura, o carinho sempre nos chegarão do Deus-Mãe, que não saiu um dia com outra mulher, que não foi comprar cigarros para nunca mais voltar, que não foi preso, que não bebeu o seu salário em vez de nos comprar comida, que não bateu em nossa mãe e em nós no desvario do álcool.
Pai-Mãe nosso celestial, acima do gênero e falhos modelos humanos, tenha piedade de nós, nos ajude a conhecer o verdadeiro amor...
• Bráulia Ribeiro, missionária em Porto Velho, RO, é autora de Chamado Radical (Editora Ultimato). braulia.ribeiro@uol.com.br
Crédito da imagem: Anderson Monteiro, avozdatela.blogspot.com/
fonte: http://www.ultimato.com.br/?pg=show_artigos&artigo=2401&secMestre=2409&sec=2430&num_edicao=318
terça-feira, 16 de junho de 2009
Decálogo da pessoa que está morrendo de uma enfermidade incurável
- Viver até o máximo de sua potencialidade biológica, emocional, espiritual, vocacional e social
- Viver de modo independente e alerta
- Ter alívio do sofrimento físico, emocional, espiritual e social
- Conhecer e recusar-se a conhecer sobre sua doença e sobre o processo de morrer
- Ser atendido por profissionais competentes e seguros nos seus campos, e sensíveis a suas necessidades e temores do seu processo de aproximação com a morte
- Ser o eixo principal das decisões a tomar em sua etapa final de vida
- Direito a que não se prolongue desnecessária e heroicamente suas funções vitais
- Direito a fazer o melhor uso criativo do seu tempo
- Direito de ter respeitadas as necessidades e temores dos seus entes queridos no manejo do seu processo, antes e depois da morte
- Morrer com dignidade, com o conforto e tranquilidade possíveis.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
A Santíssima Trindade é a melhor comunidade
Marcos Aurélio de Matos Barcellos
Recentemente estive lendo um livro de Leonardo Boff, com o título “A Santíssima Trindade é a melhor comunidade”, um livro muito interessante. Gostaria de partilhar com vocês o meu comentário sobre a sitada obra e à visão de Boff referente a trindade.
Leonardo Boff
Não posso iniciar um comentário sobre a presente obra, sem antes apresentar tão importante teólogo nacional, autor da mesma. Leonardo Boff cursou Filosofia em Curitiba-PR e Teologia em Petrópolis-RJ. Doutorou-se em Teologia e Filosofia na Universidade de Munique-Alemanha, em 1970. Ingressou na Ordem dos Frades Menores, franciscanos, em 1959.
Em 1984, em razão de suas teses ligadas à Teologia da Libertação, apresentadas no livro “Igreja: Carisma e Poder”, foi submetido a um processo pela Sagrada Congregação para a Defesa das Fé, ex Santo Ofício, no Vaticano. Em 1985, foi condenado a um ano de “silêncio obsequioso” e deposto de todas as suas funções editoriais e de magistério no campo religioso. Dada a pressão mundial sobre o Vaticano, a pena foi suspensa em 1986, podendo retomar algumas de suas atividades. Em 1992, sendo de novo ameaçado com uma segunda punição pelas autoridades de Roma, renunciou às suas atividades de padre e se auto-promoveu ao estado leigo.
Esteve presente nos inícios da reflexão que procura articular o discurso indignado frente à miséria e à marginalização com o discurso promissor da fé cristã gênese da conhecida Teologia da Libertação. Foi sempre um ardoroso defensor da causa dos Direitos Humanos, tendo ajudado a formular uma nova perspectiva dos Direitos Humanos a partir da América Latina, com “Direitos à Vida e aos meios de mantê-la com dignidade”. Agraciado com vários prêmios no Brasil e no exterior, por causa de sua luta em favor dos fracos, dos oprimidos e marginalizados e dos Direitos Humanos.
É autor de mais de 60 livros nas áreas de Teologia, Espiritualidade, Filosofia, Antropologia e Mística.
A Santíssima Trindade na visão de Leonardo Boff
Leonardo Boff, teólogo da Escola Católica Romana, brasileiro, ou seja, nascido em um país, porque não falar em um continente, claramente marcado pela desigualdade social. Tendo em vista isto, Boff encontrou campo fértil para a Teologia da Libertação, onde a proposta é a difusão do evangelho, voltado para o âmbito social. Nesta teologia, a proposta da trindade é, acima de tudo, trabalhar a sociedade, enfatizando a conquista da libertação para o pobre, marginalizado e oprimido. É sobre este prisma que fundamenta suas opiniões teológicas.
Boff, deixa muito clara sua forma de compreender a verdade trinitária, ele parte da experiência específica da fé cristã que, primeiramente, afirma a trindade. Isto significa que é irrefutável, para ele, a existência de Pai, Filho e Espírito Santo.
Entretanto, Leonardo Boff acredita, que não basta afirmar que existem três pessoas. Afirmar tão somente a existência de três pessoas poderia resultar na existência de três deuses, o que seria triteísmo, incompatível com a fé cristã.
Segundo Boff, é importante, para se evitar o triteísmo, sustentar o fato de que cada pessoa da Trindade, está plena e totalmente na outra. Para melhor entendimento deste ponto, é fundamental a pericórese trinitária, que consiste no “ínter-relacionamento eterno que existe entre os divinos Três”.
Assim como definiu o concílio de Florença, Leonardo Boff também entende que, “O Pai está todo no Filho e todo no Espírito Santo; o Filho está todo no Pai e todo no Espírito Santo; o Espírito Santo está todo no Pai e todo no Filho; ninguém procede ao outro em eternidade ou o excede em grandeza ou o sobrepuja em poder”.
Ele destaca um ponto importante ao falar da unidade das pessoas da Trindade. Diz ele que não devemos imaginar que as três divinas pessoas são como que três indivíduos que, posteriormente, se relacionam em comunhão e se unem. Por que, então, afirmar que as pessoas são distintas? Sendo a principal característica delas, segundo argumenta Boff, a unidade promovida pela comunhão das partes, porque três pessoas e não uma somente? O teólogo responde a esta indagação alegando que a distinção é fundamental porque as pessoas são distintas para se unir e se unem, não para se confundir, mas para uma conter a outra.
Portanto, a distinção na Trindade é apenas para possibilitar a comunhão. A Trindade das pessoas, unidas pela distinção e distintas pela união, designa uma diferença que não se opõe, mas se põe, pondo as outras.
Para Leonardo Boff, a comunhão reciproca, é o fator para a compreensão do mistério que se esconde por detrás da doutrina da Santíssima Trindade. A palavra comunhão é de fundamental importância para compreender o pensamento de Boff à respeito da Trindade, tanto em suas relações internas, quanto nas relações com os seres humanos.
Quando analisa o mistério da Trindade, o autor parte do princípio de que somente sendo Deus-Trindade, pode-se entendê-la como mistério de inclusão. Ele confronta a tese trinitária com o monoteísmo e com o politeísmo, para explicar tal proposição.
De forma que a Trindade expressa inclusão, Leonardo Boff afirma que tal inclusão e que a unidade das pessoas residem na comunhão entre os divinos Três. “Comunhão, que é a natureza da Trindade, significa crítica a todas as formas de exclusão e não participação”. E isto é algo que pode haver somente entre pessoas, uma vez que elas se abrem intrinsecamente umas às outras. “Pai, Filho e Espírito Santo vivem em comunidade por causa da comunhão”, conclui o autor.
O Pai, O Filho e o Santo Espírito, vivendo em perfeita harmonia, definem a essência da Trindade. “A interpenetração permanente, a correlacionalidade eterna, a auto-entrega das Pessoas umas às outras constitui a união trinitária, a união das Pessoas”.
Uma das linhas de pensamento importante de Leonardo Boff com relação à Trindade como mistério de inclusão é o fato de esta comunhão trinitária se abrir “para fora”. Portanto, esta comunhão não existe em uma dimensão tão somente interna. Visto que o aspecto mais importante da Trindade, para o autor, é a comunhão, seria incompleto se tal comunhão fosse desenvolvida apenas internamente.
Devido a isto, é que o autor afirma que a comunhão trinitária convida as criaturas, especialmente as humanas a se inserir na vida divina. Desta forma, quando se refere a Trindade, para ele, é o mesmo que falar de comum união. Reside em enxergar a possibilidade de coexistência da pluralidade no único, da diferença na igualdade.
A Trindade é composta por pessoas e levando-se em conta que é normal à pessoa o fato de relacionar-se, Boff argumenta, que as relações desenvolvidas pelas pessoas que a compõem se dão também nas dimensões externas ao seu ser. “Esta união-comunhão-pericórese se abre para fora… ‘que todos estejam em nós… a fim de que sejam uma coisa só como nós somos uma coisa só’ (Jo 17.21-22)”.
Segundo Boff, tomando como ponto de partida o fato de que Deus criou o homem, à sua imagem e semelhança, é correto afirmar, que o modelo de vida comunitária, deve se espelhar na Santíssima Trindade. Por isso, a grande influência exercida por esta na humanidade.
A Trindade atua como modelo para libertação, reformulação e reconstrução de uma nova sociedade. Pelo fato de ser ela uma comunhão perfeita, a maneira como as pessoas que a integram se relacionam se dá de modo igualmente perfeito. Assim, nada mais correto, para se promover relações mais saudáveis entre os homens, do que espelhar-se nas relações trinitárias.
Por isso, conclui o autor, a comunhão é a primeira e a última palavra do mistério trinitário. Traduzindo socialmente esta verdade de fé pode-se dizer como já foi feito: “A Santíssima Trindade é a melhor comunidade”.
Considerações Finais
A interpretação “Social” que Boff realiza da Trindade é muito interessante e convidativa. A maneira como o autor descreve e exemplifica o mistério da Trindade é interessante, porque ele nos leva a vislumbrar a perfeita comunhão dos diferentes e distintos a ponto de serem uma só realidade divina.
Convidativa, porque ele nos incentiva a olharmos para a Trindade, como modelo perfeito de sociedade e anelar por uma transformação, de forma que venhamos a manter relações de comunhão com todos, dando e recebendo e juntos construindo uma convivência rica, aberta respeitosa das diferenças e benéfica para todos.
Quando fala sobre a distinção das pessoas, Leonardo Boff destaca que tal distinção ocorre, também, para que se perceba as principais características da Trindade: A comunhão e o amor. Entretanto entendimentos errôneos do Deus Trino, podem acarretar problemas, como por exemplo: Totalitarismo político, autoritarismo religioso, machismo familiar, vanguardismo, espiritualismo, modalismo, subordinacionismo e triteísmo, são abordados com muita propriedade pelo autor.
Podemos com certeza, entender, concordar e aceitar quando o autor faz referência a existência de uma dimensão feminina do Deus Triúno. Entretanto Boff se perde, quando na tentativa de dar um lugar para a mulher em Deus, ele utiliza a figura de Maria, como um “quarto elemento”, elevado à altura do divino. Tal “elevação” não encontra amparo nas escrituras.
Leonardo Boff reduz a revelação bíblica, ainda que misteriosa, da Trindade a um modelo de relacionamento. Aponta como principal função e característica do Deus Trinitário servir de modelo para relações verdadeiras e livres da opressão a qual muitos são e foram, em todas as épocas, submetidos.
Lembro ainda que, Boff ressalta que “a comunhão é a primeira e última palavra do mistério trinitário… Ela é a melhor comunidade”. Conquanto seja verdade que a Trindade, sendo ela o único sistema relacional que funciona em harmoniosa perfeição, deva ser o modelo para as relações sociais desenvolvidas pelos homens, não se pode desconsiderar que sua existência não pode ser reduzida a tal papel, visto que ela não existe para o homem, mas este por causa dela.
Outro ponto, é que em sua tentativa de encaixar a Trindade como paradigma para a libertação social, Boff romantiza a necessidade do número três nesta comunhão divina. Realiza isto quando fala: “A Trindade impede um frente a frente do Pai e do Filho, numa contemplação narcisista. A terceira figura é o diferente, o aberto, a comunhão. A Trindade é inclusiva, pois une o que separava e excluía.” Neste ponto, mostra seu romantismo tentando compreender a misteriosa verdade ocultada em parte acerca do ser divino. No desejo de mostrar a importância da comunhão, por exemplo, Boff faz afirmações que não guardam relação com as verdades escriturísticas.
É bem verdade que a Bíblia afirma a existência de três pessoas no ser de Deus. Isto, no entanto, biblicamente, não pode ser explicado pelo fato de que, existindo dois, estes estariam expostos a um conflito narcísico, como se a existência de três pessoas fosse a razão pela qual a comunhão se estabelece, e não o fato de Deus, em seu Ser, ser perfeito em todos os seus atributos, refletindo-se isto em suas relações.
Entendo que além de se apoiar sobre as revelações escriturísticas, Boof procurou compreender a Trindade, também, pelo prisma das necessidades sociais, chegando a dar uma certa supremacia deste aspecto social, quanto a esta doutrina e quando, para isto, fundamentou seus argumentos, em especulações românticas, que acabaram em determinados momentos, levando-o a se afastar das revelações da Sagradas Escrituras.
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Diário de Wesley, agosto de 1736
Segunda-feira, 2 de agosto. Parti para a casa do representante do governador, aproximadamente trinta milhas de Charlestown, para entregar as cartas do Sr. Oglethorpe. Ela está localizada muito agradavelmente sobre uma pequena encosta, tendo um vale de cada lado, em um dos quais está uma densa floresta, e no outro uma plantação de arroz e milho indígena. Planejei ter voltado pela casa do Sr. Skeene, que tem por volta de cinquenta negros cristãos. Mas como meu cavalo estava cansado, fui obrigado a voltar direto para Charlestown.
Tinha enviado de volta para Savannah o barco que chegamos, esperando passar para o lado de lá, na casa do Coronel Bull. Como ele não ia tão logo, fui para a Travessia de Ashley na quinta-feira, pretendendo caminhar até Port Royal. Mas o Sr. Belinger não apenas me providenciou um cavalo, mas ele mesmo foi comigo dez milhas, e enviou seu filho para me acompanhar até a Travessia de Cumbee, vinte milhas mais afastada, de onde, tendo alugado cavalos e um guia, cheguei em Beaufort (ou Port Royal) na noite seguinte. Embarcamos pela manhã, mas o vento estando contrário, e muito violento, só chegamos em Savannah no domingo à tarde.
Terça-feira, 10. Verificando que o Sr. Oglethorpe tinha ido, fiquei somente um dia em Savannah e, deixando o Sr. Ingham e o Sr. Delamotte lá, parti na manhã de terça-feira para Frederica. Em minha caminhada até Thunderbolt peguei uma chuva tão violenta que todas as minhas roupas estavam tão ensopadas como se eu tivesse atravessado um rio. Nessa ocasião eu só pude observar aquele erro comum, sobre a nocividade das chuvas e dos orvalhos da América. Já fiquei completamente molhado com estas chuvas mais de uma vez, todavia sem qualquer prejuízo. E tenho deitado muitas noites ao ar livre, e recebido todos os orvalhos que caíam, e assim, creio, qualquer um poderia também, caso sua constituição física não tenha sido enfraquecida pela brandura de uma polida educação.
Embarcamos em Thunderbolt, e na sexta, 13 de agosto, chegamos em Frederica, onde entreguei as cartas do Sr. Oglethorphe que tinha trazido da Carolina. No dia seguinte parti para o Forte São Jorge. Desde aquela hora tive cada vez menos expectativa de ser útil em Frederica, muitos lá sendo extremamente zelosos, e incansavelmente diligentes, para impedir isto, e, do restante, poucos ousando mostrar-se contrários, por medo de seu descontentamento.
Sábado, 28. Separei (do pouco que tinha) alguns livros para uma biblioteca em Frederica. À tarde caminhei até o forte do outro lado da ilha. Por volta das cinco rumamos para casa, mas meu guia errando o caminho, logo nos perdemos na mata. Não obstante, caminhamos em frente tanto quanto pudemos, até entre nove e dez, quando, estando bastante cansados, e completamente molhados de suor, deitamos e dormimos até a manhã.
Ao romper o dia, no domingo, dia 29, partimos novamente, esforçando-nos para caminhar sempre em frente, e logo depois do nascer do sol nos encontramos na Grande Savannah, perto de Frederica. Por esta boa providência eu fui liberto de outro medo, o de ficar na mata, o qual a experiência mostrou que era, a alguém com uma saúde razoável, um mero “leão no caminho” [Pv 26.13].
_______________
Tradução: Paulo Cesar Antunes
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Fim da ética do dever
O professor titular da London School of Economics, e coordenador do Departamento de Governo desta universidade, Rodney Barker, concedeu entrevista à Folha de São Paulo, publicada no dia 07 de junho de 2009, à página A21.
Reproduzo algumas frases pinçadas, percebendo que também cabem na atual situação política brasileira, acrescidas de comentários pessoais:
"É somente em democracias que é possível descobrir o que os políticos fazem e estão aptos a fazer." Mas, para isto, é necessário que o cidadão esteja atento aos acontecimentos, saiba se organizar em grupos de pressão e se sinta responsável pela condução da "coisa pública".
"Na verdade, a democracia é a única esperança de se combater a corrupção quando são considerados os regimes autocráticos e totalitários." Não adiantam falsos messias, individuais ou corporativos (como as forças armadas, p. ex) – ou os cidadãos trabalham como equipe, com todas as dificuldades que isto representa, ou ela não cessará.
"Nós nunca seremos governados por anjos. No entanto, havia no passado uma noção de ética no serviço público. Havia pessoas determinadas a entrar para avida pública pelo simples fato de que elas consideravam isso uma coisa relevante. De certa forma, acreditavam ter uma espécia de 'dever' de cidadão em relação as suas classes, sua nação, sua igreja...O que está acontecendo é que essa ética dos erviço público, do dever profissional, está sendo minada e erodida por diferentes ideologias que surgiram depois dos anos 70." No contexto, serviço público parece significar atividade política-partidária. Não sei se o Brasil já viu em grande número pessoas desta categoria. Mas parece inegável que após o retorno da democracia um sem número de pessoas interessadas somente em si mesmas conseguiu ser eleita e fincar o pé nos mais diversos cargos eletivos. Como um insulto a Francisco de Assis, criou-se até a irmandade do "é dando que se recebe".
"O lado negativo disso é que3 essas ideologias pregam que nós não precisamos de pessoas cuidando de nós como se fôssemos crianças...Todos devem buscar o seu interesse próprio, cumprir seus próprios deveres. A lógica é que o sistema não tem que prover escolas e hospitais...mas sim criar as condições para que cada um obtenha seu próprio dinheiro. Cria-se a noção de que uma sociedade saudável é aquela em que todos estão cuidando de seus próprios interesses." Nada mais antibíblico, tanto no Velho quanto no Novo Testamentos; e esta ideologia se infiltra na igreja das mais diversas formas travestida de teologia.
"Os membros do Parlamento Britânico...são políticos que não têm muito poder hoje...vêm todo mundo priorizando seus próprios interesses...então, eles usam o sistema...se as regras permitem que façam isso...eles reivindicam gastos para eles mesmos."
"Nada funciona por si mesmo. Provisões do Estado não vão ser alcançadas por elas mesma, a não ser que você tenha uma população crítica. O mercado não vai funcionar por ele mesmo a não ser que você tenha um estado vigilante e uma população vigilante."
terça-feira, 9 de junho de 2009
O nome de Deus nas tragédias
Fico inquieto com estas questões. Concluo que não se pode evocar o nome de Deus sem muita reflexão antes. Será que todos usamos em vão o Seu Nome?
* Psicólogo, residente em São Paulo, Membro fundador e ex-presidente do Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Infância Violentada
A vereadora Liliam Sá, do Paraná, declarou na CPI do Turismo Sexual que há denúncias de pontos de prostituição infantil em vários pontos do estado do Rio de Janeiro. Também chegaram à CPI informações de que há meninas se prostituindo em Sepetiba por R$ 1,99. Ao lado e além do fato, triste e desalentador, há a cifra que espanta pelo simbolismo que carrega em si.
Há muitos anos, a cifra R$ 1,99 virou um símbolo da estabilidade econômica popularizado em milhares de lojas de todo o país. O Plano Real ganhava credibilidade e o consumidor brasileiro via com tranqüilidade crescente artigos vendidos a R$ 1, 99, mostrando que se podia confiar no modelo econômico brasileiro, que saíra definitivamente da inflação galopante em que estivemos mergulhados durante longos anos. Agora R$ 1,99 denuncia uma espantosa instabilidade: a do nível de segurança em que vive grande quantidade de crianças e adolescentes em nosso país.
No ano passado, lemos espantados na grande imprensa a notícia de que a cifra R$ 1,99 tinha, nas cidades de Curitiba e Paranaguá, conotação bem diferente que a de calmaria econômica no cenário brasileiro. A simbólica e positiva cifra significa a maneira pela qual são conhecidas algumas ruas dessas cidades paranaenses onde meninas de 11 ou 12 anos - muitas já envolvidas com drogas - fazem programas ao ar livre por R$ 1,99 ou outros valores irrisórios.
Estreitamente ligado ao problema da prostituição infantil está, portanto, o imenso monstro da droga e do narcotráfico. Muitas dessas meninas se prostituem para obter droga. Por causa do crack que precisam cheirar e/ou vender, fazem sexo por qualquer dinheiro. Os clientes são caminhoneiros que param em postos de gasolina à margem das estradas federais. Ou marinheiros, em geral estrangeiros, que lotam bordéis na área do porto. No Rio de Janeiro, recentemente, a Polícia Rodoviária Federal identificou 1.918 pontos vulneráveis à ocorrência de casos de violência sexual contra crianças ao longo dos mais de 60 mil km de rodovias federais.
Tudo isso mostra que a exploração da prostituição infantil ainda é um crime sem castigo, que acontece impune, disfarçada de "atendimento ao turista" ou mostrando mesmo sua cara hedionda, sem se preocupar com disfarces. Vários anos depois de o presidente Lula eleger o combate à prostituição infantil como questão de honra de seu governo, ainda há meninas menores que vendem o corpo pelo preço irrisório de R$ 1,99, R$ 0,50 ou mesmo por um prato de comida. Apesar das promessas e dos propósitos, um levantamento recente mostra que muitas das principais organizações criminosas identificadas em 2003 pela CPI da Prostituição Infantil do Congresso não foram sequer investigadas e continuam atuando livremente.
Como sempre, as vítimas mostram a face da fraqueza maior: pobres, do sexo feminino e negras, elas continuam sendo alvo indefeso às terríveis explorações do tráfico e do sexo. O Brasil chora a inocência agredida de suas meninas. E espera medidas enérgicas e eficientes por parte de um governo que, se espera, ainda queira investir no futuro do país.
* Teóloga, professora e decana do Centro de Teologia e Ciências Humanas da PUC-Rio
Autora de "Simone Weil – A força e a fraqueza do amor" (Ed. Rocco).
Fonte: ADITAL / O Absurdo e a Graça
terça-feira, 2 de junho de 2009
A TV Globo Ficou Boazinha?
Fui surpreendido, assistindo a TV Globo nos Estados Unidos (onde ela localmente proíbe publicidade de Igrejas), com a série “Os Evangélicos”, e a divulgação de ministérios sociais da Assembleia de Deus, dos presbiterianos, metodistas, adventistas, batistas e luteranos. A Globo nunca abriu espaço para as Igrejas evangélicas, e a única exceção foi a transmissão da Cruzada Billy Graham Grande Rio, nos anos 70, com o Maracanã lotado pela primeira vez desde o final da Copa de 1950, por pressão do regime militar, como consta da biografia autorizada do Dr. Billy Graham, escrita por John Pollock. Naquela cruzada, o Bispo Sherrill, foi um dos co-presidentes e o Arcebispo de Cantuária, Revmo. Michael Ramsey, vestido de cassoque púrpura, falou da plataforma, com os pentecostais e batistas de olhos arregalados diante de um “Arcebispo Protestante”, traduzido pelo Rev. Benjamim Moraes, da Igreja Presbiteriana.
Pois bem! Durante esses anos a Globo tem “feito a cabeça” de milhões de brasileiros, com um modelo de vida urbano-burguesa-secular, onde Igreja só entra para festa de casamento, os costumes são liberalizados, os personagens de suas novelas não praticam religião, e o homossexualismo é promovido. Os protestantes ou são ignorados ou são pintados negativamente, ou aparecem como personagens que são caricaturas ridículas. Temos sido excluídos por décadas, e temos testemunhado impotentes ao poder deseducativo daquela rede de comunicação, que cresceu no regime militar, foi assessorada pelo grupo Time-Life, de braços com o Ministro da Comunicação “Toninho Malvadeza” (ACM).
E, agora, a Globo “se converteu”? Longe disso.
Os caras são sabidos e são comerciais. No início da série o apresentador fala que somos 15% da população (+/- 25 milhões de pessoas), ou seja, um imenso mercado, que eles percebem que se sente desconfortável com as posturas da empresa.
Com “Jade” ela promoveu o Islamismo; com “O Caminho das Índias” o Bramanismo; e se fala em uma próxima novela que promoverá o Budismo.
Lembro-me de um pastor pentecostal, meu amigo, que após a edição manipulativa da Globo do debate final entre Lula e Collor em 1989 (hoje ambos “aliados”), beneficiando, escandalosamente, esse último, programou o seu aparelho de televisão para não receber o sinal da Globo, como forma de protesto e para melhor garantir a saúde espiritual e moral da sua família.
Portanto, meus irmãos, nada de comemorações apressadas, nada de ingenuidade. A TV Globo continua a mesma, e nós os evangélicos temos que desenvolver um espírito crítico diante da mídia, buscar alternativas (como a Rede Brasil, e outras), cobrar, propor, e sempre que necessário, protestar, pois afinal, somos ou não somos protestantes?...
High Springs, Flórida, 01 de junho 2009.
+Dom Robinson Cavalcanti, ose
Bispo Diocesano
Secretaria Episcopal
Diocese do Recife - Comunhão Anglicana
Escritório Maceió - AL
(das 8h às 13h)
Visite nossa página: www.dar.org.br
"Fiel é esta palavra e digna de inteira aceitação. Ora, é para esse fim que labutamos e nos esforçamos sobremodo, porquanto temos posto a nossa esperança no Deus vivo, Salvador de todos os homens, especialmente dos fiéis" (1 Tm 4:9-10).
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Por que a Globo está divulgando série de reportagens positivas sobre os evangélicos?
| | |||
Esta é a pergunta que todos os evangélicos deveriam estar fazendo, com profundo senso crítico e em oração, diante da recente série de reportagens a respeito da ação social dos evangélicos no Jornal Nacional, e de texto da edição de aniversário da Revista Época, também de propriedade do grupo, sobre o crescimento da igreja e as consequências (também positivas) para a sociedade. A resposta certa, nenhum de nós pode dar de forma absoluta. As razões do coração de donos e editores dos veículos só eles guardam na sua intimidade. Mas algumas possibilidades devem ser relacionadas. Veja uma das reportagens do Jornal Nacional, exibida em 28/5, que destaca o trabalho com crianças do Ministério Reame - Resgate e Ame, realizado com o apoio, entre outros, da Igreja Batista. Apesar do fato de a repercussão, independentemente dos motivos da edição, serem muito favoráveis à igreja, com aumento da simpatia da opinião pública, mais crescimento numérico e até recursos para projetos sociais, é preciso que os líderes evangélicos fujam da tentação do deslumbramento com os 15 minutos de fama e aparente simpatia da Globo, até porque não se deve esquecer que esta mesma mídia até bem pouco tempo, às vezes com razão, outras nem tanto, enxovalhou a imagem da igreja evangélica sem dó nem piedade. Por exemplo, seria ingênuo não pensar na possibilidade de existir por trás desta iniciativa, agora favorável, interesses políticos, comerciais, ou aqueles relacionados à perda de audiência. Outra possibilidade é que o crescimento surpreendente do número de fiéis evangélicos esteja gerando consequências não favoráveis para a empresa em questão e sua disputa com outras emissoras concorrentes, especialmente a que está ligada à Igreja Universal. Outro fator importante a ressaltar, é o início da corrida para as eleições para presidente e governadores em 2010. E o fato do apoio dos evangélicos ser cada vez mais ambicionado pelas forças políticas, inclusive as financiadas por anunciantes da própria Globo. Mas a hipótese de motivo das reportagens que desejaríamos seria a de uma decisão livre de reunião de pauta e de reconhecimento sincero do trabalho dos evangélicos pelos editores do jornal. Afinal de contas, foi para isso que, ao longo de muitos meses de trabalho, enviamos, como agência cristã de notícias, a dezenas de jornalistas daquela emissora informações que demonstram o lado outrora pouco divulgado pela mídia não evangélica.(Por Lenildo Medeiros e Philippe Leandro) fonte: http://www.agenciasoma.org.br/sys/popmaterias.asp?codMateria=a5bPQRLBb3NZ&secao=show |
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Constrangimento em Dallas
Em março fui a Dallas para participar de uma nova feira de livros, a Christian Book Expo. Ao contrário das outras feiras, sempre restritas ao setor livreiro, esta abriu as portas ao público da cidade. Após dois anos de marketing e preparação, os organizadores esperavam 20 mil pessoas. A programação incluía palestras, sessões de autógrafos e debates entre as celebridades evangélicas mais badaladas. Mais de duzentos autores confirmaram presença. Dezenas de editoras montaram estandes para vender livros. Tudo isto no cavernoso Dallas Convention Center.Resultado? Um verdadeiro fiasco. A feira atraiu apenas 1.500 pessoas ao longo dos três dias. O público de alguns dos muitos eventos da feira se restringiu a apenas dez ou quinze participantes. O salão de exposição de livros mais parecia uma cidade fantasma.
Na autópsia que se sucedeu, os organizadores justificaram o fracasso, procurando atribuir culpa à crise econômica (que, aliás, já é culpada por tudo), à falta de marketing de massa, à coincidência com o período de férias escolares conhecido como "spring break" etc. Porém nada conseguiu esconder o constrangimento dos organizadores ao constatarem a retumbante falta de interesse do público de Dallas, a capital americana mais evangélica de todas, situada dentro da cinturão da Bíblia e sede de várias megaigrejas.
É impossível afirmar com precisão, mas esta crise de apatia talvez reflita o que vem acontecendo nos Estados Unidos: perda de poder político da Direita Religiosa, crescimento do humanismo secular, ostracismo cultural do fundamentalismo cristão e uma incômoda falta de novas ideias (até a recente igreja emergente já está mais para "submergente"). Há uma sensação de que o futuro não reserva nenhuma reversão para a igreja evangélica americana, cada vez mais marginalizada pela sociedade, pela academia e pela "intelligentsia". As previsões de Philip Jenkins podem estar se materializando mais rapidamente que se esperava. O eixo do cristianismo global está de fato se movendo em direção ao hemisfério sul. É lá que acontece o crescimento, a paixão pela causa, o ímpeto evangelizador, as ondas de vidas transformadas, a rejeição ao liberalismo, o novo foco de estratégia missionária e as novas ideias.
O que falta ainda no hemisfério subequatoriano são pensadores e escritores capazes de mobilizar públicos internacionais. Acredito que não se trata da falta de capital intelectual, mas da resistência de barreiras linguísticas e logísticas que dificultam a disseminação. A língua franca do cristianismo continua sendo o inglês, e os "gatekeepers" das ideias ainda são as editoras americanas e inglesas, que emprestam a credibilidade de suas marcas aos textos dos seus autores.
Com a decadência da igreja nos Estados Unidos, no entanto, este quadro pode mudar. Enquanto as editoras americanas encolhem diante das diversas crises, no Brasil as editoras aumentam a produção, refletindo o crescimento da população evangélica. Hoje entendo que chegará um dia em que nossas editoras alcançarão seus congêneres americanos. Nesse momento a pujança econômica poderá alinhar-se às novas fronteiras da igreja, e o resultado poderá ser um grande potencial de influência global para nossos pensadores e escritores. Até lá, temos de aprender a pensar e a escrever.
• Mark Carpenter é diretor-presidente da Editora Mundo Cristão e mestre em letras modernas pela USP.
fonte: http://www.ultimato.com.br/?pg=show_artigos&artigo=2398&secMestre=2409&sec=2429&num_edicao=318#
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Diário de Wesley, julho de 1736
Quinta-feira, 1º de julho. Os índios fizeram um encontro, e outro no sábado, quando Chicali, seu líder, jantou com o Sr. Oglethorpe. Depois do jantar, eu perguntei ao velho homem de cabelos grisalhos o que ele achava sobre qual seria a finalidade dele ter sido criado. Ele disse, "Aquele que está lá em cima sabe para qual finalidade ele nos criou. Nós não sabemos de nada. Estamos na escuridão. Mas homens brancos sabem muito. E também homens brancos constroem grandes casas, como se eles fossem viver para sempre. Mas homens brancos não podem viver para sempre. Em pouco tempo, homens brancos serão pó assim como eu." Eu disse a ele, "Se os homens vermelhos [índios americanos] estudarem o bom livro [a Bíblia], eles poderão saber tanto quanto os homens brancos. Mas nem nós nem vocês podemos entender esse livro, a não ser que sejamos ensinados por Aquele que está no céu. E Ele não ensinará, a menos que vocês evitem o que já sabem que não é bom." Ele respondeu, "Eu creio nisso. Ele não nos ensinará enquanto nossos corações não forem puros. E nossos homens fazem o que eles sabem que não é bom: eles matam seus próprios filhos. E nossas mulheres fazem o que elas sabem que não é bom: elas matam a criança antes de seu nascimento. Por isso, Aquele que está no céu não nos manda o bom livro."
Ouvindo que a mais jovem das Senhoritas Boveys não estava bem, fiz-lhes uma visita rápida esta noite. Percebi que ela tinha apenas brotoeja, um tipo de erupção de pele, muito comum aqui no verão. Logo começamos uma conversa séria, depois que perguntei se elas não achavam que eram jovens demais para já se preocuparem com religião, e, se elas não poderiam adiar isso por dez ou doze anos. Ao que uma delas respondeu, "Se será razoável daqui a dez anos ser religiosa, é igualmente razoável agora. Eu não vou adiar um minuto."
Quarta-feira, 7. Fui lá visitá-las novamente, estando determinado agora a falar mais intimamente. Mas, encontrando outras pessoas lá, a prudência me induziu a adiar até uma outra oportunidade.
Quinta-feira, 8. Lá estando o Sr. Oglethorpe novamente, e casualmente falando da morte súbita, a Srta. Becky disse, "Fosse a vontade de Deus, eu escolheria morrer uma morte rápida." Sua irmã disse, "Então, você está preparada para morrer?" Ela respondeu, "Jesus Cristo sempre está preparado para me ajudar. E pouca ênfase deve ser colocada em semelhante preparação para a morte tal como se faz num ataque de doença."
Sábado, 10. Bem no momento quando eles tinham terminado de tomar chá, a Sra. Margaret, vendo a mudança de sua cor, perguntou se ela estava bem. Ela não deu nenhuma resposta. Chegando o Dr. Tailfer logo após ser chamado, ela desejou que ele entrasse, e disse, "Senhor, minha filha, temo, não está bem." Ele olhou seriamente para ela, sentiu seu pulso, e respondeu, "Bem, senhora, sua filha está morrendo!" Entretanto, ele achou que era possível que a hemorragia pudesse ajudar. Ela sangrou aproximadamente uns 30 ml, inclinou-se para trás e morreu!
Logo que tomei conhecimento, fui para a casa, e implorei que elas não a preparassem para o velório imediatamente, havendo uma possibilidade de, pelo menos, ela poder estar somente desmaiada. Havia essa pequena esperança, ela não apenas estando tão quente como sempre, mas tendo uma cor viva em suas bochechas, e algumas gotas de sangue começando a correr quando se dobrava o seu braço, mas não havia pulso e nem respiração, de forma que, tendo esperado algumas horas, percebemos que seu "espírito na verdade retornou a Deus que o deu."
Eu nunca vi um defunto tão lindo em minha vida. Pobre conforto para o seu último habitante! Eu me surpreendi muito com sua irmã. Havia, em todo o seu comportamento, uma mistura inexprimível de ternura e resignação. A primeira vez que eu falei com ela, ela disse, "Todas as minhas aflições são nada se comparadas a isto. Eu não apenas perdi uma irmã, mas também uma amiga. Mas é a vontade de Deus. Eu confio nele, e não duvido que ele irá me ajudar a passar por isto."
Esta noite tivemos um temporal de trovão e relâmpago como eu nunca tinha visto antes, até mesmo na Geórgia. Esta voz de Deus, também, me disse que eu não estava preparado para morrer, visto que estava com medo ao invés de desejoso disso. Ó, quando eu desejarei morrer e estar com Cristo? Quando eu amá-lo com todo o meu coração.
Na noite seguinte, quase a cidade toda esteve presente ao funeral, onde muitos, sem dúvida, faziam uma porção de boas resoluções. Ó, quão poucos sinais da maioria destes serão deixados pela manhã! É verdadeiro aquele ditado que diz: "O inferno está cheio de boas intenções."
Terça-feira, 20. Cinco dos índios Chicasaw (vinte dos quais tinham estado em Savannah vários dias) vieram nos ver, com o Sr. Andrews, seu intérprete. Todos eles eram guerreiros, quatro deles líderes de tribo. Os dois caciques eram Paustoobee e Mingo Mattaw. Nossa reunião aconteceu como segue:
Pergunta. Vocês crêem que existe Alguém no céu que está acima de todas as coisas?
Paustoobee respondeu, Cremos que há quatro coisas amadas no céu: as nuvens, o sol, o céu claro e Aquele que vive no céu claro.
P. Vocês crêem que existe apenas Um que vive no céu claro?
R. Cremos que existem Dois com Ele, Três no total.
P. Você acredita que Ele criou o sol e as outras coisas amadas?
R. Não podemos dizer. Quem viu?
P. Você acredita que Ele criou vocês?
R. Pensamos que no início Ele criou todos os homens.
P. Como Ele os criou no início?
R. Da terra.
P. Vocês crêem que Ele ama vocês?
R. Não sei. Não posso vê-lo.
P. Mas Ele freqüentemente não tem preservado suas vidas?
R. Sim. Muitas balas vieram por este lado e muitas por este outro, mas ele nunca deixou que elas me ferissem. E muitas balas entraram nestes jovens e todavia eles estão vivos.
P. Então, Ele não pode salvar vocês de seus inimigos agora?
R. Sim, mas não sabemos se Ele salvará. Temos agora tantos inimigos ao nosso redor que eu não penso em outra coisa senão na morte. E se devo morrer, que eu morra. Embora já tive muitos inimigos, Ele pode destruí-los todos.
P. Como você sabe disso?
R. Do que tenho visto. Antes, quando nossos inimigos vinham contra nós, então as amadas nuvens ficavam do nosso lado. E freqüentemente muita chuva, e algumas vezes granizo, caía sobre eles, e isso em um dia muito quente. E vi, quando muitos franceses, Choctaws e outros povos vieram contra uma de nossas cidades, o chão fez um barulho debaixo deles, e os amados no ar atrás deles, e eles ficaram com medo e foram embora, deixando sua carne, sua bebida e suas armas. Não estou mentindo. Todos estes viram também.
P. Vocês ouviram esses barulhos em outras ocasiões?
R. Sim, muitas vezes, antes e depois de quase toda batalha.
P. Que tipo de barulhos foram esses?
R. Como o barulho de tambores, armas e gritos.
P. Você ouviu algum ultimamente?
R. Sim, quatro dias depois de nossa última batalha com os franceses.
P. Então você não ouviu nada antes disso?
R. Na noite anterior sonhei que tinha ouvido muitos tambores lá em cima, e muitas trombetas lá, e muito barulho de pé batendo e gritos. Até então pensava que iríamos todos morrer. Mas então pensei que os amados viriam nos ajudar. E no dia seguinte ouvi no céu uma centena de armas dispararem antes da luta ter começado, e disse, "Quando o sol estiver lá, os amados nos ajudarão, e iremos vencer nossos inimigos." E assim fizemos.
P. Vocês muitas vezes pensam e falam sobre os amados?
R. Pensamos neles sempre, onde quer que estejamos. Falamos sobre eles e para eles, em nossa casa ou fora dela, na paz, na guerra, antes e depois de lutarmos, e, na verdade, toda vez e onde quer que nos reunimos.
P. Para onde vocês pensam que suas almas irão após a morte?
R. Cremos que as almas dos homens vermelhos caminham para lá e para cá, perto do lugar onde eles morreram, ou onde seus corpos se encontram, pois muitas vezes temos ouvido gritos e barulhos perto do lugar onde os prisioneiros foram queimados.
P. Para onde as almas dos homens brancos irão após a morte?
R. Não podemos dizer. Não temos visto.
P. Acreditamos que somente as almas dos homens maus caminham para lá e para cá, mas as almas dos homens bons sobem.
R. Acredimos nisso também. Mas eu somente disse a você o que pensa o nosso povo.
(Sr. Andrews.– Eles disseram na hora do enterro que sabiam o que você estava fazendo. Você estava falando aos amados no céu para levantarem a alma da jovem mulher.)
P. Temos um livro que nos diz muitas coisas dos nossos amados no céu. Você gostaria de conhecê-los?
R. Não temos tempo agora senão para lutar. Se estivéssemos em paz, gostaríamos de conhecer.
P. Vocês esperam alguma vez conhecer o que os homens brancos conhecem?
(Sr. Andrew.– Eles disseram ao Sr. Oglethorpe que acreditavam que virá o tempo em que os homens vermelhos e brancos serão um.)
P. O que os franceses ensinam a vocês?
R. Os reis negros franceses nunca deixam suas casas [por 'reis negros' os índios querem dizer 'sacerdotes']. Vemos você vagueando por aí: gostamos disso, isso é bom.
P. Como seu povo obteve o conhecimento que tem?
R. Assim que o solo estava firme e preparado para ficarmos sobre ele, ele veio a nós, e tem estado conosco desde então. Mas somos jovens. Nossos pais sabem mais, mas nem todos eles sabem. Há apenas alguns, que o Amado escolhe desde criança, e está neles, e toma cuidado deles, e os ensina. Eles sabem estas coisas, e nossos pais praticam, por isso sabem. Mas eu não pratico, por isso sei pouco.
Segunda-feira, 26. Meu irmão e eu rumamos para Charlestown, a fim dele embarcar para a Inglaterra mas, estando o vento contrário, não atingimos Port-Royal, quarenta milhas de Savannah, até a noite de quarta. Na manhã seguinte partimos. Mas o vento estava tão violento à tarde, enquanto atravessávamos o Canal de Santa Helena, que nosso marinheiro mais antigo gritou, "Agora é cada um por si." Eu disse a ele, "Deus cuidaria de todos nós." Quase tão logo as palavras foram ditas, o mastro caiu. Me mantive no canto do barco, para ficar desobstruído no caso dele afundar (o que a todo momento esperávamos que ia acontecer), embora com pouca esperança de nadar em direção à terra, contra esse vento e mar. Mas, "Como é que não tens fé?" No momento que o mastro caiu, dois homens o pegaram, e puxaram-no para o barco. Os outros três remaram com todas as suas forças, e "Deus repreendeu os ventos e o mar," de forma que em uma hora estávamos a salvo em terra firme.
Sábado, 31. Chegamos a Charlestown. A igreja é de tijolo, mas toda coberta como pedra. Creio que acomodaria umas trezentas ou quatrocentas pessoas. Aproximadamente trezentas estavam presentes no culto matinal do dia seguinte (quando o Sr. Garden rogou que eu pregasse), e aproximadamente cinqüenta na santa ceia. Estava feliz de ver várias pessoas negras na igreja, uma das quais me disse que estava lá regularmente, e que sua antiga patroa (agora morta) tinha muitas vezes a instruído na religião cristã. Eu a perguntei que religião era. Ela disse que não sabia dizer. Eu perguntei se ela sabia de que essência era. Ela respondeu, "Não." Eu disse, "Você sabe que há algo em você diferente do seu corpo? Algo que você não pode ver ou sentir?" Ela respondeu, "Nunca me falaram dessas coisas antes." Eu acrescentei, "Você acha, então, que no geral um homem morre tal qual um cavalo morre?" Ela disse, "Sim, certamente." Ó Deus, onde estão tuas ternas misericórdias? Elas não estão sobre todas as tuas obras? Quando o Sol da Justiça nascerá sobre estes párias, com cura em Suas asas! [Ml 4.2]
_______________
Tradução: Paulo Cesar Antunes
segunda-feira, 25 de maio de 2009
Aborto, Estado laico e igreja: até onde podemos opinar?
Até onde você pode defender suas posições num debate público com base em suas convicções religiosas? Recentemente vi um artigo publicado num site cristão em que o autor dizia que pessoalmente era contrário ao aborto, mas que não se sentia com direito algum de intervir na escolha que eventualmente uma outra pessoa quisesse fazer a respeito do assunto. Ser contra o aborto nesses termos é de uma inutilidade prática absoluta.Essa é a posição mais comum hoje: a de Barack Obama. Nela, como indivíduo e como cristão, posso ser contrário ao aborto e a outras práticas que ofendam os princípios cristãos, mas como cidadão não posso querer que outras pessoas -- que não professam a minha fé -- se sujeitem a essa posição. Desse modo, sou individualmente contrário a isto ou aquilo, contudo não me oponho a que o Estado legalize essas situações (aborto, células-tronco etc).
O fundamento para essa posição reside numa confusão que precisa de esclarecimento urgente. Normalmente essa postura tem por base o pressuposto de que o Estado é laico. Isso significaria que, como entidade secular, o Estado não pode ter posições religiosas e nem fundamentar suas decisões em pressuposições desse tipo.
Porém Estado laico não significa nada disso e o princípio de sua laicidade jamais deveria servir de cortina para os cristãos se omitirem de se posicionar na arena pública de acordo com suas convicções. Reconheço que é penoso e profundamente desconfortável defender certas posições com base em nossas pressuposições cristãs numa sociedade agudamente secularizada, especialmente quando a mídia já definiu o jogo contra nós. Mas daí, para se livrar do desconforto de assumir uma posição impopular, invocar o princípio de que o Estado é laico e dizer que não posso obrigar os outros a terem a minha posição é renunciar do modo mais covarde o nosso papel de ser sal em meio à nossa geração.
O princípio da laicidade implica que o Estado não pode favorecer uma religião. A primeira regra escrita surgiu na Constituição dos Estados Unidos, a qual dizia que "o Congresso não aprovará nenhuma lei relativa ao estabelecimento de religião ou que proíba seu livre exercício". Como se vê aí, a regra não implica amordaçar a ética cristã na arena pública, mas garantir a neutralidade do Estado em matéria de religião.
O Estado é religiosamente neutro, contudo não devemos esquecer que suas leis refletem a ética de seu povo, da sociedade. O Estado, quando autoriza o aborto, está fazendo uma opção ética: está sinalizando sua posição quanto ao que ele entende o que é o bem e o que é o mal. A definição da ética estatal depende das forças que gravitam nesse meio social. Se nós, como povo cristão, fazemos parte do Estado brasileiro, por que raios não iríamos querer influenciar na formação da vontade do Estado? Por que razão neste mundo renunciaríamos ao direito de procurar fermentar esse bolo de acordo com os princípios que dizemos crer?
Veja bem, não defendemos uma teocracia e nem desejamos que o Estado se transforme numa igreja ou que patrocine qualquer tipo de culto religioso. Apenas, como parte da nação, queremos participar na formação do rosto social que se reflete nas leis do Estado em que vivemos. Temos uma ética e o direito -- o dever, na verdade -- de defendê-la no debate público. Renunciar a isso e deixar de defender publicamente nossas posições sob o disfarce de favorecer liberdades laicas reduz à cultura de gueto a missão cultural que nos foi delegada por Jesus de Nazaré.
• João Heliofar de Jesus Villar, 45 anos, é procurador regional da República da 4ª Região (no Rio Grande do Sul) e cristão evangélico.
domingo, 24 de maio de 2009
O fundo do poço
Hoje, vejo na revista Época que alguns pesquisadores projetam 50% da população brasileira identificada como evangélica em uma década não muito distante.
Na Ultimato deste bimestre um dos articulistas levanta que uma nova onda de perseguição deve estar chegando, sendo a "lei da homofobia" uma de suas vertentes.
É o fundo do poço.
Não sonho em metade dos brasileiros dentro de igrejas chamadas evangélicas. Provavelmente as estatísticas dizem respeito aqueles que Jesus rechaçou certa vez, dizendo-lhes que a única razão de O terem procurado foi terem se fartado de pão, multiplicado a partir da oferta de um garotinho (e ainda dizem que milagres são a cura da incredulidade...). A consequência da teologia da prosperidade é somente esta: templos cheios de gente que não querem ser cauda, mas cabeça, que não adoram, negociam, que não servem, mas buscam ser servidas.
Não quero metade da população evangélica, nem um presidente, ou governador, ou prefeito, ou síndico evangélico. Evangélicos que fraudam o imposto de renda, vendem seus votos nas assembleias, empregam parentes ou irmãos na fé, constituem ONGs de fachada, ou buscam meramente poder político.
Sonho com o meu vizinho confessando que nada tem a apresentar diante de Deus Pai todo poderoso, que se envergonha de pensar em estar na Sua presença, e que confessa merecer todos os castigos intermináveis do mundo, e que reconhece que Jesus o sofreu no seu lugar.
Sonho com cristãos que não fazem caso de rótulos, deixando suas denominações de lado, por mais históricas e firmes que possam ser, para, aceitando-se mutuamente, ajudarem o vizinho a realizar o mais difícil de todos os milagres. Não é mover a montanha de um lado para o outro, ou transformar pedras em pão, ou curar o câncer, ou o diabetes, ou devolver a vista aos cegos ou as pernas aos amputados pela guerra. É fazer a oração do fariseu: "ó Deus, tem piedade de mim porque sou pecador". É confessar que Jesus Cristo é Senhor com a boca e coração, mostrando frutos dignos de arrependimento e conversão, mesmo que morrendo na pobreza e enfrentando até o fim dificuldades sem fim.
É o fundo do poço quando somos identificados como estelionatários, falsários, ladrões ou qualquer coisa semelhante - como conseguimos esta proeza?
Quem vai sentir a nossa falta quando desaparecermos?
Nada como um susto sanitário global para detectar a taxa de solidariedade entre as nações — ou a falta dela. Também se mede o bom senso das autoridades de saúde nas medidas de prevenção — ou as pressões políticas e econômicas que as embasam. O vírus da Influenza A(H1N1), nome adotado pela OMS em lugar de gripe suína após protestos da indústria de carne de porco e derivados, espalhou preconceito e alarmismo, além de medo institucional.
Derval Dasilio
Deus criou uma natureza deslumbrante, uma profusão de formas, cores, cheiros, texturas, sabores e sons, para o nosso deleite. O ápice de sua criação foi o ser humano. Ele criou macho e fêmea à sua imagem e lhes deu autoridade sobre a terra. Porém, a ambição de ser igual a Deus os levou a usar o conhecimento a serviço desta ânsia pelo poder. Assim, rompeu-se a parceria com Deus, entre eles e com o resto da criação.