Sexta-feira, dia 10 de abril, vamos comemorar mais uma vez a paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Dois dias depois, no domingo, celebraremos a sua ressurreição. Tomemos cuidado para celebrar as duas datas com a mesma intensidade. Em geral damos mais ênfase à paixão, que é de suma importância, contudo a obra salvífica de Jesus se completa na ressurreição. A não-celebração da ressurreição enfatiza apenas o Jesus morto, gerando melancolia e frustração.O filme “A Paixão de Cristo”, de Mel Gibson, que custou 30 milhões de dólares, tem a duração de duas horas e seis minutos. Desse tempo, observa Vittorio Messori, duas horas são dedicadas ao martírio de Jesus e à ressurreição, apenas seis minutos. Uma italiana que também assistiu ao filme reclama que Mel Gibson “só mostra Jesus apanhando, apanhando, até morrer”. Nunca esqueço que, na Semana Santa de 1962, havia duas faixas na entrada da cidade de Ervália (MG). Na primeira estava escrito: “Silêncio: estamos de luto”. Na faixa seguinte vinha a explicação: “Jesus morreu!”. Não é assim. Acabo de ler na Bíblia a conversa do governador Pórcio Festo com o rei Agripa a propósito da prisão do apóstolo Paulo. O procurador da Judéia conta que um dos pontos de divergência entre os judeus e Paulo era “um certo Jesus, já morto, o qual Paulo insiste que está vivo” (At 25.25). Precisamos insistir teimosamente, como Paulo, no Jesus vivo, e não no Jesus morto. É a ressurreição de Jesus que sustenta a nossa fé e a nossa própria ressurreição. “Se Cristo não ressuscitou”, explica o apóstolo, “é inútil a nossa pregação, como também é inútil a fé que vocês têm” (1 Co 15.14, NVI). Não estamos de luto! Veja esta declaração de Urs von Balthasar: “A ressurreição de Cristo é o acontecimento mais decisivo e significativo da história, pois nenhum outro terá jamais tanta importância”. E mais esta de Lucien Cerfaux: “Cristo é chefe de fila na ressurreição dos mortos”. Em maio de 1994, tive meu primeiro contato com a cruz vazada. Ela estava fincada na entrada da universidade católica Gwynedd-Mercy, na Filadélfia, EUA. Fiquei apaixonado por esse símbolo cristão que une a paixão à ressurreição, a sexta-feira ao domingo. Gostei tanto dessa cruz sem Jesus que solicitei à direção da referida universidade uma planta do monumento e permissão para fornecê-la graciosamente a quem por ela se interessar. Hoje há várias cruzes vazadas por este Brasil afora. A primeira delas está fincada aqui em Viçosa, no gramado do Centro Evangélico de Missões (CEM). Não estamos de luto. Jesus morreu na sexta-feira à tarde e ressuscitou no domingo de madrugada. É por isso que podemos esperar como absolutamente certa a apoteose que está para vir! Elben César |
Crer não é sinônimo de não pensar. Crer implica em pensar, em relacionar fé com a realidade, questionando uma a partir da outra. O conteúdo são pensamentos às vezes rápidos, em elaboração; outros, já mais elaborados. Ambos buscando provocar discussão e reposicionamentos, partindo sempre da confissão de fé protestante. Os artigos classificados como "originais" podem ser reproduzidos desde que com a menção da fonte e autoria. Ano V
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Não estamos de luto!
terça-feira, 7 de abril de 2009
O outro lado do crescimento das igrejas
Historiador Phillip Jenkins afirma que precisamos de uma teologia de extinção de igrejas.
Stan Guthrie
O historiador Phillip Jenkins
Em seu livro lançado em 2002, The Next Christendon: the comming of global Christianity, o historiador Phillip Jenkins mostrou ao mundo onde o Cristianismo havia chegado. Em seu mais recente livro - The Lost History of Christianity: The Thousand-Year Golden Age of the Church in the Middle East, Africa, and Asia – Jenkins olha para o lugar de onde essa fé veio. Professor de humanidades na Universidade Penn State, Jenkins inicialmente afirma que a fé cristã não está limitada a nenhuma cultura. “Quanto mais você olha para a história, mais você se dá conta de que o cristianismo não é uma religião [apenas] européia”, afirma ele. “É européia, mas também é asiática, africana e tem uma longa história de desenvolvimento nas mais diversas sociedades”.
Além disso, Jenkins mostra como e porque igrejas inteiras têm morrido em determinadas regiões. O gerente especial de projetos da Christianity Today, Stan Guthrie, conversou com Jenkins.
CHRISTIANITY TODAY - O que causa a morte de igrejas?
PHILLIP JENKINS - Não conheço nenhum caso de igreja que morreu por causa de indiferença. A igreja morre por causa de perseguição. Ela morre por força armada, geralmente vinculada ao interesse de outra religião ou de uma ideologia anti-religião. Isso, algumas vezes, acaba com toda uma etnia que vive o cristianismo. Portanto, a igreja morre pela força. Ela é morta!
Mas o que dizer do antigo ditado “o sangue dos mártires é a semente da igreja”?
Isso foi dito por Tertuliano, que veio da igreja do Norte da África, igreja que foi dissipada. Se você procurasse a igreja mais saudável nos anos 400 e 500, olharia para o que chamamos de Tunísia e Algéria; o norte da África. Foi a terra de Agostinho. Depois, os árabes, os muçulmanos, chegaram. Eles conquistaram Cartago em 698 A.D e 100 anos depois – eu não diria que não há cristãos lá, mas o número é bem pequeno - Aquela igreja morreu.
Por que a perseguição ora fortalece uma igreja, ora a destrói?
A diferença está até que ponto uma igreja se estabelece em um grupo de pessoas e não se torna a igreja de apenas um segmento, de uma classe ou grupo étnico. No norte da África, é basicamente uma religião de romanos e pessoas de língua latina, em oposição à igreja dos camponeses, com a qual os romanos não têm muita comunhão. Quando os romanos se vão, a fé cristã vai com eles.
O cristianismo se estabeleceu desde sempre como a religião do povo, religião do dia a dia dos egípcios, à medida que as coisas eram traduzidas para o copta. Como resultado, depois de quase 1400 anos de império muçulmano, ainda há uma impactante igreja copta que representa [talvez] 10% dos egípcios – que eu considero o exemplo de sobrevivência mais brilhante na história do cristianismo.
Como histórias como essa podem se aplicar no Iraque, onde pessoas sofrem debaixo do domínio islâmico?
O Iraque é um exemplo clássico de uma igreja que morre com o passar do tempo. A igreja lá deixará de existir provavelmente antes de eu morrer. Nos últimos 50 anos, ela passou de 5% para 0.5% da população. Não dá pra continuar morrendo como naquele lugar para todo sempre. Em algum momento, faltarão apenas um ou dois para serem mortos. Você acha que eu acredito que literalmente não haverá mais cristãos no Iraque? Não! Todavia, eu acredito que as comunidades serão todas eliminadas, enquanto entidades. Há comunidades ímpares, especialmente na planície de Nínive, mas elas são pequenas e estão à espera de vistos. Portanto, para falar porque as igrejas estão morrendo no Iraque, eu volto a afirmar que o problema é a perseguição, o crescimento das ideologias radicais islâmicas que pregam a intolerância às minorias. Além disso, contam muito as leis do estado – ou a falta delas. Se você tirasse o estado, que de alguma forma controla tudo, os grupos de minorias já teriam sido extintos há muito.
Você escreveu sobre o efeito catraca. O que você quer dizer com isso?
É uma das coisas mais assustadoras. Perseguição não existe constantemente por mais de 500, 1000 anos. As minorias costumam viver bem por 50 anos e, então, uma perseguição vem e acaba com tudo. A catraca segura o movimento. Pode girar em uma direção, mas não voltará no sentido oposto. Esse tipo de perseguição esporádica ao longo dos séculos é o que pode realmente destruir a fé.
De que forma a igreja pode responder a essa perseguição, fazer crescer sua comunidade e fortalecer sua fé?
Depende muito do tipo de desafio que está sendo enfrentado. Se você está diante de uma perseguição armada, então você está em um modo de sobrevivência. Enquanto escrevia esse livro, me dei conta de algo: a forma pela qual você mede o sucesso de uma igreja. Sou tentado a medir em termos de números, se são 5% da população, 40% ou outro percentual. Porém, creio que um menonita ou batista levantará o argumento de que o sucesso não se mede pela quantidade, mas pela qualidade do testemunho; o NT não garante sucesso mundial ou crescimento de mega igrejas. Na verdade, inclui perseguição como parte do pacote. Portanto, talvez essa seja uma realidade com a qual devamos lidar.
Você diz que nós estamos perdendo uma teologia de extinção das igrejas. Por que precisamos delas?
Às vezes pergunto a um público quantos deles já leram livros sobre plantação ou crescimento de igrejas. Muitos levantam suas mãos. Então pergunto quantos leram algum livro sobre morte e extinção da igreja, ninguém levanta a mão. Contudo, na história o fenômeno de extinção de igrejas é bem comum. A fé cristã migra de uma região para outra, mas também acontece de um lugar - no qual o cristianismo foi sólido – perder sua força cristã. Esse fato quebra uma série de ideais que temos sobre crescimento de igreja. Nós temos uma teologia de missões, não uma teologia de retração. Logo, como explicamos esses episódios? Dizemos que a igreja está fazendo algo terrível? Consideramos tudo isso como parte natural do desenvolvimento da igreja? Entendemos que se os muçulmanos eliminarem os cristãos do Iraque será um sinal de que a vontade de Deus é essa? Como os cristãos lidam com situações como a destruição da igreja no Iraque não tem sido um assunto em pauta. Não damos atenção a isso porque nada sabemos a respeito desse assunto.
Será nossa ignorância fruto de nossa situação histórica e, talvez, de um voluntário desvio de olhar da carnificina que acontece?
Em parte digo que sim. Mas eu não quero criticar os americanos que estão bastante conscientes do que está acontecendo, por exemplo. Eles têm tentado aliviar esse sofrimento e intervir politicamente. Contudo, acredito que as igrejas continuam a desaparecer. No Oriente Médio, a situação tem sido catastrófica desde 1915 em termos de destruição e aniquilação da igreja. De fato, não conheço quem esteja pesquisando sobre isso, ou fazendo teologia sobre esses aspectos.
Como você relaciona essa necessidade com o patente crescimento da igreja ao redor do mundo?
Creio que coincidência não é uma palavra que deva ser usada por ninguém que tenha noção do que é a providência divina, mas o ano de 1915 marca o começo do fim do cristianismo no Oriente Médio e o início do crescimento massivo do cristianismo na África. É como se uma porta fosse fechada e a outra fosse aberta. Não vou afirmar que Deus abriu um olho e fechou o outro, mas quando o cristianismo sofre em uma área, incríveis oportunidades surgem em outras regiões. Minha preocupação é que escrevamos a história do cristianismo tão somente com a seguinte idéia: “Vamos observar o crescimento e as novas oportunidades”. Nós não temos visto as portas que têm sido fechadas – o que daria um bom título de um livro.
Copyright © 2009 por Christianity Today International
(Traduzido por Daniel Leite Guanaes)
domingo, 5 de abril de 2009
Hace falta acompañamiento pastoral a los cristianos que ejercen en política, dice teólogo
El presidente Alvaro Colóm, en su discurso posterior a estos hechos dijo: “…reconozco los hechos de violencia que se están dando… la situación de seguridad es difícil.” Pidió a la población calma y aclaró la no implementación de estado de excepción o estado de sitio en la capital.
Ante esta realidad de violencia creciente en Guatemala, el teólogo Mynor Herrera hizo su presentación ante los miembros y no miembros de la Sociedad Evangélica de Estudios Socio religiosos.
Se preguntó: “¿En qué hemos fallado?”. Consideró que “hay fallas de la iglesia y de los pastores en acompañar a los políticos”. En su estudio encontró que “de treinta y cinco cristianos-políticos que entrevistó, uno dijo haber recibido el acompañamiento al nivel personal y para su familia; los restantes, no lo recibieron ni en lo personal, ni en su familia; lo necesitaron, fueron marginados por sus iglesias por lo tanto, están decepcionados”, afirmó.
Siguió diciendo que “algunos de los cristianos que participan en política, tenían la ilusión de hacer un aporte a su comunidad, contribuir a mejorar la calidad de vida, pero la iglesia los separó y se quedaron solos, fueron presa fácil de politiqueros. Sin acompañamiento pastoral, al llegar al poder, éste los corrompe y los anula.”
Por otro lado, afirmó que pensamos que los cristianos sólo necesitan un poco de ayuda para desarrollar sus actividades pastorales con los políticos; sin embargo, la situación es más compleja, porque la falta de orientación política es a nivel general, ya que en muchos casos los pastores condenan la politiquería que se da fuera de la iglesia, y sin embargo, es la práctica dentro de la iglesia”.
Entre otras cosas comentó el teólogo que “en la iglesia participan profesionales que son servidores públicos. El abogado no lo sacan de la iglesia, puede ser el presidente de la Corte Suprema de Justicia, y la justicia es criticada por la sociedad de corrupta. El médico no sufre ningún rechazo, aunque trabaje en algún centro hospitalario donde el mal manejo de los recursos está visible para la ciudadanía. En los dos casos mencionados, no se les juzga porque son considerados como personas, mientras que al político se le juzga, se le castiga y se le separa de la iglesia por su profesión”.
Herrera concluyó diciendo “Los cristianos debemos ver a los cristianos políticos como personas con necesidades espirituales. Es importante darles el acompañamiento pastoral, para eso, es una necesidad tener conciencia en enseñar a la gente a vivir aquí y buscar el desarrollo del país”.
fonte:http://www.alcnoticias.org/interior.php?lang=687&codigo=13752&PHPSESSID=446efb33968a7f55ec0cf0b8a3a24372
sábado, 4 de abril de 2009
MENSAGEM AO POVO DA GUINÉ-BISSAU
Introdução
Perante tudo isto, não podemos deixar de nos interrogar seriamente: - Mas quando é que os Guineenses irão parar de enlutar a nossa querida pátria? Será que estamos condenados a fazer da violência e do homicídio a nossa segunda natureza? Será que ainda não chegou o tempo para aprendermos a voltar atrás neste caminho errado e sem futuro promissor?
É certo que os problemas fazem parte de todas as sociedades humanas, resultantes quase sempre de choques de interesses materiais, de má gestão da liberdade e do bem comum, de orgulhos e de incoerências individuais, etc. Mas os problemas, quando surgem, devem ser resolvidos quanto antes e de maneira conveniente porque, não sendo resolvidos ou sendo mal resolvidos, acabam sempre por constituir uma ameaça séria para a vida das sociedades. E qual será essa maneira certa e conveniente?
Para nós líderes religiosos de três comunidades de crentes da Guiné Bissau que vos enviamos esta Mensagem, a maneira certa e conveniente de resolver os nossos problemas político-sociais e militares é a do caminho não violento, do caminho do diálogo confiante e persistente, do caminho do respeito pelas instituições e pela legalidade, caminho que os nossos anciãos na fé nos apontaram e que até agora ainda não soubemos escutar nem imitar: o Bispo D. Settímio Ferrazzetta, o Aladje Malam Serco Indjai e o Pastor Ernesto Lima. Esse é mesmo o único caminho que nos poderá levar a uma sociedade realmente desenvolvida e democrática na Guiné-Bissau.
E agora, após mais esta tragédia nacional, o que será possível e desejável que façamos para redefinir de algum modo o nosso país, orientando-o definitivamente para o caminho da solução racional e dialogada dos conflitos com que nos debatemos e continuaremos a debater no futuro?
RENOVAR URGENTEMENTE A MENTE E O CORAÇÃO DOS GUINEENSES
Para nós, torna-se absolutamente necessário e urgente que todos os guineenses façam uma viragem decisiva na sua maneira de viver em sociedade. Torna-se imprescindível que todos os guineenses ousem olhar para dentro de si mesmos e para a situação geral do país e façam um profundo e sincero acto de conversão interior, de mudança de mentalidade e de comportamento, ajudados pela sua fé em Deus, com lucidez intelectual, com espírito de sacrifício e de amor patriótico, com confiança em si mesmos individualmente e como Nação. Não mais poderemos continuar a querer persistir numa mentalidade mágica e de violência desumanizante, que leva aos resultados desastrosos que já conhecemos; temos de apontar para horizontes mais positivos e humanizantes.
Para que isso possa acontecer, teremos de concentrar nossa atenção e esforços em ultrapassar algumas barreiras ou obstáculos que nos têm impedido de aceder a uma maneira de vida mais desenvolvida, mais democrática e com maiores perspectivas de futuro. É para a ultrapassagem dessas barreiras ou obstáculos que agora queremos chamar a vossa atenção.
1.Passar da hostilidade ao acolhimento fraterno:
Em nossas relações sociais, temos de abandonar o sentimento da hostilidade (rejeição) uns para com os outros: nos outros não podemos ver sobretudo o que é diferente, negativo ou perigoso para nós ou para a nossa família; pelo contrário, haveremos de olhar para os limites e falhas dos outros como um convite silencioso para que os ajudemos em espírito de colaboração e corresponsabilidade; haveremos de olhar para os outros sobretudo no aspecto positivo, procurando descobrir as afinidades que a eles nos ligam (a mesma condição humana o mesmo continente, o mesmo país etc.) e tomando consciência de que as diferenças podem ser afinal uma fonte de enriquecimento para todos, já que ninguém é tão pobre que não tenha nada para dar ao seu semelhante.
2.Não querer resolver a violência com outra violência semelhante ou ainda pior
Temos de deixar de acreditar na violência física (força ameaçadora e desumanizante) como solução para os nossos problemas, já que uma violência chama sempre outra violência (se possível ainda maior) e a cadeia de violência nunca mais acabará. Há que cortar o mal pela raiz, desejando uma convivência humana que seja diferente da convivência dos animais, onde não seja a lei "do mais forte" a imperar, mas sim as leis respeitadoras da dignidade e corresponsabilidade de cada ser humano.
3.Passar da vingança individual ao recurso à justiça:
A passagem da vingança (solução vindicativa e frequentemente desproporcional) ao recurso à justiça (solução racional e institucional) significa: ter em conta que quem se vinga imita a lógica do ofensor e abre uma espiral de vingança quase interminável; reconhecer que a vingança constitui um insulto às instituições vocacionadas para a resolução humana e legalizada dos conflitos sociais, e que acabar com ela constitui um "salto qualitativo" no desenvolvimento humano: aprender a responsabilizar sempre quem nos ofendeu, embora sabendo guardar respeito pela sua pessoa individual.
4.Substituir o comportamento irresponsável pela sujeição às exigências da Ética:
Temos de levar a ética (moral) a sério: cada ser humano não pode fazer apenas e sempre aquilo que lhe apraz; tem de se sujeitar às regras e exigências da moral social (que há-de ser apoiada não em conveniências de pessoas ou de pequenos grupos privilegiados, mas sim nos valores fundamentais resultantes da dignidade de cada pessoa humana, criada e amada por Deus). A seriedade no respeito pela ética (moral) é condição necessária para garantir a coesão social e o respeito recíproco dos cidadãos. Em todos os lugares, em todas as circunstâncias e em todas as culturas somos chamados a cumprir o primeiro princípio da ética: " o bem deve ser feito e o mal deve ser evitado"!
Não é possível continuar com a pretensão injusta e soberba do "bu sibi ami i quim", ou então a pretensão interesseira e incitante à corrupção " abó son qui na cumpu Guiné"? É justo que queiramos ser cidadãos de direitos, mas não nos esqueçamos – de modo algum – que também temos de ser cidadãos de deveres.
5.Levar a sério a nossa fé em Deus
Somos crentes em Deus, nas nossas diferentes comunidades religiosas (religião tradicional africana, muçulmana, cristã e outras). Para nós, a criatura humana não é "senhora" total de sua vida e comportamento moral; depende de Deus que a criou, que a ama e que a julgará. A dependência de Deus não diminui a dignidade da pessoa humana, antes a defende melhor e lhe dá uma dimensão não apenas para este mundo mas também para a vida eterna. Nossa fé de crentes em Deus contribuirá seguramente para melhorar as nossas relações sociais: ajudar-nos-á a ver os outros como Deus gostaria que fossem vistos, com amor e sem preconceitos; encorajar-nos-á a utilizar nossa vida para defender e promover a vida dos outros e o respeito pela natureza que nos rodeia, e que é a nossa "casa comum". Se acreditamos em Deus, tiremos daí todas as consequências lógicas e todas as energias interiores para podermos participar corajosamente no desenvolvimento integral de nossas populações e de nossa terra comum. Se acreditamos a sério em Deus, tenhamos a coragem de reconhecer que, individual ou colectivamente, errámos variadas vezes na maneira de resolver os nossos problemas mais graves, desviando-nos da vontade de Deus e ofendendo o nosso próximo. Agora, a nossa fé comum nos pede que saibamos arrepender-nos de verdade e que façamos alguma acção concreta que demonstre o desejo sincero de procedermos de maneira diferente no futuro.
Conclusão
Caros concidadãos
O gravíssimo momento social que estamos a atravessar não é de muitas palavras, ou de oportunísticas e enganadoras promessas. É de exame de consciência profundo e de necessidade urgente de mudança de comportamentos na nossa vida social e comunitária. Não podemos continuar com uma mentalidade e uma actuação prática baseadas na magia ou na violência, recorrendo à vingança individual, aos golpes militares forjados ou verdadeiros, à corrupção no uso dos bens públicos ou na participação em negócios escondidos, imorais e ilegais. Temos de passar para um modo de vida mais positivo e desenvolvido: uma vida social em que em que o acolhimento fraterno e recíproco, o não – recurso à violência física mas sim à justiça legalmente exercida, o respeito pelas exigências comuns da ética e a ajuda inestimável da nossa fé em Deus, nos ajudem a crescer cada vez mais na felicidade de sermos cidadãos da mesma pátria, continuadores daqueles que nos ofereceram gratuitamente o benefício da liberdade e da independência, para que as defendêssemos e concretizássemos. É indiscutível que " se continuarmos a semear ódios, recolheremos apenas mais tempestades; mas se, pelo contrário, passarmos a semear a verdade, ela nos libertará e haveremos finalmente de colher a Paz"! Não é vergonha nem fraqueza voltar atrás num caminho que descobrimos ser errado ou perigoso. Vergonha é não termos coragem de o fazer. A este respeito, e como fruto concreto desta Mensagem, queremos hoje propor-vos o seguinte:
Que façamos da próxima semana( 5-12 deste mês de Abril) uma semana de oração, e que também durante ela, cada comunidade escolha um Dia particular de oração e de Penitência em favor da Paz e da verdadeira reconciliação entre todos os Guineenses. Procuremos rezar mais intensamente, jejuar conscientemente, e reflectir a sério sobre aquilo em que temos urgentemente de mudar.
Que, nessas várias celebrações que irão ser feitas em cada uma de nossas comunidades religiosas, os crentes descubram alguns gestos concretos que sejam o sinal visível de arrependimento, de pedido de perdão e de reconciliação.
Que a partir desse momento, nós os crentes nos empenhemos juntos no trabalho árduo e longo, em favor duma reconciliação nacional, em que estejam envolvidas todas as camadas sociais. Os últimos acontecimentos dramáticos provam à evidência que a sociedade guineense ainda não está reconciliada consigo mesma.
Que Deus todo-poderoso e cheio de Misericórdia ajude a transformar as nossas mentes e os nossos corações, volte para nós o seu rosto e abençoe a Guiné-Bissau!
Pela Igreja Católica: Dom José Câmnate na Bissign – Bispo de Bissau; D. Pedro Carlos Zilli – Bispo de Bafatá
Pela Igreja Evangélica: Pastor José Paulo Domingos Semedo; Pastor Paulo Mendes
Pela comunidade Muçulmana: Aladje Tcherno Embalo – Conselho Superior dos Assuntos Islâmicos; Aladje Abdulai Baio – Conselho Nacional Islâmico
Bissau, 02 de Abril de 2009
Fonte: mensagem no grupo de discussão "Evangélicos Pela Justiça"
sexta-feira, 3 de abril de 2009
Exílio de Júlio Severo
Não compartilho de algumas opiniões do Julio; outras, endosso. Não gosto de alguns termos que usa, pois parecem-me resvalar no desrespeito. Muitas vezes demonstra impaciência. Em algumas trocas de correios eletrônicos já mandou um irmão por quem tenho respeito "catar coquinho" (tive vontade de responder-lhe, "então eu vou junto"). Seus argumentos muitas vezes são circulares e passionais - e eu julgo que os meus não sejam...
A seu modo, ele luta pelo Reino. Aprendi, na minha juventude, com um velho amigo, Ulisses Leitão, que no Reino encontraremos muitas pessoas que julgávamos não pertencer a eles, apesar de dividirmos a mesa da comunhão. Assim é Ele: estranho, soberano, fora do nosso controle mesquinho. Não sei como Jesus faz para dar conta de nossas diferenças, como Ele aceita modos tão diversos de luta...mas Ele é o Senhor, e não me deve satisfações.
Seu exílio é consequência do modo como escolheu lutar - não concordo, mas é o dele. Seu exílio não me agrada, porque parece sinalizar alguma incapacidade de nossa sociedade em lidar com a oposição sistemática e dura. Admiro sua coragem, mas não a escolho, porque prefiro lutar doutros modos, guiado por outros alvos.
Minha prece é para que Deus o abençoe onde estiver, quem sabe levando-o a refazer caminhos e reconsiderar métodos...mas eu também tenho de reconsiderar os meus... O mais provável é que continuaremos do mesmo modo, "cada um na sua". Portanto, minha prece é para que Deus nosso Pai o abençoe naquilo que precisar
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Fora da igreja não há salvação?
Em primeiro lugar é preciso deixar claro que a existência da igreja não pode ser colocada em dúvida, mas isso não significa que ela deva ser um fim em si mesma e, creio, que é isso que tem acontecido em alguns casos. Pois quando entendemos que textos como “buscai em primeiro lugar o reino de Deus e sua justiça (Mt.6:33) são interpretados como “buscar em primeiro lugar as atividades e ocupações na igreja” estamos reduzindo o reino de Deus e o Cristianismo às atividades eclesiásticas em vez de considerarmos a igreja como um meio que Deus instituiu para ser um ambiente fértil para o desenvolvimento da vida cristã, da piedade, da capacitação do crente para ser cristão no mundo e desenvolver os seus dons de serviço. Também um meio para ser uma comunidade terapêutica, de capacitação na compreensão da vida, das doutrinas, da Bíblia, uma comunidade – a família de Deus, etc.
Transformamos a igreja num fim em si mesma quando entendemos que a vida cristã se resume em atividades e mais atividades freneticamente desenvolvidas no domingo, que deveria ser um dia de celebração, descanso e passa a ser “dia do cansaço” e da agitação, como se o Cristianismo de sete dias pudesse ser vivido apenas em um dia. Mesmo porque igreja passou a ser um lugar, um estatuto, um organograma, em vez de pessoas pelas quais Cristo morreu na cruz. Sem dúvida o estatuto, o organograma são necessários, mas também são meios e não fins.
A igreja de Jesus Cristo é um meio, um instrumento para levar o evangelho ao mundo, para capacitar os salvos à vida em comunhão e lealdade ao Senhor. A igreja não pode ser confundida com o reino de Deus, mas deve ser considerada um instrumento de Deus para seu reino, dando ao crente condições para viver o reino no mundo, no seu dia-a-dia, como cristão. E ser cristão não é só pregar que Cristo salva, mas viver a salvação que Cristo nos dá.
Quando a igreja se considera um fim em si mesma acaba nutrindo a entropia, fechando-se em torno de sua própria existência. Não sendo sinérgica, deixa de cumprir a sua missão integral que tem como ponto de partida levar cada pessoa a viver para a glória de Deus.
* teólogo, educador e escritor.
fonte: revista Eclésia
terça-feira, 31 de março de 2009
Diário de Wesley, abril de 1736
Domingo, 4 de abril. Quase quatro da tarde parti para Frederica, em uma piroga (uma espécie de barco com fundo chato). Na noite seguinte ancoramos perto da Ilha Skidoway, onde a água, na cheia, tinha doze ou quatorze pés de profundidade. Me agasalhei dos pés à cabeça com um grande manto, tanto para me manter afastado das moscas de areia como para deitar no convés. Entre uma e duas acordei submerso, estando tão profundamente adormecido que não notei onde estava até que minha boca estava toda cheia de água. Tendo deixado meu manto, eu não sei como, sobre o convés, nadei em volta até chegar do outro lado da piroga, onde um barco estava amarrado, e subi pela corda sem qualquer dano, mais do que molhar minhas roupas. Tu és o Deus de quem vem a salvação, Tu és o Senhor por quem escapamos da morte.
Os ventos estavam tão contrários, que no sábado, 10, pudemos apenas atravessar a Ilha Doboy, vinte milhas de Frederica, mas não pudemos de jeito nenhum percorrer a baía, tendo também uma forte onda contra nós. Aqui continuamos sendo forçados para trás durante mais de uma hora, quando o relâmpago e a chuva, que há muito tínhamos visto ao longe, moveram-se completamente sobre nós, até que, depois de quinze minutos, as nuvens se dividiram, algumas passando para a direita, e outras para a esquerda, nos deixando um céu claro, e um vento tão forte bem atrás de nós, que em duas horas nos levou a Frederica.
Pouco antes de desembarcarmos, abri meu Testamento nestas palavras: “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” Chegando em terra firme, encontrei meu irmão bem fraco, tendo estado por algum tempo doente de uma disenteria, mas, da hora que me viu, recuperou sua saúde. Isto também Deus operou!
Domingo, 11. Preguei no novo armazém sobre o primeiro versículo do Evangelho para o dia: “Quem dentre vós me convence de pecado? E se vos digo a verdade, por que não credes?” Havia uma grande congregação, a qual me esforcei para convencer da incredulidade, propondo simplesmente as condições da salvação, como são declaradas nas Escrituras, e apelando aos seus próprios corações se eles criam que não poderiam ser salvos de nenhuma outra forma.
Em cada um dos seis dias seguintes, tive algumas novas provas da absoluta necessidade de seguir aquele sábio conselho do apóstolo: “Nada julgueis antes de tempo, até que o Senhor venha, o qual também trará à luz as coisas ocultas das trevas, e manifestará os desígnios dos corações.”
Sábado, 17. Partimos para Savannah, e lá chegamos na noite de terça-feira. Ó, que bendito lugar, onde, tendo apenas um fim em vista, não existe fingimento ou engano, mas cada um de nós podia desabafar sem medo no seio de seu irmão!
Não encontrando, até agora, nenhuma porta aberta para colocarmos em prática nosso plano principal [converter os índios], estudamos uma maneira de sermos mais úteis ao pequeno rebanho em Savannah. E concordamos em, 1. Recomendar aos mais compromissados entre eles para se organizarem numa espécie de pequena sociedade, e se reunirem uma ou duas vezes na semana, a fim de admoestar, instruir e exortar uns aos outros. E, 2. Dentre esses, eleger um grupo menor para uma união mais íntima, que poderia ser favorecido, em parte por uma conversa particular que teríamos com cada um, e em parte convidando-os todos juntos para nossa casa, e isto, conseqüentemente, decidimos fazer todo domingo à tarde.
Tradução: Paulo Cesar Antunes
http://www.metodistasonline.kit.net/diariodewesleyabrilde1736.htm
segunda-feira, 30 de março de 2009
A Cara do Brasil
Outro dia, ao chegar ao Rio de Janeiro, tomei um táxi. O motorista, jeito carioca, extrovertido, foi logo puxando papo, de olho no retrovisor.-- A senhora é de Brasília, não é?
-- Sim -- respondi.
-- É, eu a reconheci. E como é que a senhora aguenta conviver com aqueles ladrões lá do Planalto Central? Não deve ser moleza.
O sujeito disparou a falar de políticos, do tanto que eles são asquerosos, corruptos... Desfiou um rosário de adjetivos comuns à politicagem nacional.
Brasília é o palco mais visível dessas mazelas e nem poderia deixar de ser. Afinal, o país inteiro olha para lá. O taxista era só mais um crítico, aparentemente atento. E ele sabia dar nomes aos bois que pastavam tranquilamente no orçamento da união, que se espreguiçavam impunemente sob a sombra da imunidade parlamentar ou de leis feitas em benefício próprio. E que, de tempos em tempos, se refrescavam nas águas eleitoreiras.
O carro seguia em alta velocidade; a distância parecia esticada. Vi uma bandeira três em disparada.
Lá pelas tantas, quando já estávamos dentro de um segundo túnel escuro, o condutor falante sugeriu um “dia sem corrupção”.
-- Já pensou -- disse ele -- se uma vez por ano esses homens não roubassem?
-- Interessante -- a exclamação me escapou aos lábios.
-- Sim -- continuou entusiasmado --, seria uma economia e tanto.
Nessa hora, me dei conta de que estávamos percorrendo o caminho mais longo para o meu destino. Chegava a ser irracional a quantia de voltas para acertar o rumo. Deixei.
-- Os economistas comentam -- tagarelava ele -- que somos um país rico. Não deveria existir déficit da previdência, os impostos nem precisariam ser tão altos, o serviço público poderia ser de primeira. O problema é que quanto mais se arrecada, mais escorre pelo ralo, tamanha a roubalheira.
Tão observador, será que ainda se lembrava em quem tinha votado para deputado ou senador na última eleição? Fiz a pergunta e, depois de algum silêncio, a resposta foi não. Pena.
Caímos num engarrafamento, cenário perfeito para aquele juiz de plantão tecer mais comentários sobre o malfeito.
-- Veja como são as coisas, os riquinhos ociosos da Zona Sul, que deveriam pensar em quem tem pressa, acham que são os donos do pedaço e vão embicando seus carros, furando fila, costurando de uma faixa a outra, querendo levar vantagem. A gente, que é motorista de táxi, tem que ficar atento, porque os guardas estão de olho, qualquer coisinha eles multam. Mas eles fazem vista grossa para as vans que transportam pessoas ilegalmente. Elas param onde querem, estão tomando os nossos passageiros. Como não tem ônibus para todo mundo e táxi fica caro, muita gente prefere ir de van.
Por falar em “caro”, a interminável corrida já estava me saindo um absurdo... Resolvi pontuar algumas coisas.
-- Por que o senhor escolheu o caminho mais longo?
Ele tentou se justificar:
-- É que eu estava fugindo do congestionamento.
-- Mas acabamos caindo no pior deles -- retruquei. E por que o senhor está usando bandeira três se não tenho bagagem no porta-malas nem é feriado hoje? -- continuei questionando.
Ele disse que estava na três para compensar a provável falta de passageiro na volta. Claro que não, eu sabia.
Finalmente, consegui chegar ao endereço pretendido. Fiz mais um teste com o “probo” cidadão: paguei com uma nota mais alta e pedi nota fiscal. Ele me devolveu o troco a menos e disse que o seu talão de notas havia acabado.
-- Veja como são as coisas, seu moço -- emendei. O senhor veio de lá aqui destilando a ira de um trabalhador honesto. No entanto, se aproveitou do fato de eu não saber andar na cidade, empurrou uma bandeirada, andou acima da velocidade permitida, furou sinal, deu voltas, fingiu que me deu o troco certo e diz que não tem nota fiscal!
O brasileiro esperto quis interromper, mas era minha vez de falar.
-- O senhor acha mesmo que ladrões são aqueles que estão em Brasília? Que diferença há entre o senhor e eles?
Eu sabia que estava correndo risco de uma reação violenta, mas não me contive. Os “homens” do Planalto Central são o extrato fiel da nossa sociedade. Quantos taxistas desse porte vemos dirigindo instituições? Bons de discursos... Na prática...
Desembarquei com a lição latejando em mim. Quantas vezes, como fez esse taxista, usamos espelho apenas como retrovisor para reter histórias alheias? Nossas caras, tão deformadas, tão retocadas, tão disfarçadas, onde estão? Onde as escondemos que não aparecem no espelho?
Sem a verdade que liberta, jamais estaremos livres de nós mesmos. Ainda sonho com um Brasil de cara nova... A começar por minha própria cara.
• Delis Ortiz é jornalista, repórter especial da TV Globo, em Brasília. É mãe de Brenda e Bianca, e avó de Gabriel e Stella. É membro da Igreja Presbiteriana do Planalto.
fonte: revista Ultimato edição 317 , disponível em http://www.ultimato.com.br/?pg=show_artigos&artigo=2354&secMestre=2372&sec=2384&num_edicao=317
domingo, 29 de março de 2009
A Subversão está no sangue
Bráulia Ribeiro Fui criada no sopé de uma favela belorizontina. Meu pai e minha mãe se conheceram na Escola Guignard como alunos do mestre. A paixão em comum, que era a arte, depois se transformou em muitas mais; os pobres, a esquerda política, a literatura, a imprensa e, claro, os sete filhos que geraram juntos. Minha infância se pareceu com a da família descrita por Orígenes Lessa em “O Feijão e o Sonho”, só que sem o feijão. O Sonho e o Sonho viviam pelos ideais que acreditavam em plena subversão ao sistema.Em nossa vida um dia nunca era igual ao outro. Meu pai escapou por pouco de ser preso e exilado pela ditadura, viu os jornais em que trabalhou serem submetidos à censura prévia e depois depredados pela repressão policial, viu seus amigos desaparecerem e até adoeceu de desespero existencial. Minha mãe, extraída da carreira de pintora expressionista pelas demandas da maternidade, conseguiu ser mais prática; abrigava pobres em casa, escolarizava crianças da favela, além de escrever, pintar e cuidar que meu pai se mantivesse próximo da realidade. Aos 16 anos tive um encontro emocional e sobrenatural com a realidade do evangelho. Este encontro me conduziu a terríveis conflitos existenciais. A sementinha nova da fé parecia não resistir às investidas cruéis da razão. Era frágil demais, “des-argumentada”, “des-científica” e, infelizmente, reacionária demais. Aos 17, no entanto, encontrei um grupo que vivia uma utopia próxima da que meus pais haviam sonhado, só que movido à fé cristã. Foi aí que minha alma se encontrou com minha razão e a fé me pôde se tornar concreta. Desde então vivi na JOCUM (Jovens com uma Missão), ou pelo menos pensei viver, bem perto do radicalismo socialista de meus pais. Anos demais, quem sabe; alguns extremamente distantes de qualquer realidade, alienados demais pela utopia gospel da sociedade alternativa, outros anos oprimidos pela realidade inexorável do sistema. Aprendi nesta jornada que o verdadeiro cristianismo é mais subversivo que qualquer revolução política. Meus pais queriam mudança. Não se conformavam com os problemas e os erros de seus pais, queriam uma sociedade mais justa, queriam liberdade e igualdade para todos. Não pensavam eles na época que o próprio humanismo que os consumiu trabalharia contra os ideais humanos. Não caberia no coração de meu pai a frieza de se descartar embriões sem uso e fetos inconvenientes ou com defeito. Ainda estava fresco na memória de sua geração o horror que a eugenia produziu durante a Segunda Guerra. Apesar de agora ser quase senso comum, não fazia parte de suas convicções a ideia de que a consciência social nos obriga a ter menos filhos, ou de que a liberação do aborto pudesse ser uma solução para os problemas socioeconômicos atuais ou, eufemisticamente, um mero problema de saúde pública. Por sua origem católica, meu pai e minha mãe acreditavam que a vida humana tinha valor. Favelados, classe média, crianças pobres ou ricas, todos teriam de ter direito aos mesmos direitos, afinal este é o ideal humanista supremo. Vida humana é sempre bem-vinda e deve ser protegida. Mesmo durante o Iluminismo, quando os valores cristãos começavam a ser mal-afamados e perseguidos, ainda a noção do valor intrínseco do ser humano tinha de ser apoiada em uma metafísica superior à ciência, a qualquer arrazoamento meramente humanista. O ser humano tem valor em si mesmo porque algo superior a ele lhe atribui valor. A linguagem permaneceu religiosa. A noção que chamamos de “Imago Dei”, (somos todos, não importa a cor, o credo ou a condição social, feitos à imagem de Deus) é indispensável para estabelecer igualdade entre os seres humanos. Qualquer coisa fora dela deixaria dúvidas quanto à profundidade e à amplitude desta declaração. Certa vez, Vácilav Havel1 fez um discurso dizendo que o maior desafio político do século 21 seria fazer com que os Estados soberanos do mundo reconhecessem limites em sua soberania, e se submetessem a uma lei superior baseada no Código Universal de Direitos Humanos. Em suas palavras: "Eu sempre me perguntei por que seres humanos têm direitos quaisquer. Porém, sempre chego à conclusão de que a noção de direitos humanos, liberdade humana e dignidade humana tem suas raízes mais profundas fora do âmbito físico. Descubro que não existe resposta possível no mundo perceptível. Estes valores só têm razão de ser na perspectiva do infinito e do eterno. Concluo minha palestra com a declaração de que enquanto o Estado é uma criação humana, seres humanos são criação de Deus”. Qualquer outra fé além da cristã deixa dúvidas sobre este valor essencial. É coerente com as pressuposições da Nova Era, ou do hinduísmo, presumir que matar aleijados, sejam fetos ou adultos, é um favor que se faz àquele que por mau carma não se encarnou da maneira correta. É coerente com a ciência a serviço do deus capital sacrificar vidas humanas desfavorecidas na África ou em outros países pobres, como sugerido no filme "O Jardineiro Fiel", para beneficiar o bem maior: o conhecimento a ser adquirido pelas sociedades mas ricas. É coerente com a escalada da eugenia pensar, como Hitler, que eventualmente descobriremos os genes da "raça" ideal, e enquanto isto temos liberdade de matar os embriões que não nos servem, os bebês concebidos que nos sejam inconvenientes. Quando me reuni com membros do Comitê Nacional de Enfrentamento a Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, descobri que o slogan nacional para o combate do abuso sexual é: “Direitos sexuais são direitos humanos”. Também descobri no site da rede que a agenda do governo desde 2008 não é mais defender as crianças vítimas, mas promover uma nova noção de moralidade em que o sexo entre crianças e adultos poderá ser entendido como legítimo e consentido. Vendo isto percebo o quão longe estamos da sublimidade moral dos direitos humanos. O Papai Noel virou Bicho Papão. Reduzimos a noção de direito à escravidão à sexualidade perversa de alguns. Em nome da justiça social sonhada pelos intelectuais da época de meu pai o governo perverte, torce e profana o direito, os valores da família e o compromisso com a moral que deveria ser a própria razão de ser do governo. A sexualização precoce e irreversível das crianças as levam à condição de objeto a ser usado pelos ideólogos da máquina lasciva do governo PT, sem nenhuma vergonha, sem nenhuma responsabilidade moral. Enquanto hoje leio cristãos, pastores e teólogos defendendo o aborto como mecanismo de justiça social, o divórcio como um serviço à felicidade pessoal, altar no qual muitos cristãos sacrificam a sua fé, eu oro para continuar livre. Livre para ainda pensar do jeito de Deus. Livre para promover a subversão dos valores da sociedade atual, enfatuada de si mesma, doente. A subversão, meus amigos, está no sangue. Não no sangue de meus pais que me corre nas veias, mas no sangue de Cristo, que nos liberta para não termos de nadar na imundície ideológica da esquerda atual, e para, com um mínimo de bom senso, nos tornarmos reacionários de direita sim, em defesa da vida, com orgulho. Nota 1. Presidente da antiga Tchecoslováquia e depois da República Tcheca e conhecido filósofo e escritor, a palestra aconteceu no dia 30 de abril de 1999 para o parlamento do Canadá (dado obtido em palestra do teólogo Vinoth Ramachandra à USC Berkeley, 2002). • Bráulia Ribeiro, missionária em Porto Velho, RO, é autora de Chamado Radical (Editora Ultimato). braulia_ribeiro@uol.com.br | ||
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terça-feira, 24 de março de 2009
Católicos e protestantes: menina e aborto
O problema no Brasil, com a massa de católicos romanos nominais ou tradicionais, é o desconhecimento e a desobediência dos ensinamentos daquela Igreja. Muitos querem ser “católicos ao meu modo”, como o sujeito que quer ser atacante em time de futebol, mas insiste no “direito” de pegar a bola com a mão...
Dom José Cardoso Sobrinho é um tradicionalista, uma personalidade arredia e nada ecumênica, mas devo respeitar a sua fidelidade ao que a Igreja de Roma é e ensina. Para a Igreja de Roma, com sua hierarquia e o seu Código de Direito Canônico, se aplica a máxima “Ame-a ou Deixe-a”. Não adiante exercer o “jus sperniandi”, que é não é, nem nunca pretendeu ser, uma organização democrática, acredita no seu “magistério”, e pouco está se lixando para o que seja pretensamente “atual” ou “moderno”.
Se outros grupos religiosos expõem outros entendimentos, temos todos que ser honestos, reconhecendo que, no caso do Aborto da menina estuprada pelo seu padrasto em Pernambuco, Dom José não deu opinião própria, nem falou nenhum absurdo, mas apenas foi transparente afirmando a posição oficial da sua Igreja. Se médicos, jornalistas ou Presidentes da República pretensamente “católicos” ficaram surpresos ou irados, isso fica por conta da ignorância ou incoerência dos próprios para com a sua religião.
Vivemos em um mundo secularizado, que contesta a autoridade e os valores, que não dá valor à vida, e que fica surpreso quando essa falta de valores e de respeito à vida resulta em injustiças, opressão, exclusão, exploração e toda sorte de violência, inclusive doméstica, entre cônjuges, destes para com filhos e destes para com seus pais e avós.
Como Bispo Anglicano, devo expressar, por um lado – e principalmente –, meu compromisso com as Sagradas Escrituras e com o Consenso Histórico dos Fiéis, e, por outro, o que tem deliberado a Conferência de Lambeth, como nosso fórum maior.
No caso específico, os anglicanos, como a maioria dos cristãos, reconhece que o ser humano após o Pecado Original vive distante dos ideais do seu Criador, pecando por pensamentos, palavras, obras e omissões, contra Deus, contra o próximo, contra si mesmo e contra a natureza. Como Protestante não cremos em pecados “mortais” e “veniais”. Mas afirmamos que todo pecado é pecado, e que todo pecador deve se arrepender, buscar o perdão e novidade de vida, e quando o pecado também for um delito diante do Estado, cumprir a sua pena em uma Justiça confiável.
A vida é um dom de Deus, e ninguém, desde a sua concepção, tem o direito de tirá-la.
O aborto não é um direito da mulher em relação ao seu corpo, mas um homicídio qualificado em relação ao ser ou seres que ela gerou (juntamente com o seu companheiro) e que hospeda em seu ventre por nove meses. Somos, em tese, contra o aborto porque somos pró-vida, inclusive depois do nascimento, com a dignidade que a todos o Criador outorgou e que os modelos sócio-político-econômicos, em geral, privam.
Somos favoráveis a todos os métodos anticoncepcionais não-abortivos. Somos favoráveis a campanhas de educação sexual, que inclui a prevenção da gravidez precoce. Somos a favor da paternidade e da maternidade responsáveis, de um Estado responsável e de uma sociedade solidária. Somos favoráveis ao instituto da adoção.
Para a Comunhão Anglicana, há apenas uma exceção para que o aborto seja legal e legítimo: quando implicar, concretamente, em risco de morte para a mãe. Isso, porém, deve ser comprovado pela Justiça e pelo Ministério Público mediante atestado técnico assinado por uma junta médica de especialistas. No caso dos menores, deve-se levar em conta, também, o posicionamento dos genitores. O pátrio poder pode, até, vir a ser suspenso, nos casos mais graves e urgentes.
As perguntas de Dom José, e de todos nós, é: poderia a menina ser assistida clinicamente, para superar a sua anemia, e ter fortalecido o seu organismo? Poderia o parto cesariano vir a se dar sem maiores riscos para a mãe? Sim ou não? Se sim, o aborto não se justificaria; se não, o aborto se justificaria. Quanto aos traumas emocionais, esses existiram com ou sem aborto, embora o aborto, em princípio, se constitua em um trauma a mais.
Quanto ao estuprador, que cometeu um grave pecado, mas (sem emocionalismos) não se equipara ao tirar uma vida. Que se cumpra a Lei Penal, e que o mesmo se arrependa e se corrija. Que acerte as suas contas com o Juiz Togado e no Juízo Final. O mesmo aconteça com pais omissos, adolescentes lascivos, médicos pragmáticos, jornalistas sensacionalistas, teólogos permissivos ou repressivos, e governantes irresponsáveis.
Que a Palavra de Deus seja anunciada! Que os valores do Reino de Deus sejam anunciados! “Eu vim para que tenhais vida, e vida em abundância”, disse Jesus.
Olinda (PE), 07 de março de 2009
Perpétua, Felicidade e seus companheiros, mártires em Cartago, 203
Fundação da Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira, 1804
+ Dom Robinson Cavalcanti, ose
Bispo Diocesano
fonte: http://www.dar.org.br/episcopal09/news/news_item.asp?NewsID=4643
segunda-feira, 23 de março de 2009
Oração, um diálogo muito especial
Certamente dependemos de Deus para nossa sobrevivência; somente pela Sua graça comum é que conseguimos sobreviver neste mundo muitas vezes cruel. Certamente necessitamos expor-lhe nossas necessidades. Contudo, Ele não se confunde com nossas carências, do mesmo modo como o leite do seio materno não é a própria mãe, nem a função dela se resume na produção e entrega lácteas.
Segundo alguns, a verdadeira oração é aquela capaz de sobreviver a não resposta, a não satisfação de nossas necessidades. Afinal, se oramos “seja feita a Tua vontade” aceitamos a possibilidade de não termos nossas súplicas atendidas; se buscamos comunhão com Deus deve ser pelo prazer que Sua companhia desperta, e não pela recompensa, por mais santa e justa que possa parecer. Podemos ter uma ideia fixa, biblicamente embasada, psicologicamente válida, amparada pelo bom senso e a defendermos em oração arduamente, com jejum se necessário...e ficarmos a ver navios...
Esta oração que transcende a necessidade pura traz a aceitação da solidão última de cada um de nós, com a qual temos de conviver, queiramos ou não. Não somos Deus, Ele não é nós; nosso desejo é somente nosso, e impotente, pois não podemos transformar um fio de cabelo nosso de preto em branco, nem crescermos em estatura pela força de nosso querer. Comunhão com Ele não quer dizer fusão com Ele.
Não O vemos; aceitamos Sua existência através de um complexo jogo psicológico e intelectual, cimentado pelas experiências subjetivas cotidianas. Não podemos pedir-lhe prova de Sua realidade; ou do Seu poder; ou chantageá-Lo. O descrente que assiste o crente em oração tem certeza de presenciar uma ilusão pura, uma fantasia ou um delírio. O crente que ora sabe que nada pode provar, e ele mesmo se pergunta sobre sua própria sanidade. Sabe que nenhum sinal lhe será dado, porque o de Jonas já foi-lhe relatado, cabendo-lhe crer ou não; sabe que se for atrás de Jesus por causa do pão, será por Ele rejeitado; sabe que seu Senhor e mestre foi perseguido, humilhado, torturado e morto – e que o servo não pode esperar destino diferente.
O Deus real é bem diferente do dos nossos desejos...
(baseado no livro “Orar depois de Freud”, de Carlos Dominguez Morano, Edições Loyola)
Manifesto de Madri contra o aborto
«Los abajo firmantes, profesores de universidad, investigadores, académicos, e intelectuales de diferentes profesiones, ante la iniciativa del Grupo Socialista en el Congreso, por medio de la Subcomisión del aborto, de promover una ley de plazos, suscribimos el presente Manifiesto en defensa de la vida humana en su etapa inicial, embrionaria y fetal y rechazamos su instrumentalización al servicio de lucrativos intereses económicos ó ideológicos.
En primer lugar, reclamamos una correcta interpretación de los datos de la ciencia en relación con la vida humana en todas sus etapas y a este respecto deseamos se tengan en consideración los siguientes hechos:
a) Existe sobrada evidencia científica de que la vida empieza en el momento de la fecundación. Los conocimientos más actuales así lo demuestran: la Genética señala que la fecundación es el momento en que se constituye la identidad genética singular; la Biología Celular explica que los seres pluricelulares se constituyen a partir de una única célula inicial, el cigoto, en cuyo núcleo se encuentra la información genética que se conserva en todas las células y es la que determina la diferenciación celular; la Embriología describe el desarrollo y revela cómo se desenvuelve sin solución de continuidad.
b) El cigoto es la primera realidad corporal del ser humano. Tras la fusión de los núcleos gaméticos materno y paterno, el núcleo resultante es el centro coordinador del desarrollo, que reside en las moléculas de ADN, resultado de la adición de los genes paternos y maternos en una combinación nueva y singular.
c) El embrión (desde la fecundación hasta la octava semana) y el feto (a partir de la octava semana) son las primeras fases del desarrollo de un nuevo ser humano y en el claustro materno no forman parte de la sustantividad ni de ningún órgano de la madre, aunque dependa de ésta para su propio desarrollo.
d) La naturaleza biológica del embrión y del feto humano es independiente del modo en que se haya originado, bien sea proveniente de una reproducción natural o producto de reproducción asistida.
e) Un aborto no es sólo la «interrupción voluntaria del embarazo» sino un acto simple y cruel de «interrupción de una vida humana».
f) Es preciso que la mujer a quien se proponga abortar adopte libremente su decisión, tras un conocimiento informado y preciso del procedimiento y las consecuencias.
g) El aborto es un drama con dos víctimas: una muere y la otra sobrevive y sufre a diario las consecuencias de una decisión dramática e irreparable. Quien aborta es siempre la madre y quien sufre las consecuencias también, aunque sea el resultado de una relación compartida y voluntaria.
h) Es por tanto preciso que las mujeres que decidan abortar conozcan las secuelas psicológicas de tal acto y en particular del cuadro psicopatológico conocido como el «Síndrome Postaborto» (cuadro depresivo, sentimiento de culpa, pesadillas recurrentes, alteraciones de conducta, pérdida de autoestima, etc.).
i) Dada la trascendencia del acto para el se reclama la intervención de personal médico es preciso respetar la libertad de objeción de conciencia en esta materia.
j) El aborto es además una tragedia para la sociedad. Una sociedad indiferente a la matanza de cerca de 120.000 bebés al año es una sociedad fracasada y enferma.
k) Lejos de suponer la conquista de un derecho para la mujer, una Ley del aborto sin limitaciones fijaría a la mujer como la única responsable de un acto violento contra la vida de su propio hijo.
l) El aborto es especialmente duro para una joven de 16-17 años, a quien se pretende privar de la presencia, del consejo y del apoyo de sus padres para tomar la decisión de seguir con el embarazo o abortar. Obligar a una joven a decidir sola a tan temprana edad es una irresponsabilidad y una forma clara de violencia contra la mujer.
En definitiva, consideramos que las conclusiones que el Grupo Socialista en el Congreso, por medio de la Subcomisión del aborto, trasladará al Gobierno para que se ponga en marcha una ley de plazos, agrava la situación actual y desoye a una sociedad, que lejos de desear una nueva Ley para legitimar un acto violento para el no nacido y para su madre, reclama una regulación para detener los abusos y el fraude de Ley de los centros donde se practican los abortos».
Fdo.:
Nicolás Jouve (Catedrático de Genética; DNI 1154811)
Francisco Ansón (Escritor; DNI 847005)
Cesar Nombela (Catedrático de Microbiología; 1346619S)
Francisco Javier del Arco (Biólogo, Filósofo y Escritor; DNI: 00138438-N)
Vicente Bellver (Profesor Titular Filosofía del Derecho: DNI: 24335564T)
Luís Franco Vera (Catedrático de Bioquímica: DNI es 02.464.829B)
…/…
Siguen un millar de adhesiones a fecha de 17 de marzo de 2009, y siguen aumentando.
sexta-feira, 20 de março de 2009
ATNI acusada de racismo
ONG inglesa diz que documentário incita ódio contra índios brasileiros
EFE - 19/03/2009
http://noticias.uol.com.br/
http://blogdaamazonia.blog.
quarta-feira, 18 de março de 2009
Direito ao Aborto
Ao longo da história, a Igreja Católica nunca chegou a uma posição unânime e definitiva quanto ao aborto. Oscilou entre condená-lo radicalmente ou admiti-lo em certas fases da gravidez. Atrás dessa diferença de opiniões situa-se a discussão sobre qual o momento em que o feto pode ser considerado ser humano. Até hoje, nem a ciência nem a teologia têm a resposta exata. A questão permanece em aberto.
Santo Agostinho (séc. 4) admite que só a partir de 40 dias depois da fecundação se pode falar em pessoa. Santo Tomás de Aquino (séc.13) reafirma não reconhecer como humano o embrião que ainda não completou 40 dias, quando então lhe é infundida a “alma racional”.
Esta posição virou doutrina oficial da Igreja a partir do Concílio de Trento (séc. 16). Mas foi contestada por teólogos, que, baseados na autoridade de Tertuliano (séc. 3) e de santo Alberto Magno (séc. 13), defendem a hominização imediata, ou seja, desde a fecundação trata-se de um ser humano em processo. Esta tese foi incorporada pela encíclica Apostolica sedis (1869), na qual o papa Pio IX condena toda e qualquer interrupção voluntária da gravidez.
No século 20, introduz-se a discussão entre aborto direto e indireto. Roma passa a admitir o aborto indireto em caso de gravidez tubária ou câncer no útero. Mas não admite o aborto direto nem mesmo em caso de estupro.
Bernhard Haering, renomado moralista católico, admite o aborto quando se trata de preservar o útero para futuras gestações ou se o dano moral e psicológico causado pelo estupro impossibilita aceitar a gravidez. E o que a teologia moral denomina ignorância invencível. A Igreja não tem o direito de exigir de seus fiéis atitudes heróicas.
Roma é contra o aborto por considerá-lo supressão voluntária de uma vida humana. Princípio que nem sempre a Igreja aplicou com igual rigor a outras esferas, pois defende o direito de países adotarem a pena de morte, a legitimidade da "guerra justa" e a revolução popular em caso de tirania prolongada e inamovível por outros meios (Populorum progresio).
Embora a Igreja defenda a sacralidade da vida do embrião em potência a partir da fecundação, ela jamais comparou o aborto ao crime de infanticídio e nem prescreve rituais fúnebres ou batismo in extremis para os fetos abortados ... Para a genética, o feto é humano a partir da segmentação. Para a ginecologia-obstetrícia, desde a nidação. Para a neurofisiologia, só quando se forma o cérebro. E para a psicossociologia, quando há relacionamento personalizado. Em suma, carece a ciência de consenso quanto ao início da vida humana.
Partilho a opinião de que, desde a fecundação, já há vida com destino humano e, portanto, histórico. Sob a ótica cristã, a dignidade de um ser não deriva daquilo que ele é e sim do que pode vir a ser. Por isso, o cristianismo defende os direitos inalienáveis dos que se situam no último degrau da escala humana e social.
O debate sobre se o ser embrionário merece ou não reconhecimento de sua dignidade não deve induzir ao moralismo intolerante, que ignora o drama de mulheres que optam pelo aborto por razões que não são de mero egoísmo ou conveniência social, como é o caso da menina do Recife.
Se os moralistas fossem sinceramente contra o aborto, lutariam para que não se tomasse necessário e todos pudessem nascer em condições sociais seguras. Ora, o mais cômodo é exigir que se mantenha a penalização do aborto. Mas como fica a penalização do latifúndio improdutivo e de tantas causas que, no Brasil, levam à morte, por ano, de cerca de 21 entre cada mil crianças que ainda não completaram 12 meses de vida?
"No plano dos princípios - declarou o bispo Duchene, então presidente da Comissão Espiscopal Francesa para a Família -, lembro que todo aborto é a supressão de um ser humano. Não podemos esquecê-lo. Não quero, porém, substituir-me aos médicos que refletiram demoradamente no assunto em sua alma e consciência e que, confrontados com uma desgraça aparentemente sem remédio, tentam aliviá-la da melhor maneira, com o risco de se enganar" (La Croix, 31/3/79).
O caso do Recife exige uma profunda análise quanto aos direitos do embrião e da gestante, a severa punição de estupros e violência sexual no seio da família, e dos casos de pedofilia no interior da Igreja e, sobretudo, como prescrever medidas concretas que socialmente venham a tomar o aborto desnecessário.
Frei Betto é escritor.
Fontes: Jornal "Estado de Minas", dia 12 de março de 2009 / blog O Absurdo e a Graça
terça-feira, 17 de março de 2009
A sombra do suicídio
Uma mulher reúne pequenos pedaços de esperança depois de perder o filho.
Choque: “No momento em que pensei em reconquistar minha família no tranco, Gabriel se suicidou. Ele tinha 23 anos.”
Kheriaty também falou no funeral de Gabriel. Ele produziu uma estrutura para meu desgosto e providenciou descanso para minha mente, que travava batalhas de dúvidas.
Como Gabriel estava caminhando para fora da porta desta vida, eu o chamei, “eu te amo”. Amor é tão forte como a morte, Salomão escreveu. O amor de Deus é mais forte.
Christine A. Scheller é escritora e mora no centro de New Jersey, EUA.
Copyright © 2009 por Christianity Today International
(Traduzido por Sulamita Ricardo)
extraído de http://www.cristianismohoje.com.br/artigo.php?artigoid=38353
segunda-feira, 16 de março de 2009
Defensores da vida ou militantes antiaborto?
Eduardo Ribeiro Mundim
O silêncio sobre a morte da pequena Tititu pode ser entendido como o silêncio deste blog em certos temas: homossexualidade, terrorismo palestino (mas não o terrorismo de estado israelense), dentre outros. Não estão na minha agenda particular neste momento.
Mas como ser pró-vida quando alguém foi condenada à morte por descaso ou desconhecimento (esta última hipótese muito pouco provável), sendo-lhe impedido o acesso ao remédio que a mantia viva?
A santidade da vida é alardeada por muitos como a razão para se condenar o aborto em qualquer situação. Mas como defender esta santidade e permanecer calado quando a cultura é mais importante que uma vida? quando não se fala das mortes de trânsito? quando não se fala na desigualdade de acesso aos tratamentos de saúde?
Aqueles que acertadamente se posicionam ccontra o aborto em qualquer circunstância dão um tiro no argumento da santidade da vida ao ficarem calados à frente do túmulo da Tititu.
Sexta-feira, dia 10 de abril, vamos comemorar mais uma vez a paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Dois dias depois, no domingo, celebraremos a sua ressurreição. Tomemos cuidado para celebrar as duas datas com a mesma intensidade. Em geral damos mais ênfase à paixão, que é de suma importância, contudo a obra salvífica de Jesus se completa na ressurreição. A não-celebração da ressurreição enfatiza apenas o Jesus morto, gerando melancolia e frustração.
Fui criada no sopé de uma favela belorizontina. Meu pai e minha mãe se conheceram na Escola Guignard como alunos do mestre. A paixão em comum, que era a arte, depois se transformou em muitas mais; os pobres, a esquerda política, a literatura, a imprensa e, claro, os sete filhos que geraram juntos. Minha infância se pareceu com a da família descrita por Orígenes Lessa em “O Feijão e o Sonho”, só que sem o feijão. O Sonho e o Sonho viviam pelos ideais que acreditavam em plena subversão ao sistema.